

{"id":22603,"date":"2020-10-16T06:22:09","date_gmt":"2020-10-16T09:22:09","guid":{"rendered":"http:\/\/portalfloresnoar.com\/floresnoar\/?p=22603"},"modified":"2022-02-22T13:11:31","modified_gmt":"2022-02-22T16:11:31","slug":"a-importancia-do-autoconhecimento-no-tratamento-do-cancer","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/portalfloresnoar.com\/floresnoar\/a-importancia-do-autoconhecimento-no-tratamento-do-cancer\/","title":{"rendered":"[CANTO DE LU] A import\u00e2ncia do autoconhecimento, da express\u00e3o criativa e do autocuidado no tratamento do c\u00e2ncer"},"content":{"rendered":"<p>| <em>Por Lu Rabelo*<\/em> |<br \/>\n<em>(texto escrito em outubro de 2015)<\/em><\/p>\n<figure id=\"attachment_36994\" aria-describedby=\"caption-attachment-36994\" style=\"width: 304px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-36994\" src=\"http:\/\/portalfloresnoar.com\/floresnoar\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/arteterapia-no-tratamento-do-c\u00e2ncer-225x300.jpg\" alt=\"\" width=\"304\" height=\"405\" srcset=\"https:\/\/portalfloresnoar.com\/floresnoar\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/arteterapia-no-tratamento-do-c\u00e2ncer-225x300.jpg 225w, https:\/\/portalfloresnoar.com\/floresnoar\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/arteterapia-no-tratamento-do-c\u00e2ncer-525x700.jpg 525w, https:\/\/portalfloresnoar.com\/floresnoar\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/arteterapia-no-tratamento-do-c\u00e2ncer.jpg 670w\" sizes=\"(max-width: 304px) 100vw, 304px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-36994\" class=\"wp-caption-text\">Ilustra\u00e7\u00e3o que Silvana recebeu de uma m\u00e9dium durante o tratamento<\/figcaption><\/figure>\n<p>Foi numa madrugada do final de 2002 que minha irm\u00e3 Silvana, na \u00e9poca com 37 anos, me encontrou na cozinha da casa de nossos pais e me contou que num exame havia encontrado um n\u00f3dulo em um dos seios. Naquele momento um sentimento estranho me tomou, mas demonstrei tranquilidade e nossa conversa rumou para quest\u00f5es espirituais. Curiosamente, na nossa fam\u00edlia ela era a \u00fanica chegada ao Espiritismo de Kardec.<\/p>\n<p>Nos dois anos seguintes nossa fam\u00edlia vivenciou uma hist\u00f3ria de luta e tristeza. Foi confirmado que ela estava com um tumor maligno no seio direito, j\u00e1 atingindo alguns g\u00e2nglios das axilas. O oncologista que a acompanhou indicou cirurgia para que ela retirasse um quadrante do seio, onde se localizava o tumor. Ap\u00f3s a cirurgia, vieram as sess\u00f5es de quimioterapia e radioterapia (e todas as consequ\u00eancias provocadas pela overdose de medica\u00e7\u00e3o e radia\u00e7\u00e3o). Ela colocara toda esperan\u00e7a naquele tratamento e naquele m\u00e9dico&#8230;<\/p>\n<p>Na \u00e9poca eu ainda n\u00e3o conhecia muito bem as terapias hol\u00edsticas, mas j\u00e1 havia ouvido falar nos Florais e um dia peguntei a ela se ela desejava um Floral e pra qu\u00ea. Ela me respondeu: pra medo. Uma ang\u00fastia me tomou. Um sentimento de impot\u00eancia. N\u00e3o sabendo direito o que fazer usava minhas m\u00e3os para ajud\u00e1-la, fazendo massagens suaves e, quando ela estava dormindo, eu parava na porta do quarto, erguia minhas m\u00e3os e ficava emanando energia (at\u00e9 ent\u00e3o eu n\u00e3o conhecia o Reiki). De vez em quando tocava o telefone de minha casa e era mainha dizendo que ela tava pedindo pra eu ir l\u00e1 fazer a massagem.<\/p>\n<p>A doen\u00e7a foi se espalhando para outros \u00f3rg\u00e3os. O tratamento convencional n\u00e3o continha aquele c\u00e2ncer. Poucas alternativas foram buscadas. Nenhuma mudan\u00e7a na alimenta\u00e7\u00e3o, nem em h\u00e1bitos nocivos que ela tinha.