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‘Repensando a integração do feminino e masculino por um outro viés’

Por Germano Rabello*
germanra@gmail.com

germano rabelloTerminei sem postar nada muito relevante sobre as mulheres, no dia 8 de março. Mas agora tava lendo o livro de Fritjof Capra, ‘Sabedoria Incomum’. Tem um capítulo em que ele menciona algumas pensadoras feministas. Muitas vezes ligando o feminismo à ecologia ou espiritualidade. Pra mim, é por aí: a inclusão do feminino é importante em si mesma, mas é muito melhor quando põe em cheque certos fundamentos da nossa civilização.

Um dos pontos chave é que o nosso ambiente está imbuído da lógica da exclusão e da dominação, em que o feminino é excluído de certas áreas de atuação (e o masculino também é excluído de tarefas mais domésticas e delicadas). E essa lógica se reflete em tudo, e a relação homem/mulher é o espelho da relação humanidade/planeta.

Exemplo 1 : Carolyn Merchant, historiadora da ciência, analisa a obra de Francis Bacon, um dos fundadores da ciência moderna. “A natureza precisa ser ‘acossada em seus caminhos’, escreveu Bacon, ‘forçada a servir-nos’ e transformada em nossa ‘escrava’. A meta do cientista deveria ser ‘torturar a natureza para extrair seus segredos’. (…) Ela mostrou-me que a ligação entre a visão de mundo mecanicista e o ideal patriarcal do ‘homem’ dominando a natureza aparece não só nas obras de Bacon, como também em menor grau, nas de René Descartes, Isaac Newton, Thomas Hobbes e outros (…)”. Citado no livro “Sabedoria Incomum”.

Desse simples parágrafo, dá pra imaginar o quanto a visão de mundo da humanidade, de forma geral, excluiu o pensamento feminino e o quanto isso nos prejudica até hoje, em várias áreas do conhecimento. Todas as coisas buscam equilíbrio. Estamos vivendo há tanto tempo em desequilíbrio que não temos noção do que seria um mundo mais próximo do equilíbrio (notem, eu sei que o equilíbrio absoluto é uma utopia). Todos estamos sofrendo com isso, homens e mulheres, presos em modelos de comportamento muito rígidos. Mas é também uma era de redefinição dos papéis, dos conceitos. Que implica todos seres humanos mais responsáveis e mais livres.

* Germano Rabello é jornalista, ilustrador e músico

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