

{"id":6423,"date":"2023-03-07T07:00:25","date_gmt":"2023-03-07T10:00:25","guid":{"rendered":"http:\/\/portalfloresnoar.com\/floresnoar\/?p=6423"},"modified":"2023-03-07T16:39:41","modified_gmt":"2023-03-07T19:39:41","slug":"pele-de-foca-pele-da-alma-por-clarissa-pinkola-estes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/portalfloresnoar.com\/floresnoar\/pele-de-foca-pele-da-alma-por-clarissa-pinkola-estes\/","title":{"rendered":"&#8216;Pele de foca, pele da alma&#8217;, por Clarissa Pinkola Est\u00e9s"},"content":{"rendered":"<p><em>(do livro Mulheres que correm com os lobos)<\/em><\/p>\n<p>Houve um tempo, que passou para sempre e que ir\u00e1 logo estar de volta, em que um dia corre atr\u00e1s do outro de c\u00e9us brancos, neve branca&#8230; e todos os min\u00fasculos pontinhos escuros ao longe s\u00e3o pessoas, c\u00e3es, ou ursos.<\/p>\n<p>Nesse lugar, nada viceja gratuitamente. Os ventos s\u00e3o fortes, e as pessoas se acostumaram a trazer consigo seus parkas, mamleks e botas, j\u00e1 de prop\u00f3sito. Nesse lugar, as palavras se congelam ao ar liv re, e frases inteiras precisam ser arrancadas dos l\u00e1bios de quem fala e descongeladas junto ao fogo para que as pessoas possam ver o que foi dito. Nesse lugar, as pessoas vivem na basta cabeleira da velha Annuluk, a av\u00f3, a velha feiticeira que \u00e9 a pr\u00f3pria Terra. E foi nessa terra que vivia um homem&#8230; um homem t\u00e3o solit\u00e1rio que, com o passar dos anos, as l\u00e1grimas haviam aberto fundos abismos no seu rosto.<\/p>\n<p>Ele tentava sorrir e ser feliz. Ele ca\u00e7ava. Colocava armadilhas e dormia bem. No entanto, sentia falta de companhia. \u00c0s vezes, l\u00e1 nos bancos de areia, no seu caiaque, quando uma foca se aproximava, ele se lembrava de antigas hist\u00f3rias sobre como as focas haviam um dia sido seres humanos e como o \u00fanico remanescente daqueles tempos estava nos seus olhos, que eram capazes de retratar express\u00f5es, aquelas express\u00f5es s\u00e1bias, selvagens e amorosas. \u00c0s vezes ele sentia nessas ocasi\u00f5es uma solid\u00e3o t\u00e3o profunda que as l\u00e1grimas escorriam pelas fendas j\u00e1 t\u00e3o gastas no seu rosto.<br \/>\nUma noite ele ca\u00e7ou at\u00e9 depois de escurecer, mas sem conseguir nada. Quando a lua subiu no c\u00e9u e as banquisas de gelo come\u00e7aram a reluzir, ele chegou a uma enorme rocha malhada no mar e seu olhar agu\u00e7ado pareceu distinguir movimentos extremamente graciosos sobre a velha rocha.<\/p>\n<p>Ele remou lentamente e com os remos bem fundos para se aproximar, e l\u00e1 no alto da rocha imponente dan\u00e7ava um pequeno grupo de mulheres, nuas como no primeiro dia em que se deitaram sobre o ventre da m\u00e3e. Ora, ele era um homem solit\u00e1rio, sem nenhum amigo humano a n\u00e3o ser na lembran\u00e7a \u2014 e ele ficou ali olhando. As mulheres pareciam seres feitos de leite da lua, e sua pele cintilava com got\u00edculas prateadas como as do salm\u00e3o na primavera. Seus p\u00e9s e m\u00e3os eram longos e graciosos.