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‘Para iluminar a cidade’, primeiro disco de Jorge Mautner, lançado em 1972

Disco: PARA ILUMINAR A CIDADE
Gravadora: Polydor/Universal Music
Lançamento: (LP/1972), (CD/2002)

Primeiro disco lançado por Jorge Mautner, gravado ao vivo no Teatro Opinião, Rio de Janeiro, em abril de 1972. Texto da capa escrito por Caetano Veloso. Faixas 10 e 11 gravadas para compacto simples lançado em 1973. Faixa 12 gravada durante a “Phono 73”, shows realizados pela gravadora no Palácio de Convenções do Anhembo, em São Paulo. Na ficha técnica do CD não há créditos para os músicos que acompanham Mautner nas faixas 10, 11 e 12.

FICHA TÉCNICA
Produzido por Paulo Lima (1972) / Marcelo Fróes (2002)

MÚSICOS
Baixo Elétrico: Alexandre
Violino: Jorge Mautner
Violão: Nelson Jacobina / Sérgio Amado
Percussão: Otoniel / Tide
Guitarra: Nelson Jacobina

Texto de Caetano Veloso, na contracapa:

estou escrevendo com muita pressa que é para não atrasar a saída deste disco: já é com um atraso de anos que se registra o trabalho de mautner. em 63 néci me falou de “deus da chuva e da morte”. eu vivia lendo a revista senhor: vi uma entrevista esquisita desse cara que olhava os homens do alto de um edifício de são paulo e os via como formigas. um dia vi o livro e, assustado com a grossura do volume, não li. depois fiquei sabendo de “kaos”. ele era um escritor estranho de quem se falava. uma vez rogério me disse que esse escritor jorge mautner cantava muito engraçado bonito com um bandolim e cantara na televisão uma canção que falava em hiroxima & bomba atômica: algumas pessoas da música popular brasileira estavam indignadas com a escolha dos temas. diziam: que temos nós brasileiros a ver com a bomba atômica? um dia a nara tocou no assunto comigo, em tom de pergunta. eu não tive resposta porque não conhecia as tais canções. nara falava mais cheia de curiosidade do que de preconceito. ela parecia estar realmente querendo saber como encarar um fato tão diferente dentro da música brasileira. enquanto para outros (inclusive para mim mesmo, que nem sequer me esforcei para conhecer as tais composições) a própria estranheza deste fato aconselhava a ignorá-lo. depois veio-nos, veio-me, veio o tropicalismo. de vez em quando eu me lembrava desse nome jorge mautner e ficava curioso querendo saber. ele tinha ido embora para os estados unidos. os mutantes, que me mostraram tanta coisa, contaram-me que jorge era bacana tinha cada coisa louca. cantaram alguns trechos de canções escritas pelo jorge, não me lembro como eram esses pedaços de canções e creio que não me causaram nenhuma impressão definida. um dia tive vontade de perguntar a zé agripino.

acabou-se o tropicalismo. em londres, apareceu jorge mautner com um guarda-chuva. gostei logo dele porque ele é uma figura incrível e também porque ele foi logo me fazendo umas profecias muito boas (e que felizmente deram certo). ri muito. ele cantou “o vampiro” e essa canção me impressionou de um modo como só “charles, anjo 45” havia antes me impressionado. fiquei fan de jorge mautner. suas canções têm um cheiro de liberdade criadora que eu só encontrara em jorge ben. na espanha ele ficava falando em nietzsche e nos filósofos pré-socráticos, falando em apolo e dionisius, lendo sartre nas praias da catalunha. a gente chamava ele de mestre. mas principalmente ele cantava suas cantigas de chuva com o seu bandolim. ele não tem nenhum medo do ridículo. ele parece com tudo. ele é completamente diferente de tudo o que há na música brasileira, no show-bizz brasileiro. ele parece uma formiguinha com seu bandolim, um telefone. ele sabe imitar porta, vaga-lume, liquidificador. só escreve clichê, com a originalidade de um marciano. eu fiquei realmente assustado ao saber que “o vampiro” era anterior a “alegria, alegria” e “domingo no parque”. “olhar bestial”, que está neste lp, também. é preciso que também se saiba que, mesmo agora, depois de tantos tropicalismos, não foi fácil colocar jorge no disco: “ele é muito bom, diziam os chefes, mas não há onde colocá-lo, o público não vai saber como classificá-lo. e isso não vende”. será?

FAIXAS
1. SUPER MULHER (Jorge Mautner) – 00:00
2. OLHAR BESTIAL (Jorge Mautner) – 05:07
3. ESTRELA DA NOITE (Jorge Mautner) – 06:16
4. CHUVA PRINCESA (Jorge Mautner) – 12:13
5. ANJO INFERNAL (Jorge Mautner) – 13:24
6. QUERO SER LOCOMOTIVA (Jorge Mautner) – 17:54
7. SHERIDAN SQUARE (Jorge Mautner) – 24:04
8. FROM FARAWAY (Caetano Veloso / Jorge Mautner) – 28:28
9. SAPO CURURU (Folclore brasileiro / Adaptada por Jorge Mautner) – 31:16

10.RELAXA, MEU BEM, RELAXA. (Jorge Mautner/ Nelson Jacobina) – 37:34
11. PLANETA DOS MACACOS ( Jards Macalé/ Jorge Mautner) – 40:55
12.ROCK DA BARATA ( Jorge Mautner) – 43:06

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