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‘Colo pra três: uma compreensão acerca do nascimento e do puerpério’

Por Maíra Darllen*

Quando um casal firma o vínculo afetivo com o compromisso de criar um filho, toda paisagem ao redor muda. Uma nova família nasce e com ela os novos papéis tendem a revelar as memórias e sentimentos mais primários da história de cada um.

Como um grande espelho, o relacionamento íntimo tem uma força natural que desnuda nossas necessidades mais arraigadas, em alguns momentos gerando a sensação de completude, impulsionando um modo de vida necessário para a sensação de paz e crescimento, ou por vezes desvelando incômodos e sofrimentos que até então não foram percebidos com nitidez. Ao chegar o/a bebê, em seu ritmo tão diferente de sono; mamada; com uma forma tão distinta de expressar sobre o que necessita, parece potencializar entre o casal as lembranças mais escondidas, que guiam inconscientemente os padrões de falta e de Amor.

Em alguns casos para a mulher a nova experiência faz comprimir o coração de mãe que se sente cansada; por vezes acreditando ser incapaz de suprir as demandas do seu recém-nascido; misturada a uma sensação de mulher que se perdeu, fisicamente distante do trabalho, imersa às rotinas da/o bebê e quem sabe até da casa, vendo rapidamente o parceiro ou a família incompreensíveis ao que lhe causa angústia.

O homem foi também um provedor do nascimento e a tendência é que nesse momento sinta que precise prover mais que nunca a sustentabilidade da família; precisa dormir, continuar com seus horários; parece que o/a bebê é delicado/a demais e só fica bem com a mãe; pode até não reconhecer sua mulher, já não a encontra disponível como antes. E o que ele como pai pode fazer? Tantas coisas mudaram.

E nesta hora como está o bebê?

Nessa situação a vida tende a colocar em teste o encontro entre o casal, a delicadeza da conjugalidade e a sensibilidade de nutrir a vida. Da transposição dos limites individuais à atenção e apoio genuínos, em favor ao respeito de um princípio de vida mais pleno e harmonioso.

De forma cíclica, é como se a vida fizesse com que no puerpério da mulher e a recém chegada do bebê, todo grupo familiar experimentasse um parto da própria família, revelando os limites de cansaço e superação daquela passagem estreita do nascimento ao cuidado profundo às verdadeiras necessidades de cada pessoa.

Escutar as queixas do outro sem ferir-se; receber o desconforto do bebê sem culpá-lo e tentar ninar o invisível é algo que exige. E, assim, a relação de parceria entre o casal demanda muito mais comunhão para o crescimento e firmeza dessa nova família.

Ao relatar essas imagens que encontro entre alguns casais ou nos choros dos bebês, pode até parecer desastrosa a primeira impressão da experiência de nutrir uma nova pessoa; mas não é bem assim. Ao nos permitirmos olhar um pouco mais para o que acontece, é possível perceber que esse ciclo talvez seja o mais reluzente da condição humana de sermos seres frágeis e poderosos no caminho de Amar, que no princípio necessita apenas de um amparo incondicional.

Por essa trilha o respeito ao ritmo saudável do recém-nascido, sem dúvidas, retribuirá todo grupo familiar em equilíbrio, com a tranquilidade de quem cuida bem da vida.

* Maíra Darllen, é psicoterapeuta de crianças e adultos & Aprendiz de Parteira tradicional, que atua como Doula de parto e pós parto

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