

{"id":9122,"date":"2013-06-04T21:00:59","date_gmt":"2013-06-05T00:00:59","guid":{"rendered":"http:\/\/portalfloresnoar.com\/floresnoar\/?p=9122"},"modified":"2022-02-22T13:51:06","modified_gmt":"2022-02-22T16:51:06","slug":"o-rock-de-brasilia-e-minhas-memorias-candangas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/portalfloresnoar.com\/floresnoar\/o-rock-de-brasilia-e-minhas-memorias-candangas\/","title":{"rendered":"[CANTO DE LU] &#8216;O rock de Bras\u00edlia e minhas mem\u00f3rias candangas&#8217;"},"content":{"rendered":"<pre>Por Lu Rabelo*<\/pre>\n<p style=\"text-align: left;\">1973. Sol em Libra, Lua tamb\u00e9m! Meio-dia eu nas\u00e7o em Bras\u00edlia. A ca\u00e7ula dos cinco filhos de Z\u00e9 Alves e Carminha, sertanejos do Paje\u00fa pernambucano. Um ano antes minha fam\u00edlia havia aportado na cidade em constru\u00e7\u00e3o. Meu pai, funcion\u00e1rio do Banco do Brasil, resolveu, junto \u00e0 minha m\u00e3e, aceitar o convite de transfer\u00eancia para a nova capital federal. Ap\u00f3s passar no concurso \u2013 um sonho realizado \u2013 ele havia atuado nas ag\u00eancias do BB em Garanhuns, Caruaru e Limoeiro. Em 1972, foi para Bras\u00edlia.\u00a0<img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-9124 alignright\" src=\"http:\/\/portalfloresnoar.com\/floresnoar\/wp-content\/uploads\/2013\/06\/convite-meus-dois-anos.jpeg\" alt=\"convite meus dois anos\" width=\"347\" height=\"198\" srcset=\"https:\/\/portalfloresnoar.com\/floresnoar\/wp-content\/uploads\/2013\/06\/convite-meus-dois-anos.jpeg 723w, https:\/\/portalfloresnoar.com\/floresnoar\/wp-content\/uploads\/2013\/06\/convite-meus-dois-anos-300x171.jpeg 300w, https:\/\/portalfloresnoar.com\/floresnoar\/wp-content\/uploads\/2013\/06\/convite-meus-dois-anos-150x85.jpeg 150w, https:\/\/portalfloresnoar.com\/floresnoar\/wp-content\/uploads\/2013\/06\/convite-meus-dois-anos-400x228.jpeg 400w\" sizes=\"(max-width: 347px) 100vw, 347px\" \/><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Meus quatro irm\u00e3os chegaram l\u00e1 com 11, 9, 8 e 2 anos. Um ano depois eu vim. Durante cinco anos vivi na quadra 303 Sul, bloco F. Foi em Bras\u00edlia que aprendi a falar, andar. Minha primeira escola foi o Jardim da Inf\u00e2ncia da quadra. Passava meus dias brincando l\u00e1 embaixo, indo \u00e0 Torre de TV, \u00e0 piscina de ondas, igreja Dom Bosco, AABB, Parque Pithon Farias, Catedral, Conjunto Nacional, e casa de amigos de meus pais. Faf\u00e1 (F\u00e1tima) era a minha melhor amiga.<\/p>\n<p>As lembran\u00e7as dessa \u00e9poca s\u00e3o remotas. Acredito at\u00e9 que algumas afloram mais por conta de fotos. Mas outras est\u00e3o registradas em todas as minhas c\u00e9lulas, e alma. Como a recorda\u00e7\u00e3o do que considero o meu primeiro trauma, quando fiquei presa na sala de aula durante uma festinha da escola e quase morro de chorar e gritar, sem que ningu\u00e9m me ouvisse. Talvez por conta disso, na \u00e9poca, sempre que eu via uma foto minha em que estava s\u00f3, eu chorava \u2018porque a menininha t\u00e1 sozinha\u2019. Tamb\u00e9m n\u00e3o podia assistir a Pin\u00f3quio, porque era choro na certa.