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Os Enamorados

Os Enamorados
Da esquerda para direita, o arcano ‘Os Enamorados’ nos seguintes tarot: Marselha, Egípcio, Crowley e Rider Waiter
Por Sabrina Carvalho*
sabbraccadabra@gmail.com

Os Enamorados, O enamorado…eles se escolhem, eu escolho, eu fui escolhido…Eu escolho? Como tudo isso se encaixa? Assim como a Roda da Fortuna, o Arcano VI, também nos dá a sensação de não termos certezas sobre o real poder que temos sobre nossas vidas, sobretudo nossas escolhas, nossos sentimentos.

Nas cartas dos baralhos mais difundidos vemos duas cenas que sugerem significados diferentes: no Tarot de Marselha, a clássica cena do Pomo da Discórdia, onde existe um homem dividido entro dois amores, cuja escolha será feita pelo cupido que que está na cena, acima, olhando as três pessoas, apontando sua flecha para uma delas.

O Tarot Egípcio contém a mesma cena, obviamente com ilustrações diferentes, porém assumindo o nome da carta como Os Dois Caminhos.

Já no Tarot de Mr. Crowley e Lady Frieda Harris vemos um cenário de simbiose entre o masculino e o feminino, entre símbolos de água e fogo, atividade a passividade, sugerindo o encaixe perfeito que se tem (em sensação ou certeza!) quando se está apaixonado. Porém, além da presença dos envolvidos nessa interação amorosa, a imagem de uma espécie de Deus e um cupido de olhos vendados apontando para o lado onde está a mulher.

Em Mr. Waite e Pamela Colman Smith, Rider Waite faz referência direta a Adão e Eva no Jardim do Éden, assim como o encaixe de macho e fêmea simbolizando o androginato de Deus.

O que tantas versões diferentes me sugerem, de modo geral, é que os encaixes vêm de uma troca espiritual ou vice-versa, e que quando estamos apaixonados, por mais inconsciente, e independente de qualquer coisa que esse amor possa parecer, há caminhos racionais de compensações, que nos fazem perceber que a escolha é nossa e que os significados espirituais de tais encontros, por mais sutis que se apresentem, aparecem como um caminho de autoconhecimento e aprendizado.

Além desse processo de enamoramentos e escolhas, o arquétipo do androginato de Deus é a referência direta ao equilíbrio entre masculino e feminino, entendendo-os como opostos complementares, e que suas energias juntas representam a porção máxima da nossa força espiritual. Obviamente, isso não se refere diretamente às relações heterossexuais, mas sim ao encontro individual de cada um com seu feminino e masculino. De nada vale minha força se não tenho suavidade para deslizar facilmente nesse caminho, de nada me serve minha autoridade se não tenho a receptividade acolhedora dos verdadeiros líderes… outra vez a ideia do equilíbrio das forças complementares, de novo os encaixes… tudo se encaixa, assim é Os Enamorados.

*Sabrina Carvalho, autora da coluna SabbraCCadabra, é editora de livros e taróloga. Ministra aulas de iniciação ao Tarô e realiza leituras com os Tarôs Raider-Waite, Thoth Tarot Deck (de Aleister Crowley e Lady Frieda Harris) e Cartas do Caminho Sagrado.

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