<\/p>\n<p>Quando j\u00e1 em fase terminal ela foi internada, resolvi intuitivamente pegar uns cristais e colocar no corpo dela. Ela estava totalmente aberta ao ritual que eu propunha. E foi muito forte. J\u00e1 com os cristais posicionados nos principais chakras, algu\u00e9m bate a porta do quarto do hospital. Era o padre pra fazer uma ben\u00e7\u00e3o (extrema un\u00e7\u00e3o). Ela reuniu os cristais na m\u00e3o e me entregou, emanando uma energia de cumplicidade no nosso ritual. O padre ent\u00e3o fez a parte dele.<\/p>\n<p>Na manh\u00e3 do dia 9 de janeiro de 2005 minha irm\u00e3 se foi. Na tarde do dia anterior, ela j\u00e1 praticamente em coma, peguei em sua m\u00e3o e conversei muito mentalmente, energeticamente, com ela. Prometi, inclusive, que se fosse preciso mesmo ela partir eu iria ajudar mainha e painho a cuidar de seus dois filhos, meus amados sobrinhos, Lucas e Paulinha.<\/p>\n<p>No vel\u00f3rio, diante de tanta tristeza, me toquei de algo de forma muito forte. Percebi que nunca tinha visto minha irm\u00e3 chorar, nem antes, nem durante a doen\u00e7a. Como sou a irm\u00e3 ca\u00e7ula, quase dez anos mais nova, pensei que talvez eu n\u00e3o tivesse visto porque ela me poupava. Ent\u00e3o l\u00e1 mesmo na cerim\u00f4nia f\u00fanebre procurei as duas melhores amigas dela e perguntei se elas j\u00e1 haviam visto Silvana chorar. Nenhuma delas se lembrava de t\u00ea-la visto chorar em ocasi\u00e3o alguma.<\/p>\n<p>Foi ali que comecei a refletir sobre a necessidade de express\u00e3o como caminho de cura.<\/p>\n<p>Em 2010 resolvi fazer a Forma\u00e7\u00e3o em Arteterapia. E quando chegou na \u00e9poca do est\u00e1gio, n\u00e3o tive d\u00favida sobre com que p\u00fablico eu queria trabalhar: mulheres acometidas pelo c\u00e2ncer. Juntamente com dois companheiros de turma &#8211; Cleto Campos e Val\u00e9ria Medeiros &#8211; vivenciamos um lindo processo com mulheres assistidas pelo <a href=\"http:\/\/www.gaapac.org.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">GAAPAC (Grupo de apoio e auto-ajuda para pacientes de c\u00e2ncer)<\/a>, no Recife. A partir dessa viv\u00eancia, escrevi um artigo intitulado &#8216;Arteterapia: a contribui\u00e7\u00e3o do processo criativo no tratamento do c\u00e2ncer&#8217;. Quem desejar ter acesso ao conte\u00fado pode me solicitar atrav\u00e9s do e-mail: floresnoar@gmail.com<\/p>\n<p>Estudando o assunto, fiquei refletindo sobre como uma doen\u00e7a como o c\u00e2ncer, que atinge cada um de forma t\u00e3o espec\u00edfica, t\u00e3o subjetiva, pode ser tratada com um tratamento padr\u00e3o, que generaliza os organismos. Em um trecho de meu artigo, descrevo: &#8220;Sendo o c\u00e2ncer uma doen\u00e7a que afeta o organismo como um todo, e de forma diferenciada em cada pessoa, \u00e9 preciso preveni-lo e trat\u00e1-lo em todas as frentes (DAHLKE, 2003), aliando ao tratamento convencional, terapias que promovam o autoconhecimento e a auto express\u00e3o. \u00c9 preciso que os pacientes assumam a responsabilidade que t\u00eam sobre as pr\u00f3prias vidas.&#8221;<\/p>\n<p>Me deu vontade de escrever este artigo porque ontem por conta do <a href=\"http:\/\/outubrorosa.org.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">movimento Outubro Rosa<\/a> ouvi um debate numa r\u00e1dio e os m\u00e9dicos ressaltavam a import\u00e2ncia do diagn\u00f3stico precoce e do tratamento convencional. N\u00e3o quero aqui falar mal deste tipo de tratamento. Reconhe\u00e7o e reverencio a import\u00e2ncia da medicina em alguns casos. Mas tamb\u00e9m desconfio\u00a0bastante da ind\u00fastria m\u00e9dico-farmac\u00eautica (e aliment\u00edcia) com seus vorazes interesses financeiros.