

{"id":26395,"date":"2016-09-23T10:05:23","date_gmt":"2016-09-23T13:05:23","guid":{"rendered":"http:\/\/portalfloresnoar.com\/floresnoar\/?p=26395"},"modified":"2016-09-23T10:14:29","modified_gmt":"2016-09-23T13:14:29","slug":"propaganda-enganosa-como-estrategia-dos-negocios-do-vento","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/portalfloresnoar.com\/floresnoar\/propaganda-enganosa-como-estrategia-dos-negocios-do-vento\/","title":{"rendered":"Propaganda enganosa como estrat\u00e9gia dos \u201cneg\u00f3cios do vento\u201d"},"content":{"rendered":"<pre>Por Heitor Scalambrini Costa*<\/pre>\n<p>Toda minha vida profissional foi em defesa intransigente das fontes renov\u00e1veis de energia, particularmente da energia solar e e\u00f3lica. Defendia e defendo o modelo de implanta\u00e7\u00e3o descentralizado (gera\u00e7\u00e3o pr\u00f3xima do local de consumo) por entender que esta concep\u00e7\u00e3o de gera\u00e7\u00e3o \u00e9 a que menos afeta o meio ambiente e as pessoas.<\/p>\n<p>Todavia em nosso pa\u00eds temos constatado que os \u201cneg\u00f3cios do vento\u201d, dentro da l\u00f3gica mercantil, onde a energia \u00e9 uma mera mercadoria, a gera\u00e7\u00e3o tem ocorrido em larga escala com parques e\u00f3licos contendo centenas de m\u00e1quinas e\u00f3licas, e por conseguinte grandes superf\u00edcies de terras ocupadas. As \u00e1reas escolhidas s\u00e3o aquelas cujos ventos s\u00e3o mais forte, locais de altitude ou em \u00e1reas costeiras.<\/p>\n<p>O Nordeste brasileiro concentra 80% de toda gera\u00e7\u00e3o e\u00f3lica no pa\u00eds, e o bioma Caatinga e as \u00e1reas costeiras s\u00e3o as mais impactadas. O que significa que popula\u00e7\u00f5es ribeirinhas (pescadores e catadores de mariscos) e agricultores familiares, posseiros, sofrem as consequ\u00eancias das instala\u00e7\u00f5es em larga escala, muitas vezes privados de seu modo de vida, al\u00e9m da destrui\u00e7\u00e3o ambiental provocada pela implanta\u00e7\u00e3o em larga escala dos aerogeradores.<\/p>\n<p>O que lamentavelmente n\u00e3o \u00e9 dito pela propaganda enganosa \u00e9 que N\u00c3O existe energia limpa e de baixo custo. Energia e\u00f3lica, como qualquer outra fonte energ\u00e9tica, provoca danos socioambientais. E que o pre\u00e7o cobrado por MWh produzido por esta fonte energ\u00e9tica, n\u00e3o leva em conta os custos socioambientais provocados.<\/p>\n<p>O modelo \u201cofertista\u201d de energia, tendo a frente como principal incentivador a Empresa de Planejamento Energ\u00e9tico (EPE), alardeia a necessidade de constru\u00e7\u00e3o de mais e mais usinas geradoras de energia para atender a demanda do pa\u00eds. E neste caminho que \u201csurfa\u201d os neg\u00f3cios do vento. Hoje o setor de \u201cmarketing\u201d deste setor, aliado a grandes grupos empresariais do setor de comunica\u00e7\u00e3o, constitui um poderoso e eficaz instrumento inibidor do debate transparente da quest\u00e3o energ\u00e9tica no pa\u00eds, inclusive sobre as op\u00e7\u00f5es adotadas.<\/p>\n<p>Um exemplo desta alian\u00e7a empresarial (m\u00eddia-empresas do vento) \u00e9 claramente percebida nas mat\u00e9rias do Jornal do Commercio de Pernambuco. Os textos difundidos a respeito da energia e\u00f3lica est\u00e3o muito longe de serem mat\u00e9rias jornal\u00edsticas. S\u00e3o na verdade informes publicit\u00e1rios de empresas ligadas aos \u201cneg\u00f3cios do vento\u201d. S\u00e3o alardeadas para o p\u00fablico leitor, informa\u00e7\u00f5es deturpadas, tendenciosas e unilaterais.<\/p>\n<p>Nem uma palavra \u00e9 dada aos moradores do entorno dos parques e\u00f3licos, as entidades ambientalistas, aos sindicatos de trabalhadores rurais, a estudiosos do tema. Nem mesmo a igreja que tem denunciado, o que tornou lugar comum como consequ\u00eancia social da implanta\u00e7\u00e3o dos parques e\u00f3licos, a exist\u00eancia dos chamados \u201cfilhos do vento\u201d (saiba mais em <a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=TyVXIq_toLY\" target=\"_blank\">https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=TyVXIq_toLY<\/a>).<\/p>\n<p>O que se verifica de fato \u00e9 a atua\u00e7\u00e3o do poder econ\u00f4mico sobre a informa\u00e7\u00e3o. Alian\u00e7a que \u201cempobrece\u201d o jornalismo pernambucano\/brasileiro. Que transforma jornalistas em meros reprodutores de releases das empresas interessadas em vincular sua pr\u00f3pria \u201cverdade\u201d. E assim manipular a opini\u00e3o p\u00fablica.<\/p>\n<p>Existe neste jornalismo uma transgress\u00e3o da \u00e9tica, nenhum compromisso com a autenticidade dos fatos, abrindo m\u00e3o de qualquer abordagem de informar mostrando as \u201cduas faces da moeda\u201d.<\/p>\n<p>Energia e meio ambiente s\u00e3o temas da maior import\u00e2ncia na discuss\u00e3o mundial sobre o aquecimento global. O momento vivido das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas e seus graves efeitos ao povo do semi\u00e1rido merecem tratamento com mais seriedade e imparcialidade. E n\u00e3o somente como \u201cneg\u00f3cios\u201d.<\/p>\n<p><em>*Heitor Scalambrini Costa \u00e9 professor aposentado da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE)<\/em><\/p>\n<pre><em>O conte\u00fado dos artigos publicados no Portal Flores no Ar s\u00e3o de responsabilidade dos seus autores.<\/em><\/pre>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Heitor Scalambrini Costa* Toda minha vida profissional foi em defesa intransigente das fontes renov\u00e1veis de energia, particularmente da energia solar e e\u00f3lica. Defendia e defendo o modelo de implanta\u00e7\u00e3o descentralizado (gera\u00e7\u00e3o pr\u00f3xima do local de consumo) por entender que esta concep\u00e7\u00e3o de gera\u00e7\u00e3o \u00e9 a que menos afeta o meio ambiente e as pessoas. 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