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Livros de Colorir não são Arteterapia

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Por Emília Gontow*

Os livros de colorir lotaram as prateleiras das lojas e estão fazendo sucesso. Porém, com seu surgimento vieram também equívocos no que diz respeito aos benefícios que esta forma de passatempo oferece. Nas capas destes livros estão estampadas palavras como Arte, Arteterapia e Criatividade. É preciso esclarecer.

Estes livros são bonitos e podem divertir, lembram nossa infância e antigas atividades de lazer – formas de passatempo. Imagino que vieram para ficar, pois brincar com as cores e material para colorir é muito bom. Podem acalmar, colaborar na concentração e até instigar a imaginação para posterior criação. Mas eles não são arte e muito menos Arteterapia.

A Arteterapia surgiu no Brasil no final da década de 60 e, assim como a arte, que é pouco explorada na nossa cultura, ainda não é bem compreendida. As palavras arte, terapia e criatividade são usadas nas diferentes expressões informais do dia a dia, porém na prática contém especificidades. Na hora de se divertir com os livros de colorir, pode parecer não ser importante, mas o esclarecimento é fundamental para estar ciente do que se está fazendo ou “consumindo” e quanto às terapias a procurar.

POR QUE LIVROS DE COLORIR NÃO SÃO ARTETERAPIA E PODEM APRISIONAR A CRIATIVIDADE?

Criatividade significa capacidade de criar, gerar um novo ser ou objeto. Os desenhos dos livros de colorir já vêm criados, não são formulações da pessoa que pinta, esta apenas os colore.

Arte é criação pessoal, representação ou nova interpretação; envolve conhecimento da história, intenção e proposta do artista, que se, até um período, tinha a ver com o belo, no início do século passado com os horrores das guerras, perdeu este compromisso. Por isso, não podemos dizer que este passatempo estimula a criatividade e que seja arte.

Arteterapia é expressão criativa, nasceu justamente para desmanchar o desenho pronto (estereotipado) da pessoa, devolvendo-lhe a própria identidade, simbologia e metáforas. São usados recursos artísticos nas áreas visual, musical, poética, dança e teatro, com finalidades terapêuticas, a fim de propiciar expansão da consciência, mudanças psíquicas, resolução de conflitos internos, desenvolvimento da personalidade e autoestima de pacientes, clientes, familiares, profissionais e cuidadores. Só é assim concebida quando o processo é conduzido por um arteterapeuta formado, o que ocorre em nível de especialização, e capacitado para oferecer o ambiente preparatório, pensamento terapêutico, materiais específicos para tal, propostas, acompanhamento adequado e reflexão final fundamental.

E COMO FUNCIONA A ARTETERAPIA?

A Arteterapia atua nas emoções em desequilíbrio, situações traumáticas, nas patologias e distúrbios de comportamento, déficit cognitivo e físico. Os arteterapeutas atendem em clínicas, hospitais, organizações não-governamentais, aldeias, escolas, universidades, em grupos informais e consultórios; em parceria ou não com outros profissionais da área da saúde. As propostas para o cliente abrangem uma gama enorme nas diversas técnicas de desenho, pintura, montagem, colagem, gravura, cerâmica, fotografia, canções, escrita, expressão corporal e outros.

Os primórdios da Arteterapia (1870) são tecidos por médicos, psicanalistas e psicólogos, mais tarde, por pedagogos e educadores que atestaram a importância da arte na vida humana como função estruturante, que revela possibilidades e aponta para o novo. O objetivo era libertar crianças e adultos de desenhos e pinturas que não fossem pessoais. Constitui-se como terapia e não objetiva a estética; o foco é o processo do paciente e não análise da obra de arte. É reconhecida como profissão pelo Ministério do Trabalho e uma busca simples na internet nos coloca em contato com Associações de arteterapeutas na Itália, Canadá, Estados Unidos, Portugal, Brasil, entre outros.

Assim, os livros para colorir servem para colorir desenhos prontos, produzidos por outra pessoa. Arteterapeutas apontam que estes livros aprisionam a criatividade e estimulam o famoso “não sei desenhar”, limita o olhar ao desenho “perfeito”, mantendo a pessoa estagnada, já que criar incomoda, dá trabalho. Um livro para colorir serve para o que diz: colorir.

Nunca atuará efetivamente na transformação psíquica de uma pessoa. Em época de produção e consumo rápido como a nossa, é fundamental que se diga que os livros de colorir não trazem o aprofundamento necessário às mudanças decorrentes de uma terapia, que demanda tempo e o profissional adequado.

*Emília Gontow é Artista Plástica, Arteterapeuta, Taróloga Terapeuta e Terapeuta Floral.
Contatos: emiliatarot@gmail.com / (51) 9612.3926 – Porto Alegre/RS