

{"id":4981,"date":"2022-12-13T03:43:54","date_gmt":"2022-12-13T06:43:54","guid":{"rendered":"http:\/\/portalfloresnoar.com\/floresnoar\/?p=4981"},"modified":"2022-12-13T20:31:03","modified_gmt":"2022-12-13T23:31:03","slug":"bote-no-jornal-que-o-meu-charme-agora-e-ela-o-amor-de-minha-vida-declara-luiz-gonzaga-se-referindo-a-zuita","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/portalfloresnoar.com\/floresnoar\/bote-no-jornal-que-o-meu-charme-agora-e-ela-o-amor-de-minha-vida-declara-luiz-gonzaga-se-referindo-a-zuita\/","title":{"rendered":"&#8220;Eu acho que corri, corri, corri e acabei parando em casa&#8221;, declara Luiz Gonzaga em entrevista meses antes de morrer"},"content":{"rendered":"<figure id=\"attachment_40661\" aria-describedby=\"caption-attachment-40661\" style=\"width: 700px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-40661 size-large\" src=\"http:\/\/portalfloresnoar.com\/floresnoar\/wp-content\/uploads\/2016\/12\/luiz-gonzaga-e-edelzuita-rabelo-700x543.jpg\" alt=\"\" width=\"700\" height=\"543\" srcset=\"https:\/\/portalfloresnoar.com\/floresnoar\/wp-content\/uploads\/2016\/12\/luiz-gonzaga-e-edelzuita-rabelo-700x543.jpg 700w, https:\/\/portalfloresnoar.com\/floresnoar\/wp-content\/uploads\/2016\/12\/luiz-gonzaga-e-edelzuita-rabelo-300x233.jpg 300w, https:\/\/portalfloresnoar.com\/floresnoar\/wp-content\/uploads\/2016\/12\/luiz-gonzaga-e-edelzuita-rabelo-768x596.jpg 768w, https:\/\/portalfloresnoar.com\/floresnoar\/wp-content\/uploads\/2016\/12\/luiz-gonzaga-e-edelzuita-rabelo.jpg 948w\" sizes=\"(max-width: 700px) 100vw, 700px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-40661\" class=\"wp-caption-text\">Luiz Gonzaga e Edelzu\u00edta Rabelo<\/figcaption><\/figure>\n<p>Em entrevista ao jornalista Marcos Cirano, nove meses antes de falecer, o Rei do Bai\u00e3o Luiz Gonzaga assumiu publicamente o romance com a sertaneja de S\u00e3o Jos\u00e9 do Egito\/PE, Edelzu\u00edta Rabelo, com quem,\u00a0entre idas e vindas, se relacionava desde 1975.<\/p>\n<p>Em 1988, um ano antes de morrer, Gonzaga foi morar no apartamento de Zu\u00edta, no Recife.<\/p>\n<p>\u00c9 sabido que para ela fez as m\u00fasicas &#8216;<a href=\"http:\/\/letras.mus.br\/luiz-gonzaga\/1084307\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Or\u00e9lia<\/a>&#8216;, em parceria com Humberto Teixeira, e\u00a0&#8216;<a href=\"http:\/\/letras.mus.br\/luiz-gonzaga\/1563402\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Umbuzeiro da saudade<\/a>&#8216; e &#8216;<a href=\"http:\/\/www.ouvirmusica.com.br\/luiz-gonzaga\/688885\/#mais-acessadas\/688885\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Vou te matar de cheiro<\/a>&#8216;, com Jo\u00e3o Silva.<\/p>\n<p>Em outra entrevista, Gonzaga disse: &#8220;Depois que eu me casei com essa bichinha (referindo-se a Zu\u00edta), eu emendei na reza, porque essa a\u00ed, quando a gente vai dormir, eu sinto aquele sil\u00eancio e percebo que ela est\u00e1 rezando sozinha. A\u00ed, eu digo: Minha filha, me leva, que a gente reza junto. Rezar \u00e9 bonito&#8221;.<\/p>\n<p><em><strong>Confira abaixo entrevista com Luiz Gonzaga, por Marcos Cirano e Pedro Lu\u00eds, publicada originalmente no <a href=\"https:\/\/www.pe-az.com.br\/cultura-2\/especiais\/77-luiz-gonzaga-em-entrevista-uma-despedida-emocionante\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">site Pernambuco de A a Z<\/a>:<\/strong><\/em><\/p>\n<p><em>Nove meses antes de morrer, Luiz Gonzaga, o Rei do Bai\u00e3o, deixou gravada uma conversa de mais de uma hora com dois rep\u00f3rteres pernambucanos. V\u00e1rios trechos desse depoimento permaneceram in\u00e9ditos por longo tempo. Veja a \u00edntegra da entrevista e saiba porque ela n\u00e3o foi publicada antes.