

{"id":13702,"date":"2014-02-05T11:12:57","date_gmt":"2014-02-05T14:12:57","guid":{"rendered":"http:\/\/portalfloresnoar.com\/floresnoar\/?p=13702"},"modified":"2014-02-05T11:12:57","modified_gmt":"2014-02-05T14:12:57","slug":"casamento-e-um-estado-de-espirito","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/portalfloresnoar.com\/floresnoar\/casamento-e-um-estado-de-espirito\/","title":{"rendered":"&#8216;Casamento \u00e9 um estado de Esp\u00edrito&#8217;"},"content":{"rendered":"<pre>Por Martha Medeiros<\/pre>\n<p>Pra come\u00e7ar,\u00a0casamento\u00a0n\u00e3o deveria ser um divisor de \u00e1guas na vida de uma pessoa, com uma data escolhida para separar definitivamente o antes do depois.<\/p>\n<p>Em vez de decidir casar, dever\u00edamos permitir que o casamento acontecesse\u00a0espontaneamente, sem que a gente nem percebesse. Comigo, sortuda que sou, aconteceu assim. Est\u00e1vamos juntos havia um temp\u00e3o e cada um morava no seu apartamento. Aos poucos, a cumplicidade foi aumentando, nossas roupas e discos come\u00e7aram a se misturar, j\u00e1 n\u00e3o quer\u00edamos dormir separados. N\u00e3o faz\u00edamos muitos planos para o futuro, curt\u00edamos a companhia um do outro serenamente, sem pactos nem juras de amor eterno, at\u00e9 que um belo dia nos demos conta de que j\u00e1 est\u00e1vamos casados, casad\u00edssimos, a quest\u00e3o era oficializar ou n\u00e3o. Oficializamos, assinamos os pap\u00e9is, e o que mudou a partir da\u00ed? Nada. Qual \u00e9 a data do nosso casamento? 13 de janeiro, 30 de mar\u00e7o, 23 de outubro, 8 de dezembro\u2026 escolha voc\u00ea. Em cada dia dos nossos quatro anos de namoro a gente\u00a0casou um pouquinho. O que equivale a dizer que come\u00e7amos a casar no dia em que nos conhecemos: n\u00e3o foi um crime premeditado.<\/p>\n<p>Casamento \u00e9 grude? S\u00f3 se o casal ambiciona o\u00a0\u00f3dio m\u00fatuo. Casamento \u00e9 a uni\u00e3o de duas pessoas que t\u00eam\u00a0afinidades, que gostam muito de conversar uma com a outra, de transar uma com a outra e que resolvem morar juntas porque \u00e9 mais econ\u00f4mico e porque facilita na hora de ter filhos, que \u00e9 uma aventura deliciosa a ser compartilhada. Se ambos estiverem de acordo quanto a isso, aceitar\u00e3o com\u00a0naturalidade\u00a0que cada um tenha os pr\u00f3prios amigos, os pr\u00f3prios passatempos, suas viagens, seu trabalho, enfim, que sejam donos de uma vida individualizada e inteira, e n\u00e3o mutilada. Leva-se um tempo at\u00e9 descobrir que esse \u00e9 um arranjo que funciona. Pena que, antes que o casal amadure\u00e7a e chegue a esse ponto, muitos desistem por puro\u00a0apego \u00e0s conven\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Voc\u00ea deve estar pensando: muito bem, e agora? Ela vai continuar enrolando ou vai tocar naquele ponto nevr\u00e1lgico que implode a maioria das rela\u00e7\u00f5es?<\/p>\n<p>N\u00e3o, ela n\u00e3o vai continuar enrolando. \u00c9 hora de falar na dolorosa. A quest\u00e3o da fidelidade.<\/p>\n<p>Se Jennifer Aniston continuar casada com Brad Pitt por mais dez anos, at\u00e9 ela, com aquele monumento em casa, vai come\u00e7ar a bocejar e a olhar impaciente pela janela. N\u00e3o porque Brad Pitt tenha dentes feios e espinhas no rosto (foi o Rubens Ewald que disse isso; pra mim Brad segue perfeito). A raz\u00e3o ser\u00e1 outra:\u00a0amor e sexo\u00a0n\u00e3o s\u00e3o da mesma fam\u00edlia. O amor \u00e9 de fam\u00edlia nobre e tradicional, enquanto o sexo vem da periferia e \u00e9 chegado numa promiscuidade. Nem os sentimentos mais elevados por nosso parceiro conseguem evitar que tenhamos desejos secretos e fora de hora. Desejar \u00e9 humano, merit\u00edssimo, n\u00e3o nos condene. Estranho seria se a gente n\u00e3o tivesse nenhuma fantasia, nenhuma excita\u00e7\u00e3o pelo que acontece do lado de fora da cela.