

{"id":45364,"date":"2024-09-13T10:14:20","date_gmt":"2024-09-13T13:14:20","guid":{"rendered":"https:\/\/portalfloresnoar.com\/floresnoar\/?p=45364"},"modified":"2024-09-13T10:14:20","modified_gmt":"2024-09-13T13:14:20","slug":"artigo-rio-sao-francisco-nao-tem-plano-b","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/portalfloresnoar.com\/floresnoar\/artigo-rio-sao-francisco-nao-tem-plano-b\/","title":{"rendered":"[ARTIGO] Rio S\u00e3o Francisco n\u00e3o tem &#8216;plano B&#8217;!"},"content":{"rendered":"<figure id=\"attachment_45365\" aria-describedby=\"caption-attachment-45365\" style=\"width: 700px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-large wp-image-45365\" src=\"https:\/\/portalfloresnoar.com\/floresnoar\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/Praia_de_rio_Rio_Sao_Francisco-Januaria-MG-1-_-Creative-Commons-Attribution-Share-Alike-4.0-International-license-700x467.jpg\" alt=\"\" width=\"700\" height=\"467\" srcset=\"https:\/\/portalfloresnoar.com\/floresnoar\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/Praia_de_rio_Rio_Sao_Francisco-Januaria-MG-1-_-Creative-Commons-Attribution-Share-Alike-4.0-International-license-700x467.jpg 700w, https:\/\/portalfloresnoar.com\/floresnoar\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/Praia_de_rio_Rio_Sao_Francisco-Januaria-MG-1-_-Creative-Commons-Attribution-Share-Alike-4.0-International-license-300x200.jpg 300w, https:\/\/portalfloresnoar.com\/floresnoar\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/Praia_de_rio_Rio_Sao_Francisco-Januaria-MG-1-_-Creative-Commons-Attribution-Share-Alike-4.0-International-license-768x512.jpg 768w, https:\/\/portalfloresnoar.com\/floresnoar\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/Praia_de_rio_Rio_Sao_Francisco-Januaria-MG-1-_-Creative-Commons-Attribution-Share-Alike-4.0-International-license-1536x1024.jpg 1536w, https:\/\/portalfloresnoar.com\/floresnoar\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/Praia_de_rio_Rio_Sao_Francisco-Januaria-MG-1-_-Creative-Commons-Attribution-Share-Alike-4.0-International-license.jpg 1658w\" sizes=\"(max-width: 700px) 100vw, 700px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-45365\" class=\"wp-caption-text\">Rio S\u00e3o Francisco, Janu\u00e1ria\/MG. Foto: Leonardo Gentile (licen\u00e7a Creative Commons)<\/figcaption><\/figure>\n<p>| <em>Por Anivaldo de Miranda Pinto<\/em>* |<\/p>\n<p>Muito se fala do Rio S\u00e3o Francisco e de sua ineg\u00e1vel import\u00e2ncia. Mas pouco se comenta sobre os enormes desafios e principalmente sobre as grandes amea\u00e7as que pairam como uma \u201cespada de D\u00e2mocles\u201d sobre o destino desse gigante que simboliza como nenhum outro a integra\u00e7\u00e3o do territ\u00f3rio nacional.<\/p>\n<p>Inserido em partes expressivas de cinco estados e do Distrito Federal, o Velho Chico e seus afluentes representam quase que solitariamente a \u00fanica alternativa de disponibilidade h\u00eddrica para tr\u00eas importantes e peculiares recortes do Brasil: o Norte de Minas Gerais, o enorme semi\u00e1rido brasileiro e a regi\u00e3o Nordeste do nosso pa\u00eds.<\/p>\n<p>Por isso mesmo costumo dizer que esse incomum rio brasileiro n\u00e3o tem &#8220;plano B\u201d, uma vez observado no contexto estrat\u00e9gico dos 8% do territ\u00f3rio nacional ocupado por sua bacia hidrogr\u00e1fica, dos mais de 14 milh\u00f5es de brasileiros e brasileiras que nela vivem, do peso ineg\u00e1vel da economia que dele depende e da biodiversidade que representa. Na hip\u00f3tese de grave acidente comprometedor da qualidade e quantidade de suas \u00e1guas n\u00e3o haver\u00e1 como substitu\u00ed-lo em seu papel estrat\u00e9gico. Ferir de morte o rio S\u00e3o Francisco \u00e9, portanto, quase que como enfiar um longo e afiado punhal no cora\u00e7\u00e3o do Brasil. E isso n\u00e3o \u00e9 figura de ret\u00f3rica.