

{"id":31698,"date":"2017-12-07T20:26:05","date_gmt":"2017-12-07T23:26:05","guid":{"rendered":"http:\/\/portalfloresnoar.com\/floresnoar\/?p=31698"},"modified":"2021-08-31T19:40:14","modified_gmt":"2021-08-31T22:40:14","slug":"caixa-de-pandora-o-coracao-que-renasce-entre-dores-e-cores-parte-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/portalfloresnoar.com\/floresnoar\/caixa-de-pandora-o-coracao-que-renasce-entre-dores-e-cores-parte-2\/","title":{"rendered":"[CAIXA DE PANDORA] O cora\u00e7\u00e3o que renasce entre dores e cores \u2013 Parte 2"},"content":{"rendered":"<p align=\"CENTER\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter wp-image-31743\" src=\"http:\/\/portalfloresnoar.com\/floresnoar\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/imagem-ju-florencio-1.jpg\" alt=\"\" width=\"593\" height=\"326\" srcset=\"https:\/\/portalfloresnoar.com\/floresnoar\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/imagem-ju-florencio-1.jpg 720w, https:\/\/portalfloresnoar.com\/floresnoar\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/imagem-ju-florencio-1-300x165.jpg 300w, https:\/\/portalfloresnoar.com\/floresnoar\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/imagem-ju-florencio-1-700x385.jpg 700w\" sizes=\"(max-width: 593px) 100vw, 593px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\" align=\"CENTER\">|\u00a0<em>Por\u00a0<a href=\"http:\/\/portalfloresnoar.com\/guiafloresnoar\/juliana-florencio\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Juliana Florencio*<\/a><\/em>\u00a0|<\/p>\n<p><em>Este texto \u00e9 parte do trabalho que escrevi para a conclus\u00e3o do Curso de Forma\u00e7\u00e3o em Arteterapia pela Tra\u00e7os\/Faintvisa, em 2014.<\/em><br \/>\n<em><a href=\"https:\/\/portalfloresnoar.com\/floresnoar\/caixa-de-pandora-o-coracao-que-renasce-entre-dores-e-cores-parte-1\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Na primeira parte abordei o mito de Dioniso<\/a>.\u00a0<\/em><br \/>\n<em>Nesta \u00faltima parte, relaciono o mito ao processo arteterap\u00eautico.<\/em><\/p>\n<p><em>O\u00a0artigo surgiu a partir da experi\u00eancia de est\u00e1gio em arteterapia no qual foram realizadas viv\u00eancias com mulheres com diagn\u00f3stico de depress\u00e3o associado a queixas som\u00e1ticas. Uma imagem bastante recorrente durante o processo foi o cora\u00e7\u00e3o e, a partir dela, houve a aproxima\u00e7\u00e3o com Dioniso e o que conta o mito sobre seu cora\u00e7\u00e3o sobrevivente.<\/em><\/p>\n<p><em>Tendo em vista o sofrimento dessas mulheres, considerando o esquartejamento do corpo em \u00e1reas apropriadas pela medicina, o rapto das imagens do cora\u00e7\u00e3o pelo preenchimento da palavra escrita religiosa, a realidade de aliena\u00e7\u00e3o do corpo e o recha\u00e7amento de aspectos do feminino, o processo arteterap\u00eautico grupal configurou-se como uma forma de cria\u00e7\u00e3o, transforma\u00e7\u00e3o e amplia\u00e7\u00e3o de possibilidades de exist\u00eancia mais aut\u00eanticas no mundo.<\/em><\/p>\n<p><b>O CORPO \u00c9 DIONISO<\/b><\/p>\n<p>&#8220;Qualquer coisa experimentada fora do corpo, num sonho, por exemplo, n\u00e3o \u00e9 experimentada, a menos que &#8216;incorporemos&#8217;, porque o corpo significa o aqui e agora&#8221; (JUNG, 1930)<\/p>\n<p>Existem abordagens consideradas profundas que buscam romper com a dicotomia mente-corpo. Seguindo a perspectiva junguiana, podemos dizer que uma doen\u00e7a pode existir para recolocar uma pessoa no seu caminho de individua\u00e7\u00e3o. Processo de individua\u00e7\u00e3o, segundo Almeida, \u201c\u00e9 a luta da pessoa para tornar-se aquilo que realmente nasceu para ser\u201d (2009).<\/p>\n<p>De acordo com Jung:<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\"><span style=\"font-family: 'Times New Roman', serif;\"><span style=\"font-size: small;\"><em>&#8220;Processos do corpo, processos mentais desenrolam-se simultaneamente e de maneira totalmente misteriosa para n\u00f3s. \u00c9 por causa de nossa cabe\u00e7a lament\u00e1vel que n\u00e3o podemos conceber corpo e psique como sendo uma \u00fanica coisa&#8221;. <\/em>(apud FARAH, 1995)<\/span><\/span><\/p>\n<p>Considerar o corpo traz uma mudan\u00e7a crucial nas reflex\u00f5es e pr\u00e1ticas terap\u00eauticas.