<\/p>\n<p>Homens sentem vontade de transar com outras mulheres, e mulheres sentem vontade de transar com outros homens pelas mais diversas raz\u00f5es: para testar seu poder de sedu\u00e7\u00e3o, para dar um up na auto-estima, para recuperar a adolesc\u00eancia perdida ou porque se apaixonaram por outra pessoa inadvertidamente \u2013 arrisco at\u00e9 a dizer: inocentemente. Ningu\u00e9m tem\u00a0controle absoluto\u00a0sobre si mesmo, pode acontecer com qualquer um. E a\u00ed, como se resolve?<\/p>\n<p>Quem \u00e9 temente a Deus reprime. Quem \u00e9 temente aos olhos dos vizinhos reprime. Quem \u00e9 temente a si mesmo reprime. Mas quem n\u00e3o quer passar o resto da vida privando-se de sonhar, de se encantar, de namorar outra vez encara e assume os riscos, que n\u00e3o s\u00e3o poucos. Muitos acabam se separando, mesmo tendo um casamento que era satisfat\u00f3rio. No entanto, a tal \u201cpulada de cerca\u201d \u00e0s vezes n\u00e3o gera maiores conflitos internos, \u00e9 apenas uma\u00a0necessidade paralela.<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 assunto f\u00e1cil, tampouco \u00e9 novo. \u00c9 um problema antigo e cabeludo. Envolve religi\u00e3o e seu subproduto:\u00a0culpa. Sentimos culpa por tudo. Culpa por sermos avan\u00e7adas demais, medrosas demais, galinhas demais, santinhas demais. Culpa pela nossa libido, pelas nossas fraquezas, pela nossa coragem. Culpa por estarmos mentindo, omitindo, enganando. Por ter permitido que o casamento chegasse a esse ponto de fragilidade \u2013 ou de seguran\u00e7a extrema, acreditando que tudo ser\u00e1 perdoado e compreendido.<\/p>\n<p>Casamento \u00e9 um\u00a0compromisso s\u00e9rio, mas n\u00e3o deveria significar pris\u00e3o, submiss\u00e3o, anula\u00e7\u00e3o, obedi\u00eancia e tudo mais que caracteriza uma rela\u00e7\u00e3o tir\u00e2nica. Casamento deve significar amizade, sexo, respeito, divers\u00e3o e companhia. Casamento tem que ser alegre, tem que ter sintonia, liberdade e muito jogo de cintura. Casamento n\u00e3o \u00e9 brincadeira de crian\u00e7a, mas tem que ser leve, e \u00e9 imprescind\u00edvel que haja maturidade e \u2013 aten\u00e7\u00e3o \u2013 intelig\u00eancia! A burrice \u00e9 inimiga das rela\u00e7\u00f5es, ela \u00e9 que permite o surgimento de mesquinharias, preconceitos, implic\u00e2ncias e ci\u00fames doentios. Casamento tem que ser aberto, n\u00e3o necessariamente no sentido sexual \u2013 isso \u00e9 negociado caso a caso -, mas aberto para a\u00a0renova\u00e7\u00e3o, para a conversa franca, para as necessidades de cada um, para a intimidade que vai al\u00e9m dos corpos, intimidade de almas, intimidade que permite a gente enxergar o outro, aceitar o outro e viver de maneira menos repetitiva e convencional. Cada casamento exige uma f\u00f3rmula pr\u00f3pria, cada casal inventa a sua, mas de uma coisa n\u00e3o se pode prescindir: da flexibilidade.<\/p>\n<p>Parece fac\u00edlimo, mas \u00e9 um deus-nos-acuda. De tudo o que foi dito, a \u00fanica conclus\u00e3o a que chego \u00e9 que os casamentos seguir\u00e3o desmoronando se n\u00e3o houver umacompreens\u00e3o\u00a0do assunto que ultrapasse o romantismo. Amor \u00e9 fundamental, mas n\u00e3o basta. \u00c9 preciso um n\u00e3o-sei-qu\u00ea que a gente n\u00e3o explica, mas sente. Algo que est\u00e1 no ar, no olhar, e que dispensa racionaliza\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<pre>(artigo reproduzido do link:\u00a0<a href=\"http:\/\/www.casarbem.com\/casamento-e-um-estado-de-espirito-por-martha-medeiros\/\" target=\"_blank\">http:\/\/www.casarbem.com\/casamento-e-um-estado-de-espirito-por-martha-medeiros\/<\/a>)<\/pre>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Martha Medeiros Pra come\u00e7ar,\u00a0casamento\u00a0n\u00e3o deveria ser um divisor de \u00e1guas na vida de uma pessoa, com uma data escolhida para separar definitivamente o antes do depois. Em vez de decidir casar, dever\u00edamos permitir que o casamento acontecesse\u00a0espontaneamente, sem que a gente nem percebesse. Comigo, sortuda que sou, aconteceu assim. 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