<\/p>\n<p>Muitas lembran\u00e7as boas! Do doce de leite que comia na Ceasa, da feirinha de artesanato da torre&#8230;andar de veloc\u00edpede na quadra, anivers\u00e1rios no apartamento, deslumbramento com a suntuosidade da Catedral, o meu av\u00f4 Ci\u00e7o indo ficar uns tempos conosco (ele quem me consolou no dia em que entrou uma farpa no meu p\u00e9), a super festa de 15 anos de minha irm\u00e3 Silvana, a ida pra Pernambuco nas f\u00e9rias!<\/p>\n<p>Teve tamb\u00e9m a papeira e a catapora, e o pequin\u00eas Luck que uma vez me mordeu. Recordo tamb\u00e9m que minha irm\u00e3 Cl\u00e1udia, tr\u00eas anos mais velha que eu, detestava ir para escola e dava o maior trabalho para fazer as tarefas. Tenho muito n\u00edtida a imagem dela aprendendo a muito custo a escrever a letra \u2018e\u2019 e eu imitando. Outra lembran\u00e7a: M\u00e1rio J\u00fanior. Ele era filho de tia Zelita, amiga de mainha, e diziam que \u00e9ramos namorados.<\/p>\n<p>Na televis\u00e3o, amava <em>Barbapapa<\/em>! Tinha tamb\u00e9m <em>A formiga at\u00f4mica, Tutubar\u00e3o, A Pantera Cor de Rosa, Z\u00e9 Colm\u00e9ia, Manda Chuva<\/em>&#8230;e uma anima\u00e7\u00e3o que era uma linha de l\u00e1pis que se transformava em diversas formas. Eu adorava! <em>Os trapalh\u00f5es<\/em> e <em>Domingo no Parque<\/em> eram os principais programas infantis. Lembro ainda de <em>A mulher bi\u00f4nica<\/em> e <em>O homem de seis milh\u00f5es de d\u00f3lares<\/em>. Prim\u00f3rdios da gera\u00e7\u00e3o coca-cola!<\/p>\n<figure id=\"attachment_9132\" aria-describedby=\"caption-attachment-9132\" style=\"width: 354px\" class=\"wp-caption alignright\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\" wp-image-9132 \" src=\"http:\/\/portalfloresnoar.com\/floresnoar\/wp-content\/uploads\/2013\/06\/na-catedral.jpeg\" alt=\"na catedral\" width=\"354\" height=\"247\" srcset=\"https:\/\/portalfloresnoar.com\/floresnoar\/wp-content\/uploads\/2013\/06\/na-catedral.jpeg 590w, https:\/\/portalfloresnoar.com\/floresnoar\/wp-content\/uploads\/2013\/06\/na-catedral-300x208.jpeg 300w, https:\/\/portalfloresnoar.com\/floresnoar\/wp-content\/uploads\/2013\/06\/na-catedral-150x104.jpeg 150w, https:\/\/portalfloresnoar.com\/floresnoar\/wp-content\/uploads\/2013\/06\/na-catedral-400x278.jpeg 400w\" sizes=\"(max-width: 354px) 100vw, 354px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-9132\" class=\"wp-caption-text\">Passeio na Catedral<\/figcaption><\/figure>\n<p>Das m\u00fasicas &#8211; al\u00e9m das de Luiz Gonzaga e as de seresta que minha fam\u00edlia costumava cantar nas rodas de viol\u00e3o \u2013 recordo de <em>Biquini de bolinha amarelinha<\/em>, <em>A festa do Bolinha<\/em>, <em>Jo\u00e3o e Maria<\/em> (cantada numa vers\u00e3o por Lauro Corona e Gl\u00f3ria Pires) <em>hehehe<\/em>. N\u00e3o gostava de <em>Romaria<\/em>. Me agoniava. Hoje penso que devia ser pela melancolia que ela emanava. Outra divers\u00e3o era ouvir os disquinhos coloridos de historinhas. Passava horas!