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‘Queremos resgatar o que há de mais belo no masculino!’

amigos guerreiros

Por Lula de Oliveira

Hoje percebo que há muitas couraças em mim. Falam que os homens podem fazer tudo. Não é verdade. Descobri, por exemplo, que um homem não pode tocar no outro. Precisa dar um tapa, talvez um abraço no estádio de futebol. Mas carinho não pode. “Isso é coisa de gay” (como se ser gay também fosse algo menor). Percebi que nós, homens, estamos privados de muitas coisas e nem percebemos. Privados, por exemplo, de reconhecer a grandeza do feminino, como se essa energia tão poderosa fosse algo inferior e acessório. Quanto desperdício!

Estive cinco anos caminhando com amigos guerreiros dispostos a descobrir mais. Nossa palavra de ordem era: transparência. Pudemos dizer o que sentíamos num ambiente onde não fossemos frontalmente julgados. E dissemos. Sem vergonha. Sim, os homens costumam ter muita vergonha. Não falam sobre sexo, afeto ou dúvidas existenciais. Parece mais “seguro” colocar o pau na mesa, fingir que está ganhando rios de dinheiro e comendo um harém. Mas isso esconde uma imensa fragilidade. E nós nos dispomos a cuidar dela. Foi aí que vi o quanto o masculino pode ser forte. Me emocionei. Sim, o masculino, em toda sua potência ativa e yang, pode servir à vida. Quanta coragem um homem precisa para amar uma mulher livre? Quanta coragem precisa um homem para amar um homem livre? Pra varrer o chão? Pra cuidar dos filhos ou para defender o seu mais sagrado propósito no mundo?

Nossa proposta jamais foi enfraquecer o masculino. E quantas vezes isso foi mal interpretado: vocês querem resgatar o machismo? Não. Queremos resgatar o que há de mais belo no masculino. Porque assim como o feminino, o masculino tem sua beleza particular.

Neste percurso, aprendemos que tem hora de ser firme e tem hora de ceder; aprendemos que nem sempre vamos saber a diferença e, em alguns casos, vamos ter de decidir mesmo assim; aprendemos que podemos ouvir e pedir ajuda; que podemos dançar do nosso jeito; que podemos dizer eu te amo pro nosso pai; que existe Algo Maior que vai além de qualquer religião; que podemos acolher a profundidade de nossa mulher, admirando sua vastidão sem medo; que podemos amar quem sente ou pensa diferente; aprendemos que podemos ser grandes amigos de homens gays e que esse é um critério irrelevante: são nossos amigos, ponto final; aprendemos que não estamos tão sozinhos assim em nosso sofrimento secreto e que podemos chorar juntos; aprendemos que às vezes não choraremos de propósito porque queremos ser vitoriosos no futebol, bater as metas do trabalho ou ter controle emocional em momentos que demandam nossa razão: não chorar também faz parte; aprendemos que não teremos todas as respostas e que, mesmo sem elas, às vezes vamos ter de arriscar e definir um rumo; aprendemos a estar no front, dar a cara a tapa, não nos acovardar e ir pra dentro da relação; aprendemos que a violência esconde uma ferida antiga, que precisa de colo, mas também de limite; aprendemos que temos muitas sombras e preconceitos, muitas virtudes e sabedorias. É impossível dizer o quanto aprendemos.

Hoje estamos orgulhosos.

Não foi uma missão à Índia numa pequena caravela contra o oceano. Foi uma missão pra dentro do coração masculino. Depois das armaduras, da superfície árida, da timidez, há um brilho incomum que habita nos olhos de todos os homens. É preciso ter coragem pra ver. E também pra mostrar. É algo lindo. Imperdível.

Hoje estamos orgulhosos porque enfim também descobrimos que o masculino é uma energia inocente.

Parabéns, amigos!

Agradecemos a todas as pessoas que nos ajudaram a chegar até aqui. Só foi possível com o imenso apoio de vocês. A maioria, aliás, mulheres que nos ensinaram e nos incentivaram a resgatar esse tesouro.

Nossa missão foi cumprida.

Que agora possamos usufruir com gosto e descobrir novas paisagens.