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‘Tecelagem lenta’, por Carolina Cosentino

A arteterapeuta Carolina Cosentino realizou no início de novembro de 2014 a mostra ‘Renda’, no espaço Peligro, no Recife. A exposição foi resultado de uma Residência Artística que a arteterapeuta fez durante o período de uma gestação (nove meses). Ela utilizou a escrita e a vídeo-arte como recursos para elaborar o conteúdo da pesquisa intitulada ‘A casa e seus fantasmas imaginários’. Para conhecer mais o trabalho, o Portal Flores no Ar publica um texto da própria Carolina, ilustrado com fotos das obras. Apreciem!

Tecelagem Lenta

Por Carolina Cosentino

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O trabalho que apresento é parte do trajeto de uma vida, de um processo de busca interior. É a tentativa de demarcar um conteúdo emocional disperso que se alastra, alcançando minhas raízes genéticas e culturais. Mais que arte, é a transgressão necessária, a libertação de muitos fantasmas internos. Conceituo por fantasmas aquelas vivências infantis e pré natais que repercutem inconscientemente em nossas ações, muito tempo depois do momento em que se originam. Assim como certas experiências de nossos antepassados que perpassam gerações, numa espécie de herança emocional sentida, porém não decodificada.

06Se esta memória permanece inscrita no corpo, é possível reordenar o passado, realizar uma digestão emocional do que ficou marcado. Nesse sentido, durante a pesquisa, ao iluminar a escuridão de minha estrutura física, revelou-se não a configuração do trançado superficial que constitui a pele, mas as raízes de uma protegida intimidade. A imersão na residência foi de fato transformativa. Teceu delicada renda no interior de meu ser, onde partes dessa história finalmente puderam ancorar e encontrar momentos de alívio.

A experiência de morar num centro cultural foi como uma viagem ao estrangeiro em minha própria terra. Ao todo foram nove meses, uma gestação. Somente assim pude parir uma obra que na verdade, é uma tentativa de organização de uma espécie de caos interior. O tema da investigação ‘A casa e seus fantasmas imaginários’ apresenta a inquietude: o que aconteceu com as mulheres de minha ancestralidade no campo afetivo? Percorrer minha árvore genealógica materna, relacionando esta indagação com as experiências do corpo enquanto casa foi o caminho escolhido.

01O Peligro ofereceu o território fértil onde a reflexão pôde acontecer. ‘Renda’ é resultado do Edital de Residências Artísticas do espaço. Agradeço a Luiz Santos pela oportunidade, Eduardo Souza e Fernanda Simionato pelo bordado cotidiano, Marcelo Coutinho e Maria Salgueiro por terem sido a terra firme que sustentou o que inicialmente eram apenas sombras, Moa Lago pela gentil parceria, Kiko Santana e Julia Machado pelo exemplo de amor para viver, e aos amigos que se dedicaram à realização desta mostra por seu benfazejo olhar.

Especialmente, agradeço à minha mãe por tudo o que possa existir.

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