

{"id":4817,"date":"2012-12-08T12:47:54","date_gmt":"2012-12-08T15:47:54","guid":{"rendered":"http:\/\/portalfloresnoar.com\/floresnoar\/?p=4817"},"modified":"2012-12-08T12:47:54","modified_gmt":"2012-12-08T15:47:54","slug":"mercurio-em-trigono-com-urano-por-haroldo-barros","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/portalfloresnoar.com\/floresnoar\/mercurio-em-trigono-com-urano-por-haroldo-barros\/","title":{"rendered":"&#8216;Merc\u00fario em tr\u00edgono com Urano&#8217;, por Haroldo Barros"},"content":{"rendered":"<p><em>(Artigo publicado originalmente no blog do autor:<a href=\" http:\/\/haroldobarros.wordpress.com\" target=\"_blank\"> http:\/\/haroldobarros.wordpress.com<\/a>)<\/em><\/p>\n<p>O tr\u00edgono entre Merc\u00fario e Urano \u00e9 uma poderosa configura\u00e7\u00e3o celeste que nos estimula a mudan\u00e7as radicais, de forma equilibrada.<\/p>\n<p>H\u00e1 uma interessante historinha, na verdade uma met\u00e1fora de algumas das mais lament\u00e1veis condi\u00e7\u00f5es humanas: o apego e a inflexibilidade.<\/p>\n<p>Vale a pena conhecer.<\/p>\n<p>Um grupo de cientistas coloca em uma jaula cinco gorilas, da esp\u00e9cie mais inteligente. Ap\u00f3s alguns dias de intera\u00e7\u00e3o e sociabiliza\u00e7\u00e3o, a rotina do grupo \u00e9 alterada por um novo evento: os cientistas penduram, no teto da jaula, fora do alcance de seus habitantes, um grande e perfumado cacho de bananas. Por mais que pulassem, os s\u00edmios n\u00e3o alcan\u00e7avam as frutas.<!--more--><\/p>\n<p>Depois, exatamente abaixo do apetitoso cacho, \u00e9 colocada uma escada, de forma a permitir alcan\u00e7ar as bananas.<\/p>\n<p>Animados por essa possibilidade, os gorilas tentam subir a escada. Por\u00e9m, a cada vez que um dos macacos tentava alcan\u00e7ar as bananas, os cientistas aplicavam uma ducha de \u00e1gua gelada nos outros macacos.<\/p>\n<p>Criou-se um impasse entre o grupo: todos os macacos desejavam as bananas, mas, com medo da g\u00e9lida ducha, ningu\u00e9m se atrevia a subir a escada. E cada vez que um deles tentava, os demais se reuniam e lhe aplicavam uma surra.<\/p>\n<p>E assim, surra ap\u00f3s surra, uma norma de procedimento se instaurou entre os habitantes daquele microcosmos: nenhum dos gorilas tentava mais apanhar as bananas, por maior que fosse a necessidade ou o desejo.<\/p>\n<p>Num dado momento, um dos gorilas \u00e9 retirado da jaula e em seu lugar um novato \u00e9 introduzido. Claro que a primeira provid\u00eancia deste incauto foi de tentar pegar as apetitosas bananas. E deve ter ficado muito surpreso com a violenta sova que recebeu dos demais companheiros.<\/p>\n<p>Mas a linguagem da viol\u00eancia \u00e9 eloq\u00fcente: mesmo sem entender o porqu\u00ea, o novato logo se adapta \u00e0 regra do grupo.<\/p>\n<p>Em seguida, um segundo gorila \u00e9 substitu\u00eddo por um novato. E o processo se repete: tentativa de pegar as bananas e surra. Nova tentativa, nova surra. E a acomoda\u00e7\u00e3o \u00e0 regra.<\/p>\n<p>Um a um, todos os gorilas do grupo original v\u00e3o sendo substitu\u00eddos por novatos, at\u00e9 que, no final, temos uma nova gera\u00e7\u00e3o de habitantes, que nunca tomou uma ducha gelada. Mas, mesmo assim, eles continuam repetindo o padr\u00e3o que aprenderam: qualquer tentativa de pegar as bananas era punida com uma bela surra.<\/p>\n<p>Evidentemente, aqueles macacos n\u00e3o poderiam falar. Mas se pudessem e lhe pergunt\u00e1ssemos por que agem assim, provavelmente responderiam: \u201cN\u00e3o sabemos. Mas sempre foi assim!\u201d<\/p>\n<p>Em nossa vida, muitas vezes nos comportamos como os macacos da hist\u00f3ria. Apegamo-nos de tal forma aos nossos h\u00e1bitos, sentimentos, pensamentos, id\u00e9ias, conceitos, que nunca lembramos de parar para refletir sobre a validade de tudo isso ou para uma an\u00e1lise cr\u00edtica de nosso comportamento.<\/p>\n<p>Esse apego e inflexibilidade se espalham pelas diversas \u00e1reas de nossa vida: o trabalho, os relacionamentos afetivos, as amizades, os estudos, etc\u2026 Somos seres padronizados e padronizantes, seguimos roteiros que estabelecemos (ou que permitimos estabelecerem para n\u00f3s, como os gorilas da hist\u00f3ria) e ficamos irritados quando encontramos pessoas que n\u00e3o querem seguir os mesmos padr\u00f5es ou, o que \u00e9 muito pior, quando encontramos pessoas que querem modificar nossos padr\u00f5es.<\/p>\n<p>Por isso, s\u00e3o sempre considerados loucos aqueles que tentam mudar algo. Ou s\u00e3o tachados de subversivos, revolucion\u00e1rios ou algo parecido. Porque s\u00e3o pessoas que trazem a possibilidade (desconfort\u00e1vel) da mudan\u00e7a.<\/p>\n<p>A configura\u00e7\u00e3o que se mostra no c\u00e9u, com Merc\u00fario fazendo tr\u00edgono (\u00e2ngulo de 120\u00ba) com Urano, \u00e9 um poderoso convite que nos faz o cosmos a uma reflex\u00e3o sobre os nossos padr\u00f5es e a melhor maneira de quebr\u00e1-los.<\/p>\n<p>Comece por voc\u00ea.<\/p>\n<p>Depois, procure estender essa a\u00e7\u00e3o aos grupos a que voc\u00ea pertence. N\u00e3o tenha medo de ser chamado de louco. Talvez voc\u00ea seja mesmo e deve se orgulhar disso. E aproveite a for\u00e7a que Merc\u00fario estar\u00e1 lhe dando: o discurso bem concatenado ser\u00e1 a mais poderosa arma para quem quer romper com o que est\u00e1 estabelecido. A sua palavra ter\u00e1 for\u00e7a para chutar os baldes da mesmice.<\/p>\n<p>Aproveite, portanto, o momento, sobretudo porque o evento acontece com Urano em \u00c1ries, o signo do impulso e da a\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Dica cinematogr\u00e1fica: Patch Adams, O Amor \u00e9 Contagioso (Patch Adams, USA, 1998, dirigido por Tom Shadyac e estrelado por Robin Williams), onde voc\u00ea vai conhecer a hist\u00f3ria verdadeira de Hunter Doherty Adams, um m\u00e9dico (bem louco!) que ousou fugir do normal e quebrar padr\u00f5es. E com isso construiu e cultivou a possibilidade de um mundo melhor.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>(Artigo publicado originalmente no blog do autor: http:\/\/haroldobarros.wordpress.com) O tr\u00edgono entre Merc\u00fario e Urano \u00e9 uma poderosa configura\u00e7\u00e3o celeste que nos estimula a mudan\u00e7as radicais, de forma equilibrada. 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