<\/em><\/p>\n<p><em>Essa entrevista foi concedida ao jornalista Marcos Cirano e ao fot\u00f3grafo Pedro Luiz, num apartamento do bairro de Boa Viagem, Recife, a 17 de outubro de 1988, portanto nove meses e 16 dias antes da morte de Luiz Gonzaga. Originalmente, ela serviu de base para uma reportagem sobre um novo disco do compositor, publicada pelo jornal carioca O Globo. Em maio de 1989, alguns trechos da entrevista tamb\u00e9m foram publicados pelo Suplemento Cultural do Di\u00e1rio Oficial de Pernambuco. Mas, a \u00edntegra do depoimento permaneceu in\u00e9dita por muito tempo.<\/em><\/p>\n<p><em>A entrevista de Gonzag\u00e3o \u00e9 comovente. Em v\u00e1rios momentos, ele chora, ao reconhecer que j\u00e1 n\u00e3o tem sa\u00fade para ficar de p\u00e9 sem o aux\u00edlio de duas muletas. Faz um balan\u00e7o da sua carreira art\u00edstica. Canta trechos de m\u00fasicas do seu novo disco. Critica o duro jogo de interesses do mercado fonogr\u00e1fico. E decide assumir, atrav\u00e9s da imprensa, o romance que manteve em segredo por 13 anos com sua \u00faltima mulher, a sertaneja Edelzu\u00edta Rabelo, a dona do apartamento onde a entrevista aconteceu e local onde Gonzaga residiu no \u00faltimo ano de vida: &#8220;Pode botar a\u00ed no jornal que o charme da minha vida agora \u00e9 Edelzu\u00edta!&#8221;<\/em><\/p>\n<p><em>A pedido de Edelzu\u00edta Rabelo, que queria evitar atritos com a primeira esposa de Gonzag\u00e3o, Helena das Neves (ainda viva na \u00e9poca), a entrevista n\u00e3o foi publicada na \u00edntegra. Fato que s\u00f3 aconteceria mais tarde, atrav\u00e9s do Pernambuco de A-Z, ap\u00f3s a morte de Helena. Com a palavra, Luiz Gonzaga, o Rei do Bai\u00e3o:<\/em><\/p>\n<p><em>Marcos Cirano &#8211; S\u00e3o 50 anos de carreira. E a\u00ed?<\/em><\/p>\n<p><em>Luiz Gonzaga &#8211; Eu acho que corri, corri, corri e acabei parando em casa.<\/em><\/p>\n<p><em>MC &#8211; O senhor ta trabalhando um novo disco, n\u00e9?<\/em><\/p>\n<p><em>LG &#8211; \u00c9, todo mundo trabalha. Esse disco tem, realmente, uma grande import\u00e2ncia para mim. Porque, mesmo que eu n\u00e3o quisesse parar, eu agora to condenando a isso, n\u00e9, embora eu tenha a inten\u00e7\u00e3o de fazer tudo pra continuar. Porque, quando a gente cria, a gente tem obriga\u00e7\u00e3o de fazer cultura pra preservar as tradi\u00e7\u00f5es, pra contar sua pr\u00f3pria hist\u00f3ria. Porque, sen\u00e3o, ningu\u00e9m vai querer contar, com a mesma empolga\u00e7\u00e3o, com o mesmo amor, com a mesma garra que eu sempre dediquei, de uma maneira completamente diferente, procurando sempre as estradas, sempre os caminhos em busca das cidades onde eu tinha certeza que existia uma col\u00f4nia forte de cabe\u00e7as-chatas esperando por mim. Ent\u00e3o, a\u00ed eu instalei, instalava minhas tribunas. Estivesse onde estivesse: no noroeste, no oeste, no sul, em S\u00e3o Paulo, no sul do sul&#8230; Onde eu ia, encontrava as col\u00f4nias nordestinas. Saudosas col\u00f4nias sem administra\u00e7\u00e3o, sem mando, furando novas&#8230;vamos dizer assim, procurando se apossar de um pedacinho de terra, um meio de vida melhor&#8230; E eu cantava pra eles, l\u00e1 onde estivesses, as can\u00e7\u00f5es mais bonitas, as mais fortes, as mais tristes, que fazia todo mundo chorar&#8230; meu objetivo n\u00e3o era esse, mas acontecia. \u00c0s vezes, eles choravam com uma coisa alegre que eu cantasse. (Gonzag\u00e3o tenta, mas n\u00e3o consegue prender o choro)<\/em><\/p>\n<p><em>MC &#8211; Nesses 50 anos de carreira, o senhor fez tudo o que teve vontade? Na m\u00fasica e nas andan\u00e7as.