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[INTEGRANDO SAÚDE] Bhakti Yoga: Amor como Caminho Direto (parte 01 – O livro do Amit)

Fonte da imagem: Pixabay

Por Gabriela Sencades Migge* |

Recentemente li um livro muito interessante que me despertou para uma concatenação de muitas ideias, links e insights, resultando por fim nos escritos desta série de artigos que vou publicar aqui no Portal Flores no Ar, na sequência, mensalmente. Trata-se do livro cujo autor é o Físico Amit Goswami, intitulado “O Universo Autoconsciente, Como A Consciência Cria o Mundo Material.”

Apesar de gostar muito dele, para mim não foi um livro muito fácil de se ler, pois à  medida que o livro avança, o autor vai entrando e aprofundando conceitos da física clássica (que entendi já superadas), assim como da nova física que desponta em nosso século atual (o XXI), que é a física quântica.

Confesso que fiz um esforço para entender esses novos conceitos e paradigmas que a física quântica revela, pois nunca fui grande apaixonada pelas ciências exatas, na verdade sempre fugi delas. Iniciei minha vida acadêmica na área de humanas e hoje me encontro totalmente imersa e fascinada pela área da saúde. Porém, quando se é de humanas, até dá pra escapar das exatas, mas dentro da saúde…

Ainda mais quando entendemos saúde no seu sentido mais amplo, pois tendemos a ir fundo na investigação do que é vida, corpo e, principalmente, consciência. Conceitos de filosofia acabam emaranhando-se na matemática a fim de respaldar e produzir provas de sua veracidade, acarretando então no que chamamos de ciência.

Tal ciência tenta explicar a formação das galáxias, dos mundos e de todos os seres. Vão investigando e desconstruindo seres e objetos em moléculas, átomos, prótons, nêutrons, elétrons, até a menor partícula, a fim de entender como se constroem todas as coisas.

Como o universo se constrói? Como se expande? Como se contrai? Existe um só mundo? Quantos mundos mais existem? Do que são feitos? E a nossa realidade? O que faz dela ser real?

A todas essas perguntas a ciência avança nos campos ideal e material a fim de se entender melhor o “mistério” que é a vida. À medida que a humanidade vai avançando, vamos lançando luz a muitos questionamentos, mas sempre às custas de muitos debates e paixões arraigadas sobre a própria constituição dos mundos, por exemplo.

Nesse panorama estamos vivendo uma disputa entre o paradigma materialista e idealista. E todo o trabalho do livro do Amit baseia-se em apresentar essa grande disputa por conta do desejo de ser dono da razão e a perda de tempo que é tentar se segurar a coisas já há muito ultrapassadas, mas que um dia serviram de constatação. Assim, agradecemos e fluímos. Lembrar do passado é importante e fundamental para o processo de aprendizagem, porém se agarrar a ele é querer viver com fantasmas assombrados, não permitindo que caminhemos o fluxo natural da vida que se expande e se recolhe em seu ritmo próprio.

Estamos vivendo uma grande mudança de paradigmas e o Amit, com a excelência de um mestre, vai discorrendo ponto a ponto, algumas vezes com conceitos matemáticos (que deram o maior nó na minha cabeça, mas superei sem muito sofrimento. Só um pouquinho! Rsrsrs), inclusive de como deixamos de ser essencialmente materialistas e imergirmos em uma caminhada que podemos entender (comprovar e explicar) como sendo um mundo baseado no monismo idealista.

Tal idealismo viria exatamente com a percepção do que seria consciência. Seria apenas um epifenômeno do cérebro (como afirmam os materialistas)? Ou seria algo não-local, prévio à matéria, talvez?

Assim, a entrada da consciência como pauta de estudos no mundo da ciência vem causando espanto, críticas e medos, pois retira de muitos o dogma da matéria (em que esta seria real, palpável e prática). A vida parece que deixa de ser meramente uma equação matemática e passa a produzir fenômenos que desafiam a lógica de qualquer sistema.

E para entender esse novo paradigma a humanidade precisa dar um mergulho profundo para dentro de si. Mergulho este que o Amit considera uma reconexão profunda com estruturas que estão dentro de nós mesmos. Seria uma espécie de chave fundamental para o esclarecimento de várias questões. A meu ver, a consciência seria a ligação que os taoistas chamam de conexão entre o céu e a terra (sutil e matéria). A partir desta conexão revelaríamos pontos chaves para nosso natural fluir no mundo, entendendo, por exemplo, o que somos e qual o nosso papel no mundo. Que são questões chaves para a ciência.

