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Oficina e workshop gratuitos de dança encerram inscrições esta semana

aereo improvisado_fotografia de Gabriel Santana
Foto: Gabriel Santana/ Divulgação

Estão abertas até esta quarta (12) as inscrições para a oficina de iniciação em dança “Multiplicando olhares sobre o corpo que dança”, para pessoas cegas e sem deficiência aparente. Na sexta, dia 14, encerram as inscrições para o workshop “Estar Suspenso”, um trabalho que une dança e acrobacias circenses em equipamentos aéreos, numa busca por novas conexões com o movimento. Os dois projetos são do grupo de artistas do Coletivo Lugar Comum e têm incentivo do FUNCULTURA, fundo de incentivo cultural do Governo de Pernambuco.

As aulas da oficina “Multiplicando olhares sobre o corpo que dança” terão início no dia 19 de agosto e acontecerão sempre às quartas-feiras, durante quatro meses. Para se inscrever basta enviar breve currículo e carta de intenção (com 10 linhas no máximo) destacando também se a disponibilidade de horário do aluno ou aluna é nas quartas pela manhã ou à tarde ou nos dois turnos. O endereço é multiplicando.olhares@gmail.com. As inscrições estarão abertas até esta quarta, dia 12 de agosto, e os alunos selecionados receberão retorno por e-mail até o dia 16 de agosto. São ao todo 20 vagas, sendo dez vagas para pessoas cegas. A oficina é voltada para alunos iniciantes, a partir dos 16 anos, interessados em compartilhar novas experiências e novos olhares sobre o corpo e o movimento. As aulas e a inscrição são gratuitas e acontecerão na sede do Coletivo Lugar Comum, na Rua Capitão Lima, 210, no bairro de Santo Amaro, Recife/PE.

Já o workshop “Estar suspenso”, que une a liberdade do improviso na dança aos aéreos circenses, está com inscrições abertas até esta sexta (14). Um trabalho que se alimenta da dança como improviso e também da técnica das acrobacias circenses em equipamentos aéreos, numa busca por novas conexões com o movimento. A iniciativa, projeto do Coletivo Lugar Comum, trará ao Recife a atriz, bailarina e acrobata Carol Cony (RJ). Terá duração de dois dias e vai acontecer nos dias 22 e 23 de agosto, das 9h às 13h, na sede do Espaço Vila, Rua Radialista Amarílio Nicéas, nº76 (em frente ao prédio da TV Jornal), em Santo Amaro, Recife/PE. As inscrições são gratuitas e podem ser feitas através do formulário disponível no blog aereoimprovisado.wordpress.com ou direto através do link aereoimprovisado.wordpress.com/inscrições/. A seleção dos 15 participantes será feita pela equipe do projeto e o resultado final divulgado no dia 17 de agosto, próxima segunda. Durante o encontro os participantes poderão vivenciar uma nova maneira de se movimentar sobre os aparelhos aéreos com exercícios voltados para a composição cênica. Os alunos entrarão em contato com novas possibilidades criativas, tanto no chão quanto nos aparelhos aéreos circenses (trapézio e tecido acrobático), podendo dar continuidade ao trabalho em sua pesquisa pessoal. Carol Cony vive no Rio de Janeiro desde 2003 e atuou no elenco do grupo de circo Intrépida Trupe, de 2006 a 2011. Participou de importantes festivais nacionais e internacionais como: Festival Europália (Bélgica-Bruxelas), Festival de Teatro de Quito (Equador), Festival Mundial de Circo de Belo Horizonte (MG), Festival de Teatro de Curitiba (PR), Festival de Circo do Brasil (PE-Recife), Festival Internacional SESC de Circo (2013), entre outros. Dirigiu e atuou no espetáculo Circo Strada, que realizou duas temporadas no jardim do Museu da República (2012/13) atingindo mais de 400 pessoas por dia. Entre os prêmios recebidos estão o de melhor número de circo na mostra do Fil, com o número de trapézio Tarja Preta em 2012 e melhor companhia profissional com o número de trapézio “Juguete para dos Nenas”, com Juliana Medella e dirigido por Raquel Karro.