<\/em><\/p>\n<p><em>LG &#8211; S\u00f3 n\u00e3o fiz porque, naturalmente, meu talento n\u00e3o dava. Mas, enquanto meus companheiros achavam que as minhas id\u00e9ias eram boas, a gente fazia juntos. Fora aquelas que eles criavam para mim&#8230; Humberto Teixeira, Z\u00e9 Dantas. Antes deles, Miguel de Lima. Depois, Z\u00e9 Marcolino, aqui do sert\u00e3o, que morreu recentemente em desastre de autom\u00f3vel&#8230; Ent\u00e3o, assim, eu fiz, mod\u00e9stia \u00e0 parte, um grande acervo que ainda n\u00e3o est\u00e1 exposto, mas est\u00e1 em Exu, esperando a oportunidade de ser exposto no Museu Luiz Gonzaga.<\/em><\/p>\n<p><em>MC &#8211; O que est\u00e1 faltando para esse acervo ficar exposto?<\/em><\/p>\n<p><em>LG &#8211; Ta faltando administra\u00e7\u00e3o, eu sou p\u00e9ssimo administrador. Material tem at\u00e9 sobrando, que d\u00e1 at\u00e9 pra tr\u00eas museus. Mas, museu, no Brasil, parece palavr\u00e3o&#8230; A minha inten\u00e7\u00e3o \u00e9 de ajudar a imprensa e os pesquisadores que, quando precisarem escrever algo sobre Luiz Gonzaga, sobre Humberto Teixeira, Z\u00e9 Dantas, meus outros excelentes companheiros como Onildo Almeida, Janduhy Filizola, ambos de Caruaru, ent\u00e3o voc\u00eas v\u00e3o ter condi\u00e7\u00f5es de pesquisar capas de LPs, LPs, reportagens&#8230; Eu quero oferecer isso para voc\u00ea que t\u00e1 me procurando aqui hoje e que \u00e9 jovem, daqui h\u00e1 algum tempo voc\u00ea vai a Exu e l\u00e1 voc\u00ea encontra tudo, todo acervo do Rei do Bai\u00e3o, f\u00e1cil, f\u00e1cil, palp\u00e1vel, e escreve o que voc\u00ea quiser. N\u00e3o sobre mim, mas sobre o Nordeste, sobre as m\u00fasicas que eu criei.<\/em><\/p>\n<p><em>Gonzag\u00e3o p\u00e1ra um instante, depois prossegue:<\/em><\/p>\n<p><em>Descobri o Nordeste musical, musicalmente falando. N\u00e3o foi o Nordeste, foi o Sert\u00e3o. O Nordeste sempre teve os seus carnavais, suas festas tradicionais para exibir as suas can\u00e7\u00f5es. Mas, eu esbarrava sempre, no Rio de Janeiro, para vencer, contra tudo e era barreira quase invenc\u00edvel. De vez em quando, aparecia um seresteiro, como Augusto Calheiros e mais alguns, que, atrav\u00e9s de suas vozes, eles contavam as coisas engra\u00e7adas do Nordeste, como Manezinho Ara\u00fajo.<\/em><\/p>\n<p><em>Mas, n\u00e3o com a boa inten\u00e7\u00e3o que eu me apresentava, em cima de caminh\u00e3o, levando o patrocinador nas costas, fazendo espet\u00e1culos nas pra\u00e7as p\u00fablicas, improvisando espet\u00e1culos em determinadas pra\u00e7as&#8230;<\/em><\/p>\n<p><em>Agora, tudo isso por qu\u00ea? Porque eu n\u00e3o me achava bastante suficiente para concorrer com ningu\u00e9m. Eu tinha que levar minha m\u00fasica diretamente \u00e0queles que ignoravam totalmente o Nordeste. \u00c9 claro que os colegas compareciam e coloriam o ambiente. Mas, o objetivo era cantar para os barrigas-verdes, os ga\u00fachos, os caipiras, os cariocas. E conseguia, quase sempre, patrocinadores. Ent\u00e3o, eu tinha liberdade. E assim, no meio desse p\u00fablico, eu era acolhido de surpresa at\u00e9&#8230;<\/em><\/p>\n<p><em>Ali no meio desse p\u00fablico tinha Caetano, tinha Gil, tinha muitos cantores doidos por a\u00ed, famosos hoje, que j\u00e1 mudaram de roupa v\u00e1rias vezes, hoje s\u00e3o at\u00e9 roqueiros, mas mesmo como roqueiros continuam afirmando que Luiz Gonzaga o influenciou, o influenciaram. E eu tava dando uma de Deus, escrevendo certo por linhas tortas. Totalmente despreparado mas, quando eu soltava alguma coisa, eles sentiam que tinha um sabor t\u00e3o especial que n\u00e3o d\u00e1 nem pra se lembrar qual a sua origem. E eu levava as coisas que aprendi na minha inf\u00e2ncia, com meu pai, as piadas do velho Janu\u00e1rio, que meu pai era muito