<\/p>\n<figure id=\"attachment_9138\" aria-describedby=\"caption-attachment-9138\" style=\"width: 358px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-9138 \" src=\"http:\/\/portalfloresnoar.com\/floresnoar\/wp-content\/uploads\/2013\/06\/veloc\u00edpede.jpeg\" alt=\"veloc\u00edpede\" width=\"358\" height=\"248\" srcset=\"https:\/\/portalfloresnoar.com\/floresnoar\/wp-content\/uploads\/2013\/06\/veloc\u00edpede.jpeg 596w, https:\/\/portalfloresnoar.com\/floresnoar\/wp-content\/uploads\/2013\/06\/veloc\u00edpede-300x208.jpeg 300w, https:\/\/portalfloresnoar.com\/floresnoar\/wp-content\/uploads\/2013\/06\/veloc\u00edpede-150x104.jpeg 150w, https:\/\/portalfloresnoar.com\/floresnoar\/wp-content\/uploads\/2013\/06\/veloc\u00edpede-400x277.jpeg 400w\" sizes=\"(max-width: 358px) 100vw, 358px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-9138\" class=\"wp-caption-text\">Em baixo do bloco F, na 303 Sul<\/figcaption><\/figure>\n<p>Essas lembran\u00e7as t\u00eam me vindo \u00e0 tona desde que assisti, junto com minha filha de 18 anos , ao filme \u2018Somos t\u00e3o jovens\u2019, de Antonio Carlos da Fontoura. Fiquei meio mexida! Ent\u00e3o comprei o livro \u2018Renato Russo &#8211; o filho da revolu\u00e7\u00e3o\u2019, de Carlos Marcelo. A mexida ent\u00e3o tornou-se bem mais profunda.<\/p>\n<figure id=\"attachment_9134\" aria-describedby=\"caption-attachment-9134\" style=\"width: 422px\" class=\"wp-caption alignright\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\" wp-image-9134 \" src=\"http:\/\/portalfloresnoar.com\/floresnoar\/wp-content\/uploads\/2013\/06\/naTorre-de-TV.jpeg\" alt=\"naTorre de TV\" width=\"422\" height=\"299\" srcset=\"https:\/\/portalfloresnoar.com\/floresnoar\/wp-content\/uploads\/2013\/06\/naTorre-de-TV.jpeg 603w, https:\/\/portalfloresnoar.com\/floresnoar\/wp-content\/uploads\/2013\/06\/naTorre-de-TV-300x212.jpeg 300w, https:\/\/portalfloresnoar.com\/floresnoar\/wp-content\/uploads\/2013\/06\/naTorre-de-TV-150x106.jpeg 150w, https:\/\/portalfloresnoar.com\/floresnoar\/wp-content\/uploads\/2013\/06\/naTorre-de-TV-400x283.jpeg 400w\" sizes=\"(max-width: 422px) 100vw, 422px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-9134\" class=\"wp-caption-text\">Na Torre de TV. Eu no bra\u00e7o de meu pai.<\/figcaption><\/figure>\n<p>Quando pergunto \u00e0 minha m\u00e3e que lembran\u00e7a ela tem de Renato Russo, nosso vizinho, ela s\u00f3 lembra dele na cadeira de rodas. Meu irm\u00e3o Fernando, dois anos mais novo que Renato, diz que Renato era muito na dele, n\u00e3o tinham muita proximidade. Tamb\u00e9m, pelo que relatam, Fernando, conhecido em Bras\u00edlia com o apelido de Pernambuco, era uma peste. Gostava de jogar bola, pegar o fusca de meu pai escondido (uma vez at\u00e9 capotou), brigar&#8230;Teve at\u00e9 que sair do Dom Bosco porque foi reprovado.