[GERAR ENTRELINHAS] O 8 de Março e o papel dos homens

[Por Dinho Freitas*]
Em 2025, o Anuário Brasileiro de Segurança Pública, disponível no site oficial do Senado Federal, estima que o Brasil bateu recorde de feminicídios. Dados do relatório afirmam que em média 12 mulheres por dia sofreram violência no Brasil só em 2025. E a quase totalidade dessas agressões são praticadas por homens. A maioria dentro de casa.
São números impactantes e que ainda assim não refletem o tamanho do problema. Diariamente, nos serviços de saúde mental, recebemos mulheres vítimas de uma sociedade que cotidianamente opta por vulnerabilizar e violentar mulheres (cis e trans) de diversas formas.
Romper com esse ciclo exige uma reflexão e esforço conjunto dos homens nessa luta.
É preciso dizer que, para além de assumir nosso papel no problema, nós homens temos que nos empenhar em ações concretas que ajudem a romper com o “pacto da masculinidade” que mantém essa estrutura violenta de pé.
Ações diárias como a não aceitação de assédios, a denúncia e o apoio em situações de violência se fazem necessárias: é preciso estimular o respeito às mulheres estendido a ambientes predominantemente masculinos; postura de censura às piadas machistas em grupos de amigos; presença e apoio em casos de relatos de violências; maior presença na vida de filhos, sobrinhos e jovens que buscam referências masculinas positivas; posicionamento aberto e firme contra violências cotidianas contra mulheres; diálogo com outros homens a respeito da temática, são alguns exemplos de ações concretas.
São diversos os caminhos que homens podem e precisam adotar para ajudar a transformar essa realidade que nos atinge como um todo. A violência contra as mulheres é uma ferida que macula o tecido social como um todo e não é possível conquistarmos um futuro com mais dignidade, prosperidade e harmonia para todas as pessoas que não passe por mais respeito, dignidade e segurança para todas as meninas e mulheres.
Quem sabe com isso possamos começar a sonhar com um futuro em que o 8 de março seja finalmente um dia de celebração!
* Dinho Freitas é psicólogo clínico (CRP 02/18170), especialista em Psicologia Clínica Junguiana e atua no campo da Saúde Mental e Estudos de Gênero e Sexualidades.
