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‘Lágrimas sobre Macondo’

Por Haroldo Barros
http://haroldobarros.wordpress.com/

O mundo dá adeus a um dos maiores mestres da literatura: Gabriel Garcia Márquez

“Choveu durante quatro anos, onze meses e dois dias. Houve épocas de chuvisco em que todo mundo pôs a sua roupa de domingo e compôs uma cara de convalescente para festejar a estiagem, mas logo se acostumaram a interpretar as pausas como anúncios de recrudescimento. O céu desmoronou-se em tempestades de estrupício e o Norte mandava furacões que destelhavam as casas, derrubavam as paredes e arrancavam pela raiz os últimos talos das plantações. Como acontecera durante a peste da insônia, que Úrsula dera para recordar naqueles dias, a própria calamidade ia inspirando defesas contra o tédio.”

GaboO trecho acima, extraído do livro Cem Anos de Solidão, retrata bem o estilo marcante de Garcia Márquez, que mistura situações e acontecimentos fantásticos com a ora angustiante ora enlevante realidade interior em que se debate a humanidade. A própria natureza ganha personalidade, às mais das vezes uma personalidade inconstante e caprichosa. E em meio a esse cenário, Garcia Márquez criou alguns dos mais incríveis e apaixonantes personagens da literatura universal.

Gabriel Garcia Márquez, o Gabo, como era carinhosamente chamado por amigos e admiradores, nasceu na cidade colombiana de Aracataca, no dia 06 de Março de 1927, Domingo, às nove horas. Foi jornalista e ativista político, além de escritor.

Gabo era Pisciano com Júpiter oriental, tendo Sol, Júpiter, Mercúrio e Urano em Peixes.

Sol e Júpiter estão em conjunção, assim como Mercúrio e Urano, todos na Casa XI de seu Mapa Natal Astrológico.

Isso já diz muito do escritor que reinventaria a própria literatura latino-americana, com seu Garicia Máquezestilo irreverente e revolucionário, sempre imitado, nunca igualado, já que a Casa XI está relacionada com as revoluções e invenções. Mas sobretudo a casa XI é associada à Humanidade. E é óbvio que Gabo escrevia com esse gosto de humano que lhe é tão característico. Não o humano comum. Mas o Humano pleno, cheio de significados, que nos preenche de riqueza poética e crua beleza.

Certamente o mais marcante astro do seu Mapa é a Lua, em posição dominante, próxima nove graus do Ascendente (três graus de Touro). Isso explicaria a influência dos avós maternos, de quem herdou o gosto pela histórias, assim como a avassaladora e muitas vezes absurda força de suas imagens literárias.

Netuno, mestre da fantasia, está no final da Casa IV, mas tão próximo ao início da Casa V que poderemos considerá-lo efetivamente aí, na Casa V, a casa da criação, do prazer, do lúdico e da arte. A fantasia netuniana permitiu a Gabo, portanto, brincar com seus personagens, criar para eles situações inverossímeis ou mesmo impossíveis. E mais, Netuno está em trígono (ângulo de cento e vinte graus, altamente positivo e estimulante) com a Lua. Então os personagens de Gabo são de fato inverossímeis, porém capazes de criar fortes vínculos com o leitor.

Esse trígono Lua-Netuno parece ser marcante na vida e na carreira de Garcia Márquez. Em 1955, quando Plutão passava o sobre o Netuno, ativando a configuração, foi lançado o seu primeiro romance, O Enterro do Diabo.

E foi em 1982, quando o planeta Netuno, nos céus, alcançava o grau 24 do signo de Sagitário, fazia trígono com a Lua e com o próprio Netuno no Mapa de Gabo. Isso formou uma configuração rara, chamada Grande Trígono, um grande triângulo azul. Sob essa configuração, Gabo recebe o Prêmio Nobel de Literatura, pelo conjunto da obra. Uma justa premiação, o reconhecimento universal para um dos maiores nomes da literatura mundial em todos os tempos.

Surpreendentemente, Garcia Márquez questionava o conceito de realismo mágico ou fantástico, aplicado aos seus escritos.

“Só realismo. A realidade é que a mágica. Não invento nada. Não há uma linha nos meus livros que não seja realidade. Não tenho imaginação.”

Fácil falar, para quem tem a Lua dominante. Pergunte a um peixe o que é água e ele dirá que não tem a menor ideia. Da mesma forma, a magia o permeava inteiramente e, o que é mais rico e significativo, ajudava-o a manter o contato com a realidade.

Note-se ainda a presença do transformador planeta Plutão na Casa III, casa da comunicação, em trígono com a conjunção Sol-Júpiter. Isso traduz o impactante poder da mensagem literária de Gabo, capaz de virar e revirar o coração e a mente dos seus mais de quarenta milhões de leitores, espalhados por todo o mundo e que falam quase quarenta línguas.

Essa capacidade de jogar com a luz (Sol) e a sombra (Plutão) humanas foi capaz de criar e retratar condições humanas tão verdadeira e díspares quanto as intempéries da aldeia de Macondo (Cem Anos de Solidão), o dedicado amor de Florentino Ariza (O Amor nos Tempos do Cólera), o absurdo sofrimento de Erêndira (A Incrível e Triste História de Cândida Erêndira e Sua Avó Desalmada) ou a solidão e penúria do Coronel (Ninguém Escreve ao Coronel).

erendiraAo lado, cartaz do Filme “Erêndira” (Eréndira, México/Portugal/Alemanha, 1983), estrelado pela atriz brasileira Cláudia Ohana, uma das poucas obras que Garcia Márquez permitiu adaptar para o cinema.

 O mundo lamenta a partida de Gabo. Mas celebra a sua prodigiosa vida e inimitável talento.Tenho certeza de que fará suas as palavras do apaixonado Florentino Ariza, um de seus mais marcantes personagens:

“Só me dói morrer se não for por amor.”

Que não lhe doa morrer, Gabo. Ao menos que não lhe doa tanto quanto nos dói.

 

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