<\/p>\n<p>Em 1979, meu pai veio pra Recife, trabalhar no Bandepe. A fam\u00edlia retorna a Pernambuco, onde vivemos muitas outras hist\u00f3rias&#8230;<\/p>\n<p>Mas eis que em 1986, com Dr. Camilo Calazans na Presid\u00eancia do BB, voltamos a Bras\u00edlia. Eu tinha 12 anos. Fomos morar inicialmente na 115 Norte, e depois na 114 Sul. Ap\u00f3s sete anos morando na praia de Boa Viagem, no Recife, retornei \u00e0 minha cidade natal. O primeiro m\u00eas foi \u00f3timo porque minha prima Lucieni (Mana), um ano mais velha que eu, foi junto! Passamos um m\u00eas descobrindo, tirando onda (leseira de pr\u00e9-adolescentes!) e achando gra\u00e7a! L\u00e1 tudo era muito diferente. Foi neste m\u00eas que aprendi a dar estrelinha em baixo de um bloco na 115 Norte.<\/p>\n<p>Quando Mana foi embora senti o baque! Tava tudo meio esquisito, muita mudan\u00e7a! Minha alegria era receber as cartas de Mana e respond\u00ea-las.<\/p>\n<figure id=\"attachment_9135\" aria-describedby=\"caption-attachment-9135\" style=\"width: 391px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\" wp-image-9135 \" src=\"http:\/\/portalfloresnoar.com\/floresnoar\/wp-content\/uploads\/2013\/06\/no-dom-bosco.jpeg\" alt=\"no dom bosco\" width=\"391\" height=\"288\" srcset=\"https:\/\/portalfloresnoar.com\/floresnoar\/wp-content\/uploads\/2013\/06\/no-dom-bosco.jpeg 559w, https:\/\/portalfloresnoar.com\/floresnoar\/wp-content\/uploads\/2013\/06\/no-dom-bosco-300x220.jpeg 300w, https:\/\/portalfloresnoar.com\/floresnoar\/wp-content\/uploads\/2013\/06\/no-dom-bosco-150x110.jpeg 150w, https:\/\/portalfloresnoar.com\/floresnoar\/wp-content\/uploads\/2013\/06\/no-dom-bosco-400x294.jpeg 400w\" sizes=\"(max-width: 391px) 100vw, 391px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-9135\" class=\"wp-caption-text\">No Col\u00e9gio Dom Bosco, Marise fazendo bola de chiclete e eu de costas com os livros na cabe\u00e7a<\/figcaption><\/figure>\n<p>A agonia se aquietou quando come\u00e7aram as aulas no Col\u00e9gio Dom Bosco. 6\u00aa s\u00e9rie! De cara j\u00e1 fiquei amiga de tr\u00eas meninas de pais pernambucanos: Carol, Alecsandra e Marise. E a farra come\u00e7ou! \u00c9poca de festinhas nas casas dos colegas, paqueras (muitos!), dormir na casa das amigas, ir pro clube, andar nas quadras, se embelezar pra ir pro col\u00e9gio! Tempo tamb\u00e9m de escrever di\u00e1rio. E de ouvir r\u00e1dio! <em>K\u00e1tia Fl\u00e1via<\/em> e <em>Alagados<\/em> bombando nas paradas! A moda era t\u00eanis Redley e mochila da Company. N\u00e3o existia internet. Mas tinha o disque-amizade (145), onde exerc\u00edamos o papel de diversas personagens.<\/p>\n<p>\u00c9 nesta \u00e9poca que surge a boate Zoom, no Gilberto Salom\u00e3o. Quando tomamos conhecimento de uma tal de matin\u00ea que acontecia l\u00e1 todo domingo convencemos nossos pais da maravilha. Lembro do primeiro dia, na fila. Que ansiedade! E que prazer nos dava ir pra l\u00e1. Sempre o pai\/m\u00e3e \u2013 ou meu irm\u00e3o \u2013 de alguma de n\u00f3s ia nos levar, e outro nos buscar. No carro no m\u00ednimo cinco pirr\u00e1ias.