

{"id":37061,"date":"2022-05-22T04:44:46","date_gmt":"2022-05-22T07:44:46","guid":{"rendered":"http:\/\/portalfloresnoar.com\/floresnoar\/?p=37061"},"modified":"2022-05-22T19:49:06","modified_gmt":"2022-05-22T22:49:06","slug":"caixa-de-pandora-quando-as-criancas-adoecem-no-lugar-dos-pais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/portalfloresnoar.com\/floresnoar\/caixa-de-pandora-quando-as-criancas-adoecem-no-lugar-dos-pais\/","title":{"rendered":"[CAIXA DE PANDORA] Quando as crian\u00e7as adoecem no lugar dos pais"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter wp-image-37066 size-full\" src=\"http:\/\/portalfloresnoar.com\/floresnoar\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/www.maxpixel.net-Toddler-Monster-Stuffed-Animal-Sitting-Little-Girl-1611352.jpg\" alt=\"\" width=\"640\" height=\"429\" srcset=\"https:\/\/portalfloresnoar.com\/floresnoar\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/www.maxpixel.net-Toddler-Monster-Stuffed-Animal-Sitting-Little-Girl-1611352.jpg 640w, https:\/\/portalfloresnoar.com\/floresnoar\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/www.maxpixel.net-Toddler-Monster-Stuffed-Animal-Sitting-Little-Girl-1611352-300x201.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 640px) 100vw, 640px\" \/><\/p>\n<p>|\u00a0<em>Por Juliana Florencio*<\/em>\u00a0|<\/p>\n<p><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">Duda** tem oito anos. A m\u00e3e chega com a queixa de que ele est\u00e1 com muita resist\u00eancia em ir para escola. Ora chora, esperneia e se desespera, ora adoece. As faltas preocupam essa m\u00e3e, pois podem prejudicar o desempenho escolar do filho. Quando nos aprofundamos no caso, sabemos que a m\u00e3e enfrenta uma depress\u00e3o. Como \u00e9 solteira e est\u00e1 sem trabalhar, passa os dias em casa. As idea\u00e7\u00f5es suicidas s\u00e3o bem presentes. Duda n\u00e3o quer ir pra escola. Duda n\u00e3o quer deixar a m\u00e3e s\u00f3. Duda tem medo que a m\u00e3e se machuque. Duda quer proteger a vida da m\u00e3e.<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">Sabemos que as experi\u00eancias vividas durante a inf\u00e2ncia s\u00e3o fundamentais. N\u00e3o se trata de um fatalismo ou de um encarceramento em um repert\u00f3rio de possibilidades, mas digamos que s\u00e3o nossa &#8220;mat\u00e9ria-prima&#8221;.<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">N\u00e3o trago aqui um jogo de causa e efeito. N\u00e3o se trata disso. A partir das movimenta\u00e7\u00f5es da vida, essa &#8220;mat\u00e9ria-prima&#8221; interage e se modifica. Esse fluxo \u00e9 importante para a psique, pois o enrijecimento \u00e9 o terreno ideal para a instala\u00e7\u00e3o das neuroses.<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">Gostaria de neste texto falar um pouco sobre um aspecto do sofrimento infantil: quando as crian\u00e7as adoecem no lugar dos pais.<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">As fam\u00edlias s\u00e3o sistemas. Isso implica dizer que este grupo \u00e9 diferente da soma das partes. M\u00e3e + Pai + Filha + Filho n\u00e3o \u00e9 igual 4.<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">Tomando como exemplo a mesma composi\u00e7\u00e3o familiar: M\u00e3e + Pai + Filha + Filho = Fam\u00edlia. Essa fam\u00edlia \u00e9 \u00fanica, nunca ser\u00e1 igual a outra, mesmo que composta por quatro pessoas.<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">Neste sentido, podemos entender que um movimento de um dos membros afeta todo o sistema. Por isso, numa fam\u00edlia \u00e9 inadequado falarmos de problemas exclusivamente individuais, pois cada membro est\u00e1 em resson\u00e2ncia com o outro e com o sistema.<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">O ser humano adulto, pelo seu processo de desenvolvimento, privilegia a fala como forma de comunica\u00e7\u00e3o. Sendo assim, muitas vezes paramos de perceber que existem outros meios atuando em nossos comportamentos e rela\u00e7\u00f5es.<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">N\u00e3o atentamos para a resson\u00e2ncia, por exemplo. N\u00e3o percebemos que reverberamos nos outros e que os outros reverberam em n\u00f3s. \u00c0s vezes isso ocorre por uma &#8220;simples&#8221; presen\u00e7a no mesmo ambiente.<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">Se o adulto \u00e9 um tanto desatento para estas outras formas de troca e tem mais facilidade de traduzir experi\u00eancias em palavras, as crian\u00e7as n\u00e3o. Elas sentem e se expressam com os olhos, com o tocar, com o abra\u00e7ar, com o bater, com o brincar, com o fantasiar, com os choros, com a risadagem, com o n\u00e3o querer comer, com o &#8220;ir mal na escola&#8221;, com os medos de dormir e com os sintomas tamb\u00e9m.