

{"id":40745,"date":"2022-05-16T07:21:02","date_gmt":"2022-05-16T10:21:02","guid":{"rendered":"http:\/\/portalfloresnoar.com\/floresnoar\/?p=40745"},"modified":"2022-05-16T15:07:45","modified_gmt":"2022-05-16T18:07:45","slug":"caixa-de-pandora-traumas-vinculares-a-dor-silenciosa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/portalfloresnoar.com\/floresnoar\/caixa-de-pandora-traumas-vinculares-a-dor-silenciosa\/","title":{"rendered":"[CAIXA DE PANDORA] Traumas Vinculares: a dor silenciosa"},"content":{"rendered":"<figure id=\"attachment_40746\" aria-describedby=\"caption-attachment-40746\" style=\"width: 462px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-40746\" src=\"http:\/\/portalfloresnoar.com\/floresnoar\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/foto-free-pixabay-httpspixabay.comptphotospneu-balanc3a7o-de-pneu-balanc3a7o-c3a1rvore-3752949-467x700.jpg\" alt=\"\" width=\"462\" height=\"694\" srcset=\"https:\/\/portalfloresnoar.com\/floresnoar\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/foto-free-pixabay-httpspixabay.comptphotospneu-balanc3a7o-de-pneu-balanc3a7o-c3a1rvore-3752949-467x700.jpg 467w, https:\/\/portalfloresnoar.com\/floresnoar\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/foto-free-pixabay-httpspixabay.comptphotospneu-balanc3a7o-de-pneu-balanc3a7o-c3a1rvore-3752949-200x300.jpg 200w, https:\/\/portalfloresnoar.com\/floresnoar\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/foto-free-pixabay-httpspixabay.comptphotospneu-balanc3a7o-de-pneu-balanc3a7o-c3a1rvore-3752949-768x1152.jpg 768w, https:\/\/portalfloresnoar.com\/floresnoar\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/foto-free-pixabay-httpspixabay.comptphotospneu-balanc3a7o-de-pneu-balanc3a7o-c3a1rvore-3752949.jpg 1280w\" sizes=\"(max-width: 462px) 100vw, 462px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-40746\" class=\"wp-caption-text\">Imagem: Pixabay<\/figcaption><\/figure>\n<p>|<strong> <em>Por Juliana Florencio<\/em>*<\/strong> |<\/p>\n<p>Sabemos, desde Freud, a import\u00e2ncia das primeiras experi\u00eancias da inf\u00e2ncia para um desenvolvimento saud\u00e1vel. Hoje temos visto como a obra de D. W. Winnicott e de J. Bowlby \u2013 estudiosos que se dedicaram \u00e0 pesquisa sobre a rela\u00e7\u00e3o entre beb\u00eas e seus cuidadores &#8211; tem ajudado para a compreens\u00e3o deste processo e embasado algumas abordagens terap\u00eauticas.<\/p>\n<p>Gostaria neste texto de falar sobre um certo tipo de trauma que \u00e9 diferente do que geralmente \u00e9 abordado. Quando falamos de trauma fazemos uma associa\u00e7\u00e3o com um acontecimento tr\u00e1gico que causa enorme sofrimento f\u00edsico e\/ou psicol\u00f3gico como, por exemplo, ser v\u00edtima de um sequestro, uma viol\u00eancia sexual, uma cat\u00e1strofe natural ou presenciar um ato violento. Essas experi\u00eancias ultrapassam o limite do suport\u00e1vel e deixam consequ\u00eancias em quem as viveu.<\/p>\n<p>Nos exemplos descritos acima, conseguimos reconhecer a experi\u00eancia desencadeadora de uma Rea\u00e7\u00e3o Aguda ao Stress (popularmente chamado de &#8220;estado de choque&#8221;) ou um Transtorno de Estresse P\u00f3s-Traum\u00e1tico, por exemplo. Mas existe outro tipo de experi\u00eancia traum\u00e1tica que \u00e9 bem mais dif\u00edcil de identificar, embora tenha tamb\u00e9m amplas, profundas e duradouras consequ\u00eancias. S\u00e3o os traumas de v\u00ednculo, tamb\u00e9m chamados de traumas de desenvolvimento, que s\u00e3o causados por neglig\u00eancia nos cuidados com a crian\u00e7a e por sistem\u00e1tica viol\u00eancia psicol\u00f3gica e\/ou f\u00edsica.