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‘Eu luto contra o machismo’

Por Elvira Freitas*

Ontem me disseram que o machismo não existe. Ontem tentaram me calar. Tentaram me calar dizendo que preciso ter dezoito anos e que nem tenho ”filho pra criar” pra poder falar alguma coisa, tentaram me calar dizendo que minha luta não existia, tentaram me calar dizendo que as pessoas que me escutam, me escutam por conta do meu pai, tentaram me calar dizendo que luto contra o machismo porque sou lésbica, tentaram me calar dizendo que me faço de vitima, tentaram me calar dizendo que sou dramática, tentaram me calar me chamando de louca. Tentaram NOS calar, dizendo que a NOSSA luta, nossa luta de TODOS os dias, não existe. Que achar machista chamar uma mulher de PUTA é puro equivoco. Eu não me calei. A gente não se calou. Não me calei, porque amo meu mundo o suficiente pra querer justiça. E querer justiça, meus amigos, é sim lutar. É sim lutar contra o machismo que existe, mata, estupra e DÓI. A gente luta (e SIM, eu posso falar que LUTO), porque moro no estado com o maior índice de violência domestica do país, luto porque meu país tem CINQUENTA MIL casos de estupro no ano. Lutamos, porque o nosso país está em sétimo lugar nos casos de ASSASSINATO contra mulheres, no mundo. Luto, porque MAIS da metade da população conhece uma mulher que já foi agredida pelo seu parceiro e conhecem um homem que já agrediu uma mulher. Eu conheço os dois. Eu não queria conhecer nenhum. Eu luto porque no ano de 2015 uma mulher, no MESMO emprego do homem, ainda recebe um salário menor. Eu luto poque quero poder ir até a padaria sem ouvir um homem dizendo uma coisa escrota (que todo mundo sabe que não é dita pra agradar). Eu luto por você, que apanha do seu namorado e compactua com o machismo. Eu luto por aquela menina, que a cidade julga sua personalidade pela sua vida sexual . Eu luto pelas prostitutas, que vivem como querem, que ganham seu dinheiro como querem, que não te roubam. Luto por todas as meninas que desenvolvem desturbios alimentares em busca de uma perfeição criada e machista, que faz da mulher um objeto para agradar o homem. Eu luto, porque não quero que minhas irmãs não tenham voz, não quero que minhas irmãs quando tenham sua voz elas sejam tachadas de loucas e que o motivo de lhe escutarem é qualquer um, MENOS a sua força, a sua garra e a sua luta. Eu luto porque não quero homem nenhum se sentindo no direito de nos chamar de putas, por sermos livres. Eu luto porque eu sou livre. E a gente sabe, que quando nos unimos, somos fortes, somos invencíveis. Luto, porque choro com o machismo que sinto na pele TODOS os dias, hoje. Ma não quero que minhas filhas, minhas irmãs de luta e de alma, chorem amanhã. E vocês, oprimidas por isso todos os dias, essa luta também é sua! Não se cale! Diferente do que nos ensinaram nossa vida toda, nós NÃO SOMOS SUAS INIMIGAS, nós somos suas irmãs, e estamos sempre aqui, contra TODO E QUALQUER TIPO DE OPRESSÃO. Nossa luta começa de casa, na escola, combatendo e rebatendo sempre as opressões. MACHISMO NÃO PASSARÁ! (Todas as pessoas das fotos apoiam nossa luta, a luta das mulheres! E a luta é real sim, e é constante!)

*Texto escrito em fevereiro de 2015

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