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\"><span style=\"font-family: 'Times New Roman', serif;\"><span style=\"font-size: small;\"><em>&#8220;A possibilidade de sentir melhor as sensa\u00e7\u00f5es corp\u00f3reas modifica a imagem corporal, aumenta a consci\u00eancia corporal. H\u00e1 uma valoriza\u00e7\u00e3o deste corpo, muitas vezes esquecido. H\u00e1 uma nova organiza\u00e7\u00e3o do pr\u00f3prio corpo, da energia ps\u00edquica, e uma nova identidade, um novo ego se estrutura a partir das novas dimens\u00f5es corporais, observadas tamb\u00e9m pela psique&#8221;<\/em> (ALMEIDA, 1999, ALMEIDA, 2005).<\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\"><span style=\"font-family: 'Times New Roman', serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">De acordo com L\u00f3pez-Pedraza, a repress\u00e3o do Dioniso emocional leva \u00e0 repress\u00e3o do corpo. <em>\u201cPoder\u00edamos dizer que existe um Dioniso em nosso corpo, que est\u00e1 esperando a fim de ser contatado e nos dar acesso \u00e0 riqueza de suas emo\u00e7\u00f5es e sentimentos.\u201d<\/em> ( 2011) <\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\"><span style=\"font-family: 'Times New Roman', serif;\"><span style=\"font-size: medium;\"> Ao retomar o mito, veremos que Dioniso \u00e9 considerado um deus estrangeiro, vindo do Oriente. Os gregos j\u00e1 possu\u00edam esta ambiguidade em rela\u00e7\u00e3o ao deus, pois Dioniso \u00e9 grego e estrangeiro ao mesmo tempo \u2013 apesar de ser contado como estrangeiro, sua m\u00e3e era tebana.<\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\"><span style=\"font-family: 'Times New Roman', serif;\"><span style=\"font-size: medium;\"> O autor traz a rica interlocu\u00e7\u00e3o do car\u00e1ter estrangeiro associado a Dioniso com o distanciamento em rela\u00e7\u00e3o a nossos corpos. Dioniso \u00e9 o que vem de fora, bem como nossos corpos, estranhos a n\u00f3s mesmos. \u201cviver no corpo \u00e9 sumamente dif\u00edcil e est\u00e1 distante de n\u00f3s, t\u00e3o distante como a forma com que os gregos imaginaram a origem de Dioniso.\u201d (L\u00d3PEZ-PEDRAZA, 2011)<\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\"><span style=\"font-family: 'Times New Roman', serif;\"><span style=\"font-size: medium;\"> Durante o est\u00e1gio, tivemos experi\u00eancias de forte conte\u00fado emocional nas atividades que mobilizaram o corpo diretamente. Tais experi\u00eancias causaram prazer, mas tamb\u00e9m, desconfortos e estranhamentos.<\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\"><span style=\"font-family: 'Times New Roman', serif;\"><span style=\"font-size: small;\"><em>&#8220;(&#8230;) mas podemos come\u00e7ar a ter consci\u00eancia do corpo ps\u00edquico quando nos tornamos conscientes de nossa aliena\u00e7\u00e3o diante do corpo, quando nos tornamos conscientes de como \u00e9 f\u00e1cil perder nossa rela\u00e7\u00e3o com ele. Mediante essa consci\u00eancia poderemos, pacientemente, estabelecer uma rela\u00e7\u00e3o com o corpo e talvez construir uma conex\u00e3o psicol\u00f3gica com ele \u201d<\/em> (Ibdem)<\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\"><span style=\"font-family: 'Times New Roman', serif;\"><span style=\"font-size: medium;\"> As participantes associavam o prazer, no contato com seus corpos, \u00e0 retomada de experi\u00eancias muito anteriores, como as da inf\u00e2ncia, uma conex\u00e3o perdida. Falaram, tamb\u00e9m, de uma entrega profunda a elas mesmas. <\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\"><span style=\"font-family: 'Times New Roman', serif;\"><span style=\"font-size: medium;\"> O contato com o corpo tamb\u00e9m causou medo, receio e uma certa rever\u00eancia nesta experi\u00eancia. Isto me remeteu a uma imagem: fi\u00e9is adentrando por c\u00e2maras de um santu\u00e1rio. \u00c0 medida que se aproximam dos locais mais sagrados, mais internos do templo, ocorre o rebaixamento do n\u00edvel de consci\u00eancia e uma maior entrega \u00e0 experi\u00eancia. Os temores adv\u00eam da proximidade com o deus, pois, como j\u00e1 vimos, sua epifania direta \u00e9 fulminante. Tais viv\u00eancias podem levar a estados limites de loucura e a possibilidade de sair dela. Trata-se de um fen\u00f4meno do campo do dionis\u00edaco.