

{"id":44371,"date":"2025-08-01T05:15:09","date_gmt":"2025-08-01T08:15:09","guid":{"rendered":"https:\/\/portalfloresnoar.com\/floresnoar\/?p=44371"},"modified":"2025-08-01T11:07:03","modified_gmt":"2025-08-01T14:07:03","slug":"artigo-ela-e-busca-e-cura-da-ferida-ancestral","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/portalfloresnoar.com\/floresnoar\/artigo-ela-e-busca-e-cura-da-ferida-ancestral\/","title":{"rendered":"[ARTIGO] \u201cEla \u00e9 busca e cura da ferida ancestral!\u201d"},"content":{"rendered":"<figure id=\"attachment_44372\" aria-describedby=\"caption-attachment-44372\" style=\"width: 490px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-44372 size-large\" src=\"https:\/\/portalfloresnoar.com\/floresnoar\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/Hans_Baldung_Grien_-_The_Witches_1510_-_MeisterDrucke-841880-490x700.jpg\" alt=\"\" width=\"490\" height=\"700\" srcset=\"https:\/\/portalfloresnoar.com\/floresnoar\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/Hans_Baldung_Grien_-_The_Witches_1510_-_MeisterDrucke-841880-490x700.jpg 490w, https:\/\/portalfloresnoar.com\/floresnoar\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/Hans_Baldung_Grien_-_The_Witches_1510_-_MeisterDrucke-841880-210x300.jpg 210w, https:\/\/portalfloresnoar.com\/floresnoar\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/Hans_Baldung_Grien_-_The_Witches_1510_-_MeisterDrucke-841880.jpg 717w\" sizes=\"(max-width: 490px) 100vw, 490px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-44372\" class=\"wp-caption-text\">Hans Baldung Grien (1510)<\/figcaption><\/figure>\n<p>| <em>Por Juliana Ferreira (Zzui)*<\/em> |<\/p>\n<p>Hans Baldung Grien, em 1510, retratou o &#8216;Sab\u00e1 das Bruxas&#8217; com uma carga de elementos e express\u00f5es estigmatizadas do ser bruxa, refor\u00e7ando um imagin\u00e1rio que vem se perpetuando quanto \u00e0 representa\u00e7\u00e3o dessa figura idealizada e, assim, subverteu suas origens de profundidades, o sentido da magia e a beleza do seu mist\u00e9rio.<\/p>\n<p>A estereotipiza\u00e7\u00e3o dessa entidade enigm\u00e1tica, figurada como m\u00e1 e velha, sarc\u00e1stica e impiedosa, extravagante e devoradora, foi mais uma das manobras patriarcais no sentido de moldar um outro feminino n\u00e3o \u00edntegro em sua ess\u00eancia, o feminino da mulher d\u00f3cil, recatada, a do lar e submiss\u00e3o.<\/p>\n<p>O sentido castrador colonialista busca, justamente por via dos estere\u00f3tipos, carregar essa bruxa de uma imagem ex\u00f3tica e grotesca, com elementos vinculados \u00e0s \u201cclasses baixas\u201d e de uma mulher servi\u00e7al.<\/p>\n<p>Da vassoura ao caldeir\u00e3o, com verrugas e manipuladora de sapos, a bruxa da antiguidade \u00e9 manifesta por uma imagem apropriada \u00e0 persegui\u00e7\u00e3o de tantas mulheres que mantinham seus rituais cotidianos e em conex\u00e3o com a natureza e as intensidades do feminino daquela que n\u00e3o se permitia tolher, e portanto, condenadas ao extremo e ao apagamento de sua inteireza.<\/p>\n<p>Na atualidade, longe desses estere\u00f3tipos e da mercantiliza\u00e7\u00e3o de uma bruxa pat\u00e9tica, ou severa, reunimo-nos em evoca\u00e7\u00e3o ao nosso ser bruxa. As netas, as filhas, as rebrotadas e renascidas, rec\u00e9m autorreconhecidas, as libertas.<\/p>\n<p>A ressignifica\u00e7\u00e3o da bruxa se faz cada vez mais crescente e n\u00e3o cabe em defini\u00e7\u00f5es \u00fanicas de elementos conden\u00e1veis, caricaturescos ou vulgares. Ela \u00e9 natureza em sua pot\u00eancia intr\u00ednseca, ela \u00e9 ess\u00eancia e urg\u00eancia, ela \u00e9 revolu\u00e7\u00e3o, ela \u00e9 busca e cura da ferida ancestral. Ela se observa e percebe os chamados; a bruxa do or\u00e1culo que cresce cada vez mais em voc\u00ea.<\/p>\n<p>Uivemos para o alto no sentido de vingar o que merece brotar e crescer, na for\u00e7a do ventre, na revolta dos mares e dos ventos, no encantamento do fogo, na sabedoria lunar. Somos n\u00f3s.<\/p>\n<p>E que venha a revolu\u00e7\u00e3o das bruxas!!!<\/p>\n<p><em>* Juliana Ferreira (Zzui) \u00e9 designer, artista e doutoranda em Antropologia. Pesquisa atravessamentos entre Arte e Antropologia a partir de representa\u00e7\u00f5es visuais, dos grafismos rupestres \u00e0s artes ind\u00edgenas contempor\u00e2neas. No perfil do Instagram <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/reato.me\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">@reato.me<\/a> publica ensaios sobre representa\u00e7\u00f5es art\u00edsticas do feminino a partir de simbologias e imagens. \u201cA arte como mat\u00e9ria bruta\u201d \u00e9 sua vertente de investiga\u00e7\u00e3o po\u00e9tica.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>| Por Juliana Ferreira (Zzui)* | Hans Baldung Grien, em 1510, retratou o &#8216;Sab\u00e1 das Bruxas&#8217; com uma carga de elementos e express\u00f5es estigmatizadas do ser bruxa, refor\u00e7ando um imagin\u00e1rio que vem se perpetuando quanto \u00e0 representa\u00e7\u00e3o dessa figura idealizada e, assim, subverteu suas origens de profundidades, o sentido da magia e a beleza do [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":44373,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"om_disable_all_campaigns":false,"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[10],"tags":[1452,1453,1454,622,22],"acf":[],"publishpress_future_action":{"enabled":false,"date":"1969-12-31 21:00:00","action":"","terms":[],"taxonomy":"","browser_timezone_offset":0},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/portalfloresnoar.com\/floresnoar\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/44371"}],"collection":[{"href":"https:\/\/portalfloresnoar.com\/floresnoar\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/portalfloresnoar.com\/floresnoar\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/portalfloresnoar.com\/floresnoar\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/portalfloresnoar.com\/floresnoar\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=44371"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/portalfloresnoar.com\/floresnoar\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/44371\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":44375,"href":"https:\/\/portalfloresnoar.com\/floresnoar\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/44371\/revisions\/44375"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/portalfloresnoar.com\/floresnoar\/wp-json\/wp\/v2\/media\/44373"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/portalfloresnoar.com\/floresnoar\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=44371"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/portalfloresnoar.com\/floresnoar\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=44371"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/portalfloresnoar.com\/floresnoar\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=44371"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}