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Entrevista com DeCo Nascimento sobre Arte Sonora

Confira entrevista com Deco Nascimento, artista que ministrará o curso de Introdução à Arte Sonora no Lumen Novum, dias 17 e 18 de Agosto.

1- Quem é Deco Nascimento?
DeCo Nascimento é artista sonoro, psicólogo, mestre em Artes Visuais e Multimedia pela Faculdade de Bellas Artes San Carlos em Valencia – ES. Atualmente sou doutorando em Arte, Produção e Investigação, colaborador do Laboratorio de Creacciones Intermedia e do grupo de música visual Pdp-11. Desenvolvo o projeto rua-redando-errabundeio que associa as práticas dos situacionistas no espaço público às novas tecnologias.

2- Como a música chegou a sua vida?
Comecei estudando violão clássico, mas fui mudando. Passei pro baixo, depois para o Cello e hoje abandonei tudo isso para fazer gravações de campos e produzir música visual e eletrônica, através de ruidos e sons do cotidiano. Além de explorar obras puramente sonoras, sejam escultóricas, instalações ou associadas à vídeo arte.

3- O que é arte sonora?
De maneira genérica posso definir a arte sonora como a reunião de categorias artísticas que estão na fronteira entre a “música” e outras artes, onde o som é o material dentro de um conceito expandido de composição. Nesta referência se origina um processo híbrido, entre o som, a imagem, o espaço e o tempo. Embora o termo seja recente, datando do final dos anos 70, as primeiras reflexões do som como elemento de composição para as obras de arte nasceram praticamente com a revolução industrial, e teve suas primeiras defesas com o movimento futurista. Daí se pode falar no grande manifesto em favor do som, a arte dos ruídos do italiano Luigi Russolo escrito em 1913, que evocava a necessidade de absorver os novos sons gerados pelas cidades modernas.

É importante saber que a arte sonora é uma categoria geral e não uma definição, porque podemos falar das esculturas sonoras, das paisagens sonoras, dos desenhos de som. Todos estão relacionados e inseridos nessa categoria. Além do mais ela, a arte sonora, é a arte da subjetividade e da interioridade, porque não precisamos escutá-la para que exista no espaço. E aí ela se diferencia da música, pois a música é escutada basicamente pelo ouvido. Enquanto que o som é absorvido por todo o corpo.

4- O que as pessoas vão ver no curso que você ministrará no Lumen Novum?
O curso será teórico e prático. Na primeira parte falarei o que é a arte sonora, de onde vem, quais os aspectos que a diferencia da música. Explicarei o que são os fundamentos da multimedia, e discutiremos os principais manifestos em favor do som, bem como a influência dos novos meios para a difusão de uma obra artística.

Na parte prática vamos fazer gravações de campo, compreendendo a importância do espaço público como material para a composição de uma peça sonora. Também falarei de softwares livres, ensinando passos básicos para edição e masterização dos sons capturados. Os participantes não precisam ter conhecimentos prévios em música ou em softawares de edição de audio, pois o som é a matéria que está presente em nossa rotina, nossa sobrevivência está associada a ele.

A composição será natural e associada a experiência pessoal de cada participante. Na prática também aprenderemos algumas técnicas de gravação e capturaremos sons não audíveis, para transformá-los em audíveis. Será uma grande experiência sonora.

5- Arte Sonora para quem?
O artista sonoro canadense Marquis defende seis arquétipos para o artista sonoro, são eles: o inventor de conceitos, o carpinteiro fabricantes de máquinas, o compositor de notas, o improvisador de gestos cênicos, o contemplativo do fenômeno sonoro e o contador de histórias. Diferente da música, a composição sonora é aberta e não está limitada pelo tempo. É uma experiência pessoal no espaço. Arte sonora é para todos, além do mais é uma possibilidade para a expansão da escuta.




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