espirituoso. E fui me tornando um artista assim, espont\u00e2neo. Atingi praticamente todas as camadas sociais, cassinos etc., mas nunca me empolguei pela a cidade grande e a saudade do Nordeste sempre foi eterna. Hoje, gra\u00e7as a Deus, bem sucedido, menos com a sa\u00fade, continuo cantando com gra\u00e7a o meu forr\u00f3. Como, por exemplo (recita):<\/em><\/p>\n<p><em>T\u00f4 doidim pra me deitar naquela cama<\/em><br \/>\n<em> To doidim pra me cobrir com teu len\u00e7ol<\/em><br \/>\n<em> Doidim pra te matar de cheiro<\/em><br \/>\n<em> Juntar os travesseiros<\/em><br \/>\n<em> Soprar o candeeiro e come\u00e7ar nosso forr\u00f3<\/em><\/p>\n<p><em>Esses versos v\u00e3o ser gravados agora, s\u00e3o de uma m\u00fasica de Jo\u00e3o Silva e Luiz Gonzaga, do meu \u00faltimo LP. Nem decorei ainda, porque eu s\u00f3 p\u00e9ssimo decorador at\u00e9 das minhas pr\u00f3prias coisas. \u00c9 uma m\u00e3o-de-obra desgra\u00e7ada! O nome dessa m\u00fasica \u00e9 Vou te matar de cheiro. Quer dizer, uma linguagem dessa, meu filho, pra um cara que vem do mato&#8230; Isso sempre foi a minha primazia.<\/em><\/p>\n<p><em>MC &#8211; Essa m\u00fasica \u00e9 do novo disco que o senhor vai lan\u00e7ar?<\/em><\/p>\n<p><em>LG &#8211; Essa m\u00fasica \u00e9 do pr\u00f3ximo LP. At\u00e9 doente eu boto tempero e gra\u00e7a nas minhas coisas.<\/em><\/p>\n<p><em>MC &#8211; Esse pr\u00f3ximo disco j\u00e1 est\u00e1 todo pronto?<\/em><\/p>\n<p><em>LG &#8211; Ta todo arrumado a\u00ed, as m\u00fasicas feitas, mas a doen\u00e7a e a pregui\u00e7a n\u00e3o me deixam fechar. Mas, como eu t\u00f4 sentindo um cheiro de melhora&#8230; Eu tenho horas que eu sofro muito, porque eu t\u00f4 sofrendo de uma doen\u00e7a chamada&#8230; (Gonzag\u00e3o n\u00e3o consegue pronunciar a palavra osteoporose e pede aux\u00edlio a sua companheira Edelzu\u00edta: como \u00e9 o nome da danada da doen\u00e7a? Venha c\u00e1, voc\u00ea n\u00e3o pode ficar longe de mim, n\u00e3o, porque voc\u00ea \u00e9 a minha mem\u00f3ria)&#8230; Ela vem me atacar os ossos, justamente os que foram fraturados ao longo da minha carreira. Essa doen\u00e7a me ataca, tirando o meu rebolado e o meu charme. Meu charme agora \u00e9 Edelzu\u00edta. (A companheira de Gonzag\u00e3o interfere: &#8220;N\u00e3o bote isso a\u00ed n\u00e3o, que vai dar confus\u00e3o&#8221;, mas ele insiste: Bote no jornal que o meu charme agora \u00e9 ela, o amor de minha vida).<\/em><\/p>\n<p><em>MC &#8211; Os acidentes que o senhor sofreu foram muitos. Alguns at\u00e9 acabaram virando m\u00fasica. Quantos acidentes foram?<\/em><\/p>\n<p><em>LG &#8211; Ih!&#8230;J\u00e1 perdi a conta. Fraturei dez costelas, fraturei a clav\u00edcula, fraturei o cr\u00e2nio e, agora, essa osteoporose est\u00e1 me derrubando. O primeiro acidente foi em 1951, foi aquele de Santos, que o carro mergulhou de uma ponte de uns quinze metros, com todos n\u00f3s dentro. Deu at\u00e9 uma m\u00fasica de Z\u00e9 Gonzaga, meu irm\u00e3o (canta): E Luiz Gonzaga n\u00e3o morreu&#8230; De l\u00e1 pra c\u00e1, foram mais uns quatro ou cinco acidentes. Mas, o que eu andei mais perto da morte foi esse que me fraturou aqui (aponta para o lado direito da testa). Eu fiz duas opera\u00e7\u00f5es, porque atingiu o olho, mas acabei cegando dele. Isso foi na estrada de Miguel Pereira. Gonzaguinha tava comigo e o an\u00e3o Sal\u00e1rio-m\u00ednimo tamb\u00e9m. E a maior v\u00edtima foi eu. Mas escapei com vida. Isso foi em 1962, parece. (Gonzaga fica alguns instantes em silencio, depois continua): Mesmo assim, ainda me sobrou algum charme pra encontrar uma mulher bonita e inteligente pra tomar conta de mim.<\/em><\/p>\n<p><em>MC &#8211; A osteoporose, o senhor vem sentindo desde quando?