Fique por dentro das novidades do Flores no Ar!
  • Facebook
  • Twitter

Arquivos

Flores no Ar Logotipo do Portal Flores no Ar

  • Home  /
  • COLUNAS   /
  • [ESTUDOS ASTROLÓGICOS] Lilith, a Lua Negra

[ESTUDOS ASTROLÓGICOS] Lilith, a Lua Negra

Queen of the Night (Rainha da Noite) | British Museum

 

“Por que devo deitar-me embaixo de ti? Por que devo abrir-me sob teu corpo? Por que ser dominada por ti? Contudo, eu também fui feita de pó e por isso sou tua igual.” (Lilith)

| Por Lu Rabelo* |

Dia desses me peguei pensando em Lilith. Isso aconteceu justo quando eu estava lidando com algumas sombras minhas. Sombras difíceis de serem encaradas!

Fui atrás de conhecer melhor a história dela. E vi que alguns astrólogos utilizam Lilith na leitura do mapa. Particularmente, sinto que este é um importante ponto a ser observado e analisado.

Lilith não é um astro, e sim o ponto da órbita da Lua mais afastado da Terra. Um ponto vazio, conhecida como a Lua Negra, o lado oculto da Lua. Canto de segredos, mistérios.

Nas escrituras antigas, consta que Lilith foi criada junto com Adão (e não da costela dele, como Eva), tendo sido a primeira esposa de Adão, dessa forma, a mais antiga figura feminina da Terra . Acontece que Adão quis subjugá-la e Lilith não aceitou! Ela, indomada, foi simbora do Jardim do Éden, voando rumo ao Mar Vemelho. Ela é acusada de ser a serpente que levou Eva a comer o fruto proibido.

No I Concílio de Nicéia (ano de 325 d.C), presidido pelo imperador romano Constantino, e que reuniu bispos de várias regiões, condenaram, rejeitaram e retirararam dos escritos bíblicos os chamados evangelhos apócrifos (ou gnósticos), aqueles que, segundo o Concílio foram escritos sem a ‘inspiração Divina’ por irem contra os dogmas estabelecidos pelos bispos. Em um desses evangelhos, constava a história de Lilith, que foi banida dos escritos, passando depois a ser descrita como um demônio. Segundo relatos católicos medievais, ela tem a habilidade de cortar o pênis com sua vagina, representando ao mesmo tempo a liberdade sexual feminina e a castração masculina.

Possuidora de grande beleza, é considerada a concubina preferida de Lúcifer, e possui o título de Rainha do Inferno. Conta-se que Lúcifer concedeu a Lilith a Sabedoria Mística.

Lilith foi uma deusa muito cultuada na Mesopotâmia, simbolizando a sombra do inconsciente, o mistério, o poder, o silêncio, a sedução, os ventos e tempestades, a escuridão, a morte. Lilith aparece como um demônio noturno na crença tradicional judaica e islâmica, e como um espírito feminino vingativo em outras culturas como a hebraica. Ela também é retratada em diversas obras da literatura.

Inanna, deusa Suméria da guerra e do prazer sexual,  Ishtar (assírios e babilônios) e a deusa grega Hécate (responsável por guardar as portas do inferno) são algumas das representações de Lilith.

Lilith é algo como a face feminina de Plutão. Profunda, misteriosa, feiticeira, mulher! Representa a libertação, o poder feminino. Ela mexe com os carmas não resolvidos, vaidades, sentimentos de falta, abandonos… Questões de vampirização também são associadas a ela.

Ela é dona do próprio corpo, representa o desapego, aspectos ocultos de nossos desejos, a luxúria, a libertação. Cultuada dentro da alta magia, é tida como a primeira bruxa na história da humanindade.

“A palavra demônio suscita um sentimento de medo e muitas vezes tamanha aversão que percebo que é um tabu pronunciá-la. Porém, em especial quando este demônio é Lilith, paradoxalmente, esta aversão parece acobertar uma atração por conhecer, saber mais, ultrapassar limites. Lilith personifica para mim esse sentimento. Um medo e um fascínio expressos em uma mulher nua que tem aos seus pés uma cobra que lhe circunda. Percebo como algo ambíguo entre inocente e perigoso, ousado, desprovido de limites”, declara a psicóloga Paula Lira, especialista em Clínica Fenomenológica Existencial e mestra em Antropologial da Arte.

Diante de tudo que li sobre ela, e refletindo sobre algumas de minhas sombras e sobre o ser mulher na atualidade, vejo o quanto é preciso olhar para Lilith em nós, encará-la, aceitá-la, integrá-la! Essa mulher sexual, sedutora, dona do próprio corpo, que não se deixa dominar, que questiona, que é livre. Mulher que é temida, rebelde, não se curva, que assusta.

Nessa sociedade ainda tão machista, reconhecer Lilith em mim não é nada fácil. É um desafio! Mas adoro desafios!

Que Lilith nos dê forças para sermos quem somos em essência!

Obs.: A poeta pernambucana Cida Pedrosa lançou há alguns anos o livro ‘As filhas de lilith’. A publicação é composta por 26 poemas, um para cada letra do alfabeto, cada um protagonizado por uma mulher, de A a Z. Nos textos, Cida explora as diversas formas de opressão que nós mulheres ainda vivenciamos. Recomendo demais a leitura!

Fontes utilizadas na pesquisa:

https://pt.wikipedia.org/wiki/Lilith
https://www.dicionariodesimbolos.com.br/lilith/
https://www.viastral.com.br/materia/lilith-a-lua-negra-o-lado-oculto-da-lua-a-face-sombria-do-feminino/
http://oestranhocurioso.blogspot.com.br/2013/01/lilith-primeira-mulher-de-adao.html
https://portalfloresnoar.com/floresnoar/roda-de-conversa-do-amor-e-outros-demonios-com-paula-lira-a-partir-de-313/
http://www.semprequestione.com/2016/06/lilith-primeira-mulher-de-adao-teria.html.+

* Lu Rabelo é cantadeira, arteterapeuta, yogaterapeuta, aromaterapeuta, jornalista e editora do Portal Flores no Ar. É estudiosa de Xamanismo, Astrologia e Tarot.

3 Comments

Leave a comment