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[ENTREVISTA] Henrique Pereira, psicólogo junguiano, fala sobre o minicurso que ministrará em maio no Recife

Henrique PereiraO psicólogo clínico junguiano e doutor em Psicologia Social, Henrique Pereira (RJ), vem ao Recife ministrar, nos dias 12 e 13 de maio de 2017, o Minicurso ‘Os Deuses tornaram-se doenças: em busca de uma psicopatologia arquetípica. Para saber um pouco mais sobre o minicurso e conhecer melhor Henrique Pereira, confira a entrevista realizada pela psicóloga Alessandra Guimarães, especialista em Teoria e Prática Junguiana.

Quem é Henrique Pereira e com o que você trabalha?
Sou um carioca com raízes mineiras. Me formei em Psicologia pela UFRJ e obtive doutorado em Psicologia Social pela UERJ. Coordenei uma especialização em Psicologia Junguiana na Universidade Santa Úrsula. Atualmente trabalho como psicólogo clínico em consultório particular e leciono Psicopatologia e Psicologia Analítica na Universidade Estácio de Sá, no Rio de Janeiro, cidade onde vivo. Ofereço cursos e seminários sobre a Psicologia Analítica de Jung no Rio de Janeiro e em outras cidades. Também escrevo artigos e ensaios na área da Psicologia Junguiana. Tenho um livro publicado, cujo título é ‘Jung e o laboratório da alma: a psicologia analítica examinada pela teoria do ator-rede’ (Ed. Juruá).

Como você se interessou pela abordagem junguiana e pela psicopatologia?
Descobri Jung ainda adolescente ao ler ‘Memórias, sonhos, reflexões’. Alguma coisa que não sei definir me capturou, então, naquele texto; algo que até hoje estou tentando entender! (rs) O fato é que a leitura daquele livro me motivou a cursar a faculdade de Psicologia. Hoje, eu diria que o que me atrai na psicologia de Jung é primeiro sua concepção de uma psique fundamentalmente multifacetada, isto é, dividida em diferentes complexos e sujeita à influência de diversos padrões de fantasia (os arquétipos). O sujeito para Jung é portanto plural. Me interessa também – e este ponto é consequência do anterior – a abertura de Jung ao “outro”: teoricamente, a Psicologia Analítica é um enfoque que não se pretende único, absoluto, mas, em vez disso, reconhece a necessidade epistemológica de outras teorias para que tenhamos uma compreensão mais ampla da psique. E do ponto de vista prático, é notável a postura igualmente antidogmática de Jung de buscar adaptar a terapia para cada paciente em particular, respeitando assim a sua singularidade. Jung me atrai finalmente por sua coragem – seu caráter “daimônico”, diria James Hillman – de abordar temas malditos pela ciência, como a Alquimia, e por ter se aproximado de figuras também malditas, geniais, como Freud e Nietzsche (este último, ao nível teórico).

A Psicopatologia é literalmente a ciência que estuda o sofrimento psíquico. A abordagem psicopatológica da Psiquiatria, porque fundada num modelo médico, visa a grosso modo separar o sofrimento psíquico “anormal” do restante do conjunto da psique, tal como um corpo estranho, maligno, que deve ser extirpado do organismo. O enfoque de Jung é diverso: ele não divide inteiramente o pathos (sofrimento) da psyché (alma), mas encara o paciente em sua totalidade complexa. Chegou mesmo a dizer que “não é [a neurose] que é curada, mas é ela que nos cura”, sugerindo com isso que pode haver algo de significativo e de valor no sofrimento da alma. Hillman, por sua vez, identificou uma disposição espontânea, natural, na psique de enxergar uma parte de si como doente, anômala. A psique nesse sentido teria habitualmente uma tendência a encarar o próprio indivíduo e o mundo de uma perspectiva aflitiva, mórbida, que ele denominou “patologizar”. Tanto Jung quanto Hillman aportam algo de “trágico” ao entendimento da Psicopatologia, afastando-se portanto do modelo médico, apolíneo, da psiquiatria reinante.

O que o minicurso pretende abordar?
Este minicurso pretende apresentar a Psicopatologia da perspectiva da Psicologia Junguiana. Vivemos numa época de espetaculares e velozes inovações tecnocientíficas, algo jamais visto anteriormente na história da humanidade. A neurociência também avançou no conhecimento do cérebro nas últimas décadas, contribuindo para o desenvolvimento de uma psicopatologia psiquiátrica fortemente materialista, biológica. Assim, na prática clínica de psiquiatras e clínicos gerais, cada vez mais o sofrimento anímico tem sido reduzido a um problema orgânico e consequentemente tratado com a prescrição de drogas. O efeito disto é no mínimo duvidoso, segundo vários especialistas. Mas o que a Psicologia Junguiana tem a oferecer diante de tal quadro? Aqui entramos mais precisamente no conteúdo do minicurso. Sem negar o possível papel do corpo, a Psicologia Junguiana entende que devemos incluir a trama de fatores psíquicos individuais, culturais e arquetípicos na formação das doenças mentais. O curso abordará então condições como histeria, ansiedade e depressão desta perspectiva psicológica mais ampla, profunda, complexa. Se é verdade que “os deuses tornaram-se doenças”, como disse Jung, qual é então o “deus” por trás de um quadro, por ex., de histeria ou depressão? Que quer a psique quando se encontra angustiada, aflita, deprimida? São estes os tipos de questão que o curso pretende discutir.

Clique aqui para mais informações sobre o Minicurso ‘Os Deuses tornaram-se doenças: em busca de uma psicopatologia arquetípica’. 

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