<\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\"><span style=\"font-family: 'Times New Roman', serif;\"><span style=\"font-size: small;\"><em>&#8220;Dioniso, filho de Zeus, \u00e9 portador de loucura. (&#8230;) Dioniso \u00e9, em si mesmo, causa e liberta\u00e7\u00e3o da loucura (&#8230;) Poder\u00edamos dizer que esta dupla natureza est\u00e1 no cora\u00e7\u00e3o de rituais dionis\u00edacos, como os das m\u00eanades. Este Dioniso que enlouquece as pessoas e que as liberta da loucura, pode ser percebido como uma din\u00e2mica ps\u00edquica que s\u00f3 se torna evidente quando for expressa por uma imagem extrema. Mas pode ser tamb\u00e9m a express\u00e3o natural do ritmo dionis\u00edaco da psique. (&#8230;) Esta possibilidade de experimentar a loucura e livrar-se dela pode ser considerada como outro tipo de inicia\u00e7\u00e3o dionis\u00edaca.&#8221;<\/em> (Ibdem)<\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\"><span style=\"font-family: 'Times New Roman', serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">Em uma atividade, na qual cada participante tocava seu pr\u00f3prio corpo, uma das mulheres gemia em voz alta, seu corpo tremia e parecia mover-se involuntariamente, ap\u00f3s este momento, disse que se sentiu abra\u00e7ada por deus, como se estivesse nos bra\u00e7os de deus.<\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\"><span style=\"font-family: 'Times New Roman', serif;\"><span style=\"font-size: medium;\"> Essas atividades que mobilizaram diretamente o corpo tiveram uma rela\u00e7\u00e3o com as produ\u00e7\u00f5es que surgiram no processo arteterap\u00eautico. Parece que potencializaram, de certa forma, o fluir de imagens. Corpo e \u00f3rg\u00e3os foram vividos e transformados. Podemos citar algumas viv\u00eancias: elas convidaram seus pr\u00f3prios cora\u00e7\u00f5es para uma dan\u00e7a, escutaram-se com estetosc\u00f3pio e depois trabalharam com o que foi escutado, deram formatos, cores, voz, escritos, texturas para \u00f3rg\u00e3os do corpo.<\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\"><span style=\"font-family: 'Times New Roman', serif;\"><span style=\"font-size: medium;\"> Um deus que habita o corpo e se manifesta por ele, um deus acordado atrav\u00e9s do corpo: este \u00e9 Dioniso.<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\"><span style=\"font-family: 'Times New Roman', serif;\"><span style=\"font-size: medium;\"><b>ARTETERAPIA E O CORA\u00c7\u00c3O SOBREVIVENTE<\/b><\/span><\/span><\/span><\/p>\n<p>Acreditamos que a arteterapia tem um car\u00e1ter eminentemente terap\u00eautico, mas pode transcender o circular em torno do sofrimento e seguir em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 amplia\u00e7\u00e3o de possibilidades de vida: reapropria\u00e7\u00e3o de imagens, processo de individua\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>De acordo com Philippini:<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\"><span style=\"font-family: 'Times New Roman', serif;\"><span style=\"font-size: small;\"><em> &#8220;Neste lugar que \u00e9 real, mas tamb\u00e9m imagin\u00e1rio, representa-se o percurso criativo da individua\u00e7\u00e3o, comunicando seu caminhar por meio da configura\u00e7\u00e3o de imagens, dos conte\u00fados inconscientes at\u00e9 a consci\u00eancia, por interm\u00e9dio da express\u00e3o e da elabora\u00e7\u00e3o de afetos, eventualmente por \u201ccartasis\u201d, mas sempre priorizando a express\u00e3o e a materializa\u00e7\u00e3o de emo\u00e7\u00f5es em formas, cores e volumes, buscando a posterior compreens\u00e3o de seus significados.