

{"id":4085,"date":"2012-11-13T12:04:59","date_gmt":"2012-11-13T15:04:59","guid":{"rendered":"http:\/\/portalfloresnoar.com\/floresnoar\/?p=4085"},"modified":"2012-11-15T12:06:54","modified_gmt":"2012-11-15T15:06:54","slug":"montando-a-oficina-lieteraria-por-marcelo-mario-de-melo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/portalfloresnoar.com\/floresnoar\/montando-a-oficina-lieteraria-por-marcelo-mario-de-melo\/","title":{"rendered":"&#8216;Montando a oficina lieter\u00e1ria&#8217;, por Marcelo M\u00e1rio de Melo"},"content":{"rendered":"<p>H\u00e1 pessoas que foram ferradas pela necessidade de escrever, o fogo, a doen\u00e7a incur\u00e1vel do texto que n\u00e3o lhes vai largar nunca, pois n\u00e3o \u00e9 desenho a l\u00e1pis sobre a pele, mas cicatriz exposta imune a cirurgia pl\u00e1stica. Escrevem desabafos, impress\u00f5es, opini\u00f5es, historietas, esbo\u00e7os de poema, coisas que n\u00e3o sabem classificar e v\u00e3o lan\u00e7ando no papel, no face book ou em blogs, estes sucessores dos cadernos de notas. Entre a baboseira, h\u00e1 muito talento cru brotando nessas inst\u00e2ncias.<!--more--><\/p>\n<p>Em determinado momento \u00e9 preciso que essas pessoas, geralmente jovens, deem tr\u00eas passos. O primeiro \u00e9 juntar seus escritos e come\u00e7ar a rev\u00ea-los um a um.O segundo \u00e9 colher a opini\u00e3o cr\u00edtica de algu\u00e9m mais experiente nos tratos do texto, repassando tudo. O terceiro passo \u00e9 organizar um programa de leitura bem centrado. A partir da\u00ed se abre o olho cr\u00edtico sobre o pr\u00f3prio trabalho, monta-se a oficina, trilha-se o aprimoramento e se vai tendendo a um ou outro g\u00eanero liter\u00e1rio. \u00c9 um processo lento que exige continuidade. Os que nele se iniciam, ou\u00e7am a advert\u00eancia de Graciliano Ramos em Linhas Tortas:<\/p>\n<p>&#8220;Deve-se escrever como as lavadeiras de l\u00e1 de Alagoas, particularmente as de Palmeira dos \u00cdndios, fazem com a roupa que est\u00e3o lavando&#8221;<br \/>\n&#8220;Elas come\u00e7am dando uma primeira lavada. Molham o pano na beira do rio ou do riacho, torcem, molham novamente, torcem, enx\u00e1guam, mais uma molhada, outra enxaguada. Em seguida p\u00f5em-se a bater o pano na laje ou pedra limpa. E tome torcedura: torcem, at\u00e9 n\u00e3o pingar do pano uma s\u00f3 gota. E somente a\u00ed \u00e9 que penduram a roupa na corda. Pois quem escreve devia fazer a mesma coisa. Enxaguar e enxaguar. Palavra n\u00e3o foi feita para enfeitar, como bandeirinha de festa. Palavra foi feita para dizer&#8221;<\/p>\n<p>\u00c9 natural que quem escreve deseje expor os seus trabalhos, publicando, declamando e procurando os c\u00edrculos liter\u00e1rios. Afinal de contas, bebe-se para se ficar b\u00eabado, toma-se rem\u00e9dio para se ficar bom e se escreve para se ser lido. Ningu\u00e9m escreve para enterrar, como o gato faz com os seus dejetos.<\/p>\n<p>Mas \u00e9 importante colocar um espelho retrovisor no narcisismo, p\u00f4r r\u00e9deas nos impulsos \u00e0 vitrine e valorizar mais aqueles contatos que representam acr\u00e9scimo de conhecimento e criticidade sobre o nosso trabalho, a literatura em geral e o ambiente liter\u00e1rio, t\u00e3o carregado de panelinhas, elogios f\u00e1ceis, jogos de pequenos interesses, intermedi\u00e1rios, caciques e gurus de todos os tipos e uma galeria de guin\u00e9s vestidos de pav\u00e3o, segundo o meu falecido irm\u00e3o Jos\u00e9 Fortuna de Melo classificava alguns autointitulados \u201cpoetas \u00e9picos\u201d.<\/p>\n<p>Assim apetrechado, que cada um siga o seu caminho genu\u00edno. N\u00e3o um passeio f\u00e1cil em floresta encantada repleta de g\u00eanios na garrafa, fadas e duendes sol\u00edcitos. Nem um ciclo inating\u00edvel como o supl\u00edcio de Prometeu e sua pedra. Mas um caminho espinhoso, que exige em determinados momentos que se retirem pedras da estrada, se troque um pneu do carro, se reabaste\u00e7a, se abram trilhas alternativas, se d\u00ea paradas curtas ou longas para prosseguir a viagem. Um caminho de semeadura. Um caminho-\u00e1rvore que d\u00e1 frutos-livros e muita satisfa\u00e7\u00e3o aos que os escrevem, assim como aquele que planta, colhe e tem o prazer de colocar na bandeja e no jarro a fruta e a flor.<\/p>\n<p><em>Marcelo M\u00e1rio de Melo \u00e9 poeta e jornalista.<\/em><br \/>\n<em>marcelomariodemelo@gmail.com<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>H\u00e1 pessoas que foram ferradas pela necessidade de escrever, o fogo, a doen\u00e7a incur\u00e1vel do texto que n\u00e3o lhes vai largar nunca, pois n\u00e3o \u00e9 desenho a l\u00e1pis sobre a pele, mas cicatriz exposta imune a cirurgia pl\u00e1stica. 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