Assim, a aproximação entre ciência e espiritualidade ganha destaque fundamental na revelação de tais questões. Parece inevitável não olharmos agora para essa expressão sutil, como já orientavam escrituras antigas, como o Bhagavad Gita, e mestres milenares, chamados de “místicos”, mas que tiveram papel fundamental para toda evolução humana, como Lao-tzu (escritor do Tao The King), Buda, Jesus, São Francisco de Assis e os contemporâneos como Gandhi, Madre Tereza, o XIV Dalai Lama dentre muitos outros.

Todos estes implementaram em sua cultura novos paradigmas (novas formas de ver o mundo), influenciando uma grande mudança de pensamentos e hábitos que fundamentam até hoje as bases éticas, culturais e sociais do mundo. Esses seres não vieram para pregar essa ou aquela ordem ou religião, vieram para agir. E, através de seus exemplos, tomamos para nós as suas ações norteadoras de sabedoria e compaixão.

Espiritualidade aqui transcende o conceito de religião, mas não o descarta, pelo contrário o inclui também. Pois a espiritualidade irá perpassar o conceito de ego e realidade, alcançando algo não-localmente fixado, algo essencialmente livre de conceitos e eminentemente criativo. A essa criação que brota em nossa consciência e permeia todas as coisas, vamos chamar de ação divina e o criador vamos chamar de Deus.

Deus, nesse sentido, não seria alguma entidade que manda, desmanda, coroa ou castiga e que deveríamos agradá-lo. Não se trata disso. Deus não seria um ser temporal e local, no sentido da nossa existência. Este não estaria em um lugar que pudéssemos apontar e dizer isso é Deus, pois Deus estaria livre de qualquer construção egoica do ser, como se dá na construção de um ídolo.

Deus não é isso e aquilo, Deus apenas É.

Deus não está neste ou naquele ser ou lugar. Deus permeia todos os seres e lugares.

Deus não pertence a esta ou àquela religião. Deus é partida, caminho e chegada para todas elas.

Dessa forma, Deus seria praticar e servir, com plenitude de realização, a sabedoria e a compaixão. Sendo que há vários caminhos e escolhas para realizar Deus, porém o seu caminho mais direto, sem dúvida, é através do Amor e aqui quero deixar um trecho do livro do Amit em que ele faz a introdução à prática do caminho do amor:

No Bhagavad Gita, Kristna faz um comentário altamente revelador para Arjuna. Arjuna, diz ele, vou lhe contar um segredo de todos os segredos, o caminho mais direto para o despertar Buddhi. Ele consiste em praticar ver Brahman (neste contexto, traduza Brahman como Deus) em tudo e em todos e em servir a Brahman como devoto. Não há necessidade nem mesmo de meditação formal. Simplesmente, ame a Deus e sirva ao Deus em todos. (Isto se parece um pouco com a carta do jogo de Monopólio que diz: “Siga diretamente para a calçada de tábuas.”) (pág.292)

Nesse capítulo ele fala em seis formas de amar a Deus, da qual queria me ater junto a vocês, compartilhando meus pequenos insights sobre cada forma de realizar Deus através do amor, considerando estas formas mais rápidas e eficazes de superarmos toda carga de sofrimento e realizando em cada uma delas compaixão e sabedoria.

As formas consideradas por Amit são:
1. Amar a Deus amando a si mesmo;
2. Amar a Deus através do serviço;
3. Amar a Deus através da amizade;
4. Amar a Deus da relação Mãe–filho;
5. Amar a Deus através de um relacionamento erótico;
6. Amar a Deus através da relação com a natureza.

Tais formas não são formas finais, únicas e exclusivas de amar a Deus, as possibilidades são infinitas e cada um realiza esse amor divino à sua maneira. Mas me parece urgente e importante que tragamos consciência para esse amor, na intenção de que nossas vidas sejam orientadas plenamente por tal vibração que é pura criação, movimento e alegria. Ela é o que trará de volta nosso “reencantamento” pela vida.

Até breve!

PS: Existe um programa no Youtube, chamado “O Porquê das Coisas”, que achei bem interessante para olharmos e simplificarmos alguns conceitos de física quântica. Aos interessados, deixo aqui algumas explicações interessantes que nos iniciam nessas discussões:

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