

{"id":43273,"date":"2023-04-19T16:45:13","date_gmt":"2023-04-19T19:45:13","guid":{"rendered":"http:\/\/portalfloresnoar.com\/floresnoar\/?p=43273"},"modified":"2023-04-19T16:45:13","modified_gmt":"2023-04-19T19:45:13","slug":"coluna-do-scalambrini-usinas-nucleares-um-debate-serio-e-necessario","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/portalfloresnoar.com\/floresnoar\/coluna-do-scalambrini-usinas-nucleares-um-debate-serio-e-necessario\/","title":{"rendered":"[COLUNA DO SCALAMBRINI] Usinas nucleares: um debate s\u00e9rio e necess\u00e1rio"},"content":{"rendered":"<figure id=\"attachment_43274\" aria-describedby=\"caption-attachment-43274\" style=\"width: 571px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-43274 \" src=\"http:\/\/portalfloresnoar.com\/floresnoar\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/nuclear-power-plant-gec90297b4_1280-pixabay-free-700x466.jpg\" alt=\"\" width=\"571\" height=\"380\" srcset=\"https:\/\/portalfloresnoar.com\/floresnoar\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/nuclear-power-plant-gec90297b4_1280-pixabay-free-700x466.jpg 700w, https:\/\/portalfloresnoar.com\/floresnoar\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/nuclear-power-plant-gec90297b4_1280-pixabay-free-300x200.jpg 300w, https:\/\/portalfloresnoar.com\/floresnoar\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/nuclear-power-plant-gec90297b4_1280-pixabay-free-768x512.jpg 768w, https:\/\/portalfloresnoar.com\/floresnoar\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/nuclear-power-plant-gec90297b4_1280-pixabay-free.jpg 1280w\" sizes=\"(max-width: 571px) 100vw, 571px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-43274\" class=\"wp-caption-text\">Imagem de <a href=\"https:\/\/pixabay.com\/pt\/users\/distelapparath-2726923\/?utm_source=link-attribution&amp;utm_medium=referral&amp;utm_campaign=image&amp;utm_content=4526561\">Markus Distelrath<\/a> por <a href=\"https:\/\/pixabay.com\/pt\/\/?utm_source=link-attribution&amp;utm_medium=referral&amp;utm_campaign=image&amp;utm_content=4526561\">Pixabay<\/a><\/figcaption><\/figure>\n<p>|\u00a0<em>Por Heitor Scalambrini Costa<\/em>* |<\/p>\n<p>A ind\u00fastria nuclear insiste em propagar que est\u00e1 em pleno desenvolvimento no mundo, com novas tecnologias sendo disponibilizadas, como a dos pequenos reatores modulares (em ingl\u00eas, <em>SMR -Small Modular Reator<\/em>). Chama aten\u00e7\u00e3o, neste caso, a omiss\u00e3o deliberada da palavra nuclear, na denomina\u00e7\u00e3o dos pequenos reatores, evidenciando a habitual estrat\u00e9gia de comunica\u00e7\u00e3o amb\u00edgua que caracteriza este setor.<\/p>\n<p>Os que mais defendem a tecnologia nuclear chegam mesmo a antever (por meios sobrenaturais, talvez?) que as usinas nucleares desempenhar\u00e3o um papel fundamental na luta pela descarboniza\u00e7\u00e3o, al\u00e9m de contribu\u00edrem para a transi\u00e7\u00e3o com fontes limpas.<\/p>\n<p>O discurso euf\u00f3rico sobre o crescimento do n\u00famero de usinas nucleares pelo mundo (e por que n\u00e3o no Brasil?), n\u00e3o condiz exatamente com a realidade. A verdade \u00e9 que ocorreu uma desacelera\u00e7\u00e3o dos neg\u00f3cios nucleares nas \u00faltimas d\u00e9cadas, principalmente ap\u00f3s a trag\u00e9dia em Fukushima, que infelizmente n\u00e3o acabou.