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Franciscano

Por Tibério Ferreira

Acordei de um sonho minimalista e resolvi dar de tudo um pouco, o zelador foi o primeiro da lista, veio entregar a conta de luz e levou o microondas e um resto de cuscuz, depois veio a faxineira, limpou tudo e ainda me levou o som, roupa de cama e edredom. Na sequência me chegou o homem do gás, nem deixei ele descarregar o bujão e de lambuja levou o fogão, um pinguim, a geladeira não, estava etilicamente abastecida. Logo a notícia se alastrou como fogo no prédio, um vizinho que nem me cumprimentava no elevador, às vezes me evitava, bateu à porta alegando ter escutado barulhos de mudança e se eu precisava de ajuda, eu disse que sim, se ele poderia me aliviar da poltrona ele concordou e perguntou sobre o sofá ,eu disse tudo bem, mas deixe a almofada. Outro veio e levou o espelho e minha vaidade. E o dia correu todo assim, eu sentado numa cadeira (a única que restou) bebendo cerveja e recebendo “visitas”, deixei a porta aberta, estava cansado de me levantar. No fim do dia me restou a cadeira, a mesa (era pesada, de pedra e pés de ferro), alguns livros, vinis, minha generosidade, minha ironia (essa ninguém me leva), a frigidaire meio abastecida, minha sinceridade, um meio sorriso de desprezo , meu Sangue Azul (que ninguém ousou sugar) e o velho colchão onde deitei e dormi bem mais leve.

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