&#8221; (2011)<\/em><\/span><\/span><\/p>\n<p>O trabalho arteterap\u00eautico pode aumentar o espectro de possibilidades. Para isso \u00e9 necess\u00e1rio estar no corpo. N\u00e3o acreditamos num padr\u00e3o linear de causalidade, mas numa proposta cl\u00ednica transcendente \u00e0 interpreta\u00e7\u00e3o das produ\u00e7\u00f5es. Dessa forma, a viv\u00eancia em si, o momento de cria\u00e7\u00e3o e a autenticidade das imagens tornam-se o cerne do processo.<\/p>\n<p>Neste sentido, a contribui\u00e7\u00e3o dos p\u00f3s-junguianos, mas precisamente da psicologia arquet\u00edpica de Hillman, nos coloca em outra rela\u00e7\u00e3o com a imagem.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\"><em><span style=\"font-family: 'Times New Roman', serif;\"><span style=\"font-size: small;\">&#8220;Uma das diferen\u00e7as fundamentais entre a cl\u00ednica junguiana tradicional e a cl\u00ednica da psicologia arquet\u00edpica refere-se ao modo como a no\u00e7\u00e3o de \u201carquet\u00edpico\u201d aparece em seus <\/span><\/span><span style=\"font-family: 'Times New Roman', serif;\"><span style=\"font-size: small;\">modus operandi<\/span><\/span><span style=\"font-family: 'Times New Roman', serif;\"><span style=\"font-size: small;\">. Dir\u00edamos que na cl\u00ednica tradicional, o &#8220;arquet\u00edpico&#8221; aparece no in\u00edcio como lugar fundante e origin\u00e1rio, enquanto que na perspectiva da cl\u00ednica da psicologia arquet\u00edpica, a mesma no\u00e7\u00e3o ser\u00e1 pensada como efeito<\/span><\/span><span style=\"font-family: 'Times New Roman', serif;\"><span style=\"font-size: small;\">\u00a0<\/span><\/span><\/em><span style=\"font-family: 'Times New Roman', serif;\"><span style=\"font-size: small;\"><em>de uma opera\u00e7\u00e3o, desdobramento de uma perspectiva, resultado de um movimento, isto \u00e9, o &#8220;arquet\u00edpico&#8221; surge como valor adjetivante a ser atribu\u00edda \u00e0 imagem e n\u00e3o como condi\u00e7\u00e3o substantiva a priori. Consequ\u00eancias cl\u00ednicas? Todas as poss\u00edveis, inclusive o deslocamento de uma cl\u00ednica dos arqu\u00e9tipos para uma cl\u00ednica das imagens.&#8221;<\/em> (QUINTAES, 2014)<\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\"><span style=\"font-family: 'Times New Roman', serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">Uma imagem bastante recorrente durante o processo de est\u00e1gio foi o cora\u00e7\u00e3o. Em muitas produ\u00e7\u00f5es os cora\u00e7\u00f5es emanavam raios amarelos, pulsantes: o cora\u00e7\u00e3o-sol que aquecia e trazia vida.<\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\"><span style=\"font-family: 'Times New Roman', serif;\"><span style=\"font-size: medium;\"> Hillman retoma a formula\u00e7\u00e3o de Arist\u00f3teles de <\/span><\/span><span style=\"font-family: 'Times New Roman', serif;\"><span style=\"font-size: medium;\"><i>coeur de lion<\/i><\/span><\/span><span style=\"font-family: 'Times New Roman', serif;\"><span style=\"font-size: medium;\"> que seria compar\u00e1vel a dos alquimistas seguidores de Paracelso:<\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\"><em><span style=\"font-family: 'Times New Roman', serif;\"><span style=\"font-size: small;\">&#8220;Eles concebiam o cora\u00e7\u00e3o microc\u00f3smico em nosso peito como o lugar da imagina\u00e7\u00e3o, em conformidade com o cora\u00e7\u00e3o macroc\u00f3smico do mundo, o sol. O cora\u00e7\u00e3o animal aqui indica o sol animal l\u00e1, num mundo animado. O mundo \u00e9 um lugar de imagens vivas, e nosso cora\u00e7\u00e3o \u00e9 o \u00f3rg\u00e3o que nos diz isso. (&#8230;) Se o cora\u00e7\u00e3o \u00e9 o lugar das imagens, um cora\u00e7\u00e3o infartado refere-se a um cora\u00e7\u00e3o recheado (<\/span><\/span><span style=\"font-family: 'Times New Roman', serif;\"><span style=\"font-size: small;\">farctus<\/span><\/span><span