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[INTEGRANDO SAÚDE] Muito Além do PIB – Felicidade e Sustentabilidade nas agendas mundiais

Por Gabriela Sencades Migge* |

Neste século presente, as discussões da alta cúpula mundial parecem despertar para um ditado muito antigo: “dinheiro não compra felicidade”. É fato que pode ajudar até certo ponto, mas o que vemos recorrentemente são altos índices mundiais que refletem o descontentamento com a vida. E que crescem independentemente do ranking de acumulação de riquezas que os países estejam. É o que acontece com a epidemia de suicídio e depressão que o mundo pós-moderno enfrenta.

Segundo a OMS, em 2016, a cada 40 segundos alguém morre por suicídio no mundo. E a maioria são jovens entre 15 e 29 anos. São dados como este, além dos altos índices de doença mental, como depressão, ansiedade, estresse etc. que fazem os grandes líderes mundiais questionarem o modelo econômico como principal índice de mensuração do desenvolvimento de um país.

Eles estão percebendo que considerar um país desenvolvido apenas como país que apresenta um PIB alto não produz necessariamente uma nação feliz, saudável e desenvolvida, não retrata a realidade vivida da nação. Até por que o PIB, que é a soma de riquezas acumuladas de um país, é um mero calculo matemático e, por assim o ser, não há que considerar valores éticos no seu cálculo. Logo, o PIB cresce quando há por exemplo alto índice de câncer na população, ou quando há alguma catástrofe ambiental ou doenças fora de controle como “coronavírus do momento” e até mesmo as ameaças de guerra que geram uma corrida armamentista mundial.

Tudo isso movimenta a economia e gera lucros exorbitantes, porém toda essa movimentação econômica está baseada no sofrimento.

Entendendo todo esse panorama, líderes de algumas nações, seguindo as orientações da ONU, responsável por gerar relatórios de desenvolvimento, têm se ocupado em desenvolver ferramentas que possam medir o desenvolvimento de um país para além do PIB (Beyond GDP, em inglês), o que levou, em 2012, a ONU a estabelecer um novo paradigma econômico.

Pois hoje entender o PIB como o único indicador de desenvolvimento é fechar os olhos para a elementar função social do Estado de promover bem estar social e sustentabilidade também, uma vez que os recursos são limitados e passamos por uma grande crise ambiental sem precedentes na história da humanidade.

Pelo exposto são considerados três elementos principais que devem ser mensurados para ranquear o desenvolvimento de um país segundo esse novo paradigma, que são: o desenvolvimento econômico, a sustentabilidade e o bem-estar subjetivo (leia-se felicidade).

Perceba que o PIB não é totalmente desconsiderado, pois a economia e sua geração de riquezas é importante no que tange ao desenvolvimento, a fim de proporcionar dignidade aos seus cidadãos. Afinal a vida digna tem um custo e deve haver meios para produção de riquezas. Porém, que esses meios não se separem dos outros elementos principais, pois a economia sozinha não é solução para os grandes problemas do mundo.

Muito pelo contrário. Percebe-se que se não considerarmos outros elementos além da economia caminharemos para um mundo inviável, tanto no aspecto ambiental, quanto no social.

Outro elemento essencial para se medir o desenvolvimento de um país, ou até mesmo de uma organização, é a sustentabilidade. Ou seja, é o entendimento que nossos recursos são finitos e que cada ação, seja no campo micro, individual, ou no campo macro de grandes empresas e nações, deve acontecer de forma responsável, mitigando inclusive o impacto ambiental de seus lucros.

E, por fim, outro elemento principal é o bem-estar subjetivo. Aqui o tema felicidade entra como fator de desenvolvimento de uma nação no centro dessas discussões, pois não há desenvolvimento humano sem falar da felicidade intrínseca das pessoas.

Tal tema ainda é encarado com ceticismo e desconfiança, pois quando se fala em felicidade muita gente remete a um estado de prazer e alegria passageiros impossível de sustentar. Porém, a felicidade em discussão não é hedônica, que satisfaz aos prazeres decorrentes do meio externo e de curta duração.

A felicidade ou bem-estar subjetivo em questão é algo intrínseco, independente de causas externas. É aquela que permite viver um luto, por exemplo, mas ter condições de se “autosignificar” depois de ter passado por um período de tristeza, uma vez que a experiência de emoções positivas são maiores que as negativas.

