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‘Precisamos recuperar a autonomia relativa à saúde fundamental!’ Confira entrevista com Sonia Hirsch!

Por Lu Rabelo*

 1. Como e quando você decidiu se dedicar a escrever sobre saúde?

Sonia Hirsch – Foi no final de 1982 – depois de passar 5 anos estudando formas de alimentação e medicina natural e oriental, por conta própria, resolvi retomar a carreira de joarnalista, interrompida em 1976, para escrever especificamente sobre ter e manter a saúde.

Ver também:
http://www.correcotia.com/sonia/ e
http://correcotia.com/sonia/promovendo_a_saude.htm

2. Na nossa sociedade nos é tirado o poder que temos sobre a nossa saúde, o nosso poder de cura. A medicina alopática, a indústria farmacêutica, nos induz a tratar nossos desequilíbrios com remédios que na maioria das vezes, ao invés de fortalecer, enfraquece nosso sistema imunológico. Infelizmente não confiamos mais nos médicos, em seus diagnósticos rápidos e receitas, deixando-nos inseguros sobre o procedimento correto. O que fazemos?

Sonia Hirsch – A sociedade pode ser um rebanho caminhando para o matadouro sem se dar conta, mas as pessoas, os indivíduos, têm o poder da escolha. Para escolher precisamos de discernimento, e o discernimento depende muito da tradição cultural, da educação, da informação e das circunstâncias. O que estamos vivendo é uma anulação total das tradições e do conhecimento acumulado, em favor de novidades que se sucedem e nunca nos satisfazem.

Precisamos recuperar a autonomia relativa à saúde fundamental – comer bem, dormir bem, fazer exercícios, respirar um ar puro, beber uma água limpa, ter relações sinceras com os outros. O ar e a água, tão fundamentais para a saúde, mais ainda do que o alimento, estão muito comprometidos nas grandes cidades, mas indo para o interior a coisa muda, e o que não falta no Brasil é interior.

3. Um assunto delicado, mas que precisa ser abordado: o tratamento do câncer. Na medicina convencional o tratamento do câncer é realizado com quimioterapias, radioterapias e cirurgias. Milhares de pessoas, no entanto, continuam morrendo, mesmo seguindo as receitas médicas (tratamento que enfraquece o sistema imunológico, queima, mutila). Será que um olhar mais integral do ser humano, incentivando o autoconhecimento, a auto expressão e a reconexão consigo, com o poder de cura pessoal, não é fundamental para a cura de doenças multifatoriais como o câncer?

Sonia Hirsch– Sim, certamente, mas isso tem que vir de dentro de cada pessoa, é o tal poder de discernir e escolher. Alguém que tenha confiança em si e na capacidade regeneradora da natureza não vai andar atrás de exames e médicos. Mas acontece que grande parte da população não vive em condições ideais e não tem autonomia; sabe que come errado, que dorme mal, mas tem que continuar trabalhando e fazendo exames que eventualmente vão mostrar alguma coisa. Essa coisa poderá evoluir ou não, mas a pessoa já se sente condenada e se submete sem maiores questionamentos.

Em 1996 publiquei um livro sobre a dieta do dr. Raul Barcellos contra o câncer (e todas as alergias) . Muita gente seguiu e segue. É a minha dieta predileta para desinchar, desinflamar os tecidos, emagrecer, desintoxicar; é a que estou fazendo no momento, depois dos excessos do inverno, que sempre dá vontade de comer mais, beber um vinho, repetir a sobremesa…

4. Sobre as proteínas animais, a gente fica louca com tanta informação contraditória na mídia. Afinal, nos seus estudos, leite, carne e ovos devem ser retirados e substituídos numa dieta saudável?

Sonia Hirsch – Leite e derivados tendem a fazer mal à maioria das pessoas, porque além de terem proteínas próprias para o desenvolvimento de um animal de outra espécie, quadrúpede e ruminante, são produtos altamente industrializados. A alimentação hoje se divide em duas grandes partes: alimentos de verdade e produtos alimentícios, que são falsos alimentos empacotados como se fossem comida. A pessoa que consome produtos lácteos todos os dias, e tem sintomas como dor de cabeça, sinusite, corrimento, intestinos irregulares e asma, por exemplo, pode se sentir maravilhosamente melhor se passar 3 dias sem eles. Aí poderá avaliar a influência que exercem em seu corpo e mente. Até os pensamentos clareiam sem laticínios – e sem açúcar, que hoje em dia todo mundo sabe que faz mal.