style=\"font-family: 'Times New Roman', serif;\"><span style=\"font-size: small;\"> = recheado, preenchido, abarrotado, engordado) de seus produtos, imagens. Est\u00e1 obstru\u00eddo por suas pr\u00f3prias riquezas sulf\u00faricas que n\u00e3o entraram em circula\u00e7\u00e3o. Ou foram constrangidas por estreitamentos e ficaram sem passagem, ou foram vistas apenas como a\u00e7\u00f5es literais no mundo, em vez de tamb\u00e9m ser vistas como imagina\u00e7\u00f5es do cora\u00e7\u00e3o, pertencentes a sua circula\u00e7\u00e3o interna. (&#8230;) Essas explica\u00e7\u00f5es dizem que somos atacados no peito por nosso pr\u00f3prio le\u00e3o, nosso cora\u00e7\u00e3o cheio de <\/span><\/span><span style=\"font-family: 'Times New Roman', serif;\"><span style=\"font-size: small;\">himma<\/span><\/span><span style=\"font-family: 'Times New Roman', serif;\"><span style=\"font-size: small;\">, cuja <\/span><\/span><span style=\"font-family: 'Times New Roman', serif;\"><span style=\"font-size: small;\">magna flamma<\/span><\/span><span style=\"font-family: 'Times New Roman', serif;\"><span style=\"font-size: small;\"> insiste para e<\/span><\/span><span style=\"font-family: 'Times New Roman', serif;\"><span style=\"font-size: small;\">nthymesis<\/span><\/span><\/em><span style=\"font-family: 'Times New Roman', serif;\"><span style=\"font-size: small;\"><em> nunca cesse, que cada batimento espec\u00edfico do cora\u00e7\u00e3o devore nossa vida e s\u00f3 possa ser curado se reconhecido como um pensamento do cora\u00e7\u00e3o.&#8221;<\/em> (HILLMAN, 2010)<\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\"><span style=\"font-family: 'Times New Roman', serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">O conceito de <\/span><\/span><span style=\"font-family: 'Times New Roman', serif;\"><span style=\"font-size: medium;\"><i>himma <\/i><\/span><\/span><span style=\"font-family: 'Times New Roman', serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">torna-se importante em nosso percurso. De acordo com Hillman \u201cHimma \u00e9 o modo pelo qual as imagens, que acreditamos criar, nos s\u00e3o apresentadas n\u00e3o como tendo sido criadas por n\u00f3s, mas genuinamente criadas, como criaturas aut\u00eanticas.\u201d (2010)<\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\"><span style=\"font-family: 'Times New Roman', serif;\"><span style=\"font-size: medium;\"> Esta perspectiva transforma a abordagem cl\u00ednica, pois tira o enfoque do subjetivismo e o coloca no imaginal.<\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\"><span style=\"font-family: 'Times New Roman', serif;\"><span style=\"font-size: medium;\"> Neste ponto, a arteterapia pode potencializar a apari\u00e7\u00e3o destas imagens. Imagens que t\u00eam vida pr\u00f3pria.<\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\"><span style=\"font-family: 'Times New Roman', serif;\"><span style=\"font-size: medium;\"> Durante uma viv\u00eancia no processo de est\u00e1gio, um \u00fatero pequeno, frio e deformado que, segundo a participante que o criou, era o \u00fatero de sua m\u00e3e, ficou ressoando e quando a atividade estava aparentemente conclu\u00edda, a mesma participante, em um rompante, o transformou em flor, era seu pr\u00f3prio \u00fatero agora que tinha gerado uma filha. Este momento me remete a Zeus que, num gesto, arrancou seu filho da barriga de S\u00eamele que morria. Tal a\u00e7\u00e3o garantiu a sobreviv\u00eancia de Dioniso.