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Instituições autônomas de artes se unem e formam o Fundo Colaborativo para Artistas e Criadores

Diante da grave escassez de recursos e da atualmente constante ruptura dos laços institucionais que visam a ordem democrática, criar redes de apoio mútuo e promover suas continuidades são formas de preservar as vidas de quem constrói a cultura compartilhada com o seu próprio fazer artístico. E neste momento de grave crise econômica, intensificada tanto pela pandemia do Covid-19 quanto pelo total descaso governamental e sua falta de políticas públicas nacionais, a criação de redes de apoio sistêmicas torna-se cada vez mais urgente.

Desenvolvido a partir do FunColab, iniciativa do Solar dos Abacaxis (Rio de Janeiro) lançada em março de 2020, o Fundo Colaborativo para Artistas e Criadores é fruto da soma de experiências, perspectivas e tecnologias sociais com outras cinco instituições culturais autônomas brasileiras: Casa do Povo (São Paulo), Chão SLZ (São Luís), Galeria Maumau (Recife), JA.CA (Belo Horizonte), Pivô (São Paulo). Cada uma das seis instituições colaboradoras oferece suas ferramentas para o cultivo desse solo comum: um terreno fértil de saberes coletivos, de onde brota o Fundo Colaborativo para reunir e compartilhar recursos materiais e imateriais.

Com o objetivo de captar doações e distribuí-las para artistas e profissionais das artes de todo o país, o Fundo Colaborativo se estabelece como uma rede viva, sempre aberta para mais apoiadores que compartilhem dos mesmos princípios e motivações.

TROCA COLETIVA
“A pergunta que nos levou a criar o Fundo foi: ‘o que podem as instituições de arte diante de situações extremas como uma pandemia?’ Espaços autônomos são instituições que trabalham muito próximas aos artistas e isso nos torna verdadeiros laboratórios da cultura, lugares de experimentação, de desenvolvimento de pesquisa, de troca, de aprendizado. São instituições que trabalham em rede naturalmente”, explica Bernardo Mosqueira, diretor artístico do Solar dos Abacaxis (Rio de Janeiro).

Ele ainda comenta que o Fundo Colaborativo é fruto desse processo de troca coletiva entre essas seis instituições que, no sistema da arte brasileiro, ocupam lugares semelhantes, ainda que distintos. “Essa ampliação do Fundo foi um motivo de muita alegria. Esse encontro nos torna capazes de reunir mais recursos e de distribuir de melhores formas”, enfatiza Mosqueira.

O diretor artístico ainda ressalta que a intenção, agora, a partir desse movimento inicial de desdobramento, seja alcançar outras parcerias. E parcerias maiores. “Estamos abertos e desejantes por apoios individuais, de empresas, e institutos tanto do Brasil quanto do exterior. Pra gente é muito importante que cada campanha de distribuição de recurso seja acompanhada por uma campanha de arrecadação de recursos para que possamos dar sempre movimento a esse Fundo e às nossas atividades”, diz.

Samantha Moreira, fundadora e coordenadora do Chão SLZ (São Luís) e coordenadora do JA.CA (Belo Horizonte), comenta que o desejo de unir os espaços já existia há muito tempo. “Com a criação do Fundo Colaborativo, conseguiremos ter articulações de diferentes regiões do Brasil e propormos, juntos, ações que possam fortalecer e ampliar ainda mais essa rede de artistas e criadores”, afirma.

BROTAR
A primeira ação do Fundo Colaborativo é BROTAR, que nasce do desejo coletivo de se formar novas redes de cuidado e troca. A iniciativa surge com a intenção de estimular a continuidade de processos criativos por meio de diversas vias de incentivo a artistas e profissionais das artes de todo o Brasil.

Corrente de Apoio – BROTAR se inicia pela indicação de seis artistas de diversas regiões do país. Cada participante, após receber um fomento no valor de R$ 800,00, é convidado a compartilhar suas práticas e pesquisas por meio das redes sociais do Fundo Colaborativo e então indicar um próximo artista para também receber recursos.