<\/p>\n<p>Esta tecnologia de produzir energia el\u00e9trica funciona como uma termel\u00e9trica, onde o combust\u00edvel que gera energia \u00e9 extra\u00eddo do min\u00e9rio de ur\u00e2nio, e transformado por diferentes processos industriais, at\u00e9 sua fabrica\u00e7\u00e3o. Parte deste calor, gerado a partir da rea\u00e7\u00e3o de fiss\u00e3o nuclear, aquece a \u00e1gua pressurizada, cujo vapor a alta press\u00e3o movimenta as p\u00e1s de turbinas acopladas a um gerador, produzindo assim energia el\u00e9trica. A outra parte do calor \u00e9 retirada com sistemas de refrigera\u00e7\u00e3o, que geralmente usam \u00e1gua de rios, mares, grandes reservat\u00f3rios e lagos.<\/p>\n<p>Grande quantidade de res\u00edduos \u00e9 produzida pelas rea\u00e7\u00f5es nucleares que ocorrem no combust\u00edvel. Estes elementos qu\u00edmicos, criados artificialmente, s\u00e3o altamente radioativos, por at\u00e9 milhares de anos. \u00c9 necess\u00e1rio armazen\u00e1-los em locais de extrema seguran\u00e7a, e com estabilidade geol\u00f3gica, para os pr\u00f3ximos milhares de anos. Uma situa\u00e7\u00e3o que leva \u00e0 reflex\u00e3o sobre o lixo at\u00f4mico, heran\u00e7a maldita deixada para as gera\u00e7\u00f5es futuras.<\/p>\n<p>A viabilidade das usinas nucleares tem gerado intensos e calorosos debates sobre quest\u00f5es t\u00e9cnicas, econ\u00f4micas, sociais, ambientais e mesmo questionamentos \u00e9ticos e geopol\u00edticos. Outro assunto \u00e9 a quest\u00e3o do uso militar da energia nuclear, com a constru\u00e7\u00e3o da bomba at\u00f4mica (limpas\/sujas!!!). Pa\u00edses que det\u00eam a tecnologia de enriquecimento, e outros processos da cadeia para produ\u00e7\u00e3o do combust\u00edvel nuclear, est\u00e3o aptos para a constru\u00e7\u00e3o da bomba, como \u00e9 o caso brasileiro.<\/p>\n<p>Nunca \u00e9 tarde lembrar que s\u00e3o naqueles pa\u00edses com d\u00e9ficit democr\u00e1tico (R\u00fassia, China, \u00cdndia, Ar\u00e1bia Saudita), que os publicit\u00e1rios \u201cdo nuclear\u201d se referem, quando mencionam o crescimento de novas instala\u00e7\u00f5es pelo mundo afora. Nestes pa\u00edses a sociedade civil n\u00e3o tem nenhuma incid\u00eancia nem participa\u00e7\u00e3o na pol\u00edtica oficial adotada. S\u00e3o decis\u00f5es autorit\u00e1rias, que n\u00e3o aceitam o contradit\u00f3rio, agindo sob sigilo. Estes governos chegam a recorrer, muitas vezes, \u00e0 viol\u00eancia para conter os crescentes movimentos antinucleares pacifistas.<\/p>\n<p>A descarboniza\u00e7\u00e3o das atividades econ\u00f4micas tem no setor el\u00e9trico um potencial maior, desde que a gera\u00e7\u00e3o de energia el\u00e9trica seja sustent\u00e1vel, com fontes renov\u00e1veis de energia. No caso da gera\u00e7\u00e3o nucleoel\u00e9trica \u00e9 importante esclarecer que v\u00e1rias ind\u00fastrias est\u00e3o envolvidas nas diferentes etapas para a produ\u00e7\u00e3o do combust\u00edvel nuclear. Come\u00e7a com a minera\u00e7\u00e3o do ur\u00e2nio, seguindo a concentra\u00e7\u00e3o (separa\u00e7\u00e3o do ur\u00e2nio de outros elementos agregados), a convers\u00e3o do concentrado em g\u00e1s, o enriquecimento isot\u00f3pico, a produ\u00e7\u00e3o das pastilhas\/combust\u00edvel (que ser\u00e3o inseridas no n\u00facleo do reator nuclear), o tratamento dos res\u00edduos produzidos (lixo at\u00f4mico), o armazenamento e o descomissionamento das usinas ap\u00f3s atingirem sua vida \u00fatil. Assim, conforme estudos cient\u00edficos realizados, este conjunto de processos, o chamado \u201cciclo do combust\u00edvel nuclear\u201d, acaba gerando quantidades significativas de gases de efeito estufa.