<\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\"><span style=\"font-family: 'Times New Roman', serif;\"><span style=\"font-size: medium;\"> A participante em quest\u00e3o j\u00e1 era acompanhada, por mim, em processo psicoter\u00e1pico individual, tanto nesta etapa, quanto no processo grupal, circulava em torno de um complexo materno. Aquele gesto abrupto configurou-se como transforma\u00e7\u00e3o, possibilidade, amplia\u00e7\u00e3o. <\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\"><span style=\"font-family: 'Times New Roman', serif;\"><span style=\"font-size: medium;\"> Tal acontecimento causou um impacto no grupo. N\u00f3s ficamos mobilizadas com aquela imagem. Fomos tocadas. Entramos em um grau de comunh\u00e3o silenciosa, algo como m\u00eanades. <\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\"><span style=\"font-family: 'Times New Roman', serif;\"><span style=\"font-size: medium;\"> Este epis\u00f3dio tamb\u00e9m causou um empoderamento nas mulheres: criar era poss\u00edvel e as imagens tinham seu pr\u00f3prio poder.<\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\"><span style=\"font-family: 'Times New Roman', serif;\"><span style=\"font-size: medium;\"><b>CORA\u00c7\u00d5ES SOBREVIVENTES<\/b><\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\"><span style=\"font-family: 'Times New Roman', serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">Um processo de adoecimento n\u00e3o \u00e9 desprovido de sentidos. Pode surgir manifestando o desmembramento \u2013 o despeda\u00e7amento do nosso Dioniso. Como vimos, esses tit\u00e3s podem ser muitos, pois tem presen\u00e7a garantida e difusa em nossa sociedade. <\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\"><span style=\"font-family: 'Times New Roman', serif;\"><span style=\"font-size: medium;\"> Temos nossa por\u00e7\u00e3o tit\u00e2nica tamb\u00e9m, incorporada, somos filhos e filhas de tit\u00e3s, conforme conta o mito, e estes s\u00e3o dif\u00edceis de reconhecer, pois n\u00e3o t\u00eam forma. Manifestam-se, sobretudo, pelo excesso.<\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\"><span style=\"font-family: 'Times New Roman', serif;\"><span style=\"font-size: medium;\"> Estar mergulhado no tit\u00e2nico implica em furto ou sufocamento das imagens do cora\u00e7\u00e3o, do viver imaginalmente. <\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\"><span style=\"font-family: 'Times New Roman', serif;\"><span style=\"font-size: medium;\"> Por outro lado, o adoecimento pode constituir-se como uma entrada para introvers\u00e3o, para que possamos entrar em contato com n\u00f3s mesmos. Esta possibilidade nos \u00e9 dada a partir do corpo, nossa inst\u00e2ncia mais imediata que tem se constitu\u00eddo como estrangeiro \u2013 o corpo traidor, o Dioniso que vem do Oriente.<\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\"><em><span style=\"font-family: 'Times New Roman', serif;\"><span style=\"font-size: small;\">&#8220;Por causa dos esfor\u00e7os do homem para sobreviver, a extrovers\u00e3o se desenvolveu em detrimento da introvers\u00e3o, que poderia ter-lhe proporcionado um maior conhecimento de si mesmo e uma vis\u00e3o interior. Este enfoque evolucionista nos ajuda a perceber a torpeza e a defici\u00eancia de tudo o que est\u00e1 relacionado com a vida interior. Situando-os neste contexto evolutivo, os tipos psicol\u00f3gicos junguianos, extrovertido\/introvertido, adquirem uma nova dimens\u00e3o. A tend\u00eancia para a extrovers\u00e3o se converte numa necessidade compulsiva de sobreviv\u00eancia. Isto pode ser conectado ao impulso exagerado do tit\u00e3. Diante desta desvantagem evolutiva, n\u00e3o devemos nos surpreender com o fato de qualquer m\u00e9todo seja v\u00e1lido, inclusive a flagela\u00e7\u00e3o, para introverter, para tentar entrar em contato com esta fa\u00edsca divina de nosso interior Cobra sentido que Jung tenha adotado a m\u00e1xima dos alquimistas sobre o <\/span><\/span><span style=\"font-family: 'Times New Roman', serif;\"><span style=\"font-size: small;\">opus<\/span><\/span><span style=\"font-family: 'Times New Roman', serif;\"><span style=\"font-size: small;\"> como um trabalho <\/span><\/span><span style=\"font-family: 'Times New Roman', serif;\"><span style=\"font-size: small;\">contranaturam<\/span><\/span><\/em><span style=\"font-family: 'Times New Roman', serif;\"><span style=\"font-size: small;\"><em>, para empreg\u00e1-la como met\u00e1fora da sua concep\u00e7\u00e3o da psicologia. O ser humano n\u00e3o de desenvolveu em dire\u00e7\u00e3o da sua vida interior; por isto esta sempre ser\u00e1 a aventura de uns poucos, daqueles cuja extrovers\u00e3o pr\u00f3pria do ser humano \u00e9, ao mesmo tempo, um conflito e um desafio&#8221;.