Carne, peixe e frango podem ou não ser necessários dependendo da pessoa. Tentei ser vegetariana por mais de 10 anos e me senti bem quando voltei a comer um pouco de carne, inclusive vermelha. Me dá mais pique. A onda sátvica, suave, dos vegetarianos, é muito agradável, e a filosofia muito bonita e integradora, por isso resisti durante tanto tempo; mas uma certa energia me fazia falta e eu não conseguia produzi-la dentro de mim. Quando aceitei o conselho de um amigo médico, dr. João Curvo, dietologista formado também em medicina chinesa, e voltei a me alimentar de tudo, melhorei muito. Mas faz muita diferença serem orgânicos. Especialmente no caso do frango. E ele fica caro.

5. Quem vive nas grades cidades, bombardeado pela mídia de massa, como pode driblar as insistentes ofertas de alimentos industrializados e ‘fast foods’?

Sonia Hirsch – Tem que ter mundo interno, convicções profundas e disciplina, né não? Sabendo que são de má qualidade, por que vai cair em tentação? Só se quiser. Sempre se pode escolher. Ou levar comida de casa, se for mesmo necessário. Mas quem come em fast food é quem quer seguir as modas. O operário vai ao botequim e pede um PF, prato feito, com arroz, feijão, um tipo de carne, tomate, cebola. Não é o máximo mas é melhor do que hamburguer com fritas e refri.

6. Além dos alimentos contaminados por agrotóxicos, temos ainda o problema dos transgênicos. Quais são os riscos desses alimentos?

Sonia Hirsch – Todo dia saem coisas novas a esse respeito. Existe um boletim muito bom, AS-PTA boletim@aspta.org.br , que me mantém informada e cuja leitura recomendo. Não entro nessa discussão mas repudio os transgênicos. Entendo que o Brasil tem feito um esforço para exportar muito e que a tentação de liberar os transgênicos foi maior do que a razão, mas acredito que isso vai se modificar em poucos anos. Há muitos estudos concluindo contra seu uso e os próprios agricultores estão preferindo voltar à agricultura convencional.

7. O uso de sabonetes, xampus, pastas de dentes, cremes, enfim, dos cosméticos tão presentes nos nossos hábitos de higiene e ‘embelezamento’ diário são prejudiciais à saúde?

Sonia Hirsch – Bem, não se pode generalizar nada; algumas pessoas vão usar tudo, comer mal, beber muito e viver bem. Voltamos à questão das convicções. Eu não passo na pele nada que não comeria, porque ela é um órgão de absorção, vai levar as químicas para o sangue. Uso óleo virgem de coco no corpo e no rosto. Já no cabelo, como é grisalho, acabo usando os xampús cinzentos, ou azulados, que deixam uma tonalidade bonita – e são completamente tóxicos. Pasta de dente, se você pegar uma lupa e ler aquelas letrinhas microscópicas verá que a indicação é usar o equivalente a uma lentilha por escovada. Só que a propaganda recobre toda a superfície da escova. A Anvisa não vê isso… Proíbe o Elixir de Inhame, que há mais de 100 anos ajudava a limpar e curar as pessoas, inclusive de dengue, e deixa o povo se entupir de outras toxinas.

Viver é perigoso. Não tem como sair ileso de tudo. A gente só faz o que pode. Se acertar mais de 50% das vezes, já está bom.

8. A alimentação saudável é, sem dúvida, uma grande aliada da saúde. Que outras práticas e hábitos você considera fundamental para se viver bem?

Sonia Hirsch – Fazer exercícios para acelerar o metabolismo e estimular todos os órgãos e funções; manter uma respiração profunda e tranquila, lembrar-se de respirar bem; relaxar naturalmente para dormir e não perturbar com pensamentos o lago profundo do sono; ter amigos, dar risada com eles, trocar afetos; cultivar algumas virtudes, como a paciência, a temperança, a generosidade – e procurar desenvolver o sentimento de compaixão, já que todos sofremos e todos queremos a felicidade.

9. Li recentemente uma postagem sua no seu blog falando da capacidade de auto regulação do corpo. Fale um pouquinho dessa busca natural de equilíbrio do nosso corpo!

Sonia Hirsch – Se você não se importa, poderia colher essa resposta a seu gosto lá no texto… porque eu diria o que está lá!

(Leia o texto completo aqui!)

11. Além de exercitar a arte da culinária e da escrita, em quais outras artes você se expressa?

Sonia Hirsch – Sou muito envolvida com música e fotografia, duas paixões.

12. Você está escrevendo alguma nova publicação? Teremos um novo livro de Sonia Hirsch em breve? Se sim, qual será o tema abordado e qual a previsão de lançamento?

Sonia Hirsch – No momento estou atualizando todos os meus livros, na forma e no conteúdo. Depois disso vou pensar em um novo projeto.

13. Deseja falar sobre algo mais?

Sonia Hirsch – Obrigada!

* Entrevista realizada por Lu Rabelo, para o Portal Flores no Ar, no ano de 2012.

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