<\/p>\n<p>Sustentar que a energia nuclear \u00e9 uma fonte limpa, \u00e9 propagar uma grande MENTIRA, pois contradiz o que demonstra a ci\u00eancia, t\u00e3o importante nos tempos atuais. N\u00c3O EXISTE nenhuma fonte de energia (renov\u00e1vel e n\u00e3o renov\u00e1vel), que n\u00e3o gere algum tipo de emiss\u00f5es, de res\u00edduos, de impactos socioambientais. As fontes n\u00e3o renov\u00e1veis (petr\u00f3leo e derivados, g\u00e1s natural, carv\u00e3o mineral, nuclear) s\u00e3o reconhecidas como as mais poluentes, as grandes respons\u00e1veis pelo aquecimento e suas consequ\u00eancias para o planeta. E devem ser banidas da matriz energ\u00e9tica mundial.<\/p>\n<p>Assim, usar inadequadamente e incorretamente o termo \u201cenergia limpa\u201d tem o objetivo de qualificar a energia de &#8220;limpa&#8221;, induzindo a popula\u00e7\u00e3o em geral, uma mensagem de que a nuclear n\u00e3o faz mal \u00e0s pessoas, nem ao meio ambiente. Que deve ser aceita e apoiada.<\/p>\n<p>Outra desfa\u00e7atez \u00e9 considerar esta fonte importante e necess\u00e1ria para a transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica no Brasil. De t\u00e3o mal vista pela popula\u00e7\u00e3o, no imagin\u00e1rio popular a energia nuclear est\u00e1 associada a promover a morte, e n\u00e3o a vida. Torna obviamente desnecess\u00e1rio o uso desta perigosa, cara e suja tecnologia, pela extraordin\u00e1ria abund\u00e2ncia de fontes renov\u00e1veis de energia (sol, vento, biomassa, \u00e1gua, &#8230;) dispon\u00edveis no territ\u00f3rio nacional.<\/p>\n<p>Nos tempos atuais de conflito b\u00e9lico, usar a Europa, grande consumidora e dependente do petr\u00f3leo e do g\u00e1s end\u00f3geno, para alavancar a narrativa de que o nuclear pode ser a salva\u00e7\u00e3o, s\u00e3o falsas justificativas levadas a cabo pelos interesses dos \u201cneg\u00f3cios do nuclear\u201d.<\/p>\n<p>Este contexto de guerra mostra como as usinas nucleares se tornam alvos priorit\u00e1rios, f\u00e1ceis e fr\u00e1geis, podendo provocar contamina\u00e7\u00e3o radioativa de grandes propor\u00e7\u00f5es e irrevers\u00edveis danos para a sa\u00fade e para o meio ambiente. Quantidades expressivas de materiais extremamente perigosos para os seres vivos se encontram no interior destas instala\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Vejam o caso dos ataques armados sobre o maior complexo nuclear europeu, de Zaporizhzhia, na Ucr\u00e2nia, que colocaram em risco seu funcionamento e a integridade f\u00edsica das instala\u00e7\u00f5es. Felizmente n\u00e3o sofreu danos estruturais, e assim n\u00e3o houve, at\u00e9 o presente, informa\u00e7\u00f5es sobre vazamento de material radioativo, como ocorreu tragicamente em Chernobyl, localizado a 80 km deste complexo. Todavia, muito mais preocupante foi a revela\u00e7\u00e3o pelo Greenpeace, que, at\u00e9 o ano de 2017, havia no local 2.204 toneladas de elementos radioativos armazenados, 855 toneladas em piscinas e 1.349 toneladas a seco.