<\/em><\/p>\n<p><em>LG &#8211; Ela s\u00f3 foi localizada agora, aqui no Recife. O primeiro ataque dela foi no f\u00eamur. E \u00e9 por isso que eu estou usando essas gonzaguetes (mostra as duas muletas que utiliza para andar, ainda assim com bastante dificuldade). E dizem que f\u00eamur \u00e9 bicho muito atrevido, at\u00e9 hoje ningu\u00e9m encontrou medicina que o dominasse.<\/em><\/p>\n<p><em>MC &#8211; Faz mais ou menos um ano que o senhor vem sentindo os sintomas da doen\u00e7a?<\/em><\/p>\n<p><em>LG &#8211; N\u00e3o, isso faz muito tempo. Mas, eu s\u00f3 vim me interessar depois que comecei a sentir a obriga\u00e7\u00e3o de usar muletas. Agora, vem de muito antes.<\/em><\/p>\n<p><em>MC &#8211; Eu me lembro que, durante algumas apresenta\u00e7\u00f5es na televis\u00e3o, o senhor sempre estava aparecendo sentado, pra poder segurara a sanfona.<\/em><\/p>\n<p><em>LG &#8211; Pois \u00e9, pois \u00e9. E nem sanfona eu toco mais, n\u00e3o d\u00e1 mais. Eu j\u00e1 n\u00e3o gravo com sanfona h\u00e1 mais de dez anos. Depois que eu comecei encontrar sanfoneiros capazes, tocando melhor do que eu (e Dominguinhos foi o primeiro) e esses sanfoneiros come\u00e7aram a declarar que eu tinha sido seu incentivador, seu mestre, a\u00ed eu digo: e o que \u00e9 que eu t\u00f4 fazendo aqui tocando sanfona de gra\u00e7a, se minha voz vale muito mais do que minha tecla? A\u00ed, passei a usar esses meninos me acompanhando, com muito mais arte, mais gra\u00e7a. Ora, se nessas alturas, eu j\u00e1 passei a ser conhecido como um afortunado de tantos dotes dados por Deus, nada melhor do que distribuir com aqueles que estavam seguindo meu caminho com honestidade. Tem Oswaldinho, Dominguinhos, Valdones de Fortaleza, um garoto de 15 anos tocando magistralmente, um garoto rico e bonito. O Valdones tem at\u00e9 um est\u00fadio em casa, o pai faz todas as vontades dele, o garoto ta numa carreira bonita. Quer dizer, por isso eu acredito que o forr\u00f3 n\u00e3o v\u00e1 morrer. O bai\u00e3o n\u00e3o morreu, o forr\u00f3, feito do bai\u00e3o&#8230; Ent\u00e3o, eu acredito que essa m\u00fasica vai pra frente. Porque o Nordesta d\u00e1 isso, oferecendo sua gra\u00e7a. S\u00e1bado agora, eu botei cerca de vinte mil pessoas no Sp\u00e1zio, uma verdadeira festa, muito bonita, feita especialmente pra mim. Estavam l\u00e1 Fagner, Elba Ramalho, Genivaldo Lacerda, Gilberto Gil, Dominguinhos, Alcimar Monteiro que ta indo muito bem, Jorge de Altinho&#8230;<\/em><\/p>\n<p><em>Pedro Lu\u00eds &#8211; Jorge de Altinho andou sumido um tempo, n\u00e9?<\/em><\/p>\n<p><em>LG &#8211; N\u00e3o, Jorge de Altinho \u00e9 o mesmo. \u00c9 porque, de repente, o forr\u00f3 tornou-se&#8230;\u00e9&#8230;demasiadamente oferecido. Quer dizer, v\u00e1rias f\u00e1bricas&#8230; A minha f\u00e1brica, por exemplo, gravou esse ano seis discos de forr\u00f3. Ent\u00e3o, \u00e9 muita oferta. Mas, Jorge de Altinho sempre foi um cara pra frente e ir\u00e1 muito mais. Como ele \u00e9 jovem, ele pode mudar para onde quiser. Mas, ele \u00e9 fiel ao forr\u00f3.<\/em><\/p>\n<p><em>MC &#8211; O seu novo disco vai ser lan\u00e7ado quando?<\/em><\/p>\n<p><em>LG &#8211; Logo depois do carnaval, que \u00e9 quando se come\u00e7a a lan\u00e7ar forr\u00f3, uma m\u00fasica sugestiva, uma m\u00fasica quente, cheia de gra\u00e7a. Depois do carnaval at\u00e9 junho \u00e9 com n\u00f3s. N\u00f3s ocupamos o miolo do ano.<\/em><\/p>\n<p><em>MC &#8211; A partir de quando, mesmo, n\u00e3o deu mais para o senhor segurar a sanfona?