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Vênus em trígono com Plutão

Por Haroldo Barros
(http://haroldobarros.wordpress.com/)

Esta semana dedicada aos namorados começa com um belo aspecto nos céus: um trígono entre Vênus e Plutão, trazendo a possibilidade de transmutação do amor, em suas mais sublimes formas.

Há um interessante mito, uma das mais belas páginas da mitografia grega, que vale a pena conhecer: a história de Orfeu e Eurídice.

O belo Orfeu chamava a atenção pelo seu magnífico talento musical. A suave música da sua lira tocava, com sua plangência poética, o coração de quem quer que a ouvisse. Apaixonado por sua esposa, Orfeu tem, na beleza de Eurídice, a fonte de sua inspiração. O cruel destino, porém, não permitiria que por muito tempo mais perdurasse essa felicidade.

Orfeu se vê vítima da mais terrível tragédia: ao fugir de um importuno pretendente, a desafortunada jovem corria pelos campos quando pisa, em sua desabalada carreira, numa serpente que se ocultava na relva. O traiçoeiro réptil reage imediatamente, picando-a e inoculando-lhe o seu peçonhento veneno.

Eurídice morre, não sem antes murmurar, com seu último alento, o nome do amado.

Inconformado com a perda, Orfeu parte em direção ao Hades, o reino do inferno, região sombria governada por Plutão, para onde iam os mortos, decidido a trazer de volta a sua Eurídice ou morrer tentando.

Ao chegar ao coração do reino das sombras, Orfeu é recebido por Plutão e sua esposa Perséfone, a quem faz o pedido de ter de volta a sua esposa. Imaginando que a sua música poderia falar melhor, Orfeu toma de sua lira e canta a mais terna canção de amor. O dedilhar do amante arranca do instrumento acordes que ressoam por todo o Hades, a ponto de aquecer, por um instante, o sombrio reino. Nem mesmo o impiedoso Plutão deixa de ser tocado pela arrebatadora melodia e concede que Orfeu possa levar de volta ao mundo dos vivos a sua esposa, com uma condição: ela deveria seguir atrás dele, em silêncio, e ele não poderia olhar para trás, sob pena de ser desfeito o trato.

E assim partiu Orfeu, na longa viagem de volta à superfície, seguido pela silenciosa Eurídice. Na iminência de alcançar a saída, Orfeu acaba sucumbindo à desconfiança: com medo de ter sido enganado, olha para trás, apenas para ver Eurídice desaparecer diante de seus olhos.

Desperdiçada a última chance, Orfeu vive infeliz até o fim de seus dias.

Essa bela, ainda que triste, história nos traz uma significativa lição: no que diz respeito ao amor e à qualidade das nossas relações, de vez em quando é preciso mergulhar fundo a fim de resgatar a originalidade dos sentimentos, a intensidade do amor e do companheirismo.

Algumas correspondências simbólicas possíveis

O veneno da cobra são os nossos próprios ranços e emocionalidades. O Reino de Plutão pode ser interpretado como os nossos inferninhos pessoais, ou seja, o nosso underground emocional, sede dos nossos demoninhos particulares. A viagem de Orfeu talvez seja o nosso mergulho nessa infernalidade pessoal, a fim de revolver o que temos de mais oculto e sombrio, em nossas crenças sobre o amor. A música de Orfeu representa a harmonia compassiva, a capacidade de olhar para nós mesmos enquanto responsáveis por nossa condição, sem culpar o outro.

Olhar para trás significa o hábito de trazer para nossas relações os hábitos, vícios, medos e angústias de todas as nossas relações anteriores.

E é por isso, por conta desse “olhar para trás”, que de vez em quando, sem percebermos, ficamos imaginando o porquê de nossas relações nos trazerem as mesmas e mesmas problemáticas. Passada a fase da descoberta, do encanto inicial, começamos a não nos sentir atendidos pelo outro, em nossas necessidades egóicas. E nos pegamos pensando: “Estou vivendo esse mesmo tipo de situação, de novo? Como eu consegui cair mais uma vez nessa mesma armadilha?”

Parece familiar?

A semana promete

Durante esta semana, com o trígono entre Vênus e Plutão, nós teremos a possibilidade de revolver os obscuros meandros das nossas emoções, a fim de trazer de volta à superfície, revitalizada, a essência do afeto verdadeiro.

Portanto, aproveite o momento para aquela conversa séria, para aquele recomeço, para dar um fim naquela crise que não tem mais sentido, enfim, para resgatar o romantismo que, afinal de contas, só morre se você permitir.

Mas lembre-se: não cometa o mesmo pecado de Orfeu, ou seja, não olhe para trás. Não fique trazendo as mágoas do passado, os ranços emocionalísticos, os ciúmes egocêntricos, os obstáculos, enfim, que impedem a paz que o amor precisa para florescer.

A harmonia trazida pelo trígono Vênus-Plutão permitirá dissolver os ranços e mágoas, permitindo um novo começo.

É como se o Orfeu dentro de nós ganhasse uma nova chance e pudesse resgatar a sua amada Eurídice do reino de Plutão.

E, se os astros envolvidos no trígono estão em signos de Terra (Vênus no signo de Touro, Plutão no signo de Capricórnio), tudo será sempre melhor se houver celebração, marcada com algum mimo: um presente, por simples que seja, terá efeitos magníficos! Com uma condição: se for feito por suas próprias mãos.

Aproveite!

Um beijo carinhoso no coração de todos os enamorados!

E, pedindo licença aos leitores, um beijo muito, muito especial no coração de minha amada Esposa, a linda namorada que me ensina a cada alvorecer, com a canção do seu olhar, como transmutar qualquer picada de cobra na mais pura e harmoniosa Luz!!!!

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