

{"id":42807,"date":"2026-01-02T06:05:16","date_gmt":"2026-01-02T09:05:16","guid":{"rendered":"http:\/\/portalfloresnoar.com\/floresnoar\/?p=42807"},"modified":"2026-01-21T22:52:40","modified_gmt":"2026-01-22T01:52:40","slug":"conto-desimportante","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/portalfloresnoar.com\/floresnoar\/conto-desimportante\/","title":{"rendered":"[CONTO] &#8216;Desimportante&#8217;, por Daniella Freitas"},"content":{"rendered":"<figure id=\"attachment_42808\" aria-describedby=\"caption-attachment-42808\" style=\"width: 621px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-42808 \" src=\"http:\/\/portalfloresnoar.com\/floresnoar\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/conto-desimportante-700x394.png\" alt=\"\" width=\"621\" height=\"350\" srcset=\"https:\/\/portalfloresnoar.com\/floresnoar\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/conto-desimportante-700x394.png 700w, https:\/\/portalfloresnoar.com\/floresnoar\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/conto-desimportante-300x169.png 300w, https:\/\/portalfloresnoar.com\/floresnoar\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/conto-desimportante-768x432.png 768w, https:\/\/portalfloresnoar.com\/floresnoar\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/conto-desimportante.png 900w\" sizes=\"(max-width: 621px) 100vw, 621px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-42808\" class=\"wp-caption-text\">Foto: Freepik (editada)<\/figcaption><\/figure>\n<p><em>Por Daniella Freitas<\/em><br \/>\n<em> freitas27daniella@gmail.com<\/em><\/p>\n<p>Foi com naturalidade que o m\u00e9dico lhe revelou a inexist\u00eancia do ap\u00eandice. Assim, como se nada fosse. Ela, claro, n\u00e3o gostou do que ouviu. O doutor explicou o exame de alta defini\u00e7\u00e3o, mas o esclarecimento n\u00e3o foi suficiente.<\/p>\n<p>Saiu do consult\u00f3rio direto para a cl\u00ednica de imagem. Queria saber o paradeiro do seu ap\u00eandice. O radiologista disse n\u00e3o haver erro no exame. A m\u00e1quina era de \u00faltima gera\u00e7\u00e3o, aquele abdome era o dela e ponto final.<br \/>\nJ\u00e1 em casa, procurou, na caixa guardada em cima do arm\u00e1rio, o seu exame anterior. N\u00e3o era louca. H\u00e1 um ano atr\u00e1s, o seu ap\u00eandice estava no lugar de sempre. \u201cDeixa isso pra l\u00e1\u201d, disse o marido. \u201cN\u00e3o \u00e9 um \u00f3rg\u00e3o essencial ao organismo. Pior se estivesse a\u00ed e inflamasse\u201d.<\/p>\n<p>A comida da janta ficou no prato, tamanha a preocupa\u00e7\u00e3o. Ela esqueceu a lou\u00e7a na pia. Sua mente acelerada procurava respostas: n\u00e3o \u00e9 essencial, mas inflama. Ent\u00e3o o ap\u00eandice saiu de fininho para n\u00e3o provocar uma imensa dor, talvez a morte.<\/p>\n<p>Foi pra cama, mais por cansa\u00e7o do que por sono. O marido roncava. Achou, no celular, a imagem do \u00f3rg\u00e3o sem import\u00e2ncia. Era uma sali\u00eancia, uma coisinha \u00e0 parte. \u201cSeria de pouca serventia desde a ancestralidade?\u201d, perguntou a si mesma. Continuou sua pesquisa acessando a p\u00e1gina de um dicion\u00e1rio. A primeira defini\u00e7\u00e3o de ap\u00eandice dizia: parte pertencente a outra maior e que a completa; acess\u00f3rio.<\/p>\n<p>Nesse momento, o marido acendeu a luz do abajur e, num rompante, levantou-se da cama. Ele esbravejou palavras duras e saiu do quarto levando o travesseiro. Ela deixou cair o celular, e com o cora\u00e7\u00e3o disparado, chorou baixinho. A vontade era de sumir, assim como sumira o seu ap\u00eandice.<\/p>\n<p>Acordou com o corpo todo do\u00eddo e olheiras enormes. J\u00e1 era tarde, e o marido havia feito o caf\u00e9. \u201cLigaram pra voc\u00ea da cl\u00ednica\u201d, disse ele. \u201cTrocaram o exame. O seu est\u00e1 l\u00e1, \u00e9 s\u00f3 ir buscar\u201d.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>A escritora Daniella Freitas lan\u00e7ou em 2024 o livro &#8216;Em\u00a0 terceira pessoa&#8221;, uma colet\u00e2nea de contos que explora as nuances da experi\u00eancia feminina por meio de uma narradora que, embora deseje falar, escolhe se expressar pelas hist\u00f3rias de outras mulheres. Observadora e sens\u00edvel, ela revela os desafios, emo\u00e7\u00f5es e conflitos dessas personagens, refletindo sua pr\u00f3pria busca por compreens\u00e3o e conex\u00e3o. Cada conto tece um retrato \u00edntimo do universo feminino, onde a narradora tenta encontrar-se nas vidas que narra, dando voz a sentimentos e dilemas que ressoam profundamente. O livro est\u00e1 dispon\u00edvel para compra neste link:\u00a0 <a href=\"https:\/\/www.amazon.com.br\/Em-terceira-pessoa-Daniella-Freitas\/dp\/6583205319\/?_encoding=UTF8&amp;pd_rd_w=wNqdM&amp;content-id=amzn1.sym.812ea633-abc7-4b1d-b3cf-adb0fac8c69c%3Aamzn1.symc.5a16118f-86f0-44cd-8e3e-6c5f82df43d0&amp;pf_rd_p=812ea633-abc7-4b1d-b3cf-adb0fac8c69c&amp;pf_rd_r=9KJ0ZDK769SSKP4SX1ZR&amp;pd_rd_wg=zKKM3&amp;pd_rd_r=09a1523c-3a96-4d62-b1cf-99d9d130e1bf&amp;ref_=pd_hp_d_atf_ci_mcx_mr_ca_hp_atf_d\">Em terceira pessoa | Amazon.com.br<\/a><\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Daniella Freitas freitas27daniella@gmail.com Foi com naturalidade que o m\u00e9dico lhe revelou a inexist\u00eancia do ap\u00eandice. Assim, como se nada fosse. Ela, claro, n\u00e3o gostou do que ouviu. O doutor explicou o exame de alta defini\u00e7\u00e3o, mas o esclarecimento n\u00e3o foi suficiente. Saiu do consult\u00f3rio direto para a cl\u00ednica de imagem. 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