<\/em> (L\u00d3PEZ-PEDRAZA, 2011, p. 42 \u2013 43)<\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\"><span style=\"font-family: 'Times New Roman', serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">Estar no corpo, \u00e9 estar em si. \u00c9 poder voltar pra si.<\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\"><span style=\"font-family: 'Times New Roman', serif;\"><span style=\"font-size: medium;\"> Essas mulheres, participantes do est\u00e1gio, possuem cora\u00e7\u00f5es sobreviventes, apesar de todo titanismo, suas pr\u00f3prias dores e depress\u00e3o as trazem para o corpo. O potencial para renascer, a partir do cora\u00e7\u00e3o, sobreviveu. Mas, para isso \u00e9 necess\u00e1rio viver Dioniso: sua loucura, a trag\u00e9dia, a arte como metamorfose, a melancolia e os estados introvertidos, as dores de um desmembramento, as altera\u00e7\u00f5es do estado de consci\u00eancia, a comunh\u00e3o com as mulheres e com o corpo.<\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\"><span style=\"font-family: 'Times New Roman', serif;\"><span style=\"font-size: medium;\"> Os corpos dessas mulheres, cheios de dor, n\u00e3o as permitem que elas os esque\u00e7am, gritam para que seus cora\u00e7\u00f5es n\u00e3o morram. <\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\"><span style=\"font-family: 'Times New Roman', serif;\"><span style=\"font-size: medium;\"> Algo se move nelas e elas chegaram a arteterapia para que as imagens de seus cora\u00e7\u00f5es pudessem fluir.<\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\"><em><span style=\"font-family: 'Times New Roman', serif;\"><span style=\"font-size: small;\">&#8220;A resposta a essas pessoas come\u00e7a numa imagina\u00e7\u00e3o ativada, em <\/span><\/span><span style=\"font-family: 'Times New Roman', serif;\"><span style=\"font-size: small;\">himma<\/span><\/span><\/em><span style=\"font-family: 'Times New Roman', serif;\"><span style=\"font-size: small;\"><em>, o ardente testemunho do cora\u00e7\u00e3o de pessoas imaginais independentemente do cora\u00e7\u00e3o que as enxerga. N\u00e3o estancadas, observadas \u2013 e n\u00f3s vistos pelos poderes; n\u00f3s em sua luminosidade, observados por eles, guardados, lembrados; presen\u00e7as vis\u00edveis, iluminando nossa escurid\u00e3o com sua beleza&#8221;<\/em> (HILLMAN, 2012, p. 39). <\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\"><span style=\"font-family: 'Times New Roman', serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">No est\u00e1gio, muitas vezes, me senti atordoada com tanto \u201cpassar mal\u201d durante as viv\u00eancias. Eram muitas e recorrentes as queixas de dor, ocorreram desmaios, v\u00f4mitos, choros, gritos, perda de consci\u00eancia. <\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\"><span style=\"font-family: 'Times New Roman', serif;\"><span style=\"font-size: medium;\"> Cheguei a pensar que essas manifesta\u00e7\u00f5es atrapalhariam as atividades. Mas, fico feliz, que h\u00e1 tempo, pude me transformar e entender que estes fen\u00f4menos eram as viv\u00eancias tamb\u00e9m. A partir desses corpos gritantes, pudemos nos conectar com Dioniso e com toda riqueza de possibilidades do cora\u00e7\u00e3o.\u00a0<\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\"><span style=\"color: #000000;\"><span style=\"font-family: 'Times New Roman', serif;\"><span style=\"font-size: medium;\"><b>REFER\u00caNCIAS<\/b><\/span><\/span><\/span><\/p>\n<p>ALMEIDA, L. H. H. A psicologia junguiana e o corpo no processo de individua\u00e7\u00e3o. In: ZIMMERMANN, E. B. (org). Corpo e Individua\u00e7\u00e3o. Rio de Janeiro: Vozes, 2009.<br \/>\nAMARANTE, Paulo (org.). Loucos pela vida: a trajet\u00f3ria da reforma psiqui\u00e1trica no Brasil, 1995.