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“Sempre acreditei que aquele que considera cuidadosamente a alma do outro deve voltar-se intensamente para a arte”. Confira entrevista com Lorena Kim Richter!

lorena kimConfira entrevista com a especialista Junguiana Lorena Kim Richter, tradutora de vários livros Junguianos!

Quem é Lorena Kim Richter e com o que você trabalha?
Sou psicóloga junguiana. Fiz pós-graduação em psicologia junguiana e mestrado na área clínica, no qual o meu enfoque foi a religião ocidental sob a perspectiva de C.G.Jung. Após o meu mestrado comecei a atuar como professora convidada e supervisora clínica em pós-graduações junguianas no Rio de Janeiro, nas Universidades Veiga de Almeida, Santa Úrsula e Estácio de Sá. Em 2005 passei a fazer traduções escritas e consecutivas alemão-português tanto para a área da teoria sistêmica, como junguiana. Atuo há 15 anos como psicóloga clínica em consultório particular. Em 2011 entrei no Projeto Viva e Deixe Viver. Sou contadora de histórias voluntária em um hospital pediátrico.

Como você se interessou pelos contos de fadas?
Acredito que o interesse pelos contos de fada se deu da mesma forma como se dá para várias pessoas. Foi semeado durante a infância. Nasci nos anos setenta, filha de família austro-alemã. Os contos dos irmãos Grimm sempre estiveram muito presentes quando pequena. Lembro nitidamente das imagens que algumas histórias evocavam, dos livros grossos e pesados que continham essas maravilhas. Considero bastante importante o fato de eu ter tido acesso aos contos em sua forma mais original, menos permeados pelo cinema comercial ou pelo furor politicamente correto. Depois esse mundo se perdeu um pouco e só foi resgatado na vida adulta. O desencadeador foi o projeto no qual atuo como contadora de histórias em hospital pediátrico e todas as oficinas de contação de histórias que venho buscando desde então para me aprimorar.

Qual a importância dos contos de fadas e das narrativas no seu fazer?
Sempre acreditei que o bom psicólogo, aquele que considera cuidadosamente a alma do outro, deve, além de toda teoria, voltar-se intensamente para a arte. Nesse caso a literatura, a ficção: os romances, a poesia, os contos de fada, mitos, narrativas orais. No fundo, é este material simbólico que encontramos nos relatos de nossos pacientes. Ele está sempre presente, nas entrelinhas do discurso, nas imagens oníricas, no anseio por representar o que os move.

Os contos de fada mais especificamente são extremamente coletivos, indicam simbolicamente como homens, mulheres e crianças solucionam os grandes desafios da vida desde sempre. Os contos se dão num espaço e tempo indeterminado, em uma terra distante, depois dos sete mares, há muito tempo- um espaço onde existe um destino básico comum ao gênero humano.

Para Jung os mitos e contos são uma metáfora para a atividade do arquétipo. O ser humano não se contenta em observar o mundo ao seu redor, este precisa simultaneamente constituir um evento psíquico. O encontro entre homem e “realidade” se dá justamente através da imaginação.

O que os contos e as narrativas têm a nos dizer na atualidade?
Percebo que atualmente há um forte resgate do ‘ouvir e contar histórias’. Nas cidades grandes pululam oficinas de contação, simpósios, rodas de histórias e há também importantes projetos que levam essas atividades para os espaços de saúde e educação como hospitais, asilos e escolas. De alguma forma há um anseio por meios que simbolizam os nossos dramas, dores, impasses e entraves e que indicam saídas inusitadas, não esperadas e, ao mesmo tempo, tão próprias do imaginar e do humano. À medida que perdemos o acesso ao acervo simbólico de nossa cultura, a vida torna-se excessivamente literal e banal. A arte de contar e ouvir, seja em uma apresentação performática no palco ou numa roda na praça do bairro, resgata justamente essa dimensão simbólica e vital.

 

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