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[HAROLDO BARROS] Marte em conjunção com Plutão

Por Haroldo Barros |

Aos vinte e um graus do signo de Capricórnio, os planetas Marte e Plutão se encontram, dando início a uma fase de ativação de nosso herói interior.

Segundo os estudiosos da simbologia arquetípica e do inconsciente coletivo, todos os nossos processos de aprendizagem, crescimento e mudança tem características heróicas, ou seja, seguem uma seqüência de passos idêntica, simbolicamente falando, às aventuras dos heróis mitológicos. A própria figura mitológica do herói, pelo seu nascimento, sua genealogia e suas capacidades, em muito se assemelha à estrutura simbólica do homem, em suas buscas pela individuação, evolução e realização.

Se prestarmos atenção, veremos que cada um de nossos projetos, fases de vida, histórias de sucesso ou fracasso, apresentam marcadas semelhanças com mitos como os Trabalhos de Hércules, a vitória de Perseu sobre a Medusa ou de Teseu sobre o Minotauro, pois cada uma dessas narrativas nos evoca e nos remete a verdades primordiais, cujo cenário de ação é a própria alma humana.

E essa é a função do mito: falar-nos, através de narrativas, de coisas que não podem ser faladas, a não ser de forma indireta.

O encontro entre Marte e Plutão é indicativo da ativação, em nosso interior, do arquétipo heróico. Ou seja, daquela parcela de nossa psiquê que sonha e resolve perseguir esse sonho: busca e encontra suas armas, luta, mata, sofre, enfrenta o dragão, transforma-se e alcança a imortalidade.

Durante os próximos dias, esse herói estará convidando-nos ao início de grandes combates: novos projetos, novas viagens, novas etapas, novos desafios. E qualquer projeto iniciado ou (re)ativado nesta fase conta com os poderosos auspícios desta conjunção, o que lhe reforçará as possibilidades, conferindo-nos mais determinação, coragem, lucidez para enfrentar os dragões ao longo do caminho e, o que pode ser o mais interessante, um grande encanto pelo próprio processo em si, independentemente dos seus resultados.

Vamos agir?

Análise Cíclica

Independentemente da qualidade própria desse momento, sinalizada pela oposição Sol-Plutão, do ponto de vista ciclológico cabe também uma observação.

Como já comentamos em outros artigos, nesta coluna, o ciclo sinódico entre dois planetas se dá da seguinte maneira: na conjunção (quando os dois planetas se encontram no mesmo grau do Zodíaco), inicia-se um ciclo, novas sementes são lançadas, algo novo começa. O planeta mais rápido continua avançando e, na oposição(quando os planetas estão a 180º), esse ciclo atinge o seu máximo. Nesse ponto, as sementes lançadas no momento da conjunção frutificam (para bem ou para mal) e rendem resultados. Mas, entre a conjunção e a oposição e vice-versa existem dois momentos em que os planetas se colocam em quadratura (a 90º um do outro). Os pontos de quadratura representam momentos de crise, de oportunidade. A quadratura crescente (entre a conjunção e a oposição) está relacionada a crescimento. Às vezes, nesta fase, faz-se necessário um ajuste ou reordenamento de metas, para que os projetos ou vivências iniciadas na conjunção continuem ou até mesmo se extingam de vez. Já a quadratura minguante (entre a oposição e a conjunção) está relacionada a uma crise que solicita novos ajustes, porém com vistas ao encerramento do processo.

E, na nova conjunção, o ciclo é definitivamente encerrado e um novo se inicia.

Alguns desses ciclos duram um mês, como é o caso dos ciclos envolvendo a Lua. Outros duram vinte anos, como é o caso do ciclo Júpiter-Saturno. E outros ainda duram dos anos a dois anos e meio, como é o caso deste ciclo Marte-Plutão.

Quando observamos esse tipo de ciclo, percebemos que o tempo e seu desenrolar em nossa vida fica impregnado de significados. E vivemos em meio a uma infinidade desses ciclos, que se mesclam e se interpenetram entre si.

A vez mais recente em que Marte e Plutão fizeram uma conjunção foi em Outubro de 2016. Avalie com cuidado: que sementes você lançou, nos entornos desse momento? Que projetos ou vivências você iniciou aí?

Marte e Plutão fizeram uma quadratura crescente em Fevereiro de 2017. Pergunte-se: que tipo de crise de ajustamento seu projeto ou vivência passou, durante esse momento?

A oposição Marte-Plutão ocorreu em Junho/Julho de 2017. Aí aconteceu o apogeu do ciclo. Que frutos você colheu?

A quadratura minguante Marte-Plutão ocorreu em Novembro de 2017. Eis aí o momento da crise final, o princípio do fim do ciclo.

E a conjunção Marte-Plutão ocorrida agora, em Abril de 2018, encerra o ciclo iniciado em Outubro de 2016 e começa outro, que deverá desenrolar-se da seguinte maneira:

Quadratura Crescente: em Janeiro/Fevereiro de 2019;

Oposição: em Junho de 2019;

Quadratura Minguante: em Dezembro de 2019;

Nova conjunção: Março de 2020.

Fique atento. E aproveite para usar os momentos cíclicos a seu favor, em vez de nadar contra a correnteza cósmica.

Dica cinematográfica

O filme  O Pescador de Ilusões (The Fisher King, USA, 1990). Uma belíssima metáfora sobre a condição humana, dirigido por Terry Gillian e estrelado por Robin Williams e Jeff Bridges, onde você vai se surpreender ao ver como os mais improváveis heróis resgatam os mais improváveis ideais, em meio às agruras do mundo.

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