<\/p>\n<p>Quer\u00edamos estar l\u00e1 todo domingo, mas mainha nem sempre permitia, o que me deixava profundamente amargurada. Nas vezes que ela deixava (e ainda bem eram muitas) a condi\u00e7\u00e3o era eu ir pra missa antes. Sempre achei missa um saco, mas aceitaria qualquer condi\u00e7\u00e3o. Implor\u00e1vamos tamb\u00e9m para deixarem a gente ficar at\u00e9 um pouco mais tarde no Gilberto, mas n\u00e3o consentiam muito n\u00e3o. S\u00f3 dava tempo de fazer um lanche no Girafa\u2019s e t\u00ednhamos que voltar pra casa. A cada semana v\u00e1rios paqueras novos. MV, Fabr\u00edcio, Carlinhos, Brinquinho 1,2 3 e 4 (era moda os meninos colocarem brinco na orelha, e a\u00ed como n\u00e3o sab\u00edamos os nomes deles os apelid\u00e1vamos de Brinquinho).<\/p>\n<p>Legi\u00e3o, Plebe Rude, Capital Inicial, Paralamas, mas tamb\u00e9m Camisa de V\u00eanus, Tit\u00e3s, Ira, Lob\u00e3o&#8230;Como era bom gritar \u2018v\u00e3o se foder\u2019 em <em>Bichos escrotos<\/em>, cantar e dan\u00e7ar <em>At\u00e9 quando esperar<\/em>,\u00a0<em>Eu n\u00e3o matei Joana D\u2019\u00c1rc, Mel\u00f4 do marinheiro, Gera\u00e7\u00e3o coca-cola, Televis\u00e3o<\/em>, e o momento mais importante: o som das primeiras notas de\u00a0<em>Tempo Perdido<\/em>, que era quando se iniciavam as m\u00fasicas lentas. Nessa hora o cora\u00e7\u00e3o disparava e encost\u00e1vamos nas colunas da boate, ou fic\u00e1vamos arrodeando o sal\u00e3o. \u00c0s vezes \u00e9ramos chamadas para dan\u00e7ar. At\u00e9 hoje quando soa a introdu\u00e7\u00e3o de <em>Tempo Perdido<\/em> meu cora\u00e7\u00e3o dispara.<\/p>\n<p><em>Veraneio Vasca\u00edna<\/em> e <em>Dado Viciado<\/em> s\u00f3 conheci pouco tempo depois atrav\u00e9s de uma fita cassete que chegou \u00e0s minhas m\u00e3os.<\/p>\n<p>Alheias aos problemas pol\u00edticos e econ\u00f4micos, a gente s\u00f3 queria curtir. E o fizemos bem!<\/p>\n<figure id=\"attachment_9130\" aria-describedby=\"caption-attachment-9130\" style=\"width: 376px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\" wp-image-9130 \" src=\"http:\/\/portalfloresnoar.com\/floresnoar\/wp-content\/uploads\/2013\/06\/eu-marise-e-lec.jpeg\" alt=\"eu marise e lec\" width=\"376\" height=\"281\" srcset=\"https:\/\/portalfloresnoar.com\/floresnoar\/wp-content\/uploads\/2013\/06\/eu-marise-e-lec.jpeg 537w, https:\/\/portalfloresnoar.com\/floresnoar\/wp-content\/uploads\/2013\/06\/eu-marise-e-lec-300x224.jpeg 300w, https:\/\/portalfloresnoar.com\/floresnoar\/wp-content\/uploads\/2013\/06\/eu-marise-e-lec-150x112.jpeg 150w, https:\/\/portalfloresnoar.com\/floresnoar\/wp-content\/uploads\/2013\/06\/eu-marise-e-lec-400x299.jpeg 400w\" sizes=\"(max-width: 376px) 100vw, 376px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-9130\" class=\"wp-caption-text\">Na \u00e1rea de servi\u00e7o do apartamento da 114 Sul. Marise, eu e Lec.<\/figcaption><\/figure>\n<p>Aos 14 comecei a fumar escondido, at\u00e9 que um dia, de madrugada, meu irm\u00e3o J\u00fanior bate na porta do meu quarto e pergunta: &#8216;Luciana, tu t\u00e1s fumando \u00e9?