MULTIPLICANDO OLHARES SOBRE O CORPO QUE DANÇA – A oficina de iniciação em dança “Multiplicando olhares sobre o corpo que dança” vai abordar aspectos teóricos sobre o movimento, anatomia e diferentes técnicas presentes no universo e na história da dança através da leitura de textos e discussões, além de exercícios práticos desenvolvidos a partir da experiência corporal das artistas Maria Agrelli, Renata Muniz e Silvia Góes, do Coletivo Lugar Comum. Ao todo são quatro meses de aulas práticas e teóricas de iniciação em dança dedicadas ao desenvolvimento de um trabalho de conscientização pelo movimento em que a sensibilização aconteça também pela troca em sala de aula entre pessoas cegas e outras pessoas sem deficiência aparente interessadas na experiência de compartilhar descobertas corporais a partir deste encontro.

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Espetáculo de dança LEVE, do Coletivo Lugar Comum. Foto: Sílvia Góes/ Divulgação

O projeto, incentivado pelo FUNCULTURA, engloba também a realização de eventos artísticos na sede do Coletivo Lugar Comum, somados a debates e discussões focados prioritariamente no público cego, cuja voz será o norte para novas propostas que possam transformar a relação de sua presença nos espetáculos de dança com acessibilidade oferecidos em Pernambuco. A cada mês, grupos e artistas que já apresentaram espetáculos com áudio-descrição ao longo de sua trajetória serão convidados para um evento artístico, com apresentações seguidas de debates. A proposta é que o encontro se consolide como um espaço aberto para troca de saberes entre profissionais das artes cênicas que têm interesse em investir em acessibilidade, profissionais da área de acessibilidade propriamente dita e o público cego da cidade, criando um território onde dar e receber se misturem, proporcionando assim um melhor conhecimento das necessidades e desejos particulares e compartilhados no sentido de impulsionar a presença das pessoas cegas nos espetáculos e teatros locais.

Além de aproximar o público cego da vivência corporal em dança trazendo elementos de técnicas diversificadas, o projeto “Multiplicando olhares sobre o corpo que dança”, através das discussões e de um Blog que será alimentado ao longo da trajetória, vai traçar um panorama sobre facilidades e dificuldades, acertos e erros na busca pela garantia da acessibilidade aos espetáculos como direito do público cego e prioridade de investimento dos grupos e artistas de Pernambuco. Tudo isso poderá servir de instrumento para qualquer artista, produtor, grupo ou entidade pública ou privada que pretenda ampliar a presença do público cego às obras criadas e apresentadas no Estado, fazendo com que o desejo da troca se realize e os equipamentos de áudio-descrição nos espetáculos sejam mais do que recursos silenciosos esperando ansiosamente por um público que não chegou ainda.

FOTO: espetáculo de dança LEVE, do Coletivo Lugar Comum, o primeiro de dança em Pernambuco que realizou uma temporada inteira com acessibilidade. Fotografia de Silvia Góes.

ESTAR SUSPENSO – A realização do workshop “Estar suspenso” integra a programação do projeto de pesquisa “Aéreo Improvisado”. A proposta parte da fricção, da interseção e descoberta de atravessamentos entre o Contato Improvisação (assim como outras práticas ancoradas no improviso e utilizadas no treinamento do corpo que dança) e a técnica do trapézio e tecido acrobático, com a proposta de subverter o uso do aparelho aéreo circense, gerando novas criações. Serão ao todo seis meses de trabalho, com atividades abertas a artistas, estudantes e professores de circo e dança e ao público em geral interessado na prática da acrobacia aérea. O projeto, idealizado pela artista Lorena Cronemberger, do Coletivo Lugar Comum, com incentivo do FUNCULTURA, envolve treinamento técnico dos aparelhos com encontros semanais; orientação prática de Contato Improvisação com a bailarina Liana Gesteira (Coletivo Lugar Comum – PE); além de uma mini residência e deste workshop com a bailarina e acrobata Carol Cony (RJ) e mais uma apresentação pública dos resultados ao final do percurso. É circo e dança, voo e salto, mergulho e contato. A subversão do encontro no movimento do ar. Ventos, balanços, pesos e raízes, criando espaços outros, próprios, tempo e gravidade desenhando assombros, horizontes verticais na expressão do corpo artístico em criação constante.