Assim, a tristeza não é antagônica à felicidade. Uma pessoa feliz se permite viver a tristeza, sem deixar de ser feliz, pois os acontecimentos tristes virão e a capacidade de lidar com isso de forma a ultrapassar tal tristeza decorre de uma felicidade perene que dá forças para aprender com o sofrimento e seguir em frente, podendo inclusive alimentar experiências positivas dentro de um período ruim, como, por exemplo, sentir gratidão por alguém que ajudou em uma fase difícil.

Tal conceito, entretanto, merece uma ressalva: é impossível falar em felicidade para aqueles que não têm a vida digna. Primeiro temos que garantir o básico para as pessoas poderem nutrir mais afetos positivos do que negativos, pois quem tem fome, quem sofre violência recorrentemente, quem é assombrado por guerras e catástrofes chega a ser imoral falar que felicidade é uma condição de escolha, de intenção. Assim, primeiro suprimos o básico, dando condições de existência digna, para depois podermos falar em felicidade.

Voltando a uma questão macro, o que move e proporciona essa felicidade e como medi-la tem sido alvo de discussões não só entre líderes mundiais, mas da comunidade científica, que promovem pesquisas financiadas por tais países e pela ONU, a fim de achar medidores seguros que dá uma visão real da comunidade e, a partir daí, gerir o estado com maior assertividade às demandas dos países e do mundo.

O mais curioso é que basta alguns países adotarem essa visão para “puxarem” os demais países no engajamento do desenvolvimento socioeconômico sustentável. São os seguintes países que estão produzindo algumas ações para medir o desenvolvimento de acordo com essa nova visão:
Nova Zelândia: Economia, bem-estar e meio ambiente.
Emirados Árabes: primeiro país a criar um ministério da felicidade.
França: Measuring what Matters
Reino Unido: medição do impacto do crescimento econômico
Eua e Finlândia: Indicador de progresso genuíno (GPI)
Butão: FIB (Felicidade Interna Bruta)

Tais indicadores foram adotados seguindo os relatórios dispostos pela ONU acerca da felicidade que são:
p World Hapiness Report que estabelece um Ranking dos países mais felizes do mundo, adotando como critério o bem estar subjetivo, a sustentabilidade, a rede de apoio e relações sociais, generosidade e proteção a sua cultura. Os primeiros países no ranking são países europeus bem desenvolvidos, porém com uma diferença salarial muito pouca entre seus cidadãos como a Finlândia (1ª colocada), Dinamarca (2ª) e Noruega (3ª).

Esse último relatório, de 2019, concluiu que no mundo hoje as pessoas estão experimentando mais emoções negativas do que positivas e que a desigualdade não é apenas econômica, mas há desigualdade de felicidade na sociedade e que é preciso desenvolver uma conduta, ou melhor, um modo de viver baseado em conexões mais humanas e na generosidade.

Já no segundo relatório, o Global Hapiness Report, de 2019, sugere-se que se desenvolva políticas públicas orientadas para a felicidade, focadas no combate à depressão, no estabelecimento de uma educação positiva e na mudança comportamental das empresas, que deve se relacionar de forma transparente com seus empregados.
Enfim, tudo isso para deixar claro que com felicidade não se brinca. Mais do que ver o mundo através lentes cor-de-rosa, a felicidade é uma postura baseada em valores que deve ser cultivada, estimulada e aprendida desde a mais remota idade, até o fim de nossas vidas.

Fonte:
https://worldhappiness.report/ed/2019/
http://www.happinesscouncil.org/
https://br.noticias.yahoo.com/emirados-nomeiam-ministras-felicidade-toler%C3%A2ncia-juventude-170930900.html
https://nacoesunidas.org/oms-suicidio-e-responsavel-por-uma-morte-a-cada-40-segundos-no-mundo/
http://www.oecdbetterlifeindex.org/pt/paises/new-zealand-pt/
https://www.bcb.gov.br/pre/boletimrsa/BOLRSA201006.pdf
Furtado, Carla e Dickel, Joice. O que é Felicidade? PUCRS. Programa de pós-graduação em Psicologia Positiva em 24.02.20.

 

* Gabriela Sencades Migge é terapeuta integrativa, pós-graduanda em psicologia positiva, pela PUCRS e em neurociências pela FAVENE. É co-fundadora e gerente de marketing do Espaço Cuidar. Para mais informações acesse: https://espacocuidarrecife.wixsite.com/terapiasintegrativas

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