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Homenagem a Zé Rabelo

Por Luciana Rabelo
luciana.rabelo@gmail.com
laboratorio zé rabelo
Fotos: Jaime Rabelo

Neste 14 de março, dia da Poesia, tive a honra e o prazer de participar em Arcoverde da inauguração do Laboratório de Autoria Literária José Rabelo de Vasconcelos, evento parte da Pré-Jornada Literária Portal do Sertão 2014, promovida pelo Sesc.

Quem conheceu Zé Rabelo, sabe o porquê do meu contentamento. Grande professor, advogado, orador, poeta e ator, o inflamado Rabelo, com todo o seu amostramento, vozeirão, inteligência e talento, deixou sua marca por onde passou. E, como um autêntico sábio cigano, plantou em muito canto.

Nascido em São José do Egito, em 1932, viveu em Tuparetama, Pesqueira, Serra Talhada, Nazaré da Mata, Caruaru, Recife, entre outras cidades, tendo escolhido a cidade de Arcoverde para viver a maior parte dos seus dias.

Logo cedo, para conseguir estudar o curso secundário, ingressou nos Seminários de Pesqueira e Olinda. Destacando-se como aluno, começou rapidamente a lecionar. Com pouco mais de 20 anos foi diretor do Ginásio Cônego Torres, em Serra Talhada, onde também dirigia peças teatrais e atuava. Para mim a passagem de Zé Rabelo por Serra Talhada foi vital, pois foi através dele que mainha e painho se conheceram. Mainha, prima dele, na época residia em sua casa, pois Zé Rabelo era casado com a irmã dela, minha tia, Maria José (tia Deda). Painho (Zé Alves de Oliveira) foi aluno de Rabelo no Ginásio, e logo logo viraram grandes amigos.

Foi também diretor do Ginásio São José, em Nazaré da Mata. No início da década de 60 foi nomeado pelo bispo de Caruaru Dom Augusto para ser vice-diretor do Colégio Diocesano naquela cidade.

livros zé rabeloProfessor de Latim e de Literatura da Língua Portuguesa ministrou por vários anos o curso de Literatura de Cordel na Universidade Federal do Rio Grande do Norte. Na Autarquia de Ensino Superior de Arcoverde (AESA) – da qual também foi diretor – criou a cadeira de Literatura Sertaneja. Nesta mesma instituição lançou a Revista Peleja, especializada no gênero Cantoria. Foi um dos grandes entusiastas do Repente, realizando históricos Festivais de Cantoria em Arcoverde.

Como advogado criminalista, realizava verdadeiros espetáculos. Nas cidades do Sertão quando acontecia um júri onde Zé Rabelo seria o advogado de defesa as pessoas corriam para assistir ao show. Às vezes era necessário colocar um carro de som na frente do estabelecimento para transmitir o julgamento, tamanha a quantidade de pessoas que chegava para assistir ao ‘espetáculo’. E acabou inocentando, ou reduzindo a pena de um monte de gente. Como painho diz: “Zé Rabelo como advogado era um grande ator!”

Eu tive o privilégio de conviver com Zé Rabelo, que, além de primo, era meu tio e meu padrinho de batismo. Nos encontros familiares, quando tio Rabelo chegava, virava logo o centro das atenções. Eu pequena ficava muito admirada com ele. Falando com entusiasmo e muito alto, mesmo quando discorria sobre um fato corriqueiro, parecia que tava brigando, tamanho os gritos e amplidão dos gestos. E eu adorava observá-lo! A intensidade era uma de suas principais características!

José Rabelo de VasconcelosQuando engravidei de minha filha Luana, aos 21 anos, a primeira providência tomada pelos meus pais ao saberem da inesperada novidade, foi ligar pra tio Rabelo e tia Deda e convocá-los para uma conversa comigo e Léo, o pai de Lua. Ficamos lá, eu e Léo, de frente pros quatro. Mas naquele dia, não o ouvi falar alto, pelo contrário, nos acolheu como um verdadeiro padrinho, me deixando fortalecida e confiante diante dos desafios que me aguardavam. Lembro quando ele nos perguntou: “Vocês querem ficar juntos?” :)

Já um pouco mais velha, contagiada pela beleza da poesia popular, comecei a escrever versos rimados e metrificados. Os encontros com ele então passaram a ser verdadeiras aulas literárias. Recitando e conferindo as métricas nos dedos, como quem toca piano na coxa ou numa mesa, me contava sobre os gêneros literários e os grandes poetas sertanejos. O livro de sua autoria ‘O Reino dos Cantadores ou São José do Egito etc. Coisa e Tal’ tem sido cartilha no meu aprendizado poético.

É por tudo isso que estou enormemente feliz com a homenagem que o Sesc Arcoverde vem prestando a Zé Rabelo e à sua história, ao inaugurar o Laboratório de Autoria Literária José Rabelo de Vasconcelos, com o nobre objetivo de cultivar a Literatura Sertaneja.

A inauguração foi linda. O povo arcoverdense também aprovou a homenagem, lotando o auditório do Sesc durante a cerimônia de inauguração.

Gratidão e alegria é o meu sentimento e, com certeza, o de todos os familiares e amigos de Zé Rabelo.

*Luciana Rabelo é poeta, jornalista e editora do Portal Flores no Ar

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