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[INTEGRANDO SAÚDE] Escuta Compassiva como recurso terapêutico. Antes de ajudar, ouvir… apenas ouvir!

Foto: holiho (Licença Creative Commons)

| Por Gabriela Sencades Migge* |

Um recurso básico que todo terapeuta deveria ter é a capacidade de ouvir. Parece estranho dizer, mas pouquíssimas pessoas ouvem com plenitude o que o outro diz. Estamos todos tão cheios de nós mesmos que quando vamos ouvir, a mente agita-se e se torna um emaranhado de pensamentos e opiniões que nos impedem de realmente ouvir o outro. Antes de qualquer coisa precisamos aprender a ouvir. Não apenas com os ouvidos, mas fundamentalmente com o coração. A este recurso básico, um grande professor chamou de ‘escuta compassiva’.

“Na escuta compassiva, você precisa ouvir o outro de forma tal que a compaixão permaneça em você o tempo todo. Esta é a verdadeira arte.” Thich Nhat Hanh (em “A Essência dos Ensinamentos de Buda”)

De imediato os benefícios da escuta compassiva seriam: escutar de forma presente o outro, libertar-se de nossas próprias crenças e opiniões limitadoras, dar ao narrador acolhimento terapêutico, onde o ato de escutar por si só já produz benefícios ao outro, além de proporcionar ao falante que ele busque a essência de seu próprio sofrimento ao se expressar falando.

Um primeiro ponto que teríamos a observar, não só enquanto terapeutas, mas enquanto pessoas que querem ajudar de alguma forma, seria a qualidade da nossa escuta. Para ela ser realmente qualitativa, nossa mente deve estar calma, serena e completamente em silêncio, ilimitadamente aberta para o outro depositar qualquer conteúdo, como um quadro negro onde é possível desenhar, escrever, rabiscar qualquer coisa.

Desenvolver a escuta é treino diário e requer “solitude”, quietude, análise profunda de nossos próprios pensamentos, libertando nossa mente de nossos próprios conteúdos. Cultivando atenção eu consigo acolher o outro com profundidade. Escutando com qualidade nós dizemos tacitamente ao outro “estou aqui para lhe ajudar com muita verdade e respeito pelo seu ser.”

Um segundo ponto, é que seria extremamente necessário nos libertarmos de todo tipo de pré-conceito limitador. Ao tomarmos consciência que somos humanos, nascidos em determinada época e em situações políticas, sociais culturais e religiosas que intervêm em nossa maneira de pensar e agir, nos liberamos de todo “achismo” sobre a vida do outro. Pois, ao nos compreendermos maiores que nossas crenças, adquirimos liberdade e consciência para entender que o outro também é maior que as crenças dele. Assim não “rotulamos” ninguém disso ou daquilo, afinal somos todos livres agindo sob certas condições. Quando mudamos essas condições, nós mudamos também a forma de agir.

Logo, ajudar com propriedade reside em fazer o outro entender que se pode mudar toda e qualquer condição que nos limite e nos traga doenças, sejam físicas, mentais ou emocionais. Entendendo isso, podemos apenas escutar. E esse “apenas escutar” é carregado de compaixão, pois entendemos as condições do sofrimento, mas vemos imediatamente o outro livre delas também.

Como recurso terapêutico, indico a escuta compassiva para aquelas pessoas que eminentemente necessitam falar. Pois falar para elas é seu modo de conseguir atenção de alguém, de se sentirem acolhidas por alguém. Para estas pessoas há um alívio imediato no ato de falar. Esse alívio, para nós, terapeutas holísticos, é visto como abertura energética, um desbloqueio de energia que provavelmente seria a causa mais profunda do seu adoecimento. Quando esse desbloqueio acontece, o tratamento energético em si terá resultados mais eficientes.

Porém, nem toda pessoa tem o desejo de falar, seja em uma primeira sessão, seja em todo o tratamento, mas isso não é fundamental para que o tratamento energético ocorra e também não vamos “deixar de lado” a escuta compassiva, pois usando da escuta compassiva eu consigo “ouvir” o que o outro não quer falar, afinal estamos escutando com o coração, logo entendemos que cada indivíduo é único e que antes de tudo é preciso respeitar as individualidades.