<\/p>\n<p>Elas eram t\u00e3o lindas que o homem ficou sentado, atordoado, no barco, e a \u00e1gua nele batia, levando-o cada vez mais para junto da rocha. Ele ouvia o riso magn\u00edfico das mulheres&#8230; pelo menos elas pareciam rir, ou seria a \u00e1gua que ria \u00e0s margens da rocha? O homem estava confuso, por se sentir t\u00e3o deslumbrado. Entretanto, dispersou-se a solid\u00e3o que lhe pesava no peito como couro molhado e, quase sem pensar, como se fosse seu destino, ele saltou para a rocha e roubou uma das peles de foca ali jogadas. Ele se escondeu por tr\u00e1s de uma sali\u00eancia rochosa e ocultou a pele de foca dentro do seu qutnquq, parka.<\/p>\n<p>Logo, uma das mulheres gritou numa voz que era a mais linda que ele j\u00e1 ouvira&#8230; como as baleias chamando na madrugada&#8230; ou n\u00e3o, talvez fosse mais parecida com os lobinhos rec\u00e9m-nascidos caindo aos tombos na primavera&#8230; ou ent\u00e3o, n\u00e3o, era algo melhor do que isso, mas n\u00e3o fazia diferen\u00e7a porque&#8230; o que as mulheres estavam fazendo agora?<br \/>\nOra, elas estavam vestindo suas peles de foca, e uma a uma as mulheres-focas deslizavam para o mar, gritando e ganindo de felicidade. Com exce\u00e7\u00e3o de uma. A mais alta delas procurava por toda a parte a sua pele de foca, mas n\u00e3o a encontrava em lugar nenhum. O homem sentiu-se estimulado \u2014 pelo qu\u00ea, ele n\u00e3o sabia. Ele saiu de tr\u00e1s da rocha, dirigindo um apelo a ela.<\/p>\n<p>\u2014 Mulher&#8230; case-se&#8230; comigo. Sou um&#8230; homem&#8230; sozinho.<br \/>\n\u2014 Ah \u2014 respondeu ela. \u2014 Eu n\u00e3o posso me casar, porque sou de outra natureza, perten\u00e7o aos que vivem temeqvanek, l\u00e1 embaixo.<br \/>\n\u2014 Case-se&#8230; comigo \u2014 insistiu o homem. \u2014 Em sete ver\u00f5es, prometo lhe devolver sua pele de foca, e voc\u00ea poder\u00e1 ficar ou ir embora, como preferir.<br \/>\nA jovem mulher-foca ficou olhando muito tempo o rosto do homem com olhos que, se n\u00e3o fossem suas origens verdadeiras, pareciam humanos.<br \/>\n\u2014 Irei com voc\u00ea \u2014 disse ela, relutante. \u2014 Dentro de sete ver\u00f5es, tomaremos a decis\u00e3o.<\/p>\n<p>E assim, com o tempo, tiveram um filho a quem deram o nome de Ooruk. A crian\u00e7a era \u00e1gil e gorda. No inverno, a m\u00e3e contava a Ooruk hist\u00f3rias de seres que viviam no fundo do mar enquanto o pai esculpia um urso em pedra branca com uma longa faca. Quando a m\u00e3e levava o pequeno Ooruk para a cama, ela lhe mostrava pelo buraco da ventila\u00e7\u00e3o as nuvens e todas as suas formas. S\u00f3 que, em vez de falar das formas do corvo, do urso e do lobo, ela contava hist\u00f3rias da vaca-marinha, da baleia, da foca e do salm\u00e3o&#8230; pois eram essas as criaturas que ela conhecia.<\/p>\n<p>No entanto, \u00e0 medida que o tempo foi passando, sua pele come\u00e7ou a ressecar. A princ\u00edpio, ela escamou e depois passou a rachar. A pele das suas p\u00e1lpebras come\u00e7ou a descascar. O cabelo da sua cabe\u00e7a, a cair no ch\u00e3o. Ela se tornou naluaq, do branco mais p\u00e1lido. Suas formas arredondadas come\u00e7aram a definhar. Ela procurava esconder seu caminhar claudicante. A cada dia seus olhos, sem que ela quisesse, iam ficando mais opacos. Ela passou a estender a m\u00e3o para tatear porque sua vista estava escurecida.<\/p>\n<p>E as coisas iam dessa forma at\u00e9 uma noite em que o menino Ooruk despertou ouvindo gritos e se sentou ereto nas cobertas de pele. Ele ouviu um rugido de urso, que era seu pai repreendendo a m\u00e3e. Ouviu, tamb\u00e9m, um grito como o da prata que ressoa com uma pedra, que era sua m\u00e3e.