<\/p>\n<p>Muitos desses maus tratos s\u00e3o dif\u00edceis de serem comprovados, porque muitas vezes n\u00e3o se trata de surras ou castigos. Eles acontecem no \u00e2mbito familiar, escapando a um &#8220;controle social&#8221;. A crian\u00e7a se v\u00ea sem sa\u00edda, pois \u00e9 maltratada por quem deveria cuidar dela.<\/p>\n<p>Falta de aten\u00e7\u00e3o, falta de cuidado, indiferen\u00e7a, deslegitima\u00e7\u00e3o, falta de demonstra\u00e7\u00e3o de afetuosidade, aus\u00eancias por longos per\u00edodos de tempo, repulsa, falta de incentivo, palavras e atitudes desmotivadoras, cr\u00edticas destrutivas, palavras e atitudes que ferem a dignidade da crian\u00e7a, palavras e atitudes vexat\u00f3rias, ridiculariza\u00e7\u00e3o, estigmatiza\u00e7\u00e3o, senten\u00e7as e acusa\u00e7\u00f5es como &#8220;voc\u00ea n\u00e3o presta&#8221;, &#8220;voc\u00ea \u00e9 um peso&#8221;, &#8220;voc\u00ea s\u00f3 me traz vergonha\/dor de cabe\u00e7a\/arrependimento\/problemas&#8221;, &#8220;voc\u00ea n\u00e3o vai dar pra nada&#8221;, &#8220;ningu\u00e9m gosta de voc\u00ea&#8221;, s\u00e3o um exemplo desse tipo de viol\u00eancia.<\/p>\n<p>A crian\u00e7a n\u00e3o \u00e9 vista em sua individualidade, n\u00e3o \u00e9 respeitada, n\u00e3o \u00e9 ouvida. Sua vontade, suas necessidades, seus desejos, seus medos n\u00e3o podem ser expressos, pois s\u00e3o imediatamente recha\u00e7ados, ridicularizados, punidos ou simplesmente ignorados.<\/p>\n<p>Ela pode ser tratada com frieza, ser deixada sozinha, ou, tamb\u00e9m, ser alvo frequente de acessos de raiva de um ou mais cuidadores.<\/p>\n<p>Vale salientar que, nos casos de traumas de v\u00ednculo, essas neglig\u00eancias e viol\u00eancias s\u00e3o constantes na vida da crian\u00e7a, n\u00e3o se trata de a\u00e7\u00f5es isoladas.<\/p>\n<p>Para sobreviver, ela precisa se adaptar a conviver com as agress\u00f5es, aus\u00eancias, omiss\u00f5es e indiferen\u00e7a. Essa adapta\u00e7\u00e3o que, em determinada etapa da vida, foi a sa\u00edda encontrada para a sobreviv\u00eancia, se cristaliza, tornando-se um padr\u00e3o que se ser\u00e1 levado para a vida adulta.<\/p>\n<p>Outra consequ\u00eancia importante refere-se \u00e0 auto-imagem. A crian\u00e7a, e depois o adulto, percebe-se como inferior e &#8220;defeituoso&#8221;, tendo dificuldade de perceber suas qualidades, potenciais e auto valor.<\/p>\n<p>Essa percep\u00e7\u00e3o pessimista estende-se para a vida de uma forma mais ampla. As situa\u00e7\u00f5es do dia-a-dia e o mundo, de uma forma geral, passam a ser vistos como hostis. Espera-se sempre que o pior aconte\u00e7a. A esperan\u00e7a de que coisas boas possam ocorrer torna-se um horizonte distante. Boas oportunidades s\u00e3o percebidas com grande desconfian\u00e7a e s\u00e3o fonte de ansiedade, pois o medo de se decepcionar \u00e9 intenso.