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[SEXO, AMOR E TERAPIA] Sexo sobre duas rodas: pessoas cadeirantes também transam

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Foto: freepik

| Por Auriana Michele* |

Pensei em vários temas para o meu primeiro texto nesta coluna, mas decidi escrever sobre o meu objeto de pesquisa: a sexualidade de cadeirantes e o quanto se faz necessário dar visibilidade para essa temática.

A nossa sociedade tende a olhar para a pessoa cadeirante de forma infantilizada, como se ela fosse assexuada (que não sente atração sexual e/ou interesse em vida sexual). Talvez isso parta do pressuposto de que sexo se resume a uma penetração (em relações que há a presença do falo) e a uma busca desesperada por um orgasmo. E calma aí, não estou com isso dizendo que não há penetração e/ou orgasmo no sexo com cadeirantes, mas que geralmente eles aprendem uma visão mais holística de sexo e sexualidade. Os que sofreram a lesão medular após já ter iniciado a vida sexual passam a entender que sexo se faz explorando o corpo inteiro, ativando todos os sentidos (é cheiro, toque, calor, olhar, gosto, energia, sintonia, conexão), que todo o corpo é orgástico e passível de prazer e que dar prazer também é muito prazeroso.

Além disso, existe uma ditadura de corpos socialmente perfeitos, então qualquer coisa que destoe desse padrão de beleza soa como descartável, sem validade, sem serventia. São corpos “defeituosos”, reprovados nos padrões sociais de beleza, logo, inimaginável que possam despertar desejo, sentir e dar prazer.

Não faz sentido a imposição de um modelo de beleza quando somos seres impares, com corpos, pensamentos e desejos diferentes.

A vida sexual de um ser cadeirante existe do mesmo modo que existe para um ser andante. Claro que vai existir limitações, mas limitações é algo que qualquer ser humano pode ter, não é mesmo!? Por exemplo, é meio ilógico imaginar uma pessoa cadeirante fazendo sexo em pé, mas pode existir pessoas andantes que não curtem sexo em pé, ou alguma outra posição ou variação. Ou seja, independente de cadeirantes ou andantes, todos têm limitações, sobretudo no tocante à sexualidade.

Homens cadeirantes podem ter dificuldade em ter ou manter ereção, mas isso não ocorre com todos, cada caso é um caso e cada pessoa é ímpar. Além disso, se houver dificuldade em conseguir uma ereção, pode recorrer a medicamentos, com orientação médica, obviamente. Eles podem ser pai biológico, assim como mulheres cadeirantes podem gestar.

Quer saber o que é indispensável no sexo com cadeirante? Entrega, sintonia, conexão, criatividade e vontade. Ou seja, o mesmo que é fundamental numa relação com qualquer pessoa, seja cadeirante ou andante.

Nenhuma deficiência é capaz de tornar uma pessoa assexuada. Todo ser humano é passível de desejo.

*Auriana Michele é sexóloga, terapeuta Tântrica (Método Mahadevi) e psicanalista em formação.
Instagram: @sexologa_auri

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