Dessa forma, sucessivamente, elabora-se uma corrente de apoio de cuidado que se desdobra em ciclos de seis participantes. Dessa maneira, os próprios artistas são responsáveis pela criação dessa rede, que, nesse primeiro ato, apoiará um total de 36 artistas.

Para o multiartista Layo Bulhão, que integra o Brotar, o projeto é como um alimento para as raizes. “Assim como a raiz de uma bananeira brota e faz nascer outra bananeira ao lado, o projeto é muito importante porque ele fortalece um artista, que vai fortalecer outro artista e essa rede vai sendo construída como uma grande floresta de arte. E esses frutos, não necessariamente, precisam ser colhidos agora, mas no momento em cada árvore estiver preparada. Então, não existe uma pressão sobre essa árvore. Existe um cuidado. Um cuidado com essas árvores que ainda são brotos, mas que podem florescer a qualquer momento”, explana.

Layo é nascido em São Luís (MA) e se atravessa por diversos campos da ciência-arte, integrando tudo no contexto da vida, das lutas e dos encontros. Atualmente, mora na zona rural, berçário de plantas e águas, espaço sagrado Tupinambá, e busca ativar memórias coletivas e saberes/fazeres ancestrais através de objetos e diálogos com os anciãos da terra e do mar daquele lugar.

Para Linga Acácio, artiste que também faz parte do Brotar, há uma guerra biológica em curso: o genocídio enquanto prática do estado. “Fortalecer nossas redes e investir no campo do cuidado são pontos fundantes dessa resistência, é assumir um pacto pela vida”, afirma.

Linga vive e trabalha em Fortaleza. É pesquisadorx, artista visual e desenhadorx gráfico. Mestre no Programa de Pós-graduação em Artes da Universidade Federal do Ceará. Desde de 2012, atua como diretorx de fotografia em longas e curtas metragem. Sua pesquisa se contamina na performance, dissidência de gênero e das implicações entre corpo e espaço nos processos de resistência anticolonial.

DOAÇÕES ON-LINE
Paralelamente ao BROTAR, o Fundo Colaborativo lançou uma campanha de doações on-line, disponível neste link: https://abacashi.com/p/fundocolaborativobrotar

Com a contribuição de uma rede crescente de doadores, será possível manter a continuidade desse projeto de solidariedade e cuidado com artistas e profissionais das artes.

CONHEÇA AS INSTITUIÇÕES QUE FAZEM PARTE DO PROJETO:

Casa do Povo (São Paulo)
A Casa do Povo é um centro cultural que revisita e reinventa as noções de cultura, comunidade e memória. Habitada por uma dezena de grupos, movimentos e coletivos, alguns há décadas e outros mais recentes, a Casa do Povo atua no campo expandido da cultura. Sua programação transdisciplinar, processual e engajada entende a arte como ferramenta crítica dentro de um processo de transformação social. Sem grade fixa de programação e com horários flexíveis, a Casa do Povo se adapta às necessidades de cada projeto, de forma a atender tanto associações do bairro quanto propostas artísticas fora dos padrões. Seus eixos de trabalho (memória, práticas coletivas e engajadas, diálogo e envolvimento com o seu entorno) são pensados a partir do contexto contemporâneo em relação direta com suas premissas históricas, judaicas e humanistas. Nessa empreitada, o público não é alvo, mas participante ativo que, além de visitar, também propõe atividades fazendo do espaço um local de encontro, de formação e de experimentação: um monumento vivo, um lugar onde lembrar é agir.

Contato: Ana Druwe
ana@casadopovo.org.br
11 993255544

Chão SLZ (São Luís)
O Chão SLZ surge da intenção de irradiar sentidos e ambientes propícios para o diálogo, processos elásticos de ampliação e troca direta de conhecimentos com o público, universidades, espaços independentes, instituições parceiras e manifestações do entorno, acerca da pesquisa no contexto da cultura visual e cultura contemporânea.

Como projeto, o Chão SLZ baseia-se nas ações espontâneas de sua rede de contatos bastante consolidada e na hipótese de existência de um novo terreno de atuação crítica junto à vida coletiva, desejando apresentar um formato de programação continuamente alternada, contemplando todas as faixas etárias e que inclui: conferências, debates, cursos e oficinas, exposições, mostras de filmes e vídeos, performances, música e dança, encontros com comida, festas, residências, expedições, publicações impressas e online, ações políticas, sociais e de resistência.

