

{"id":265,"date":"2018-01-26T07:00:00","date_gmt":"2018-01-26T10:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/portalfloresnoar.hospedagemdesites.ws\/floresnoar\/?p=265"},"modified":"2019-10-16T11:56:34","modified_gmt":"2019-10-16T14:56:34","slug":"praia-de-boa-viagem-meu-refugio-recifense-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/portalfloresnoar.com\/floresnoar\/praia-de-boa-viagem-meu-refugio-recifense-2\/","title":{"rendered":"[CANTO DE LU] Praia de Boa Viagem, meu ref\u00fagio recifense"},"content":{"rendered":"<figure id=\"attachment_32181\" aria-describedby=\"caption-attachment-32181\" style=\"width: 540px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-32181 \" src=\"http:\/\/portalfloresnoar.com\/floresnoar\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/praia-de-boa-viagem-lu-rabelo.jpg\" alt=\"\" width=\"540\" height=\"675\" srcset=\"https:\/\/portalfloresnoar.com\/floresnoar\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/praia-de-boa-viagem-lu-rabelo.jpg 768w, https:\/\/portalfloresnoar.com\/floresnoar\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/praia-de-boa-viagem-lu-rabelo-240x300.jpg 240w, https:\/\/portalfloresnoar.com\/floresnoar\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/praia-de-boa-viagem-lu-rabelo-560x700.jpg 560w\" sizes=\"(max-width: 540px) 100vw, 540px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-32181\" class=\"wp-caption-text\">Foto: Luana Rabelo<\/figcaption><\/figure>\n<pre><strong>Por Lu Rabelo*<\/strong><\/pre>\n<p><em>(cr\u00f4nica escrita em mar\u00e7o de 2012, e sempre atual)<\/em><\/p>\n<p>Recentemente, na Especializa\u00e7\u00e3o em Arteterapia, nos foi solicitado que escrev\u00eassemos sobre algum lugar do Recife que para n\u00f3s tem um significado especial. O primeiro que me veio foi a praia de Boa Viagem. Explico porque.<\/p>\n<p>Meus pais s\u00e3o sertanejos do Paje\u00fa. Eu de Bras\u00edlia. Mas em casa mesmo s\u00f3 me sinto quando respirando o cheiro da praia de Boa Viagem. Durante minha primeira inf\u00e2ncia, morando na capital federal, todo ano v\u00ednhamos passar as f\u00e9rias no Recife, na casa de tia Zita e vov\u00f4 Ci\u00e7o, e a nossa divers\u00e3o era, claro, a praia. Eles moravam num prediozinho na rua F\u00e9lix de Brito, chamado Nossa Senhora Aparecida, santa a que tantos anos depois me afei\u00e7oei e que no sincretismo religioso tamb\u00e9m representa Iemanj\u00e1, Orix\u00e1 do Mar. O cheiro de Coopertone, n\u00e3o o protetor solar, mas o bronzeador, at\u00e9 hoje me lembra essa \u00e9poca. Cheiro bom! \u00c9poca de muito raspa-raspa e picol\u00e9 da Maguary.<\/p>\n<p>Foi o mar de Boa Viagem o meu primeiro mar, de brincadeiras nas pedras (arrecifes) e na \u00e1gua, mas tamb\u00e9m de um inesquec\u00edvel caldo. Era muito pequena quando o tal caldo se deu. N\u00e3o sei exatamente o que aconteceu, s\u00f3 lembro que embolei com a quebrada de uma onda na beira, cambalhotando e engolindo \u00e1gua. Traumatizante. Eu <strong><a href=\"https:\/\/portalfloresnoar.com\/floresnoar\/meus-traumas-de-infancia\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">que j\u00e1 era medrosa<\/a>,<\/strong> fiquei ainda mais temerosa.<\/p>\n<p>J\u00e1 morando no Recife, com cerca de dez anos, outro incidente se deu. Eu residia na rua Ernesto de Paula Santos, num pr\u00e9dio relativamente pr\u00f3ximo \u00e0 praia, e inventei de &#8211; numa \u00e2nsia de independ\u00eancia &#8211; ir sozinha \u00e0 praia com uma colega do pr\u00e9dio. Fui me sentindo o m\u00e1ximo, achando-me a emancipada. Deu-se que o mar estava cheio e n\u00f3s entramos para tomar banho. Um redemoinho pegou minha colega. Fui dar a m\u00e3o a ela e ca\u00ed nele tamb\u00e9m. Que sufoco! Foi a vez em que vi a morte mais perto. Nossa sorte foi que na \u00e9poca n\u00e3o havia o Porto de Suape e, logo, os tubar\u00f5es n\u00e3o vinham para pr\u00f3ximo \u00e0 beira do mar atr\u00e1s de alimento, o que possibilitava que os surfistas pegassem ondas em toda a costa pernambucana. Pois bem, dois surfistas no salvaram com suas pranchas! Tubar\u00e3o mesmo n\u00e3o aparecia, s\u00f3 o cheiro de melancia.