

{"id":41339,"date":"2026-01-05T04:16:17","date_gmt":"2026-01-05T07:16:17","guid":{"rendered":"http:\/\/portalfloresnoar.com\/floresnoar\/?p=41339"},"modified":"2026-01-21T23:08:17","modified_gmt":"2026-01-22T02:08:17","slug":"carcara-tarot-taro-e-espiritualidade-os-caminhos-da-sacerdotisa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/portalfloresnoar.com\/floresnoar\/carcara-tarot-taro-e-espiritualidade-os-caminhos-da-sacerdotisa\/","title":{"rendered":"[CARCAR\u00c1 TAROT] Tar\u00f4 e espiritualidade: os caminhos da Sacerdotisa"},"content":{"rendered":"<figure id=\"attachment_41348\" aria-describedby=\"caption-attachment-41348\" style=\"width: 601px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-41348\" src=\"http:\/\/portalfloresnoar.com\/floresnoar\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/A-sacerdotisa-por-Aristeu-Portela-1-700x525.jpeg\" alt=\"\" width=\"601\" height=\"451\" srcset=\"https:\/\/portalfloresnoar.com\/floresnoar\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/A-sacerdotisa-por-Aristeu-Portela-1-700x525.jpeg 700w, https:\/\/portalfloresnoar.com\/floresnoar\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/A-sacerdotisa-por-Aristeu-Portela-1-300x225.jpeg 300w, https:\/\/portalfloresnoar.com\/floresnoar\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/A-sacerdotisa-por-Aristeu-Portela-1-768x576.jpeg 768w, https:\/\/portalfloresnoar.com\/floresnoar\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/A-sacerdotisa-por-Aristeu-Portela-1-160x120.jpeg 160w, https:\/\/portalfloresnoar.com\/floresnoar\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/A-sacerdotisa-por-Aristeu-Portela-1.jpeg 1080w\" sizes=\"(max-width: 601px) 100vw, 601px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-41348\" class=\"wp-caption-text\">Cartas &#8216;A Papisa&#8217; e &#8216;A Sacerdotisa&#8217;, nos decks de tar\u00f4 de Marselha e Rider-Waite-Smith, respectivamente.<\/figcaption><\/figure>\n<p>| <em>Por Aristeu Portela Jr*<\/em> |<\/p>\n<p>Uma consulente certa vez me disse que tinha sempre muita cautela e respeito ao fazer perguntas ao tar\u00f4. Partilh\u00e1vamos a compreens\u00e3o de que as respostas que as cartas fornecem s\u00e3o mais significativas na medida em que os questionamentos dirigidos a elas envolvem uma perspectiva de autoconhecimento e abertura para a transforma\u00e7\u00e3o interior (o que n\u00e3o significa que eu consiga resistir, ou que desmere\u00e7a o emprego das cartas como ferramenta divinat\u00f3ria).<\/p>\n<p>Essa condi\u00e7\u00e3o, de quem busca no tar\u00f4 pistas para entender quest\u00f5es cruciais da vida, foi tornando evidente para mim, ao longo do tempo, a rela\u00e7\u00e3o poss\u00edvel das cartas com a espiritualidade. Isto \u00e9, com aquelas perguntas (talvez mais do que com as respostas?) quase perenes que envolvem defini\u00e7\u00f5es dos sentidos e prop\u00f3sitos que buscamos construir para nossas exist\u00eancias. Quem somos? Quem desejamos ser? O que buscamos erigir no mundo? Qual o sentido da vida que levamos? Para onde vamos? Por que \/ para que existimos? \u201cA que ser\u00e1 que se destina\u201d, afinal?<\/p>\n<p>N\u00e3o que dialogar com o tar\u00f4 em busca de conex\u00f5es de sentido espirituais seja algo incomum ou novo em si mesmo \u2013 a mera iconografia fortemente crist\u00e3 dos primeiros baralhos na Europa do s\u00e9culo XV, ou mesmo sua releitura nos c\u00edrculos ocultistas a partir do final do s\u00e9culo XVIII, j\u00e1 s\u00e3o ind\u00edcios muito sugestivos nesse sentido; e n\u00e3o \u00e9 essa tamb\u00e9m, de certo modo, a for\u00e7a motriz por tr\u00e1s das reflex\u00f5es de um dos cl\u00e1ssicos incontest\u00e1veis da literatura moderna sobre o tar\u00f4, o \u201c78 graus de sabedoria\u201d, de Rachel Pollack, cujos originais foram publicados no in\u00edcio da d\u00e9cada de 1980? Mas, se certas linhas de interpreta\u00e7\u00e3o estiveram e est\u00e3o sempre a\u00ed dispon\u00edveis, talvez possamos confiar que nosso olhar as capta no momento certo em que precisamos delas para construir perguntas e discutir respostas significativas para n\u00f3s. E assim o tar\u00f4 se abriu a mim como uma via poss\u00edvel de questionamento da espiritualidade.