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[CANTO DE LU] Sobre nomes e sobrenomes

Eu

| Por Luciana Carmen* |

Luciana Carmen. Meu nome, sem sobrenome.

Recentemente, senti vontade de experimentar não usar sobrenome. Voltar a me apresentar como Luciana Carmen, assim como era quando eu respondia a chamada na escola, antes de entrar na faculdade e assinar Rabelo.

Sinto que assumir o meu próprio nome sem sobrenomes é uma forma de honrar toda a minha ancestralidade, sem privilegiar uma ou outra linhagem, e também de assumir minha identidade, de forma energeticamente mais livre.

Logo que decidi isso, lembrei que minha avó paterna se chamava Joana Luiza de Jesus, a mãe dela, minha bisavó, Luiza Maria da Conceição, e a minha trisavó Raimunda Maria de Jesus. Todas três sem sobrenome formal!

Mainha que botou meu nome. O Carmen acho que foi uma homenagem dela a ela mesma, que se chama Maria do Carmo. Carmo: Carma, Jardim Fértil. Carmen: poema, canção, melodia. Luci: Luz. Ana (nome de minha bisavó materna): abençoada, cheia de Graça, que tem compaixão.

Minhas duas avós se chamam Joana. Ambas do Pajeú. A materna, de São José do Egito, e a paterna de Carnaubeira da Penha.

Os sobrenomes que tenho registrados em meu nome são Rabelo e Oliveira. Rabelo vem da família do meu avô materno, e Oliveira do meu avô paterno. Ou seja, ambos vêm do lado masculino, evidências do sistema patriarcal.

Dia desses, num curso on-line de palhaçaria feminina, percebemos que quase todas as nordestinas da turma tinham nomes compostos. É cultural esse negócio de botar dois nomes fortes, tipo Patrícia Regina, Cláudia Lúcia, Adalzira Ângela, Susana Janaína, Luciana Carmen, Luana Regina, e tantas Marias.

* Luciana Carmen é cantadeira,  arteterapeuta, jornalista e editora do Portal Flores no Ar

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