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Mapa astrológico de Nelson Mandela

Por Haroldo Barros
(http://haroldobarros.wordpress.com/)

nelson-mandelaMandela nasce com Sagitário ascendente, signo associado às buscas pela liberdade. Na Casa VIII do seu mapa natal, o Sol em Câncer tem Plutão oriental, ou seja, o poder colocado a serviço da transformação social.

Digo transformação social porque Mandela tem o planeta Marte no signo de Libra, símbolo inequívoco de luta pela justiça e pela igualdade. Ainda mais no início da Casa XI, a casa das grandes causas e revoluções, do serviço prestado à Humanidade. O guerreiro da tribo Xhosa emprestaria sua força à causa de uma África do Sul livre e igualitária, onde ninguém seria “vítima de indignidades ou violência”, como disse em seu discurso de posse no cargo de Presidente de seu país.

Observe-se que Saturno em Leão, na Casa IX, faz um sêxtil (ângulo de sessenta graus, muito positivo) com Marte. À força e combatividade do guerreiro, juntam-se a disciplina e a resistência, o que nos faz lembrar de Napoleão Bonaparte, que dizia que “a primeira qualidade do soldado é a constância em suportar a fadiga; a valentia é apenas a segunda”.

E, como veremos adiante, que fadigas suportou Mandela!

Ingressa no curso jurídico da Universidade de Witwatersrand aos vinte e cinco anos, quando Júpiter (planeta associado aos estudos superiores) progredido alcançou o Sol.

Em 1948, o planeta Marte, progredindo no mapa natal de Mandela, ingressa em Escorpião, signo de sua regência.

Nesse ano, a vitória da extrema direita branca nas eleições o governo, com o Partido Nacional, iria dar início a um regime segregacionista como nunca se vira antes na história.

Começa aí, talvez, a grande e definitiva guerra de Mandela, o que ele chamou de sua “longa caminhada para a liberdade”, título de sua autobiografia.

Em 1952, Urano ativa o planeta Marte no mapa natal de Mandela. Neste ano, inicia-se a Campanha do Desafio, com o Dia do Protesto. Negros de todo o país são convocados a ocupar espaços reservados exclusivamente aos brancos, nos restaurantes, banheiros públicos, repartições, etc. Ao longo desse ano, Mandela é preso varias vezes.

Em 1961, em plena oposição Urano-Urano em seu mapa natal, Mandela cria o movimento “A Lança de Uma Nação”, o braço armado do CNA (Congresso Nacional Africano, partido de Mandela e organismo líder da luta contra o apartheid). Mandela então assumia que a luta contra o regime segregacionista já não poderia ser levada adiante sem violência.

Observe-se que nesse período Urano está em sesquiquadratura (ângulo de 135 graus), no mapa natal de Mandela. A oposição de Urano (no céu) a Urano (no mapa natal de Mandela) ativa essa sesquiquadratura de forma bastante intensa. Nessa época, Mandela passa a usar uma barba ao estilo Che Guevara e roupas militares camufladas. Fala-se, hoje, que teria recebido treinamento sobre o uso de armas, sabotagem e combate corpo a corpo, ministrado por agentes do Mossad, o serviço secreto israelense.

Em Junho de 1964, quando Urano passava pelo Meio do Céu em seu mapa natal (o ponto mais alto da carta), Mandela é julgado por todos os seus atos considerados “terroristas” e condenado à prisão perpétua.

Vinte e sete anos de prisão

Na prisão da ilha Robben, Mandela ocupava um cubículo de dimensões reduzidas e fazia trabalhos forçados.

A Lua no signo de Escorpião, na Casa XII do mapa natal, tradicionalmente associada a prisões e hospitais, é mais uma das marcantes configurações astrológicas de Mandela. Muito sofrimento lhe trouxeram esses anos, além da prisão em si. Sua mãe morre em 1968, acreditando que o filho fosse um criminoso, pois nunca entendera a sua luta. E no ano seguinte, seu filho Thembi morre em um acidente automobilístico.

A Lua em Escorpião é para muitos indicativo de rancor, de mágoas guardadas. Mas parece ter causado efeito inverso em Mandela. Ali ele aprendeu a pensar a logo prazo, escreveu, planejou. E conheceu mais de perto os brancos contra os quais envidara esforços de libertação. Aprendeu sua língua e seus costumes.

E o efeito transmutador de Escorpião fala mais alto. Conhecer o inimigo direciona Mandela a uma atitude apaziguadora, típica do seu Marte em Libra.

Mais tarde, o jovem branco François Pienar, capitão da equipe de Rugby da África do Sul em 1995, ao se referir ao tempo de prisão de Mandela, diria: “Penso em como alguém que foi forçado a passar vinte e sete anos vivendo num cubículo sai dele pronto a perdoar quem o colocou lá”.

Libertação

Em Fevereiro de 1990, com Urano em trígono (ângulo de 120 graus, altamente positivo) com o seu Meio de Céu, Mandela é libertado.

O depoimento de Peter Senge, acima, mostra o contexto em que vivia a África do Sul, naquele momento.

Um nó emocional, violento, segregador e impregnado de ódio, começava lentamente a se desatar.

Nobel da Paz e eleição presidencial

Com o Sol (astro associado à autoridade) ativado simultaneamente por Plutão e Urano, os grandes transformadores, Mandela divide o Prêmio Nobel da paz com de Klerk.

Em seu discurso, assinalou: “O valor deste prêmio que dividimos será e deve ser medido pela alegre paz que triunfamos, porque a humanidade comum que une negros e brancos em uma só raça humana teria dito a cada um de nós que devemos viver como as crianças do paraíso”.