<\/em><\/p>\n<p><em>LG &#8211; Eu vinha tocando, porque ela sempre foi o meu apoio e eu sempre gostei. Porque eu criei um estilo. Mas, al\u00e9m desses problemas que eu sofri,me apareceu uma doen\u00e7a na coluna, as viagens muito prolongadas, horas e horas viajando de autom\u00f3vel. E eu ia controlando. Quando eu perdi o rebolado, mesmo, que localizei o problema&#8230; demorei um pouco&#8230; eu disse: vou dar uma de professor, vou avisar a meus colegas pra ter muito cuidado com o peso da sanfona.<\/em><\/p>\n<p><em>V\u00e1 ver que quase todo sanfoneiro est\u00e1 hoje meio corcunda. Porque eu criei uma arte muito pesada. N\u00f3s n\u00e3o temos condi\u00e7\u00f5es, aqui no sert\u00e3o, de pagarmos orquestras nem instrumentos eletr\u00f4nicos. E a sanfona \u00e9 um instrumento do ar livre e ela resolve um baile a noite inteira, gostosamente, com o seu pr\u00f3prio som. E os caboclos sanfoneiros, forrozeiros, gostam muito do seu trabalho e tocam a noite inteira, incarriado. Est\u00e3o entrando num cano deslumbrante, como dizia aquele pernambucano que escrevia no jornal sobre futebol, humorista, que escreveu pe\u00e7as de teatro, que \u00e9 irm\u00e3o de M\u00e1rio Filho, jornalista primoroso&#8230;<\/em><\/p>\n<p><em>Como era mesmo o nome dele? Isso, Nelson Rodrigues. Ele foi quem criou esse termo cano deslumbrante. Eu entrei num cano deslumbrante. Ent\u00e3o, foi isso. Essa doen\u00e7a, que t\u00e1 aumentando cada vez mais em n\u00f3s, a coluna vertebral, que trouxe tamb\u00e9m para mim. A\u00ed, eu n\u00e3o podia mais com o peso da sanfona. Fazia um ensaiozinho, uma coisinha, mas vinha logo a dor.<\/em><\/p>\n<p><em>MC &#8211; O senhor lembra qual foi o \u00faltimo show em que o senhor tocou?<\/em><\/p>\n<p><em>LG &#8211; N\u00e3o, eu n\u00e3o gosto de lembrar. Porque, s\u00f3 de lembrar, eu sinto dor. (Gonzag\u00e3o baixa a cabe\u00e7a, faz cara de choro e fica alguns instantes em sil\u00eancio).<\/em><\/p>\n<p><em>MC &#8211; A sanfona pesa quantos quilos, normalmente?<\/em><\/p>\n<p><em>LG &#8211; Quando eu comecei a tocar, o peso normal dela era de 12 quilos pra cima. A\u00ed, eu passei a prestigiar a sanfona nacional, porque eu tinha acesso \u00e0 f\u00e1brica e l\u00e1 eu dava as minhas id\u00e9ias. Naquela altura, n\u00f3s t\u00ednhamos uma esp\u00e9cie de umas 12 f\u00e1bricas de sanfona. Hoje, s\u00f3 temos uma e se arrasta. E eu dizia: &#8220;Olha, gente, deixo um pedido aqui do velho sanfoneiro e tal&#8230; N\u00f3s estamos usando instrumento errado, com o peso discoforme para o nosso f\u00edsico, pra o nosso clima, principalmente para n\u00f3s, nordestinos, que \u00e9 que mais usamos sanfona. Manera no peso. Eu quero mandar fazer uma sanfona aqui com nove, dez quilos&#8230;&#8221; E consegui, eles fizeram. \u00c9 tanto que todas as capas dos meus discos s\u00e3o com fotos de sanfonas brasileiras. Mas, a sanfona de Dominguinhos pesa 16 quilos. E eu falo com ele: &#8220;Te cuida, Dominguinhos! Voc\u00ea \u00e9 grossinho, mas vai afinas as pernas, vai entortar as pernas.&#8221;Ta entortando. \u00c9 muito peso, sabe?<\/em><\/p>\n<p><em>Ent\u00e3o, quando eu mi vi cantando sentado, eu aproveitava e fazia um pouco de apologia \u00e0 sanfona e ca\u00eda, justamente, nessa quest\u00e3o a\u00ed. Sim, porque os italianos eram os fabricantes de sanfona, n\u00e3o s\u00e3o mais, hoje j\u00e1 ca\u00edram fora. E o clima deles, j\u00e1 viu como \u00e9 que \u00e9, n\u00e9?&#8230; Clima frio. As comidas deles s\u00e3o saborosas, cheias de for\u00e7a. O f\u00edsico deles \u00e9 diferente, s\u00e3o sempre parrudos, mais do que n\u00f3s&#8230; Por que, agora, a gente vai carregar o peso deles tamb\u00e9m? Isso eu falo no palco, quando estou bem disposto. Ou, quando t\u00f4 sentindo dores, falo com raiva, n\u00e9.