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[HAROLDO BARROS] O Sol entra em Aquário

Por Haroldo Barros |

Continuando seu eterno caminhar pela roda Zodiacal, o radioso astro do dia ingressou, no signo de Aquário, no dia 20 de janeiro de 2019, iniciando um ciclo de busca das significações celestiais, quando a consciência atinge níveis mais ideais.

Último signo do elemento ar e do ritmo fixo, Aquário está mitologicamente associado a Ganimedes, um jovem pastor da Frígia, que guardava os rebanhos de seu pai, o rei Trós.

Dotado de extraordinária beleza, a ponto de ser considerado o mais belo dos mortais, o jovem chamou a atenção de Júpiter (Zeus), o mais poderoso de todos os imortais e soberano do Olimpo. Num arroubo, apaixonado pelo belo pastor, o deus transmuda-se em águia (um dos atributos de Zeus, símbolo da Sabedoria) e o arrebata, conjugando-se carnalmente com ele, em pleno vôo, e conduzindo-o ao Olimpo, morada dos imortais.

Ganimedes passa a desempenhar as funções de divino garçom, servindo aos deuses o néctar e a ambrosia, o vinho da imortalidade e da eterna juventude. Após o banquete dos imortais, o generoso Ganimedes despejava as sobras do licor celestial sobre a terra, inundando-a de benfazeja emanação.

Da mesma maneira que o divino escanção derrama sobre a terra o licor da imortalidade, devemos entender que o Céu faz recair sobre nossas cabeças toda uma chuva de harmonias e significações celestiais, fazendo-nos perceber que essas mesmas harmonias e significações podem (e devem) operar-se também na Terra. Aquário representa, portanto, por excelência, o significado do famoso axioma atribuído a Hermes Trismegisto: “assim como em cima é embaixo”. Ou seja, o macrocosmos (o Universo) e o microcosmos (o Homem) nada mais são do que reflexo e refletor um do outro. No interior do Homem subsistem, pois, todas as harmonias e infinitudes celestiais.

A entrada do Sol em Aquário é uma indicação de que a nossa própria luz interior nos torna permeáveis às bênçãos que o Céu derrama sobre nossas cabeças, convidando-nos a perceber, como reza o aforismo da Sagrada Ordem Gladius Archangelis Dei, as estrelas como pequenos furos num tecido escuro, através dos quais podemos vislumbrar a infinita Luz que o Criador nos reserva.

Reconhecendo essa mesma Luz em nosso interior, estamos aptos às grandes ações, ideias e revoluções. Portanto, aproveite o momento para dar vazão às suas próprias loucuras, ir além dos limites que, normalmente, nos atrapalham e impedem os passos.

Interessante notar que, ao longo de sua passagem no signo de Aquário, o Sol faz oposição com a Lua, desencadeando um eclipse lunar total, um fenômeno sempre controverso, mas que tem significados astrológicos bem claros: uma luz se apaga e dá lugar às trevas, ainda que momentaneamente. Obviamente, após o apagar, essa lua volta a se acender, mas não será mais a mesma…

E se isso acontece no Céu, acontece também dentro de nós.

Isso nos trará a possibilidade de olhar mais atentamente a nossa própria alma, com todos os seus soturnos e obscuros meandros. E, por outro lado, estimulará enormemente a nossa criatividade e inventividade.

Portanto, durante os dias da passagem do sol em Aquário, fique atento ao que aparecer na sua mente, pois podem ser os germens de grandes ideias, capazes de transformar a sua vida e a vida de muita gente ao seu redor.

Aquário nos permite e, mais do que isso, estimula-nos a todas as “loucuras” a que temos direito.

E lembre-se do que dizia Akira Kurosawa, o grande cineasta japonês: “Num mundo louco, só os loucos podem ser considerados sãos”.

Dica cinematográfica

O filme “O Grande Ditador” (The Great Ditactor, USA, 1940), dirigido e estrelado pelo genial Charles Chaplin, onde você vai ver um homem comum mudar os rumos da História, impelido pela sublime virtude da esperança.

De quebra, o discurso final proferido pelo barbeiro judeu, personagem brilhantemente vivido por Chaplin, naquele que é provavelmente o mais aquariano trecho da história do cinema.

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