<br \/>\nFARAH, R. M. Introdu\u00e7\u00e3o. In: ZIMMERMANN, E. B. (org). Corpo e Individua\u00e7\u00e3o. Rio de Janeiro: Vozes, 2009.<br \/>\nGUIA DE DIREITOS HUMANOS. Dispon\u00edvel em: .<br \/>\nHILLMAN. J. O pensamento do cora\u00e7\u00e3o e a alma do mundo. S\u00e3o Paulo: Verus, 2010.<br \/>\nL\u00d3PEZ-PEDRAZA, R. \u00c1rtemis e Hip\u00f3lito \u2013 Mito e Trag\u00e9dia. Rio de Janeiro: Vozes, 2012.<br \/>\n____________. Dioniso no Ex\u00edlio \u2013 sobre a repress\u00e3o da emo\u00e7\u00e3o e do corpo. S\u00e3o Paulo: Paulus, 2011.<\/p>\n<p>MINIST\u00c9RIO DA SA\u00daDE. Pol\u00edtica nacional de aten\u00e7\u00e3o integral \u00e0 sa\u00fade da mulher: princ\u00edpios e diretrizes, 2004.<br \/>\nPHILLIPPINI, A. Arteterapia: M\u00e9todos, Projetos e Processos. Rio de Janeiro: Wak Editora, 2010.<br \/>\n__________. Grupos em Arteterapia: redes criativas para colorir vidas. Rio de Janeiro: Wak Editora, 2011.<br \/>\nQUINTAES, M. Dispon\u00edvel em: .<br \/>\nRAMOS, D. G. A psique do cora\u00e7\u00e3o \u2013 Uma leitura anal\u00edtica do seu simbolismo. S\u00e3o Paulo: Cultrix, 1990.<br \/>\nVICTORIO, M. Impress\u00f5es Sonoras \u2013 M\u00fasica em Arteterapia. Rio de Janeiro: Wak, 2008.<br \/>\nVIEIRA, E. M. A medicaliza\u00e7\u00e3o do corpo feminino. Rio de Janeiro: Fiocruz, 2002.<br \/>\nZIMMERMANN, E. B. (org). Corpo e Individua\u00e7\u00e3o. Rio de Janeiro: Vozes, 2009.<\/p>\n<p><em>* Juliana Florencio \u00e9 psic\u00f3loga, arteterapeuta e terapeuta do Jogo da Areia (em forma\u00e7\u00e3o). Atualmente mora na regi\u00e3o de Stuttgart, Alemanha, onde realiza seus atendimentos.<\/em><br \/>\n<em>Email:\u00a0<a href=\"mailto:juflorenciocs@gmail.com\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">juflorenciocs@gmail.com<\/a><\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>|\u00a0Por\u00a0Juliana Florencio*\u00a0| Este texto \u00e9 parte do trabalho que escrevi para a conclus\u00e3o do Curso de Forma\u00e7\u00e3o em Arteterapia pela Tra\u00e7os\/Faintvisa, em 2014. Na primeira parte abordei o mito de Dioniso.\u00a0 Nesta \u00faltima parte, relaciono o mito ao processo arteterap\u00eautico. O\u00a0artigo surgiu a partir da experi\u00eancia de est\u00e1gio em arteterapia no qual foram realizadas viv\u00eancias [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":302,"featured_media":31743,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"om_disable_all_campaigns":false,"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[579,220],"tags":[34,244,612,633,634,76,635],"acf":[],"publishpress_future_action":{"enabled":false,"date":"1969-12-31 21:00:00","action":"","terms":[],"taxonomy":"","browser_timezone_offset":0},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/portalfloresnoar.com\/floresnoar\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/31698"}],"collection":[{"href":"https:\/\/portalfloresnoar.com\/floresnoar\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/portalfloresnoar.com\/floresnoar\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/portalfloresnoar.com\/floresnoar\/wp-json\/wp\/v2\/users\/302"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/portalfloresnoar.com\/floresnoar\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=31698"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/portalfloresnoar.com\/floresnoar\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/31698\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/portalfloresnoar.com\/floresnoar\/wp-json\/wp\/v2\/media\/31743"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/portalfloresnoar.com\/floresnoar\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=31698"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/portalfloresnoar.com\/floresnoar\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=31698"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/portalfloresnoar.com\/floresnoar\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=31698"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}