<\/p>\n<figure id=\"attachment_41349\" aria-describedby=\"caption-attachment-41349\" style=\"width: 251px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-41349 size-medium\" src=\"http:\/\/portalfloresnoar.com\/floresnoar\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/a-sacerdotisa-taro-de-yala-251x300.jpg\" alt=\"\" width=\"251\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/portalfloresnoar.com\/floresnoar\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/a-sacerdotisa-taro-de-yala-251x300.jpg 251w, https:\/\/portalfloresnoar.com\/floresnoar\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/a-sacerdotisa-taro-de-yala-585x700.jpg 585w, https:\/\/portalfloresnoar.com\/floresnoar\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/a-sacerdotisa-taro-de-yala.jpg 670w\" sizes=\"(max-width: 251px) 100vw, 251px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-41349\" class=\"wp-caption-text\">&#8216;A Sacerdotisa&#8217; no Tar\u00f4 de Yala.<\/figcaption><\/figure>\n<p>Eu j\u00e1 havia decidido que esse seria o tema da nossa coluna, e embaralhava as cartas em busca de um ponto de foco para a reflex\u00e3o. Por onde come\u00e7o a pensar a espiritualidade a partir do tar\u00f4? \u2013 perguntava ao Tar\u00f4 de Yala, lan\u00e7ado este ano e criado por Mariana Pio, com ilustra\u00e7\u00f5es de Rafael J. Trabasso. Recebo com um sorriso de familiaridade o arcano da Sacerdotisa, nesse baralho retratada na figura de Maria Sabina (1894-1985), curandeira e xam\u00e3 mexicana conhecida por ajudar a divulgar, em meados do s\u00e9culo XX, o uso de cogumelos como forma de cura e conex\u00e3o com o sagrado.<\/p>\n<p>Considerei muito especial que, entre os tantos arcanos maiores que poderiam falar da rela\u00e7\u00e3o com o divino, tenha sido a Sacerdotisa quem se pronunciou \u00e0 frente. H\u00e1 quem a considere uma das cartas mais controversas do tar\u00f4 (veja, por exemplo, Isabelle Naldony, em \u201cHist\u00f3ria do tar\u00f4\u201d, e Laetitia Barbier, em \u201cTarot and divination cards\u201d). Afinal, por que os antigos baralhos italianos e franceses a nomeariam a partir de uma figura historicamente inexistente, \u201cA Papisa\u201d? O que se pode deduzir de uma representa\u00e7\u00e3o feminina da maior autoridade eclesi\u00e1stica da Igreja Cat\u00f3lica? Seria ela uma alegoria da \u201cPrud\u00eancia\u201d, a quarta virtude cardeal que falta ao tar\u00f4 (as outras s\u00e3o a Justi\u00e7a, For\u00e7a e Temperan\u00e7a), ilustrada em algumas obras dos s\u00e9culos XV e XVI como uma mulher segurando um livro, assim como nos tar\u00f4s antigos? Seja como for, h\u00e1 j\u00e1 desde cedo conex\u00f5es da carta com as quest\u00f5es da f\u00e9, do sagrado, que n\u00e3o se perdem quando a \u201cPapisa\u201d \u00e9 relida como \u201cSacerdotisa\u201d nos c\u00edrculos ocultistas posteriores, e sua iconografia enriquecida com s\u00edmbolos m\u00edsticos e herm\u00e9ticos.<\/p>\n<p>Mas o que essa carta pode ter de especial, ao se buscar nela discernimento sobre caminhos espirituais? Ao contr\u00e1rio do Hierofante, a \u00eanfase aqui n\u00e3o est\u00e1 nas institui\u00e7\u00f5es que d\u00e3o suporte a pr\u00e1ticas espirituais \u2013 o caminho da Sacerdotisa \u00e9 interno, voltado para si. \u00c9 um mergulho nas pr\u00f3prias \u00e1guas, uma investiga\u00e7\u00e3o das for\u00e7as (impulsos, desejos, padr\u00f5es, sentimentos&#8230;) muitas vezes inconscientes que falam em n\u00f3s. Mais do que respostas, o convite dela \u00e9 para que entendamos quais s\u00e3o as quest\u00f5es que nos movem, que desejamos e precisamos responder para construir sentidos satisfat\u00f3rios para nossas vidas. Por isso ela \u00e9 o arcano do inconsciente (e dos sonhos como express\u00e3o deste), do n\u00e3o-revelado, dos segredos, do que se oculta e s\u00f3 \u00e9 acessado com algum custo. Quais as perguntas que voc\u00ea deseja\/precisa responder para que sua vida tenha sentido? \u2013 ela parece dizer, sentada diante do templo.