&#8217; Pelo cheiro impregnado no quarto, tive que confessar pedindo a ele que n\u00e3o falasse nada pra mainha e painho. Ele que come\u00e7ou a fumar aos 11,12 guardou segredo. Foi J\u00fanior tamb\u00e9m quem me flagrou com meu primeiro namorado (Elton) aos beijos em um dos blocos da 114 sul.<\/p>\n<p>Neste ano (1987) nasceu minha primeira sobrinha, Nanda, que morava em Recife, mas ia sempre nos visitar. Quando ela estava l\u00e1, n\u00e3o via a hora de acabar a aula e ir correndo pra casa encontr\u00e1-la. Descobri ent\u00e3o um outro tipo de amor, o amor de tia, t\u00e3o grande quanto o que mais tarde descobriria ser o amor de m\u00e3e.<\/p>\n<p>Certa vez, num domingo, sem nada pra fazer, fomos eu e Carol andar pelo setor de casas da Asa Sul. Fomos da 714 at\u00e9 quase a 705. Na volta, chovendo, sem uma alma na rua, ouvimos uma voz masculina nos chamando e quando olhamos para tr\u00e1s um homem pelado vinha em nossa dire\u00e7\u00e3o. Disparamos na carr\u00eara! Corremos umas tr\u00eas quadras sem olhar pra tr\u00e1s, morrendo de rir de nervoso. Ri tanto que me mijei todinha (o que n\u00e3o era dif\u00edcil de acontecer).<\/p>\n<p>Nessa \u00e9poca soube que havia a fun\u00e7\u00e3o de <em>oficce girl<\/em> no Banco do Brasil e perguntei ao meu pai se eu podia trabalhar l\u00e1. Ele aceitou, e eu fui fazer o teste para admiss\u00e3o. Fiz \u00f3timas provas e entrei! De saia e blusa azul, trabalhava na Diretoria de Cr\u00e9dito Rural, onde tamb\u00e9m era menor estagi\u00e1rio um cabeludo gente boa que s\u00f3 ouvia som pesado e comia muito biscoito com leite (a gente ganhava dois pacotes de biscoito todo dia!). Tinha tamb\u00e9m um rapaz de cabelo encaracolado e olhos verdes chamado Edvaldo que era interessante, mas meio esquisito. Nunca esque\u00e7o um dia que tive que decorar a rubrica de um diretor para assinar cart\u00f5es de Natal a serem enviados para todo o Estado dele. Se me pedirem para assinar a rubrica dele, ainda hoje assino igualzinho. Ficou autom\u00e1tico depois de rubricar centenas de cart\u00f5es.<\/p>\n<p>O bom mesmo era ir na lanchonete do banco no hor\u00e1rio de sempre, no meio da tarde. Encontro dos menores estagi\u00e1rios! E d\u00e1-lhe paquera! \u00c0s vezes tamb\u00e9m lanch\u00e1vamos na Galeria, um centro comercial subterr\u00e2neo.<\/p>\n<p>Foi no banco que encontrei um de meus amores, Lu\u00eds Ricardo. Ele j\u00e1 era funcion\u00e1rio. Devia ter no m\u00e1ximo 20 anos. Morava no Lago Sul e era noivo. Mas nos apaixonamos! Pouco tempo depois \u2013 eu havia acabado de voltar para Recife, em 1989 &#8211; ele morreu num acidente de carro na estrada de Belo Horizonte para Bras\u00edlia. Durante a primeira semana ap\u00f3s a trag\u00e9dia quase endoide\u00e7o!<\/p>\n<p>Quando fui para o primeiro ano do segundo grau sa\u00ed do Dom Bosco e entrei no Sigma. O Sigma era um col\u00e9gio bem mais liberal, a gente fumava at\u00e9 na sala de aula. L\u00e1 conheci Angela, outra companheira de descobertas. 