<\/p>\n<p>\u2014 Voc\u00ea escondeu minha pele de foca h\u00e1 sete longos anos, e agora est\u00e1 chegando o oitavo inverno. Quero que me seja devolvido aquilo de que sou feita \u2014 gritou a mulher-foca.<br \/>\n\u2014 E voc\u00ea, mulher \u2014 vociferou o marido. \u2014 Voc\u00ea me deixar\u00e1 se eu lhe der a pele.<br \/>\n\u2014 N\u00e3o sei o que eu faria. S\u00f3 sei que preciso daquilo a que perten\u00e7o.<br \/>\n\u2014 E voc\u00ea me deixaria sem mulher, e a seu filho, sem m\u00e3e. Voc\u00ea \u00e9 m\u00e1.<\/p>\n<p>Com essas palavras, o marido afastou com viol\u00eancia a pele da porta e desapareceu noite adentro.<br \/>\nO menino adorava a m\u00e3e. Ele tinha medo de perd\u00ea-la e, por isso, chorou at\u00e9 dormir&#8230; s\u00f3 para ser acordado pelo vento. Um vento estranho&#8230; que parecia cham\u00e1-lo.<\/p>\n<p>\u2014 Oooruk, Ooorukkkk.<\/p>\n<p>Ele pulou da cama, t\u00e3o apressado que vestiu o parka de cabe\u00e7a para baixo e s\u00f3 puxou os mukluks at\u00e9 a metade. Ao ouvir seu nome chamado insistentemente, ele saiu correndo na noite estrelada.<\/p>\n<p>\u2014 Ooooooorukkk.<br \/>\nO menino correu at\u00e9 o penhasco de onde se via a \u00e1gua e l\u00e1, bem longe no mar encapelado, estava uma foca prateada, imensa e peluda&#8230; Sua cabe\u00e7a era enorme. Seus bigodes lhe ca\u00edam at\u00e9 o peito. Seus olhos eram de um amarelo forte.<\/p>\n<p>\u2014 Ooooooorukkk.<\/p>\n<p>O menino foi descendo o penhasco de qualquer jeito e bem junto \u00e0 base trope\u00e7ou numa pedra, n\u00e3o, numa trouxa, que rolou de uma fenda na rocha. O cabelo do menino fustigava seu rosto como milhares de a\u00e7oites de gelo.<\/p>\n<p>\u2014 Ooooooorukkk.<br \/>\nO menino abriu a trouxa e a sacudiu: era a pele de foca da sua m\u00e3e. Ah, ele sentia seu perfume na pele inteira. E, enquanto mergulhava o rosto na pele de foca e respirava seu cheiro, a alma da m\u00e3e penetrava nele como um s\u00fabito vento de ver\u00e3o.<\/p>\n<p>\u2014 Ah \u2014 exclamou ele com alegria e dor, e levou novamente a pele ao rosto. Mais uma vez, a alma da m\u00e3e passou pela dele. \u2014 Ah!!! \u2014 gritou ele de novo, porque estava sendo impregnado pelo amor infindo da m\u00e3e.<\/p>\n<p>E a velha foca prateada ao longe mergulhou lentamente para debaixo d&#8217;\u00e1gua.<\/p>\n<p>O menino escalou o penhasco, voltou correndo para casa com a pele de foca voando atr\u00e1s dele e se jogou para dentro de casa. Sua m\u00e3e contemplou o menino e a pele e fechou os olhos, cheia de gratid\u00e3o pelo fato de os dois estarem em seguran\u00e7a. Ela come\u00e7ou a vestir sua pele de foca.<\/p>\n<p>\u2014 Ah, m\u00e3e, n\u00e3o! \u2014 gritou o menino. Ela apanhou o menino, ajeitou-o debaixo do bra\u00e7o e saiu correndo aos trambolh\u00f5es na dire\u00e7\u00e3o do mar revolto.<\/p>\n<p>\u2014 Ai, mam\u00e3e, n\u00e3o me abandone! \u2014 implorava Ooruk. E logo dava para se ver que ela queria ficar com o filho, queria mesmo, mas alguma coisa a chamava, algo que era mais velho do que ele, mais velho do que ela, mais antigo que o pr\u00f3prio tempo.