<\/em><\/p>\n<p><em>Deus me deu o dom de falar, com a minha pr\u00f3pria linguagem, despreocupado, sem medo de errar, porque o povo j\u00e1 sabe que eu n\u00e3o sou intelectual, ent\u00e3o eu mando brasa. (Gonzag\u00e3o ri gostosamente).<\/em><\/p>\n<p><em>MC &#8211; Onde fica essa f\u00e1brica brasileira de sanfona?<\/em><\/p>\n<p><em>LG &#8211; A \u00fanica f\u00e1brica de sanfona, hoje no Brasil, fica no Rio Grande do Sul. Hoje, s\u00f3 tem a Universal. Essa f\u00e1brica n\u00e3o \u00e9 dotada de bons t\u00e9cnicos. A que mais evoluiu foi uma chamada Todesquini. Mesmo assim, n\u00e3o ag\u00fcentou, porque queria vender muito instrumento e n\u00e3o dava. Chegaram as guitarras eletr\u00f4nicas, sanfonas eletr\u00f4nicas e tal&#8230;<\/em><\/p>\n<p><em>MC &#8211; D\u00e1 pra dar uma geral sobre o que vai ser o seu novo disco?<\/em><\/p>\n<p><em>LG &#8211; N\u00e3o, d\u00e1 n\u00e3o. Porque eu s\u00f3 venho a decorar, mesmo, depois de gravar. \u00c9 uma pregui\u00e7a lascada.<\/em><\/p>\n<p><em>PL &#8211; Ser\u00e1 que \u00e9 outra doen\u00e7a, essa pregui\u00e7a?<\/em><\/p>\n<p><em>LG &#8211; N\u00e3o, \u00e9 n\u00e3o&#8230; Eu vou gravar uma m\u00fasica conhecida, chamada Estrada de Canind\u00e9&#8230; N\u00e3o&#8230; \u00c9, deixa lembrar&#8230; Sert\u00e3o de Jequi\u00e9, que foi gravada por Dalva de Oliveira. (Gonzag\u00e3o canta. Primeiro, confunde a letra com os versos de Estrada de Canind\u00e9. Depois, acerta a letra e canta Sert\u00e3o de Jequi\u00e9 inteira). Essa m\u00fasica \u00e9 de Cl\u00e9ssio Caldas e Armando Cavalcanti, dois carnavalescos do Rio de Janeiro, que me deram dois grandes sucessos: um foi Boiadeiro, que \u00e9 meu prefixo e sufixo (cantarola) e me deram outra tamb\u00e9m muito bonita, chamada Meu cigarro de palha (canta). Eu cantava tamb\u00e9m, mas nunca gravei, vou gravar agora.<\/em><\/p>\n<p><em>MC &#8211; Nunca gravou Meu cigarro de palha?!<\/em><\/p>\n<p><em>LG &#8211; N\u00e3o, n\u00e3o&#8230; pera\u00ed&#8230; Nunca gravei Sert\u00e3o de Jequi\u00e9.<\/em><\/p>\n<p><em>MC &#8211; Al\u00e9m de Sert\u00e3o de Jequi\u00e9, o resto do disco \u00e9 tudo m\u00fasicas novas?<\/em><\/p>\n<p><em>LG &#8211; \u00c9. Tem uma de Ant\u00f4nio Barros, que eu gostei muito, chama-se Cora\u00e7\u00e3o de pudim: Meu cora\u00e7\u00e3o \u00e9 feito de manteiga ou de pudim\/Molim, molim, molim, molim\/Falei com esse sujeito pra n\u00e3o me deixar assim\/Molim, molim, molim, molim&#8230; \u00c9 uma m\u00fasica de Ant\u00f4nio Barros, aqui de Jo\u00e3o Pessoa. Ele me deu tamb\u00e9m outro forrozim muito gostoso, chamado Lagoa do Amor (cantarola alguns versos).<\/em><\/p>\n<p><em>MC &#8211; Com esse disco a ser lan\u00e7ado no pr\u00f3ximo ano, s\u00e3o quantos discos gravados durante os 50 anos de carreira?<\/em><\/p>\n<p><em>LG &#8211; S\u00e3o 55. Com esse que vai sair, s\u00e3o 56. (Gonzag\u00e3o comenta o disco que gravou com Fagner. Pergunta a Edelzu\u00edta se ela quer ouvir uma faixa, pede que a companheira coloque a faixa que mais gostou e ela escolhe Amanh\u00e3 eu vou. Enquanto todos, na sala, escutam a m\u00fasica, Gonzag\u00e3o cantarola baixinho e de cabe\u00e7a baixa. No final, reage): \u00d4 v\u00e9io enxuto da molesta! T\u00f4 com 76 anos nas costas, com 74 eu gravei isso a\u00ed. Nunca fumei, apesar de gostar muito daquele cheiro; de fazer propaganda de fumo&#8230; Mas, pra que fumar? S\u00f3 pra imitar os outros?!<\/em><\/p>\n<p><em>MC &#8211; E beber?<\/em><\/p>\n<p><em>LG &#8211; Beberiquei algumas besteirinhas. Adorava uma cerveja lascada. (Dirigindo-se ao fot\u00f3grafo Pedro Luiz, Gonzag\u00e3o pergunta): Voc\u00ea \u00e9 de onde?<\/em><\/p>\n<p><em>PL &#8211; Jo\u00e3o Pessoa.<\/em><\/p>\n<p><em>LG &#8211; Tinha que ser! Com essa cabe\u00e7a de cangaceiro.