Contato: Samantha Moreira
samoreirinha@gmail.com
19 99723-8278

Galeria Mau Mau (Recife)
Espaço de convergência e experimentação artística, a Maumau está localizada na cidade do Recife, Pernambuco, Brasil. Resistindo amorosamente à intensa especulação imobiliária e à crescente verticalização empreendida em seu entorno, a Maumau é um oásis inserido em um dos principais gargalos de trânsito existentes na cidade. Estabelecendo um diálogo entre as diversas linguagens da arte contemporânea e o ativismo político, as ações vivenciadas na Maumau estimulam a criação e articulação de redes de colaboração entre agentes que compõem o circuito independente de artes. De caráter orgânico, suas atividades priorizam ainda a desaceleração. Um tempo para a criação mais natural, mais humano!

A Maumau é destinada ao compartilhamento de ideias, saberes, experiências e afetos. Falar da sua história é falar de parcerias.

Contato: Irma Brown
galeriamaumau@gmail.com
81 8661-7559

JA.CA (Belo Horizonte)
O JA.CA – Centro de Arte e Tecnologia é uma organização da sociedade civil, sem fins lucrativos, que realiza e fomenta pesquisas, projetos e experimentações no campo das artes, em diálogo estreito com a educação, a arquitetura e o design. Desenvolve atividades em sua sede, situada no bairro Jardim Canadá, em Nova Lima, na Região Metropolitana de Belo Horizonte (MG), assim como em outras localidades e instituições parceiras. Atualmente, além de se dedicar às dinâmicas do bairro, o JA.CA prepara a inauguração do espaço cultural Arrudas, no hipercentro da capital mineira, e realiza o Programa CCBB Educativo nas quatro sedes do Centro Cultural Banco do Brasil, em Belo Horizonte, Brasília, Rio de Janeiro e São Paulo.

Contato: Francisca
francisca@jaca.center
31 9946-5090

Pivô Arte e Pesquisa (São Paulo)
O Pivô é uma associação cultural sem fins lucrativos, fundada em 2012 e que atua como plataforma de intercâmbio e experimentação artística a partir do seu espaço no Edifício Copan, no centro de São Paulo. O objetivo principal da instituição é fomentar e divulgar a produção artística local e criar um espaço livre e aberto para a interlocução entre diversos agentes do campo da cultura contemporânea, em esfera nacional e internacional. A instituição conta com uma série de parcerias institucionais nacionais e internacionais e com o apoio de várias pessoas físicas e jurídicas para viabilizar propostas artísticas e curatoriais desafiadoras e manter seu espaço em pleno funcionamento.

Contato: Paula Signorelli
paula@pivo.org.br
11 98136-1384

Solar dos Abacaxis
Solar dos Abacaxis é uma instituição voltada à experimentação em arte e educação, propondo encontros livres entre os que constroem um mundo mais justo e afetuoso.

O Solar dos Abacaxis é uma instituição autônoma e colaborativa, voltada à experimentação em arte e educação. Fundado em 2015 no Rio de Janeiro, o Solar vibra a potência dos encontros livres, dedicando-se à reunião de indivíduos e coletivos que buscam um mundo mais justo, saudável, livre e afetuoso. O Solar se constrói sobre os fundamentos da hospitalidade radical e da coragem institucional, centrando em nossas práticas a solidariedade e o cuidado com os corpos que produzem e se relacionam com a arte que apresentamos. Somos uma organização de acolhimento comprometida com uma educação libertadora e com a transformação social. Solar se realiza como uma ponte de reverberações e fricções entre as cenas artísticas carioca, brasileira e mundial, sobretudo do Sul Global. Uma associação privada e sem fins lucrativos, o Solar mira a construção de uma prática cada vez mais autônoma, vibrante, inventiva e sustentável.

Contato: Bernardo Mosqueira
bernardomosqueira@gmail.com
+1 (845) 706-9964

CONTATO DO FUNDO COLABORATIVO PARA ARTISTAS E CRIADORES
Instagram: @fundocolaborativo 

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