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[ARTIGO] Por uma Astrologia integrativa

| Por Bruno Albuquerque |

Pese à ampla popularidade de que goza a Astrologia, de todo o seu desenvolvimento, desde a organização dos seus primeiros enunciados – ainda antes dos gregos – até os mais modernos e completos softwares que temos hoje, seus meandros, cálculos e operações continuam bem pouco conhecidos. Seus fundamentos e modus operandi ainda são bastante distorcidos, ora pelos exageros criados por quem dela quer se aproveitar pra fazer baixa fortuna, ora pelos arroubos místicos dos que não querem saber do rigor que todo corpo de saberes demanda, ora pelos pseudocientistas diplomados, que chamam ciência o enredo acadêmico com que foram adestrados, impregnado de soberba e ego, e acusam de falsa ciência os saberes que não repetem os mantras rasos que acreditam fundamentados na experiência. Ignorância suficiente pra envergonhar quaisquer desbravadores de verdade, a la Descartes ou Popper.

O que, historicamente, fica evidente é que a Astrologia, por toda resistência frente às perseguições e provas pelas quais passou, ou pela conhecida influência pública, entre grandes empresários, investidores, políticos e estadistas, tem muito a nos ajudar, a nos educar; mas não é capaz de predizer futuros, e livrem-nos deusas e deuses de perspectiva tão estreita, para uma atividade tão nobre. É, sim, próprio da Astrologia, uma leitura diferenciada e bastante ampla dos nossos arredores, dos nossos interiores e anseios, certamente por não prescindir do conteúdo simbólico que, segundo muitos antropólogos, funda nossa existência. Nos dizeres de Paul Watzlawick, em sua obra El Sinsentido del Sentido o El Sentido del Sinsentido, citando a Einstein:

“‘É impossível abarcar, numa teoria, apenas magnitudes observáveis. A rigor, é a teoria utilizada que limita o que poderemos observar’. E Heisenberg escreveria mais tarde que ‘A realidade da qual podemos falar jamais é a realidade em si, senão uma realidade conhecida, ou como em muitos casos, uma realidade configurada por nós mesmos’. (…) Por outro lado, não há a menor dúvida de que uma vida sem pressupostos sobre a realidade – ou seja, sem um sentido – é insuportável. Daí nossa permanente busca de sentidos”.

É assim que, tomando como referência registro da configuração celeste no instante do nosso nascimento, mais precisamente a posição das constelações e planetas do cinturão zodiacal, em relação ao lugar em que nascemos, a Astrologia pode inferir tendências e orientações comportamentais, não as intuir. O trabalho é de interpretação dos conteúdos simbólicos culturalmente associados a tais corpos celestes. Nosso objeto de estudos não são os astros – como erroneamente alguns astrônomos costumam alardear – senão os Signos, Mitos, associações por nós cultivadas e de nós nascidas – gente de carne e osso em busca de sentido para suas existências.

Do entrelaçamento dos vários níveis de interpretação – observáveis no Mapa através das duas mandalas – dos Signos e das Casas Astrológicas – intercaladas ou habitadas pelos Planetas e outras figuras afins, cada um dos quais vistos, primeiramente, em separado, e logo quanto aos Aspectos que formam uns com os outros – o astrólogo ou astróloga pode visualizar elementos do consulente.

Visto como um sistema, o Mapa Astrológico deixa de ser portador de supostas verdades e determinismos, para cumprir com sua real função – ou função Real, permitam-me um rápido arroubo venusiano – a de ampliador de perspectivas. Sob uma perspectiva sistêmica, ao conhecer a configuração celeste no centro da qual surgimos, ao invés de esperar dos astros e seus alinhamentos um destino, nosso esforço será de nos harmonizar com os aspectos que nos apoiam, e de nos precaver contra tendências indesejadas. Nestas vias de várias mãos, tão importantes quanto as mensagens que vêm dos céus são nossas respostas a elas! E é justo neste ponto que os saberes da Arte Celeste fazem interseção com uma outra bem mais nova, um bebê se comparado a ela e seus milênios, mas nem por isso menos poderosa: o Coaching.

Como acreditamos que, tão importante quanto conhecer os detalhes do nosso registro natal, é aprender como pô-los em movimento, aprender a soltar velas quando o tempo as demanda, e retê-las frente aos maus tempos, dar as mãos às perspectivas norteadoras do coaching pode fazer toda a diferença. Como sua razão de ser é justamente a busca da excelência nesses processos, além de potencializar os resultados advindos das ferramentas astrológicas, o Coaching pode nos favorecer um salto qualitativo como poucos: das atividades que visam a benefícios individuais – tão comuns entre as demandas de quem procura a leitura astrológica – podemos estender nossas redes a estruturas públicas, brindar-nos a possibilidade de construções coletivas, culturais, políticas.

Finalmente, costumo terminar estas notas com o que acredito ser nosso mais caro desafio: Será possível que nossas interações, sob tais encontros, possibilite-nos a construção de redes integradoras e maduras o suficiente para que formemos coletividade, sem atropelar nossas individualidades? Noutras palavras… será possível nos organizarmos de maneira tal a conviver sob uma ética já não fundada na irreal tarefa de desconstruir poderes pessoais, mas sim na horizontalidade, co-existência, con-vivência entre Seres que conhecem de si, conhecem suas forças e talentos, e cuidam uns dos outros?

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