<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 dif\u00edcil entender tais medos e a\u00e7\u00f5es evitativas quando olhamos para uma pessoa com hist\u00f3rico de neglig\u00eancia ou viol\u00eancia na inf\u00e2ncia. O universo da crian\u00e7a \u00e9 a fam\u00edlia, ela n\u00e3o tem outro grupo a quem recorrer. Na maioria dos casos, pedidos de socorro ou queixas n\u00e3o podem sequer serem formulados, ou porque a crian\u00e7a \u00e9 muito pequena, ou porque ela n\u00e3o entende que outra possibilidade de vida seja poss\u00edvel. Se a fam\u00edlia foi fonte de inseguran\u00e7a e constante mal estar, n\u00e3o \u00e9 dif\u00edcil entender porque o adolescente, e depois o adulto, levam essas impress\u00f5es de sofrimento para a vida.<\/p>\n<p>Por isso, nestes casos, existe uma maior probabilidade de re-traumatiza\u00e7\u00e3o e de envolvimento em relacionamentos violentos ou abusivos. O modelo de relacionamento conhecido \u00e9 o de maus tratos. Al\u00e9m disso, por causa de um auto conceito distorcido, a pessoa entende, inconscientemente, que merece ser mal tratada, que n\u00e3o existe outra forma vi\u00e1vel de relacionamento para ela e que, portanto, ela n\u00e3o tem outra sa\u00edda \u2013 assim como n\u00e3o teve na inf\u00e2ncia.<\/p>\n<p>Essas pessoas chegam aos consult\u00f3rios com as mais variadas queixas e diagn\u00f3sticos. Transtornos de ansiedade, depress\u00e3o, transtornos psicossom\u00e1ticos, transtornos dissociativos, relacionamentos destrutivos, tentativas de suic\u00eddio, transtornos alimentares, transtornos do sono etc. Existem estudos que correlacionam o Transtorno Borderline com Transtorno de Estresse P\u00f3s-Traum\u00e1tico Complexo (TEPT-C), categoria esta que abrange, entre outras experi\u00eancias traumatizantes prolongadas, maus tratos na inf\u00e2ncia.<\/p>\n<p>A partir da pesquisa e do engajamento de v\u00e1rios profissionais da sa\u00fade, o Transtorno de Estresse P\u00f3s-Traum\u00e1tico Complexo foi incorporado ao CID 11 (Classifica\u00e7\u00e3o Internacional de Doen\u00e7as). Esse transtorno n\u00e3o foi incorporado ao DSM (Manual de Diagn\u00f3stico e Estat\u00edstica das Perturba\u00e7\u00f5es Mentais) por quest\u00f5es pol\u00edticas e de mercado.<\/p>\n<p>A concep\u00e7\u00e3o de que as experi\u00eancias do in\u00edcio da vida podem estar na base de uma s\u00e9rie de transtornos mentais traz a necessidade de uma proposta terap\u00eautica abrangente que ultrapasse o foco no tratamento de sintomas e que inclua a preven\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A medica\u00e7\u00e3o apropriada pode ser importante nesses casos, pois o corpo &#8220;se acostumou&#8221; a estar em um estado permanente de alerta, esperando sempre pelo pior dos cen\u00e1rios. Nesse caso, a medica\u00e7\u00e3o entraria para que o corpo entendesse que n\u00e3o est\u00e1 mais sob amea\u00e7a.<\/p>\n<p>Grande parte dos pacientes chegam aos consult\u00f3rios com v\u00e1rios diagn\u00f3sticos baseados apenas nos sintomas, mas poder\u00edamos dizer que essa \u00e9 a &#8220;ponta do Iceberg&#8221;, pois a hist\u00f3ria de vida n\u00e3o foi levada em considera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Uma das principais consequ\u00eancias dos traumas vinculares \u00e9 a Dissocia\u00e7\u00e3o que pode apresentar-se como uma dificuldade de estar no &#8220;aqui e agora&#8221;, uma esp\u00e9cie de aliena\u00e7\u00e3o, um entorpecimento, que em alguns casos \u00e9 sentido diretamente no corpo, como anestesia. A Dissocia\u00e7\u00e3o pode ser expressa como &#8220;n\u00e3o estar no corpo&#8221;, n\u00e3o senti-lo, ou estar flutuando. Podem acontecer tamb\u00e9m problemas de aten\u00e7\u00e3o, mem\u00f3ria, amn\u00e9sias e o n\u00e3o reconhecimento das pr\u00f3prias emo\u00e7\u00f5es e necessidades.