Na próxima semana, antecedendo a realização do workshop, de 17 a 21 de agosto, acontece uma mini residência, proporcionando um encontro de experiências entre a pernambucana Lorena Cronemberger e a artista Carol Cony. As práticas serão focadas na construção de um corpo extra-cotidiano e cênico no aparelho aéreo, subvertendo os movimentos tradicionais e criando uma pesquisa baseada nas diferentes qualidades de movimentação, com o intuito de gerar “aberturas criativas” durante o processo a partir dos movimentos-seqüências vivenciados sobre, sob, ou em torno do aparelho.

A orientação prática de Contato Improvisação conta com a participação da bailarina Liana Gesteira, que atua em Pernambuco e vive a dança há mais de vinte anos. Liana é artista integrante do Coletivo Lugar Comum desde 2009. É especialista em Dança pela Faculdade Angel Vianna/Compassos (2011). Iniciou seus estudos em dança pela técnica de balé clássico em 1990. Profissionalmente integrou o elenco do Grupo Experimental (1999/2001), o Grupo Grial (2003/2005) e a Cia. Etc (2009 a 2012) desenvolvendo sua formação na área de dança contemporânea. Entre 2005 e 2008 residiu em Brasília, desenvolvendo sua formação na área de dança contemporânea a partir de aulas com Luciana Lara (ASQ Companhia de Dança) e de Contato e Improvisação, com Giovani Aguiar (DF). Entre 2011 e 2013 aprofundou seu conhecimento em Contato Improvisação tendo aulas com os professores Ricardo Neves (SP), Eckhard Muller e Daniela Schwartz (ARG), Paulo Mantuano (RJ), Hugo Leonardo (BA), Camillo Vacalebre (Ita), Duda Freyre (PE), Autarco Arfini (ARG), Guto Macedo (RJ), Ana Alonso (SC) e Catalina Chouhy (URG). Em 2013, foi coordenadora geral do “Contato Coletivo – I Encontro de Contato Improvisação de Pernambuco”, promovido pelo Coletivo Lugar Comum em Olinda.

O projeto, incentivado pelo FUNCULTURA, fundo de incentivo à cultura do Governo de Pernambuco, acontece a partir de uma parceria com o Coletivo Lugar Comum e o Espaço Vila.

“A ampliação da prática de aéreo é um desafio, dado que se trata de uma prática onde a técnica é utilizada de forma limitada, em contradição com o risco que a atividade abarca”, diz Lorena Cronemberger. “O Contato Improvisação desenvolve um trabalho corporal de conscientização e potencialização da presença a partir do diálogo físico entre duas ou mais pessoas e trazer o Contato Improvisação para essa pesquisa tem como pressuposto ampliar a interação do artista circense com o próprio aparelho, entendendo-o como um outro corpo. Além disso, o trabalho de Contato Improvisação desenvolve no indivíduo a capacidade de realizar movimentos físicos com mais consciência e paciência. Também auxilia no desenvolvimento da expressividade, propiciando um momento em que a pessoa possa mergulhar de maneira mais aprofundada nas próprias ações, atitudes e imaginação”, completa.

O Contato Improvisação foi proposto em sua origem por Steve Paxton, dançarino e coreógrafo americano, em 1972. Ele estava interessado em descobrir como a improvisação em dança poderia facilitar a interação entre os corpos, suas reações físicas, e em como proporcionar a participação igualitária das pessoas em um grupo, sem empregar arbitrariamente hierarquias sociais. Paxton chamou a dança de contact improvisation porque descrevia exatamente o que eles estavam fazendo. Ele buscava explorar os aspectos físicos no trabalho como valor neutro: o que era possível fazer, e não o que pareceria esteticamente. De acordo com Paxton, “a estética ideal do Contato Improvisação é um corpo totalmente integrado”. Steve Paxton nasceu e foi criado no Arizona, e trouxe muitas linhas de treinamento do movimento em sua dança. Foi atleta, ginasta, artista marcial e um dançarino moderno. No início de 1960, Steve dançou na companhia de Merce Cunningham e participou das transformações da dança nos anos 60 no mundo.

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