<\/p>\n<p>Quero entretanto ressaltar a import\u00e2ncia da pessoa (adulta) que adoece assumir a responsabilidade por sua vida. N\u00e3o entregar na m\u00e3o de outros a pr\u00f3pria vida. Sentir e decidir o que \u00e9 melhor pra si pr\u00f3prio, e procurar sim ajuda, de acordo com suas convic\u00e7\u00f5es mais \u00edntimas. A doen\u00e7a vem para nos alertar que algo est\u00e1 descompassado. N\u00e3o adianta apenas tomar a medica\u00e7\u00e3o receitada para os sintomas sem ir fundo nas causas. Pelo pouco que estudei desconfio fortemente que o que desorganiza o organismo e faz com que o corpo fique vulner\u00e1vel ao c\u00e2ncer esteja relacionado a m\u00e1goas, quest\u00f5es emocionais e ps\u00edquicas n\u00e3o resolvidas, n\u00e3o expressadas (juntamente a outros fatores: ambientais, gen\u00e9ticos&#8230;)<\/p>\n<p>Em nenhum momento minha irm\u00e3 foi incentivada pela equipe m\u00e9dica a refletir sobre a pr\u00f3pria vida, a mergulhar num processo de autoconhecimento e transforma\u00e7\u00e3o. Lembro que, j\u00e1 no final, o oncologista que a acompanhava nem ia mais l\u00e1 v\u00ea-la e ela se sentiu totalmente abandonada por ele.<\/p>\n<p>\u00c9 fato que o tratamento convencional detona a imunidade do organismo. Mas se esta for a op\u00e7\u00e3o de tratamento escolhida, faz-se necess\u00e1rio colaborar com o pr\u00f3prio organismo, nutrindo-o de alimentos saud\u00e1veis, retirando todos os industrializados, respirando ar puro, se movimentando, pisando na terra, na grama, se banhando em \u00e1guas naturais. \u00c9 fundamental se integrar, se conectar \u00e0 Natureza e usufruir de todos os seus benef\u00edcios. Conectar com o presente, o agora, ter momentos di\u00e1rios de silenciar a mente. Movimentar o corpo \u00e9 outra a\u00e7\u00e3o important\u00edssima. Yoga (ou alongamentos e exerc\u00edcios respirat\u00f3rios) e automassagem, por exemplo, s\u00e3o atividades indispens\u00e1veis e que devem ser praticadas diariamente. Harmonizam corpo, mente e emo\u00e7\u00f5es!<\/p>\n<p>Se expressar tamb\u00e9m \u00e9 vital neste processo. Indico demais a Arteterapia! Atrav\u00e9s dela a gente consegue acessar conte\u00fados enterrados, padr\u00f5es arraigados, desejos da alma,\u00a0emo\u00e7\u00f5es que nem sab\u00edamos que estavam em n\u00f3s, pois se escondem no inconsciente. A express\u00e3o criativa &#8211; atrav\u00e9s da pintura, colagem, modelagem, escrita, dan\u00e7a&#8230; &#8211; nos permite botar pra fora o que t\u00e1 l\u00e1 dentro preso, escondido, e olhar pra o que aparece, refletir e transformar. Na Arteterapia n\u00e3o h\u00e1 certo e errado, feio e bonito. O que vale \u00e9 o que surge, aparece, e como a gente se v\u00ea.<\/p>\n<p>O autoconhecimento, a express\u00e3o e a transforma\u00e7\u00e3o do que precisa ser transformado \u00e9 garantia de cura? Da cura f\u00edsica talvez n\u00e3o, talvez sim, pois cada um vive na Terra o que precisa viver. Mas de Cura num n\u00edvel Maior, creio fortemente que sim.<\/p>\n<p><em>ps: N\u00e3o sou m\u00e9dica, nem pesquisadora. Este texto \u00e9 um desabafo. Falo aqui mais com o cora\u00e7\u00e3o.\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>* Lu Rabelo\u00a0\u00e9\u00a0<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/cantadeiralu\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">cantadeira<\/a>,\u00a0<a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/jardimarteterapeutico\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">arteterapeuta<\/a>, jornalista e editora do\u00a0<a href=\"http:\/\/portalfloresnoar.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Portal Flores no Ar.<\/a><\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>| Por Lu Rabelo* | (texto escrito em outubro de 2015) Foi numa madrugada do final de 2002 que minha irm\u00e3 Silvana, na \u00e9poca com 37 anos, me encontrou na cozinha da casa de nossos pais e me contou que num exame havia encontrado um n\u00f3dulo em um dos seios. 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