<\/p>\n<p>A Dissocia\u00e7\u00e3o \u00e9 resultado de uma estrat\u00e9gia que a crian\u00e7a inconscientemente desenvolve para sobreviver em um ambiente hostil e de sucessivos maus tratos. \u00c9 uma forma de &#8220;n\u00e3o estar presente&#8221; para se proteger.<\/p>\n<p>Por isso, uma parte fundamental no tratamento de traumas vinculares \u00e9 o trabalho com o corpo. Isso acontece atrav\u00e9s de, por exemplo, exerc\u00edcios f\u00edsicos, ioga, contato com a natureza, exerc\u00edcios de aten\u00e7\u00e3o plena, respira\u00e7\u00e3o, dan\u00e7a, artes marciais, massagens etc. Existem v\u00e1rias modalidades poss\u00edveis para &#8220;re-ligar&#8221; o pr\u00f3prio corpo.<\/p>\n<p>Outro efeito desses traumas s\u00e3o as somatiza\u00e7\u00f5es. O que n\u00e3o pode ser dito, o que n\u00e3o pode ser sentido, manifesta-se no corpo atrav\u00e9s de dores e doen\u00e7as psicossom\u00e1ticas.<\/p>\n<p>Um ponto fundamental no tratamento dos traumas vinculares \u00e9 o acompanhamento psicol\u00f3gico. Afinal, esse tipo de trauma \u00e9 um trauma de relacionamento. O v\u00ednculo entre paciente e terapeuta constitui-se como uma possibilidade de viv\u00eancia segura, saud\u00e1vel, baseada em respeito e confian\u00e7a.<\/p>\n<p>O tratamento psicoterap\u00eautico requer paci\u00eancia, tempo e perseveran\u00e7a, pois estamos lidando com padr\u00f5es, percep\u00e7\u00f5es, cren\u00e7as e comportamentos de uma vida toda.<\/p>\n<p>Na minha pr\u00e1tica cl\u00ednica percebo o valor do v\u00ednculo terap\u00eautico como propulsor de transforma\u00e7\u00f5es, assim como de m\u00e9todos que trabalhem o potencial criativo e de reconex\u00e3o com o corpo, como a Arteterapia e a Terapia do Jogo de Areia. Esses m\u00e9todos ativam o poder de auto cura e revelam ao paciente seu potencial criador, devolvendo-lhes autonomia e poder de a\u00e7\u00e3o sobre a pr\u00f3pria vida. O acompanhamento psicol\u00f3gico trabalha, tamb\u00e9m, para que o paciente se perceba de uma forma mais amorosa e, a partir disso, construa relacionamentos saud\u00e1veis e afetuosos, com outras pessoas e com a vida.<\/p>\n<p><em><strong>Refer\u00eancias bibliogr\u00e1ficas:<\/strong><\/em><\/p>\n<p><em>KOLK, V .d. B. O Corpo Guarda as Marcas. Rio de Janeiro: Sextante, 2020.<\/em><br \/>\n<em> KALSCHED, D. O mundo Interior do Trauma. S\u00e3o Paulo: Paulus, 2013.<\/em><br \/>\n<em> REDDEMANN, L., W\u00d6LLER, W. Komplexe Porttraumatische Belastungsst\u00f6rung. G\u00f6ttingen: Hogrefe, 2019.<\/em><\/p>\n<p><strong><em>* Juliana Florencio \u00e9 psic\u00f3loga, arteterapeuta e terapeuta do Jogo da Areia (em forma\u00e7\u00e3o). Atualmente mora na regi\u00e3o de Stuttgart, Alemanha, onde realiza seus atendimentos.<\/em><\/strong><br \/>\n<strong><em> E-mail: juflorenciocs@gmail.com<\/em><\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>| Por Juliana Florencio* | Sabemos, desde Freud, a import\u00e2ncia das primeiras experi\u00eancias da inf\u00e2ncia para um desenvolvimento saud\u00e1vel. Hoje temos visto como a obra de D. W. Winnicott e de J. 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