<\/p>\n<p>O curioso \u00e9 que apesar dessa evid\u00eancia, pouco se faz para prevenir as possibilidades de que cat\u00e1strofes aconte\u00e7am, o que ficou evidente, s\u00f3 para citar um exemplo recente, quando do rompimento da barragem de rejeitos da empresa Vale em Brumadinho, Minas Gerais, crime ambiental de grandes propor\u00e7\u00f5es que atingiu o Paraopeba, um dos grandes rios afluentes do rio S\u00e3o Francisco, e por pouco n\u00e3o se estendeu \u00e0 calha central deste \u00faltimo.<\/p>\n<p>Outras fontes potenciais de amea\u00e7as semelhantes persistem, seja na forma de in\u00fameras barragens de rejeitos de min\u00e9rio mal concebidas e constru\u00eddas, seja na forma de novos barramentos pretendidos para o seu leito e que podem acentuar a crise que j\u00e1 atinge a biodiversidade aqu\u00e1tica declinante, seja na forma de desmatamento insano dos biomas essenciais para a garantia das vaz\u00f5es franciscanas, como \u00e9 o caso, principalmente, do bioma do Cerrado.<\/p>\n<p>Todavia a maior amea\u00e7a potencial ao rio que n\u00e3o tem &#8220;plano B\u201d \u00e9, sem d\u00favida, a ideia tresloucada de constru\u00e7\u00e3o de uma central nuclear \u00e0s margens e com uso das \u00e1guas do rio S\u00e3o Francisco na regi\u00e3o que, em caso de acidente nuclear, apresentar-se-iam as maiores vulnerabilidades imagin\u00e1veis em termos de enfrentamento de situa\u00e7\u00e3o emergencial diante da qual o Brasil e, principalmente o Nordeste, n\u00e3o teriam cacife nenhum para contornar, a come\u00e7ar pelo vi\u00e9s do abastecimento de \u00e1gua a partir da \u00fanica grande fonte desse abastecimento que seria precisamente o pr\u00f3prio rio S\u00e3o Francisco.<\/p>\n<p>O mais aviltante na insist\u00eancia atrav\u00e9s da qual o poder econ\u00f4mico promove o projeto dessa central nuclear \u00e9 o fato de que a Bacia Hidrogr\u00e1fica do Rio S\u00e3o Francisco e a enorme popula\u00e7\u00e3o que nela habita possuem, em termos de energia hidr\u00e1ulica, solar e e\u00f3lica, um cabedal de fontes incomparavelmente mais baratas, menos perigosas e menos degradantes que dispensam completamente aventuras tecnol\u00f3gicas e econ\u00f4micas dessa natureza. Lutar contra essa central nuclear \u00e9, portanto, afastar de vez o principal pesadelo que ronda a continuidade e vitalidade desse rio t\u00e3o emblem\u00e1tico, mas t\u00e3o maltratado desde o dia em que os colonizadores portugueses pisaram no solo brasileiro.<\/p>\n<p><em>* Anivaldo de Miranda Pinto \u00e9 jornalista, ex-presidente e atual integrante da Diretoria Colegiada do Comit\u00ea da Bacia Hidrogr\u00e1fica do Rio S\u00e3o Francisco, al\u00e9m de Coordenador da C\u00e2mara Consultiva do Baixo S\u00e3o Francisco.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>| Por Anivaldo de Miranda Pinto* | Muito se fala do Rio S\u00e3o Francisco e de sua ineg\u00e1vel import\u00e2ncia. Mas pouco se comenta sobre os enormes desafios e principalmente sobre as grandes amea\u00e7as que pairam como uma \u201cespada de D\u00e2mocles\u201d sobre o destino desse gigante que simboliza como nenhum outro a integra\u00e7\u00e3o do territ\u00f3rio nacional. 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