No ano seguinte, Mandela é eleito Presidente de seu país. Inicia-se um longo e complexo processo de unificação que deveria começar com a gradual destruição das barreiras entre brancos e negros.

Em seu discurso de posse, Madiba, como é carinhosamente chamado por seus seguidores, em honra ao seu clã de origem, assinala:

“Ninguém nasce odiando outra pessoa por causa da cor da sua pele, da sua origem ou da sua religião. Para odiar, é preciso aprender. E, se podem aprender a odiar, as pessoas também podem aprender a amar”.

Madiba e os Astros

A África do Sul ainda é um país cheio de contrastes e desigualdades. Mas graças a Mandela e sua liderança inspiradora, iniciou pacificamente o seu processo de transição política.

Uma liderança que fez o presidente Barack Obama referir-se a ele, em discurso na cerimônia fúnebre, em Johannesburgh, como um “gigante da justiça”. E continua Obama, também ele o primeiro negro a ser eleito presidente de seu país:

“Embora eu me sinta sempre abaixo do exemplo de Mandela, ele me faz querer ser um homem melhor. Deixemo-nos buscar por sua força, sua grandeza de espírito, em algum lugar dentro de nós. E quanto a noite estiver escura, quando a injustiça pese sobre nossos corações, pensemos em Madiba”.

E como explicar, à luz da milenar ciência dos céus, esse fenômeno de liderança?

Na verdade, a mais marcante configuração astrológica no mapa natal de Mandela não é a sesquiquadratura entre Marte e Urano, que faz o guerreiro das grandes causas. Ou o sêxtil de Marte e Saturno, que confere a resistência ao guerreiro. Ou ainda Mercúrio, igualmente em sêxtil com Marte, que lhe confere uma oratória bombástica. Ou o ascendente em Sagitário, que o inspira a iniciativas pela liberdade. Ou mesmo a transmutadora posição da Lua no signo de Escorpião, que lhe instiga o perdão, mesmo aos seus perseguidores. Ou sequer a posição do planeta Marte no signo de Libra, que o leva a lutar ferrenhamente pela justiça.

Ao observarmos, vemos que o ponto mais marcante, a configuração dominante do mapa natal de Mandela é o planeta Vênus!

Ou seja, o planeta do amor, do sentimento, da sensibilidade.

Foi portanto, por amor, que Mandela fez o que fez. Foi por Amor que abdicou da posição nobre em seu clã de origem e foi estudar Direito.

Foi por Amor que convocou seus irmãos à luta por um mundo melhor.

Foi por Amor que deu o exemplo de perdão e redenção que tornou a África do Sul “um farol luminoso para todos os povos”, segundo suas próprias palavras.

E foi por Amor que resistiu bravamente aos impiedosos vinte e sete anos de reclusão e trabalhos forçados, em que aprimorou o caráter, o comportamento e os ideais.

A esse respeito, vale citar o poema de autoria do escritor britânico William Ernest Henley (1849-1903), que, segundo o próprio Mandela, deu-lhe forças para enfrentar a injustiça, as dores e angústias da prisão e continuar a sua caminhada pela liberdade.

Invictus

Desde a noite que sobre mim se abate
Negra como um insondável abismo
Agradeço a quaisquer deuses que existam
Por minha alma inconquistável.
Sob as garras cruéis das circunstâncias
Eu não recuei e nem me gritei
Sob os duros golpes do destino
Minha cabeça sangra, mas permanece erguida
Mais além deste lugar de fúria e lágrimas,
Jazem os horrores da sombra.
Mas a ameaça do tempo
Me encontra e me encontrará, destemido.
Pouco importa quão estreito seja o portão
Quão repleta de castigos a sentença,
Eu sou o senhor do meu destino
Eu sou o capitão da minha alma.
(William Ernest Henley)

Dica cinematográfica
O filme Invictus (USA, 2009), dirigido Clint Eastwood, em que você vai ver a história verdadeira de como Nelson Mandela atua usando o esporte como ferramenta de unificação do país. Morgan Freeman, no papel de Mandela, e Matt Damon dão um show de interpretação.

Você descobrirá qual é a verdadeira essência da liderança: o Amor.

Detalhe: o diretor Clint Eastwood tem ascendente a dezoito graus de Escorpião. Se fizermos uma sinastria, ou seja, se cruzarmos os mapas , veremos que esse ponto coincide com a posição da Lua de Madiba. Talvez tenha sido por isso que Eastwood consegui retratar tão bem a luta, as angústias e, sobretudo, o Amor de Nelson Mandela.

Nota

Não encontrei nenhuma tradução que julguei inteiramente adequada ao poema Invictus. Assim sendo, peguei trechos de umas e outras traduções e, quando nem assim fiquei satisfeito, fiz eu mesmo algumas inserções.

Como dizem os italianos, ogni traduttore é um traditore, um trocadilho para dizer que todo tradutor é um traidor.

Assim sendo, para evitar traições, já que o meu inglês não é dos melhores, aí vai o original.

Invictus

Out of the night that covers me,
Black as the pit from pole to pole,
I thank whatever gods may be
For my unconquerable soul.
In the fell clutch of circumstance
I have not winced nor cried aloud.
Under the bludgeonings of chance
My head is bloody, but unbowed.
Beyond this place of wrath and tears
Looms but the Horror of the shade,
And yet the menace of the years
Finds and shall find me unafraid.
It matters not how strait the gate,
How charged with punishment the scroll,
I am the master of my fate:
I am the captain of my soul.
(William Ernest Henley)

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