<\/p>\n<p>Se n\u00e3o bastasse o risco extremo de um ataque a uma central nuclear, avaliemos o significado de ter no planeta mais e mais usinas nucleares, multiplicando a circula\u00e7\u00e3o de mais ur\u00e2nio enriquecido, plut\u00f4nio e outros res\u00edduos de alta radioatividade, de alta periculosidade.<\/p>\n<p>Por tudo isso, \u00e9 urgente e fundamental um amplo debate com a seriedade que o tema exige no Brasil, ancorado na transpar\u00eancia e na democracia. Diferente do que ocorre hoje, quando o assunto \u00e9 nuclear. A sociedade brasileira n\u00e3o pode ficar ref\u00e9m de decis\u00f5es que comprometam seu presente e seu futuro, tomadas em canais governamentais, sem a participa\u00e7\u00e3o popular, sofrendo press\u00e3o direta do lobismo nuclear.<\/p>\n<p>A amea\u00e7a \u00e0 vida que representa a decis\u00e3o de nucleariza\u00e7\u00e3o, com a expans\u00e3o do n\u00famero de usinas nucleares no pa\u00eds, deve ser discutida amplamente e democraticamente pela sociedade, e com a transpar\u00eancia exigida. Decis\u00e3o desta magnitude n\u00e3o deve ficar restrita ao Conselho Nacional de Pol\u00edtica Energ\u00e9tica (CNPE-\u00f3rg\u00e3o de assessoramento \u00e0 Presid\u00eancia da Rep\u00fablica). O Brasil n\u00e3o deve contribuir com a amea\u00e7a da prolifera\u00e7\u00e3o e do aumento da quantidade de material radioativo circulando e amea\u00e7ando constantemente o planeta.<\/p>\n<p>Na Europa existe um intenso debate sobre a gera\u00e7\u00e3o n\u00facleo-el\u00e9trica. Pa\u00edses como It\u00e1lia, B\u00e9lgica, Su\u00ed\u00e7a, Alemanha e \u00c1ustria s\u00e3o favor\u00e1veis ao banimento da tecnologia nuclear. Outros como Espanha, Su\u00e9cia e Fran\u00e7a (cuja depend\u00eancia da nucleoeletricidade chega a 75%) ainda persistem nesta rota nuclear, por interesses pr\u00f3prios.<\/p>\n<p>O pacifismo presente na luta antinuclear condena o uso b\u00e9lico em artefatos como a bomba at\u00f4mica. Mesmo que a constru\u00e7\u00e3o de armamentos nucleares seja proibida pela Constitui\u00e7\u00e3o Brasileira de 1988, a pol\u00edtica oficial, segue no sentido contr\u00e1rio, como os exemplos recentes do avan\u00e7o no enriquecimento do ur\u00e2nio, em unidades da Marinha Brasileira.<\/p>\n<p>Hoje, mais do que nunca, falar e pregar a democracia s\u00f3 no discurso, e nada fazer de concreto s\u00e3o a\u00e7\u00f5es meramente populistas. Sem corre\u00e7\u00e3o de rumos acabar\u00e3o colaborando com aqueles que prop\u00f5em o autoritarismo.<\/p>\n<p>_________________________________<\/p>\n<p>*<em> Heitor Scalambrini Costa \u00e9 f\u00edsico pela Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), mestre em Ci\u00eancias e Tecnologia Nuclear pelo Departamento de Energia Nuclear da UFPE (Universidade Federal de Pernambuco), doutor pela Universidade de Aix-Marselha-Laborat\u00f3rio de Fotoeletricidade\/Comissariado de Energia At\u00f4mica da Fran\u00e7a, professor aposentado da UFPE e ativista antinuclear.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>|\u00a0Por Heitor Scalambrini Costa* | A ind\u00fastria nuclear insiste em propagar que est\u00e1 em pleno desenvolvimento no mundo, com novas tecnologias sendo disponibilizadas, como a dos pequenos reatores modulares (em ingl\u00eas, SMR -Small Modular Reator). 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