<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">Bianca** tem 4 anos. A queixa trazida \u00e9 sobre sua rela\u00e7\u00e3o com os amiguinhos. Bianca se comportaria como &#8220;uma pequena tirana&#8221; e a escola sinalizou isto para os pais, aconselhando um acompanhamento psicol\u00f3gico.<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">Olhando mais profundamente sobre a din\u00e2mica familiar, Bianca \u00e9 quem ordena a casa &#8211; tanto no sentido de organiza\u00e7\u00e3o da rotina, quanto na imposi\u00e7\u00e3o de suas vontades. Ao ser contrariada ela grita a plenos pulm\u00f5es. Os pais e as visitas s\u00e3o &#8220;obrigados&#8221; a assisti-la dan\u00e7ar, cantar e interagir com ela o tempo todo, dificultando outras atividades.<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">Ela usa muito da sua energia para manter o foco sobre ela mesma.<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">Bianca foi concebida em um momento em que o casal n\u00e3o conseguia encontrar um caminho para lidar com os problemas que enfrentava.<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">A m\u00e3e tinha consci\u00eancia da crise no casamento, mas n\u00e3o enxergava sa\u00eddas. Ent\u00e3o veio Bianca. Uma esperan\u00e7a em dias melhores. Ela foi gerada, a princ\u00edpio, a partir do desejo da m\u00e3e. Em um segundo momento, o pai aceitou a ideia da gravidez ao mesmo tempo que tentava, a partir desse evento, sair de uma posi\u00e7\u00e3o de estar &#8220;encurralado&#8221; pelo conflito que a esposa sinalizava e que eles n\u00e3o conseguiam solucionar.<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">Bianca veio trazendo esperan\u00e7a da continuidade deste casamento, o que implicaria, como entendemos, na sua &#8220;responsabilidade&#8221; em manter a fam\u00edlia unida.<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">Em um outro n\u00edvel, Bianca veio pra &#8220;distrair&#8221; os pais de seus sofrimentos individuais e de casal.<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">E \u00e9 isso que Bianca faz. N\u00e3o deixa espa\u00e7o pra mais nada que n\u00e3o seja ela. Utilizando grande parte da sua energia para manter os pais &#8220;desfocados&#8221; de si mesmos.<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">No meu entendimento sist\u00eamico, Bianca atua dessa forma n\u00e3o apenas porque foi uma das condi\u00e7\u00f5es para sua chegada ao mundo, mas, tamb\u00e9m, por amor. Amor por seus pais. Por querer cuidar deles. Por ter entendido que quest\u00f5es profundas e de relacionamento s\u00e3o perigosas e que \u00e9 melhor n\u00e3o lidar com elas.<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">Essa crian\u00e7a est\u00e1 sobrecarregada na fun\u00e7\u00e3o de manter os pais ocupados para que eles n\u00e3o entrem em sofrimento maior ou se separem.<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">A terapia, neste caso, desenrolou-se no sentido de colocar os membros da fam\u00edlia em seus devidos lugares.<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">Os pais \u00e9 que s\u00e3o os adultos e que deveriam lidar com suas quest\u00f5es. Eles precisam liberar a crian\u00e7a dessa responsabilidade que n\u00e3o \u00e9 dela.<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">Entramos num trabalho para que eles compreendessem e tomassem para si seus pr\u00f3prios problemas, a fim de que Bianca percebesse que as pessoas t\u00eam a capacidade de lidar com crises e desafios.<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">Esse reconhecimento de que temos capacidade de gerir nossas vidas, ultrapassa as palavras. \u00c9 vivenciado a partir das experi\u00eancias da fam\u00edlia. Toda fam\u00edlia, como todo sistema, possui um &#8220;clima&#8221;, uma vibra\u00e7\u00e3o que pode ser o de &#8220;f\u00e9 na vida&#8221; que incluiria a resolu\u00e7\u00e3o de crises, ou um medo da vida que apareceria em comportamentos evitativos, por exemplo.<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">Pra finalizar eu trago o caso de Jorge**, um homem de 30 anos. Quando sua irm\u00e3 mais nova saiu de casa para estudar em outro pa\u00eds, Jorge pede demiss\u00e3o do trabalho, alegando que a empresa n\u00e3o dava oportunidade de crescimento, ao mesmo tempo que seu namoro de cinco anos terminava. Jorge decide, ent\u00e3o, voltar para a casa dos pais. Ele passa, inclusive, a depender financeiramente deles. Sua m\u00e3e queixa-se da bagun\u00e7a e das &#8220;cuecas espalhadas pela casa&#8221; e das constantes brigas do filho com o pai por causa do uso do carro.