1989 foi um ano que n\u00e3o estive nem a\u00ed para os estudos. Mesmo sem beber muito matava aula para ir a um bar perto do Sigma ficar conversando, ou ia \u00e0 casa de algu\u00e9m.<\/p>\n<p>E foi o ano em que meu pai foi transferido novamente para o Recife. No meio do ano, ao tomar conhecimento da minha situa\u00e7\u00e3o na escola (eu estava praticamente sem nota em todas as mat\u00e9rias) minha m\u00e3e me mandou logo pra Recife, antes mesmo da mudan\u00e7a. C\u00e1 estou desde ent\u00e3o. Mas antes de sair de Bras\u00edlia uma sensa\u00e7\u00e3o me percorreu: senti que um dia voltaria a viver novamente no Cerrado. Ser\u00e1?<\/p>\n<p>Agrade\u00e7o a ousadia e coragem do movimento musical de Bras\u00edlia da d\u00e9cada de 80. N\u00e3o participei da gesta\u00e7\u00e3o, mas desfrutei do sucesso de voc\u00eas <em>in loco<\/em>. As mensagens das letras n\u00e3o me atingiam de forma racional, e sim sensorial. Apenas curtia, cantando e dan\u00e7ando. N\u00e3o cheguei a ir a nenhum show. Quando chorei para ir no show da Legi\u00e3o em 1988 meus pais n\u00e3o deixaram \u2018de jeito nenhum\u2019. Talvez tenha sido melhor assim, diante das doid\u00earas que soubemos que rolou naquele show.<\/p>\n<p>Acompanhei Legi\u00e3o at\u00e9 o terceiro disco, mas os meus preferidos eram o um e o dois. Al\u00e9m de <em>Tempo Perdido<\/em> (hino!) <em>\u00cdndios<\/em> era umas das preferidas, mas tamb\u00e9m <em>Daniel na cova dos le\u00f5es<\/em>, <em>Quase sem querer<\/em>, <em>Eduardo e M\u00f4nica, Andrea Doria, Ser\u00e1, Teorema, A Dan\u00e7a, Ainda \u00e9 cedo, Soldados, Petr\u00f3leo do Futuro, Eu sei, Faroeste Caboclo<\/em>&#8230;Do Plebe Rude: <em>At\u00e9 quando esperar<\/em> e <em>Prote\u00e7\u00e3o<\/em> eram as prediletas. Adorava tamb\u00e9m <em>F\u00e1tima<\/em> e <em>M\u00fasica Urbana<\/em>, que eu conhecia cantadas pelo Capital Inicial (nem sabia que eram letras de Renato Russo).<\/p>\n<p>De volta a Recife, em 1989, sem de novo eu saber, um outro movimento estava sendo gestado: o Manguebeat. Mas isso \u00e9 uma outra hist\u00f3ria!<\/p>\n<p><em>* Lu Rabelo\u00a0\u00e9\u00a0<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/cantadeiralu\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">cantadeira<\/a>,\u00a0<a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/jardimarteterapeutico\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">arteterapeuta<\/a>, jornalista e editora do\u00a0<a href=\"http:\/\/portalfloresnoar.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Portal Flores no Ar.<\/a><\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Lu Rabelo* 1973. Sol em Libra, Lua tamb\u00e9m! Meio-dia eu nas\u00e7o em Bras\u00edlia. A ca\u00e7ula dos cinco filhos de Z\u00e9 Alves e Carminha, sertanejos do Paje\u00fa pernambucano. Um ano antes minha fam\u00edlia havia aportado na cidade em constru\u00e7\u00e3o. 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