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Poemas de Henrique Viana Brandão

Há Sol em Mim (ou O Sal do Sol)
(Livremente inspirado na canção homônima de Zeca Viana)

Sendo verdade que há sol em mim
Há também de haver alguma dor
Por tanto, se tal sol, queima-me
Sirvo minha carne à cor.

Corro no sol entre fotocélulas
Para ver de perto toda fotossíntese
E quando debato algumas querelas
É tudo tese, tudo síntese, tudo antítese.

A minha Natureza é biopolítica
Mas meu Estado não está na matéria
Há combustão em minha estilística
Assim como o sol, sou substância etérea.

 

SAM
(Saudades, meu Doctor Pulga)

Brincava eu, tão absorto, em minha infância
Buscava germes, um larva migrans, adormecido
Queria espaço, dançavam astros, sentia ânsia
Na minha derme, o corpo externo, fez mais sentido

Sentia muito a tua falta e tua querência
Sabia eu que te amava e que eras meu
E a coceira, então me davas, era presença
Canídeo lindo, filho do lúpus, és androceu

E tua estrada que surgia em minha pele
De tatuagem blindou minha epiderme
Quase querendo atropelar a circulação

Sei que morreste atropelado e então te digo
Que teu destino foi meu maior castigo
E sinto imensa falta tua, querido Cão.
Poeta Vagabundo (aos fatídicos)

O poeta quando é tido como vagabundo
Quer dizer que tem presença de espírito
Pois depois se fica velho e moribundo
Seus poemas são citados pelo mundo
E estudados por intelectuais fatídicos

Mas se o poeta como boêmio não é visto
Significa que perdeu toda a magia
As palavras foram escritas sem encanto
A beleza ficou presa em algum canto
E os fatídicos não estudam sua poesia
CROMOSSOMO X
Para Hellen

Amo-te, pequena mina tão rebelde
Porém pareces minar meu coração
Tal amor nunca cabe num só balde
Coube já, no bojo de minha mão…

Ganhei eu, uma menina tão açoita
Que afronta paciência quando quieta
Miudinha e marota pela moita
Bem na vida me complet’alma deserta!

Dos rebeldes nada sei o que dizer
Fui um deles, talvez possa explicar:
Sou artista e uma artista ais de ser
Só espero que não deixes de me amar.

 

Não é Justo

para Manuel Bandeira.

Hoje fui na busca de cervejas, choveu pra caralho por aqui, e costumo cortar caminho pelas vias de terra; numa dessas vias há um pequeno barra-a-barra, onde a molecada se diverte.

Ao vê-los se deliciar com a pelada, com uma bola fuleira e com a lama do chão num gradiente de concentração tão grande que não absorvia mais nada – nem a mim! – quase peço pra jogar também…

Mas eles tinham em torno de dez anos, e eu, apesar da idade, tenho em torno de quinze!

 

Henrique Viana Brandão - conhecido também como HVB - é músico e poeta

Blogs de HVB:
http://aquijaez.blogspot.com.br/
http://hvblogue.blogspot.com.br/

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