<\/em><\/p>\n<p><em>MC &#8211; Al\u00e9m do disco novo, quais os outros planos?<\/em><\/p>\n<p><em>LG &#8211; Viver mais um pouco. S\u00f3. Show, mais n\u00e3o. Depois daquele show de anteontem! Foi uma coisa! Quinze ou vinte mil pessoas, e eu sentado l\u00e1 no palco, vendo tudo isso e sem poder participar. Eu cantei Tropeiro da Borborema, que \u00e9 uma das coisas mais bonitas de Raimundo Asfora, mas o bom da gente \u00e9 a gente se sentir em condi\u00e7\u00f5es de criar mais e ter a impress\u00e3o que amanh\u00e3 a gente pode criar um sucesso consagrador&#8230; Mas, eu j\u00e1 criei os meus, Asa Branca, Vozes da Seca, Bai\u00e3o, Luiz Respeita Janu\u00e1rio&#8230; Pra onde \u00e9 que eu vou mais? Eu me sinto completamente realizado. Mas, eu n\u00e3o gostaria de sair assim, carregado porque n\u00e3o tenho mais pernas. (Gonzag\u00e3o fica alguns instantes e sil\u00eancio).<\/em><\/p>\n<p><em>MC &#8211; N\u00e3o tem mais pernas, mas tem uma grande voz. Vai ficar a\u00ed parado?<\/em><\/p>\n<p><em>LG &#8211; N\u00e3o, ainda tenho que fazer mais dois discos, por contrato. Al\u00e9m desse que vai sair o ano que vem, tem outro que ta pronto h\u00e1 dois anos e tudo indicava que ele n\u00e3o ia sair. Mas, s\u00f3 que tive uma coragem de le\u00e3o em abandonar a RCA Victor aos 28 anos de servi\u00e7o, 48 anos, 14 de mar\u00e7o de 1941, quando eu entrei l\u00e1. Sa\u00ed como um protesto e esse disco estava guardado l\u00e1, no fundo do ba\u00fa. Terminei botando tudo pra fora, porque senti que a minha f\u00e1brica atual pode ganhar muito dinheiro com isso e eu n\u00e3o me incomodo que uma gravadora boa ganhe muito dinheiro comigo. Eu ganho o meu pouquinho e fico satisfeito, n\u00e3o chamo ningu\u00e9m de ladr\u00e3o. Eu quero \u00e9 vender meu peixe.<\/em><\/p>\n<p><em>MC &#8211; Por que o senhor deixou a RCA?<\/em><\/p>\n<p><em>LG &#8211; Olha, \u00e9 uma hist\u00f3ria t\u00e3o escrota, t\u00e3o podre, que eu nem gosto de contar. E eles est\u00e3o a\u00ed, com tr\u00eas discos meus na pra\u00e7a: o A\u00ed tem, o \u00e1lbum e esse Amanh\u00e3 eu vou. Ent\u00e3o, eu vou ganhar uma nota muito boa e n\u00e3o quero dar uma de menino mal-agradecido, n\u00e3o tenho mais idade pra isso. Eu quero \u00e9 me dar bem com as duas (gravadoras), eu quero \u00e9 as duas brigando por minha causa. E a RCA vai levar vantagem, porque ela tem 48 anos de repert\u00f3rio meu. E a outra vai come\u00e7ar&#8230; Talvez isso seja at\u00e9 ruim, tr\u00eas discos na pra\u00e7a&#8230; A nova gravadora \u00e9 a Copacabana, que foi muito leal comigo, foi t\u00e3o bacana comigo. E eu desejo que as duas ganhem muito dinheiro comigo.<\/em><\/p>\n<p><em>MC &#8211; Nenhum projeto para programa de televis\u00e3o, apresenta\u00e7\u00f5es?<\/em><\/p>\n<p><em>LG &#8211; Nada, nada.<\/em><\/p>\n<p><em>MC &#8211; T\u00e1 encerrando, mesmo? Uma vez, Dominguinhos disse que o senhor vai morrer no palco e que essa hist\u00f3ria de despedida era conversa, pois ele j\u00e1 tinha participado de um show de despedida sua, na d\u00e9cada de 50.<\/em><\/p>\n<p><em>LG &#8211; Em 1953? Ser\u00e1 poss\u00edvel? Isso \u00e9 conversa fiada, \u00e9 o Dominguinhos me gozando. (Gonzag\u00e3o d\u00e1 uma gargalhada e pergunta): J\u00e1 terminou? \u00c9, voc\u00ea sabe escrever, e a\u00ed vai dar pra voc\u00ea fazer sua reportagem.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em entrevista ao jornalista Marcos Cirano, nove meses antes de falecer, o Rei do Bai\u00e3o Luiz Gonzaga assumiu publicamente o romance com a sertaneja de S\u00e3o Jos\u00e9 do Egito\/PE, Edelzu\u00edta Rabelo, com quem,\u00a0entre idas e vindas, se relacionava desde 1975. 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