<\/p>\n<p>E \u00e9 um templo muito particular que a Sacerdotisa guarda. O acesso ao que se oculta atr\u00e1s do v\u00e9u \u2013 \u00e0s nossas perguntas e respostas significativas sobre os sentidos da vida \u2013 n\u00e3o se d\u00e1 propriamente por meio da raz\u00e3o. Aqui, \u00e9 a intui\u00e7\u00e3o que possibilita um entendimento verdadeiro. \u00c9 o dar livre curso a sensa\u00e7\u00f5es, emo\u00e7\u00f5es, desejos dif\u00edceis de expressar em palavras, na medida em que lidam com dimens\u00f5es da nossa exist\u00eancia para as quais a mente consciente e racional nem sempre disp\u00f5e de chaves de interpreta\u00e7\u00e3o. Por isso \u00e9 um caminho de investiga\u00e7\u00e3o \u00edntimo, particular a cada pessoa, que n\u00e3o pode ser ensinado (como o caminho do Hierofante diante de seus disc\u00edpulos) \u2013 dada a inexist\u00eancia de uma resposta universalmente v\u00e1lida \u2013, mas apenas descoberto por si.<\/p>\n<p>De forma apenas aparentemente paradoxal, \u00e9 nesse mergulho em si que a Sacerdotisa nos permite reconstruir a conex\u00e3o com uma realidade que nos transcende. Afinal, nossa viagem aos rec\u00f4nditos mais interiores do ser, em busca das respostas singulares para as quest\u00f5es de sentido e prop\u00f3sito da vida, de certo modo n\u00e3o nos conecta com todos os seres que, de forma mais ou menos consciente, est\u00e3o realizando a mesma busca, cada qual do seu modo particular? A Sacerdotisa \u00e9 dita guardi\u00e3 dos conhecimentos sagrados \u2013 e n\u00e3o poder\u00edamos definir assim a conex\u00e3o que nos une enquanto seres em busca de sentidos para a exist\u00eancia?<\/p>\n<p>A espiritualidade, na Sacerdotisa, n\u00e3o reside na representa\u00e7\u00e3o de entidades sobre-humanas que governam os destinos do mundo. Mas, talvez, no reconhecimento do aspecto sagrado da nossa busca por tornar essa exist\u00eancia significativa. De que, no entendimento dos nossos prop\u00f3sitos mais \u00edntimos, encontraremos caminhos para tornar nossa vida mais genu\u00edna e acolher as demais pessoas, tamb\u00e9m envolvidas em suas respectivas buscas.<\/p>\n<p>Se a enxergarmos assim, a jornada da Sacerdotisa \u00e9 um caminho de decifra\u00e7\u00e3o do sagrado na vida. Talvez o grande Mist\u00e9rio que ela guarde na entrada do templo seja a atitude de abertura para fazer os questionamentos sem os quais a vida restaria in\u00f3cua de sentido. Seu convite \u00e9 para o mergulho \u00edntimo que nos possibilita a constru\u00e7\u00e3o dos prop\u00f3sitos que podem satisfazer nossas exist\u00eancias \u2013 e o reconhecimento de que partilhamos coletivamente, cada qual na sua singularidade, essa busca.<\/p>\n<p><em><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-41351 alignleft\" src=\"http:\/\/portalfloresnoar.com\/floresnoar\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/aristeu-portela-jr-tarot-300x286.jpg\" alt=\"\" width=\"205\" height=\"195\" srcset=\"https:\/\/portalfloresnoar.com\/floresnoar\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/aristeu-portela-jr-tarot-300x286.jpg 300w, https:\/\/portalfloresnoar.com\/floresnoar\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/aristeu-portela-jr-tarot-768x733.jpg 768w, https:\/\/portalfloresnoar.com\/floresnoar\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/aristeu-portela-jr-tarot-700x668.jpg 700w, https:\/\/portalfloresnoar.com\/floresnoar\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/aristeu-portela-jr-tarot.jpg 794w\" sizes=\"(max-width: 205px) 100vw, 205px\" \/><\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>*Aristeu Portela Jr. \u00e9 tar\u00f3logo, pesquisador e professor. Integra a Carcar\u00e1 &#8211; Escola de Tarot, e atua com o tar\u00f4 como ferramenta de auto investiga\u00e7\u00e3o e transforma\u00e7\u00e3o.<\/em><\/p>\n<p><em> <strong>Fone \/ WhatsApp:<\/strong> (81) 996093294<\/em><br \/>\n<em> <strong>Instagram:<\/strong> <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/carcaratarot\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">@carcaratarot <\/a>| <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/aristeuportela\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">@aristeuportela<\/a><\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>| Por Aristeu Portela Jr* | Uma consulente certa vez me disse que tinha sempre muita cautela e respeito ao fazer perguntas ao tar\u00f4. 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