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Chamado de Paz – Avó Maria Alice Campos Freire

(Fonte: A Voz das Avós - Conselho Internacional das 13 Avos Nativas)

Neste momento em que a guerra avança no mundo, o genocídio se mascara como uma guerra justa, os inocentes morrem violentamente e, o medo e o ódio ganham cada vez mais espaço, como podemos ficar calados ou insensíveis a tudo isto? Nós que somos humanos, que temos filhos e netos, irmãos e amigos, não podemos fechar os olhos, pois aquilo que acontece lá e afeta os jovens e crianças de lá, também é como se afetasse os nossos parentes, as nossas pessoas queridas, pois a dor que dói no coração de uma mãe, dói no coração de todas as mães, de todos os irmãos.

Este é um momento de concentração para todos nós, para toda a humanidade. Um momento de revisão, de reflexão. Como podemos fazer Paz neste mundo? Como podemos ser de Paz aqui e agora? Será que somos impotentes? Faz 20 dias tive ocasião de conversar com um homem de 32 anos, cidadão norte-americano, que participou de duas guerras como soldado da marinha americana. Ele me contou que entrou na marinha muito jovem, acreditando que esta seria um maneira de ganhar a vida honestamente, defender seu pais, ser um patriota, e se desenvolver como um homem de bem.

Com pouco tempo foi chamado para a guerra do Afeganistão. Segundo me disse ele, quando saiu de casa, tinha um sentimento de que ia em nome do bem, em defesa de algo nobre, e, ainda que tivesse que fazer um sacrifício, ele pedia a Deus que lhe desse coragem.

Logo que embarcou e começou o treinamento, estes sentimentos foram imediatamente substituídos pela dúvida, o medo, o terror e o desespero. A doutrinação a que foi submetido neste treinamento, incitava ao ódio como única resposta. Não tinha saída. Quando chegou a hora, teve que matar. Matou muitas pessoas, não sabe quantas, pessoas que não conhecia, que não sabia quem eram. Poderiam ser como ele e acreditar no que ele acreditava antes de sair de casa. Quando voltou, não suportou o peso da responsabilidade de ser um assassino, mergulhou no álcool e na droga. Com pouco tempo foi chamado para outra guerra. Não teve força de se libertar. Teve que ir, que aceitar aquela sina. Já era um assassino, já não tinha saída.

Assim foi, na esperança de morrer e afogar aquela culpa. Voltou mais uma vez, matou mais muitas pessoas e também viu morrer os companheiros. Será que Deus estava vendo aquilo? Será que existe perdão para um assassino involuntário. Naquele momento, quando o encontrei, este era o seu questionamento. Buscar em Deus a vida, se fosse ainda possível. Dentro dele ainda existia aquela lembrança da boa intenção que o levou por aquele caminho de trevas. Fiquei profundamente tocada. Não que eu nunca tivesse pensado ou mesmo rezado pelos soldados inocentes. Mas, naquele momento, conhecer de perto aquela pessoa, sua dor, sua verdade, foi como uma anunciação, uma ativação da minha consciência, algo que tocou a compaixão do meu coração.

Neste momento, refletindo sobre tudo isto, resolvi escrever estas palavras, como um testemunho, como uma semente de alerta, como um novo CHAMADO DE PAZ, acreditando na consciência. Que a Paz reine em cada coração, que todos possam procurar um caminho de vida, de construção, de bem, e que tenham consciência de que só a Paz interior, a Paz que governa cada atitude, pode conduzir a este caminho.

Avó Maria Alice Campos Freire

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