Assim, o terapeuta deve fazer uso de sua sensibilidade e deixar o cliente o mais confortável possível, seja abrindo espaço para fala ou apenas aplicando suas técnicas. Interrogar o paciente exaustivamente ou enchê-lo de conselhos, sem ele ter reconhecido o terapeuta como pessoa capaz de gerar confiança e sabedoria, não terão grandes efeitos terapêuticos, uma vez que nem sempre as pessoas querem conselhos para sua vida, mesmo que tais conselhos sejam carregados de sabedoria.

É preciso ainda considerar que o terapeuta energético não é psicoterapeuta e em nenhum momento deve tentar substituí-lo. E uma vez que o terapeuta perceba que o cliente busca por conselhos insistentemente deve orientá-lo para procurar o profissional habilitado para tal (psicólogo, psiquiatra etc). Dessa forma o terapeuta holístico não é psicólogo e deve deixar claro ao cliente, mas poderá fazer uso de seus ouvidos como instrumento hábil para aliviar tensões e bloqueios relacionados à fala.

Em síntese, visando um desbloqueio energético imediato pela fala, o terapeuta entrega seus ouvidos e sua presença com muita qualidade, de forma que o paciente se sinta acolhido e amparado, se assim perceber que este precisa de espaço para sua expressão. Não esqueçamos que a fala também é energia, que quando não liberada provoca uma série de danos físicos, mentais e emocionais, como baixa autoestima, problemas na tireoide, tristeza profunda, depressão, dores de garganta, problemas respiratórios e pulmonares, além de problemas sexuais, como impotência, frigidez ou excesso de desejo.

Por fim, escutar com compaixão é ter paciência para esperar que aquele desbloqueio aconteça naturalmente. Assim, o núcleo de energia localizado na garganta vai se liberando paulatinamente das verdadeiras raízes do sofrimento. Claro que muitos clientes vão falar como um “disco arranhado” sempre repetindo coisas já ditas; nesse caso, pode-se dizer breve e amorosamente que ele já falou tal coisa inúmeras vezes e que agora seria o momento de falar o que ele nunca falou, no intuito de trazer a consciência do indivíduo à verdadeira raiz do desconforto posto.

Com paciência e amorosidade o terapeuta irá oferecer uma escuta profunda, o que é uma riqueza bem rara de se encontrar, alguém que nos escute com plenitude, de forma amorosa e sem julgamentos. Desse modo o cliente irá falar coisas que ele realmente não diria e aí está a chave para a cura. A fala, consequentemente, se torna o meio de libertação quando o terapeuta se dispõe a ouvir… apenas ouvir.

Bibliografia
– Chianca, Eduardo, Frequencias de Luz. Edição do autor, 2011.
-Correia, Ana Karina Correia, Chakras, a influencia dos chakras nos aspectos psicológicos e fisiológicos do ser humano, Universidade de Fortaleza, 2017.
– Han, Thich Nhat, Answers from the Heart, Tradução: Leonardo Dobbin. http://www.viverconsciente.com/news/140719.html
Hoffman, Gene Knudsen, Cyntyhia Monroe e Leah green, Escuta compassiva, traduzido por Marcia Gama, Santa Barbara, Califórnia, Janeiro, 2006.

* Gabriela Sencades Migge é terapeuta holística e co-fundadora do Espaço Cuidar. É mestra em reiki, frequenciadora de luz, aurículoterapeuta, terapeuta floral, terapeuta prânica, facilitadora em meditação. Acupunturista e Fitoterapeuta em formação.
Atende no bairro das Graças no Recife-PE, Brasil.
Contatos: (81) 9.9163-5351 (claro/whatsapp). Facebook e instagram: espacocuidarrecife.
Atendimentos via Skype: Gabi Sencades.
Mais informações: www.espacocuidarrecife.wixsite.com/terapiasintegrativas

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