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O Estelita e os filhos da Esperança

Por João Vale*

Li aqui em alguma matéria da Folha de São Paulo que Eduardo Campos e Marina Silva declararam-se como os filhos da Esperança. Escrevo essa mensagem e desejo que ela possa chegar muito, muito longe porque a escrevo com uma dor forte no peito, um sentimento de opressão e de mão forte segurando a minha garganta.

Escrevo um dia depois do reitor da UFPE Anísio Brasileiro e o economista Clóvis Cavalcanti terem tido todos dois artigos, favoráveis ao Movimento Ocupe Estelita, censurados nos dois principais jornais do Estado de Pernambuco ( o Jornal do Commercio e o Diario de Pernambuco, respectivamente). E também do ex-prefeito do PT, João Paulo – o primeiro prefeito operário da cidade do Recife – ter realizado pronunciamento favorável às construtoras.

Escrevo esta mensagem como um grito de alerta para tod@s os que acreditam em um mundo mais justo e mais democrático. E digo em alto e bom som: Pernambuco e Recife não são governados pelo princípio de justiça e de democracia.

A violência com a qual o Consórcio Novo Recife e o conjunto de empresas a ele associadas mandam e desmandam é impressionante. Campanhas de criminalização dos movimentos, utilização nociva de líderes comunitários para falar em nome das comunidades, omissão consentida e censura do jornalismo local, deslealdade na negociação com os movimentos, ataques planejados pelos comunicadores de apelo mais popular (os mesmos que se banham no sangue da periferia). Tudo isso está acontecendo a partir do momento em que os rumos atuais da cidade foram questionados por um grupo de mulheres e homens, jovens e velhxs, que questionam a ilegalidade da venda de um terreno público e as irregularidades de um projeto considerado por muitos especialistas como extremamente OFENSIVO à cidade.

Essa REAÇÃO IGUALMENTE OFENSIVA se dá porque em Pernambuco, as empresas estão tomando o lugar do Estado. Não querem discutir o planejamento urbano e afirmam dar como “contrapartidas” as ações que são de competência do Estado (como a reforma da Igreja de São José e a derrubada do viaduto das cinco pontas). ISSO É MUITO GRAVE PORQUE NOS TORNA COMPLETAMENTE REFÉNS DE UMA ELITE QUE NÃO ESTÁ PREOCUPADA COM TOD@S MAS APENAS COM SEUS INTERESSES PARTICULARES.

Todos os pontos que citei acima se referem à ausência REAL do poder público municipal e estadual na proteção e garantia do exercício da democracia. O saldo que doze anos do governo do PT deixam em Recife é muito triste. E a herança de quase oito anos de Eduardo Campos do PSB no Governo do Estado é tão nociva quanto. Eles conseguiram formar um grande monopólio com o poder privado para governar. E o resultado?

RECIFE E PERNAMBUCO não conseguiram se tornar cidades democráticas de verdade. Não houve o amadurecimento real da instituição democrática e a forma DESLEAL com a qual o Movimento Ocupe Estelita vem sendo tratado pela mídia, pelas instituições jurídicas e políticas e pelos governantes é a genuína demonstração disso.

Com isso, me desculpem, mas vocês não são os Filhos da Esperança. Nenhum de vocês é.

As Filhas da Esperança e os Filhos estão agora nesse momento no CAIS JOSÉ ESTELITA em Recife, capital de Pernambuco, tentando conversar, debater, construir uma cidade MENOS OPRESSIVA, MAIS JUSTA, MENOS DOLOROSA E MAIS SUSTENTÁVEL. E estão sendo tratadxs da pior forma possível pela maioria das instituições midiáticas, políticas e jurídicas desse Estado.

E vocês já nos tiraram muito. Mas a nossa esperança mais genuína não conseguirão arrancar pois diferente de vocês o que nos une não é o poder, mas a ALEGRIA, O SONHO e a CERTEZA que essa cidade merece o nosso melhor, cada vez mais.

AVANTE, TAMO JUNT@S!

OCUPE ESTELITA RESISTE ESTELITA!

* João Vale é jornalista, doutorando em Sociologia pela UFPE e participante da Rede Coque Vive

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