<\/p>\n<p>\u2014 Ah, mam\u00e3e, n\u00e3o, n\u00e3o, n\u00e3o \u2014 choramingou a crian\u00e7a. Ela se voltou para ele com uma express\u00e3o de profundo amor nos olhos. Segurou o rosto do menino nas m\u00e3os e soprou para dentro dos pulm\u00f5es do menino seu doce alento, uma vez, duas, tr\u00eas vezes. Depois, com o menino debaixo do bra\u00e7o como uma carga preciosa, ela mergulhou bem fundo no mar e cada vez mais fundo. A mulher-foca e seu filho n\u00e3o tinham dificuldade para respirar debaixo d&#8217;\u00e1gua.<\/p>\n<p>Eles nadaram muito para o fundo at\u00e9 que entraram no abrigo subaqu\u00e1tico das focas, onde todos os tipos de criaturas estavam jantando e cantando, dan\u00e7ando e conversando, e a enorme foca prateada que havia chamado Ooruk de dentro do mar da noite abra\u00e7ou o menino e o chamou de neto.<\/p>\n<p>\u2014 Como voc\u00ea est\u00e1 se saindo l\u00e1 em cima, minha filha? \u2014 perguntou a grande foca prateada.<\/p>\n<p>A mulher-foca afastou o olhar e respondeu.<br \/>\n\u2014 Magoei um ser humano&#8230; um homem que deu tudo para que eu ficasse com ele. Mas n\u00e3o posso voltar para ele, porque, se o fizer, estarei me transformando em prisioneira.<\/p>\n<p>\u2014 E o menino? \u2014 perguntou a velha foca. \u2014 Meu neto? \u2014 Ele estava t\u00e3o orgulhoso que sua voz tremia.<br \/>\n\u2014 Ele tem de voltar, meu pai. Ele n\u00e3o pode ficar aqui. Ainda n\u00e3o chegou o seu tempo de ficar conosco. \u2014 Ela chorou. E juntos eles choraram.<\/p>\n<p>E assim passaram-se alguns dias e noites, exatamente sete, per\u00edodo durante o qual voltou o brilho aos cabelos e aos olhos da mulher-foca. Ela adquiriu uma bela cor escura, sua vis\u00e3o se recuperou, seu corpo voltou \u00e0s formas arredondadas, e ela nadava com agilidade. Chegou, por\u00e9m, a hora de devolver o menino \u00e0 terra. Nessa noite, o av\u00f4-foca e a bela m\u00e3e do menino nadaram com a crian\u00e7a entre eles. Vieram subindo, subindo de volta ao mundo da superf\u00edcie. Ali eles depositaram Ooruk delicadamente no litoral pedregoso ao luar.<\/p>\n<p>\u2014 Estou sempre com voc\u00ea \u2014 afian\u00e7ou-lhe sua m\u00e3e. \u2014 Basta que voc\u00ea toque algum objeto que eu toquei, minhas varinhas de fogo, minha ulu, faca, minhas esculturas de pedra de focas e lontras, e eu soprarei nos seus pulm\u00f5es um f\u00f4lego especial para que voc\u00ea cante suas can\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>A velha foca prateada e sua filha beijaram o menino muitas vezes. Afinal, elas se afastaram, sa\u00edram nadando mar adentro e, com um \u00faltimo olhar para o menino, desapareceram debaixo d&#8217;\u00e1gua. E Ooruk, como ainda n\u00e3o era a sua hora, ficou.<\/p>\n<p>Com o passar do tempo, ele cresceu e se tornou um famoso tocador de tambor, cantor e inventor de hist\u00f3rias. Dizia-se que tudo isso decorria do fato de ele, quando menino, ter sobrevivido a ser carregado para o mar pelos enormes esp\u00edritos das focas. Agora, nas n\u00e9voas cinzentas das manh\u00e3s, ele \u00e0s vezes ainda pode ser visto, com seu caiaque atracado, ajoelhado numa certa rocha no mar, parecendo falar com uma certa foca f\u00eamea que freq\u00fcentemente se aproxima da orla. Embora muitos tenham tentado ca\u00e7\u00e1-la, sempre fracassaram. Ela \u00e9 conhecida como Tanqigcaq, a brilhante, a sagrada, e dizem que, apesar de ser foca, seus olhos s\u00e3o capazes de retratar express\u00f5es, aquelas express\u00f5es s\u00e1bias, selvagens e amorosas.