<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">A partir de um olhar mais aprofundado, percebemos que as atitudes tomadas durante toda a vida deste casal era da manuten\u00e7\u00e3o do casamento por causa dos filhos. <\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">Este relacionamento teria se sustentado mesmo apesar das v\u00e1rias experi\u00eancias extra-conjugais do pai que trouxeram impactos muito negativos para toda a fam\u00edlia. Muitas m\u00e1goas, brigas e ressentimentos existem entre esse casal.<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">No entendimento familiar, tanto o pai, como a m\u00e3e teriam feito um enorme sacrif\u00edcio para manterem-se casados em nome dos filhos.<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">Para Jorge esse caminho de infelicidade tomado pelos pais n\u00e3o poderia ter sido em v\u00e3o. Agora seria sua vez de se sacrificar para manter a fam\u00edlia unida, mesmo que isso lhe custasse seu desenvolvimento como homem, sua trajet\u00f3ria profissional e sua vida afetiva. <\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">Para Jorge seria sua vez de retribuir. De cumprir com sua parte no pacto. Infelizes, mas juntos. Foi assim que ele entendeu que a vida deveria ser.<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">Como ser feliz agora, se os pais foram infelizes a vida toda por ele? Isso n\u00e3o seria justo, assim entendeu Jorge, mesmo que inconscientemente.<\/span><\/span><\/p>\n<p><i>&#8220;N\u00e3o h\u00e1 nada que tenha influ\u00eancia ps\u00edquica mais forte no ambiente circundante, especialmente sobre os filhos, do que a vida n\u00e3o vivida dos pais. Quando os pais descuidam de sua felicidade para procurar a felicidade dos filhos, deixam aos filhos uma heran\u00e7a m\u00e1, uma m\u00e1 impress\u00e3o do passado. (&#8230;) Se os pais souberem amar a si pr\u00f3prios aqui e agora, os filhos aprender\u00e3o a faz\u00ea-lo.&#8221;\u00a0<\/i><i>C. G. Jung<\/i><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">Por que trago o caso de um adulto?<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">N\u00f3s, mesmo que crescidos, continuamos em parte crian\u00e7as. <\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">Queremos proteger e cuidar de quem amamos, mesmo que tenhamos aprendido que amar significa ser infeliz.<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">Por amor aos nossos pais e pelas cren\u00e7as t\u00e3o intr\u00ednsecas, inconscientes, que ficaram em n\u00f3s impressas, repetimos ciclos e n\u00e3o nos permitimos fazer diferente, trilhar nosso pr\u00f3prio caminho.<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">Precisamos nos trabalhar para n\u00e3o perpetuarmos &#8220;pactos&#8221; feitos mesmo antes do nosso nascimento. Podemos tomar consci\u00eancia de que n\u00e3o \u00e9 compuls\u00f3rio segui-los. N\u00e3o precisamos repetir certos enredos dos que vieram antes de n\u00f3s.<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">Cada um tem seu lugar. Ningu\u00e9m pode tomar o destino do outro &#8211; mesmo que este outro seja o de um ser amado.<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">Ao tentarmos viver pelo outro, ainda que por amor, tiramos a dignidade deste, pois assim o julgamos fraco, como se ele n\u00e3o tivesse a capacidade de viver sua vida. \u00c9 preciso muita coragem para romper padr\u00f5es de sofrimento entendidos como regra.<\/span><\/span><\/p>\n<p><i>&#8220;Uma coisa eu aprendi: que \u00e9 preciso viver esta vida. Esta vida \u00e9 o caminho, o mais procurado, o caminho para o incompreens\u00edvel, que chamamos de divino. Eu encontrei o caminho certo: Ele me conduziu em dire\u00e7\u00e3o a voc\u00ea, minha alma&#8230; &#8221; C. G. Jung<\/i><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">Seguir o pr\u00f3prio caminho, \u00e9 o ato mais expl\u00edcito de dizer sim \u00e0 vida. \u00c9 a forma mais genu\u00edna de honrar a vida que nos foi dada e que foi passada de gera\u00e7\u00e3o em gera\u00e7\u00e3o at\u00e9 chegar em n\u00f3s atrav\u00e9s da nossa m\u00e3e e do nosso pai.<\/span><\/span><\/p>\n<p><em>* Juliana Florencio \u00e9 psic\u00f3loga, arteterapeuta e terapeuta do Jogo da Areia (em forma\u00e7\u00e3o). Atualmente mora na regi\u00e3o de Stuttgart, Alemanha, onde realiza seus atendimentos.<\/em><br \/>\n<em>Email:\u00a0<a href=\"mailto:juflorenciocs@gmail.com\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">juflorenciocs@gmail.com<\/a><\/em><\/p>\n<p><em>**Os nomes foram alterados para preservar o sigilo.<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>|\u00a0Por Juliana Florencio*\u00a0| Duda** tem oito anos. A m\u00e3e chega com a queixa de que ele est\u00e1 com muita resist\u00eancia em ir para escola. Ora chora, esperneia e se desespera, ora adoece. As faltas preocupam essa m\u00e3e, pois podem prejudicar o desempenho escolar do filho. 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