<\/p>\n<p>Dos 12 aos 15 anos voltei a morar em Bras\u00edlia. Minha maior alegria era nas f\u00e9rias chegar no apartamento da minha fam\u00edlia no Recife, escancarar a janela do meu antigo quarto, e sentir o vento vindo do mar carregado daquele cheiro de sarga\u00e7o. Cheguei! Dizia a mim mesma num desabafo transbordante de alegria. Foi nessa \u00e9poca tamb\u00e9m que surgiram os paqueras e ficantes de f\u00e9rias. Fiquei algum tempo com uma paix\u00e3o plat\u00f4nica por um menino chamado Pedrinho que morava num pequeno pr\u00e9dio \u00e0 beira-mar. O mar foi testemunha de toda essa fase.<\/p>\n<p>Lembro bem da sensa\u00e7\u00e3o do vento forte batendo no meu corpo no caminho da praia, quase me impedindo de andar pra frente, quando j\u00e1 estava pr\u00f3xima \u00e0 avenida Boa Viagem. Amendoim com guaran\u00e1, caldinho de feij\u00e3o e ovo de codorna eram o meu card\u00e1pio praiano. Ao inv\u00e9s de canga, a moda era ficar sempre com uma camisa por cima do biqu\u00edni.<\/p>\n<p>Pouco antes de completar 16 anos, meu pai &#8211; funcion\u00e1rio do Banco do Brasil &#8211; novamente foi transferido de Bras\u00edlia para Recife. O cargo dele nos dava a regalia de morar num apartamento na avenida Boa Viagem. Escolhi logo meu quarto de frente ao Mar, claro. E todos os dias, ao acordar cedinho para ir ao col\u00e9gio &#8211; onde eu deveria cursar o 1\u00ba ano do Ensino M\u00e9dio \u2013 ainda deitada na cama, olhava para aquele marz\u00e3o lindo, colocava o biqu\u00edni, a farda do col\u00e9gio por cima e n\u00e3o ia para o col\u00e9gio, ia pra praia. Naquele ano (1989), acabei parando de estudar, s\u00f3 regressando \u00e0 escola no ano seguinte. A praia me era mais vital. Foi nessa \u00e9poca que conheci Doda, grande amiga que estudava no mesmo col\u00e9gio que eu, mas que tamb\u00e9m n\u00e3o ia para aula, ia pra praia.<\/p>\n<p>Nos finais de semana, praia ao meio-dia, em frente ao Acaiaca. A moda a\u00ed j\u00e1 era canga, n\u00e3o mais camiseta. E n\u00e3o posso deixar de citar as semanas pr\u00e9-carnavalescas que, apesar das fuleragens, dava pra curtir. Ainda n\u00e3o existia abad\u00e1, nem cord\u00f5es de isolamento. O trio era o Asas da Am\u00e9rica.<\/p>\n<p>Na praia de BV conheci e vivi amores e desamores. E quando, aos 21 anos, recebi o resultado positivo do exame de gravidez da minha primeira filha, Luana, fui junto ao pai dela sentar nos arrecifes e ouvir os conselhos do Vento e do Mar.<\/p>\n<p>E \u2013 apesar de toda sujeira e cada vez menos faixa de areia &#8211; \u00e9 para praia de Boa Viagem que corro ainda hoje quando preciso de paz, sal e sol. O som das ondas emudecem o barulho dos carros e sinto-me consolada e momentaneamente salva da loucura dessa grande cidade que hoje \u00e9 Recife. Me salva tamb\u00e9m das agonias mentais e emocionais que vezes me assolam.<\/p>\n<pre><em>* Lu Rabelo \u00e9\u00a0<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/lu.rabelo.cantadeira\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>cantadeira<\/strong>,\u00a0<\/a>\u00a0arteterapeuta, jornalista e editora do\u00a0<strong><a href=\"http:\/\/portalfloresnoar.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Portal Flores no Ar<\/a><\/strong>.\u00a0<\/em><\/pre>\n<p><a href=\"http:\/\/creativecommons.org\/licenses\/by-nc-sa\/2.5\/br\/\" rel=\"license\"><img decoding=\"async\" style=\"border-width: 0;\" src=\"http:\/\/i.creativecommons.org\/l\/by-nc-sa\/2.5\/br\/88x31.png\" alt=\"Licen\u00e7a Creative Commons\" \/><\/a><br \/>\nEste obra foi licenciado sob uma Licen\u00e7a <a href=\"http:\/\/creativecommons.org\/licenses\/by-nc-sa\/2.5\/br\/\" rel=\"license\">Creative Commons Atribui\u00e7\u00e3o-Uso n\u00e3o-comercial-Compartilhamento pela mesma licen\u00e7a 2.5 Brasil<\/a>.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Lu Rabelo* (cr\u00f4nica escrita em mar\u00e7o de 2012, e sempre atual) Recentemente, na Especializa\u00e7\u00e3o em Arteterapia, nos foi solicitado que escrev\u00eassemos sobre algum lugar do Recife que para n\u00f3s tem um significado especial. 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