<\/p>\n<p>&#8212;&#8212;-<\/p>\n<p><i>\u201cA hist\u00f3ria nos fala de onde realmente viemos, do que somos feitas e de como todas n\u00f3s precisamos, com regularidade, usar nossos instintos e descobrir o caminho de volta ao lar.\u201d<\/i><\/p>\n<p><em>Veja as considera\u00e7\u00f5es de\u00a0Clarissa Pinkola Est\u00e9s\u00a0\u00a0sobre esta hist\u00f3ria <a href=\"http:\/\/lobasquecorrem.blogspot.com.br\/2010\/07\/9-pele-de-foca-pele-da-alma.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">aqui<\/a>!<\/em><\/p>\n<pre>Clarissa Pinkola Est\u00e9s \u00e9 analista junguiana, com 20 anos de pr\u00e1tica, tendo sido diretora-executiva do C.G. Jung Center, em Denver. Doutora em estudos multiculturais e psicologia cl\u00ednica pelo The Union Institute, ela \u00e9 autora premiada por suas fitas como \"The wild woman archetype\", sobre o papel dos instintos na natureza feminina, \"Warming the stone child\", sobre crian\u00e7as sem m\u00e3es, \"In the house of the riddle mother\", sobre os arqu\u00e9tipos recorrentes em sonhos de mulheres e \"The radiant coat\", sobre as fronteiras entre a vida e a morte. \"Mulheres que correm como os lobos\" \u00e9 seu primeiro livro.<\/pre>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>(do livro Mulheres que correm com os lobos) Houve um tempo, que passou para sempre e que ir\u00e1 logo estar de volta, em que um dia corre atr\u00e1s do outro de c\u00e9us brancos, neve branca&#8230; e todos os min\u00fasculos pontinhos escuros ao longe s\u00e3o pessoas, c\u00e3es, ou ursos. Nesse lugar, nada viceja gratuitamente. Os ventos [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":25605,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"om_disable_all_campaigns":false,"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[110],"tags":[131,79,343],"acf":[],"publishpress_future_action":{"enabled":false,"date":"1969-12-31 21:00:00","action":"","terms":[],"taxonomy":"","browser_timezone_offset":0},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/portalfloresnoar.com\/floresnoar\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6423"}],"collection":[{"href":"https:\/\/portalfloresnoar.com\/floresnoar\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/portalfloresnoar.com\/floresnoar\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/portalfloresnoar.com\/floresnoar\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/portalfloresnoar.com\/floresnoar\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=6423"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/portalfloresnoar.com\/floresnoar\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6423\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/portalfloresnoar.com\/floresnoar\/wp-json\/wp\/v2\/media\/25605"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/portalfloresnoar.com\/floresnoar\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=6423"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/portalfloresnoar.com\/floresnoar\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=6423"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/portalfloresnoar.com\/floresnoar\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=6423"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}