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Maria Clenice Viana Valadares – 70 anos de poesia

Silêncio da noite_fotos Juvenil Silva-1330
Foto: Juvenil Silva

Luzes piscantes na noite
barulho urrante no dia
Dentro da noite
Dentro do dia
Estás perdida
Oh! Maria

Dentro da morte
Dentro da sorte
Sairás viva?
Oh! Maria

Maria das Graças
Maria das Dores
Maria da PAZ.
Sendo Maria também
que destino me convém?

 

clene valadares
Foto: Arquivo Clenice Valadares

Expectativas
Nasci…
Antes de mim
olhos verdes nasceram
morreram.
Meu pai queria homem.
Eu? Mulher.
Morena
índia
como minha bisavó.
Esquecida
amada pela empregada: negra
Me assumi
“eu sou morena”…
um pouco racista morena
reagia…
A África eu escolhia
reprimida.

O tan-tan me atraía
tan-tan, tan-tan, tan-tan…
nidez e simplicidade
índia
igualdade, pureza
natureza.

A Europa eu vi
nós a tínhamos construído.
Vencidos por um poder branco
que nos aliena:
-“Ela é linda
parece de porcelana”.

Nasci…
Mãe branca, rica,
linda,
me abandonou.
Mãe preta
a feia mais linda do mundo
me adotou
me cuidou
me limpou
me amou.
Me disse:
sempre fiques com o mais fraco.
Era doméstica
preta, pobre
oprimida.

E eu nunca tive dúvidas
de quem era minha mãe.

 

clenice valadares
Foto: Arquivo Clenice Valadares

Porteiras
Quero um mundo sem porteiras
onde eu possa simplesmente
cavalgar no mar, navegar, voar
livremente encontrar
Anaíra, Anairá, lá, lá, lá, lá.

Quero um mundo sem porteiras
Onde os sem eira nem beira
possam também respirar, nadar
livremente encontrar
um Nirvana popular.

 

Poluição
Poluição
Ataca meu coração
tira até o meu tesão
Maldita poluicão!

poluição
Dá dinheiro, dá carrão
Mas destrói o meu pulmão
essa tal poluição!

poluição
que turva minha visão
tira a força do meu não
Tirana poluição!

 

Não vou esperar J.C pra me defender
Eu
De Madalena não tenho nada.
Sou uma mulher liberada
que enfrenta
a multidão
de apedrejadores
com uma pedra na mão
e a perna no ar
para revidar.

 

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